17.3.11

mistérios domésticos

O buraco negro que existe cá em casa há muito que estava inactivo. Há uns tempos comeu um edredão, que deve ter sido coisa para lhe encher a barriguinha por uns valentes anos. Muito tempo depois regurgitou-o e deixou-o arrumadinho no fundo de um gavetão. Agora engoliu umas botas e um lenço.

Vamos fazer um acordo, buraco negro: podes ficar com as botas até ao próximo Inverno, mas o lencito dava-me jeito para os próximos dias. Estamos entendidos?

14.3.11

De vez em quando acho que não posso ter a idade que tenho, que já fui tantas versões de mim, que já vivi tanto, que este tanto não pode caber nesta idade. Mas, pela primeira vez, sinto que não posso estar em Março, que já se passou tanta coisa este ano, que é impossível ainda não ter chegado a meio do terceiro mês. Que eu vivo a um ritmo próprio é uma verdade, mas acho que está na altura de me impor um limite de velocidade.
Eu sei que ando cansada (a palavra é capaz de ser exausta) e talvez, por isso, me falte discernimento para entender certas actualidades, mas há alguém que me explique para que raio serve o "1 milhão no facebook para demissão do governo"?
Pergunta qual é a imagem que actualmente tenho dele. Eu respondo, de forma mais ou menos detalhada e séria (se perguntou era porque queria mesmo saber, deduzo eu).

A resposta: [palavrão que me recuso a escrever], falar contigo é pior que falar com um psicólogo!

Deduzo portanto que não devo ter andado muito longe da verdade.

irra!

Até sou uma pessoa com uma estranha capacidade de resistência. Sou capaz de suportar muito para além do que é considerado normal. Mas depois dos vestidos da cerimónia não sei das quantas e da moda Lisboa já não há paciência que aguente. Já não consigo ver mais fotos de roupinhas (outfits, queria eu dizer), sapatinhos e malinhas.

queriam vocês ter uma arma de sedução como os meus braços

Agarrou-me no braço, olhou surpreendido para a flexibilidade superior à média do meu cotovelo e exclamou um sentido "Fabuloso".

mais clara não podia ser

Não estou disponível para jogos complicados. Assim, a frio, e dito logo à cabeça, para evitar dúvidas, confusões ou ideias deturpadas.

12.3.11

ah, tinhas pouco para fazer?

Então toma lá 10 artigos para dares opinião.

Diria "ai que aborrecimento", se esta tarefa, aparentemente ingrata, não me levasse a Paris lá para o Verão. Sendo assim, o melhor é ficar caladinha e feliz.

10.3.11

já não se pode ser verdadeira

Desde que num momento de cansaço não fiz triagem aos pensamentos e às acções, e assumi a minha estranha adoração pelos HIM, clicando no like, sou gozada por toda a gente em todo o lado.

"Podias gostar dos Backstreet Boys, era pior!"

Fiquei caladinha e não respondi "Se soubesses o que eu gostava dos New Kids On The Block".

9.3.11

pormenores

Vocês sabem lá o gozo que me dá ficar a olhar para a parte de baixo da janela do msn e ver que ele está a escrever. Já não está. Voltou a estar. Parou. Voltou a escrever. Já se passaram 2 minutos e ainda nada. Parou. Recomeçou.

Ah, que vai sair daqui uma frase grandiosa. Um parágrafo bem compostinho.

Finalmente aparecem três palavras que se escreviam em 15 segundos se não soubéssemos bem onde estão as letras no teclado. A coisa repete-se resposta atrás de resposta, até que finalmente lá sai um "Queres ir tomar café?", depois de muito escreve e deixa de escrever. O que eu gosto de ver um homem seguro de si demorar 3 minutos para escrever quatro palavras tão fáceis.

8.3.11

do que me vira do avesso

Fez-me uma confusão descomunal ouvir na tv uma criatura dizer que tinha interrompido o Sócrates porque vivemos em democracia. Mas há alguém que explique a esta gente o significado de democracia, e de liberdade, já agora?

5.3.11

?

Sou só eu que acho que um "Olá Rosa!" é substancialmente diferente de um "Olá!"?

karma

Desconfio que até fechada numa solitária conseguia envolver-me em situações pouco recomendadas (ou numa versão mais optimista da coisa, até isolada do mundo conseguia arranjar animação).

2.3.11

ando numa curiosa fase de revivalismo

sunset_1march

Uma foto do pôr-do-sol de hoje para ver se me ajuda a pôr ordem nas ideias. Nunca conheci ninguém com tanta apetência para situações surreais como eu. Estou a atravessar uma estranha fase de revivalismo (quem acha que isto só se aplica a penteados e roupinhas que se desengane). Tenho pessoas do passado a cruzarem-se comigo como se sempre aqui tivessem estado, e dou comigo a falar com eles como se ainda ontem tivéssemos ido tomar café, quando muitas vezes nem nunca tínhamos falado antes. E hoje tive um estranho feeling de que me vou meter em confusões (bom, mas esse é o meu estado normal, eu sei).

1.3.11

oh yeah!

Mandar o cv num dia e no dia seguinte ser chamada para entrevista.

Tirar fotos destas durante uma aula.

Estar sol.

a aula da Ana deu flor

28.2.11

basicamente é uma sombra numa fotografia, mas eu sei que é ele!

Fui ver o concerto do João Gil e amigos. Bom, para dizer a verdade fui ver o Nuno Norte. Há nele qualquer coisa que faz acender estrelinhas no meu imaginário, não sei se é da voz rouca, se é do ar de rufia, mas que há ali qualquer coisa, há. Findo o concerto, já no bar lá do sítio, Rosa e companhia esperam pacientemente que o mocinho dê um ar de sua graça. Finalmente aparece e é monopolizado por uma criatura masculina, volumosa, e de casaso laranja tamanho XXL que não só se agarra a ele como se fosse uma lapa, como ainda corta totalmente o meu campo de visão. Senhor do casaco laranja, caso me leias, fica a saber que não gosto de ti nem um bocadinho.
Eu sei que não custava nada chegar ao pé do moço e pedir para tirar uma fotografia, mas isso não tinha piada nenhuma, que eu gosto é de tirar fotografias sem o consentimento alheio (e é certo que se ele dissesse nem que fosse um monossílabo com aquela voz rouca eu era capaz de corar, tossir e mirrar, e eu gosto de manter a minha pose de criatura inabalável). Sendo assim, apontava discretamente o telemóvel na direcção do menino e disparava. À distância a que ele estava, com o tipo do casado laranja colado a ele, e com a falta de luz lá do sítio, está-se mesmo a ver que nem uma fotografia de jeito tenho. Esperançada de que ele se aproximasse, mantinha-me no mesmo sítio de pedra e cal. Até que a amiga, já fartinha da espera e de pés frios, questiona:
- Olha, e se nos levantássemos?...
- Eu acho que é uma boa estratégia. Arrojada, mas boa! Mas desconfio que ele não vai gritar "Rosa e amiga, não vão já embora!"

"desclick"

Há muito tempo alguém me disse que se eles fazem muitos jogos, se a questão não é linear, então mais vale tirar o cavalinho da chuva e virar costas o quanto antes. Claro que na altura, inocente e sem grande experiência, ouvi o comentário e ignorei. Ah, sim, que eu gosto mesmo é de jogos, de sim num dia e não no outro, de ser o mundo inteiro dele num dia e no dia seguinte nem fazer parte da lista de prioridades (sim, já fui parvinha, felizmente depois passou-me). Agora dou a razão toda a quem me disse isto e nem se deve lembrar de algum dia me ter dito tal coisa. Minha querida, tinhas toda a razão e hoje ninguém me apanha a suspirar por quem não é nem coerente nem consistente. E, eu sei que é estranho, mas estas mudanças repentinas de humor do outro lado são coisa para apagar instantaneamente qualquer sentimento, mais etéreo ou mais terreno, que viva em mim. Nem preciso de me forçar a não querer pensar e a não querer sentir, é mesmo uma questão de incapacidade.

24.2.11


Acho que teria dificuldade em viver numa cidade sem água (mar, rio, seja o que for). Desesperei em Leiria. Sim, tem rio, mas na altura estava tão maltratado que era preferível não ter nada (estará melhor agora?). Era muito mais feliz nos dias em que podia fugir da cidade e ir para S. Pedro de Moel. O meu mundo de sonho mete água (e eu meto água muito mais vezes do que era desejável, mas isto é outra conversa). O meu mundo de sonho também inclui poder sair do trabalho, conduzir meia dúzia de minutos e terminar o dia na praia, ver o pôr-do-sol, e desligar de tudo o resto. E, se há muitos aspectos do meu mundo de sonho que são distantes, este ninguém me tirou hoje, como noutros dias.

Não sou medricas, não sou cautelosa por aí além. Faço, na maior parte das vezes, o que apetece (conduzo com chuva torrencial e com vento que faz abanar o carro podendo estar em casa, porque naquele dia me apetecia conduzir*; faço praia em Fevereiro porque o sol chama por mim**; digo que gosto e que tenho saudades porque é verdade, e quero lá saber do que o outro pensa). Atiro-me de cabeça de vez em quando. Ao contrário do que possa pensar quem não me conhece bem, tenho bom senso. Mas isso não invalida que não me atire para a frente, que não corra atrás do que quero, que não corra riscos. Não jogo pelo seguro, porque continuo a acreditar que um risco bem calculado pode trazer muitas vantagens agarradas. Mas um risco é sempre isso mesmo, e há alturas em que por mais ponderação que tenha havido, a sorte (não será só sorte, mas ok) não está do meu lado e dou comigo estendida ao comprido, depois de uma valente queda. Acontece, é a vida. Mas a questão é mesmo essa: a vida não é ficar quietinha à espera que aconteça, a vida é fazer acontecer.

*cheguei intacta a casa
** o banho de mar deixou-me surda durante 2 semanas

21.2.11

(às vezes tenho medo de mim)

Não sei se é o chamado sexto sentido, se é intuição, mas esta coisa de apanhar as mentirinhas e omissões todas de toda a gente acaba por me dar alguma vontade de rir (e por me cansar também). Ouço a mentira e penso de mim para mim que é isso mesmo, uma mentira, mas fico caladinha, porque cada um diz o que entende, e ninguém é obrigado a ser verdadeiro se não está para aí virado. Mais minutos menos minutos, mais dia menos dia, lá vem a confirmação de que a verdade naquele dia, naquela frase, tinha tirado férias. Um dia destes arranjo uma bola de cristal só para criar o ambiente certo, porque o sexto sentido já cá mora.

sentido de oportunidade

No dia em que o topo da hierarquia descobre que eu existo, e em que devia passar uma imagem de seriedade, profissionalismo e credibilidade, apareço de mini-vestido e botas que fazem lembrar pantufas.

20.2.11

fartinha do fim-de-semana

Estou desde as 9 da manhã sentada no mesmo sítio, agarrada ao computador. Já não penso, já não filtro o que digo, e anseio desesperadamente pela segunda de manhã que me há-de tirar destes preparos.

O lado bom da coisa: consegui trabalhar como não conseguia há umas semanas, desde que se instalou um estranho frio no fundo do estômago. Menos mal, a coisa é reversível.

desconfio que já me disse isto noutras alturas

Não voltarás a deixar trabalhos para terminar no dia antes do prazo limite.