11.6.14

10 semanas e um dedo na boca


(Sirmione, Itália, um destes fins-de-semana prolongados; or cá têm sido muitos!)


Pouco mais de 3 centímetros de gente e conseguimos ver um dedo na boca. Mexe-se imenso e o coração bate de forma veloz. Chegámos às 10 semanas! Ainda estou incrédula, estou habituada a gravidezes que por esta altura já terminaram. Pode soar estranho, mas é a verdade. De vez em quando já digo que temos que tratar disto e daquilo, colocando a hipótese de que tudo vai correr bem desta vez, mas acho que ainda não acredito verdadeiramente que podemos começar 2015 a três e não a dois.

Um quarto do tempo já passou!

10.6.14

expectativa



Cinque Terre, este fim-de-semana


Quando deixar de viver em Itália vou ter saudades destes fins-de-semana de cor e novidade. Cinque Terre é mesmo como nas fotos que vemos por aí, espalhadas na net, mas mais quente! Trinta e tal graus e uma água azul e verde que nos chama sem podermos dizer que não. As pessoas são simpáticas e a comida muito boa. Comi pela primeira vez lasanha de pesto e adorei. 

Mais logo, nova consulta e nova eco. Estou mais apreensiva do que das outras vezes. Parte dos sintomas desapareceu, o que me deixa de pé atrás. Os enjoos e as náuseas sumiram, o paladar que andava completamente alterado está mais normal, a fome diminuiu. Bem sei que pode ser normal, mas quase há um ano tomei como parte normal do processo o desaparecimento dos sintomas e tive uma supresa muito pouco agradável às 11 semanas. Nada a fazer além de esperar pelas cinco da tarde e ver o que aquele ecrã a preto e branco me reserva.

4.6.14

diferenças

Quando vi o meu nome na porta do meu antigo gabinete, e quando soube que a minha secretária continuava desocupada, não pude deixar de pensar que no sítio onde trabalho actualmente costumam retirar os nomes de quem sai no dia a seguir a terem ido embora. Mal se sabe que alguém vai sair há uma luta dos que ficam para ocupar o lugar vazio no gabinete, caso o gabinete seja interessante de algum ponto de vista. E soube há pouco que 15 dias antes do contrato terminar a possibilidade de fazer chamadas deixa de existir, incluindo as de trabalho.

Em Aveiro tinha o gabinete com melhor vista do edifício onde trabalhava. Um ano depois ninguém se mudou para lá, nem ninguém teve pressa de arrancar o meu nome da porta. Nunca o meu telefone foi desligado com receio que eu levasse a instituição à falência com as minhas chamadas. Tive problemas sérios no meu percurso de mais uma década naquela instituição e, apesar de em alguns momentos ter sentido que as pessoas eram números, sei que não o são para todos. Não é por acaso que sempre que volto às origens volto ao meu antigo local de trabalho, ponho a conversa em dia e encontro quem realmente me conhece e me respeita.

No sítio onde trabalho actualmente não há dificuldades financeiras nem qualquer tipo de limitação a esse nível, a crise não se faz sentir, mas as instituições são, em primeiro lugar, as pessoas e, só depois, o dinheiro que têm.

3.6.14

e se?

Fim-de-semana que se prolongou por quase uma semana em Portugal. Senti-me em casa, como sinto sempre, mas desta vez senti-me mais em casa. Um ano depois houve obras, sítios que mudaram, bares, lojas e restaurantes que fecharam e outros que os substituíram. Tenho vindo com tanta frequência ao meu ponto de partida que tenho acompanhado todas as mudanças de forma gradual, como quase se aqui continuasse a viver. Estive no antigo local de trabalho e continuo a sentir que pertenço ali. O meu nome ainda está na porta do meu antigo gabinete e a minha secretária continua vazia. Pela primeira vez dei comigo a pensar se há um ano tomei a decisão correcta. Na verdade, e agora que coloco as palavras por escrito, sei que não foi isso que pensei. Mas dei comigo a reflectir sobre a minha vontade de prolongar a decisão tomada. Sei que fiz o correcto ao sair da minha zona de conforto, em me desafiar, em me pôr à prova. Talvez o meu momento de reflexão tenha sido potenciado pelas minhas novidades mais recentes. Talvez agora o meu foco esteja a mudar, e nesta fase me apetecesse voltar aos meus, à minha casa, aos meus sítios, à minha praia. Talvez seja só a reacção imediata de quem se sente a atravessar o desconhecido e se sinta mais segura em terreno conhecido e seguro.

Os próximos tempos dirão se esta sensação se irá manter ou se à medida que me for habituando à minha nova realidade me sentirei mais confortável na minha posição de emigrante. Mas, digo-vos, esta foi a primeira vez em que tive vontade que a hora de ir embora não chegasse tão cedo.

De qualquer forma daqui a menos de 3 semanas estarei de volta para novo fim-de-semana prolongado!

28.5.14

yeah! 8 semanas!

Quero lá saber que hoje tenha tido teste de italiano e que tenha um trabalho importante para entregar. A notícia do dia é que às 8 semanas e 3 dias continuo a ter dois corações a bater dentro de mim! Parece uma goma com formato de ursinho. Tem esboços de braços e pernas que abanam quando lhe apetece e um coração a palpitar que se assemelha a um mini-candeeiro. Isto tudo em 2 centímetros de gente. É desta!

23.5.14

finalmente sexta


Um destes dias, no sítio onde moro.


Das duas vezes anteriores foi nesta semana que o sonho deixou de o ser. Os dias cheios de trabalhos, relatórios, aulas e testes de italiano ajudam a que os pensamentos não se centrem na gravidez, mas admito que quando me sobram uns minutos de sossego me pergunto Será que ainda está tudo bem?.  Os sintomas continuam por cá: enjoos, fome, muito sono, cansaço, insónias (eu com insónias? O mundo já esteve mais longe do seu fim), mas eu sei bem que isso não é garantia de nada. Tenho demasiados termos de comparação, é o que é! Esta semana foi particularmente longa, imagino que fruto do cansaço acumulado resultante das noites mal dormidas. O fim-de-semana vai ser de trabalho e estudo. Mas, na verdade, o que me apetecia era daqui a umas horas ir para casa, deitar-me ao sol na espreguiçadeira à beira-lago, adormecer e só tornar a acordar na quarta de manhã.

20.5.14

diferenças

Do meu ponto de vista a diferença entre engravidar depois de um  aborto (ou mais) e engravidar sem experiências anteriores menos felizes encontra-se claramente na limitação dos sonhos e dos planos. Na primeira gravidez eu imaginava a minha vida daí a nove meses. Agora o meu limite temporal encurtou e está carregado de "ses". Continuo a acreditar que desta vez é diferente, mas não posso nem quero esquecer as minhas experiências anteriores. Vivo esta gravidez, pelo menos para já, semana a semana.

Na primeira gravidez comprei dois livros sobre gravidez e maternidade. Quase não tive tempo para os ler. Quando as coisas correram mal acabaram numa prateleira, no meio de outros livros. Fiquei sem saber o que fazer com eles, naquela altura nem sequer colocava a hipótese de conseguir engravidar de novo. Ficaram ali, semi-escondidos, para não avivar memórias. Já eu tinha abortado quando chegaram dois babetes que tinha encomendado online. Já nem me lembrava deles. Perguntei ao H. o que fazer com eles: dá-los a uma amiga grávida? Sugeriu guardá-los para uma próxima vez. Não sei onde ele os guardou e desconfio que nesta altura já nem ele deve saber. Devem estar bem arrumados - escondidos - algures. Na segunda gravidez não olhei para os livros, não comprei nada e nem sequer me lembrei dos babetes. Não fizemos planos e é com dificuldade que me lembro da data prevista do parto.

Desta vez comprámos uma chupeta (com um bigode!), em jeito de quem quer mostrar que acredita, que desta é de vez. Ontem peguei num dos livros e folheei-o. Mas no nosso discurso há sempre duas hipóteses: se correr bem fazemos isto, se não correr bem fazemos aquilo. Antes das duas riscas cor-de-rosa estávamos a planear uma viagem fantástica, neste momento estamos em standby sem saber o que fazer. Se correr bem talvez não seja prudente ir para o outro lado do mundo, correndo o risco de precisar de assistência médica de um momento para o outro. Se correr mal podemos ir frente com o plano da road trip. Se correr bem dificilmente conseguiremos passar o Natal em Portugal, se correr mal a tradição mantém-se.

Não pensamos em roupinhas, carrinhos de bebé e decoração de quartos. Muito menos fazemos apostas sobre se é menino ou menina. Enquanto os casais "sem passado" se perdem também nestas questões, nós focamo-nos simplesmente no Será que é desta? Será que na próxima ecografia o coração vai continuar a bater? Será que na próxima ecografia vai ter o tamanho certo? Será?

16.5.14

foi assim

Andei estranhamente calma estas semanas, mas ontem, já depois de estacionar e enquanto caminhava para o consultório, dei comigo a pensar que ia ter um daqueles momentos que podem decidir tanta coisa. Não esperei tempo nenhum, entrei no consultório e expliquei resumidamente o meu percurso de 3 gravidezes num ano e mostrei os resultados das análises que fiz já depois do segundo aborto, na tentativa de encontrar uma razão para o fim abrupto do desenvolvimento do embrião. Simpatizei com a médica. Viu os resultados das análises com calma, e confirmou o que já suspeitava. Não há, aparentemente, motivo que explique o que tem acontecido. Mas não me falou de má sorte, nem de ansiedade, nem de stress, nem dos lugares comuns que vindos da boca de um médico me fazem ter vontade de virar costas e sair do consultório. 

Nunca eu imaginei ter tanta vontade de fazer uma ecografia ginecológica! Acho que naquele momento nem pensei em nada, fixei os olhos no monitor e vamos lá ver o que se tem andado aqui a passar nas últimas semanas. Apanhei um susto enorme, e lembro-me perfeitamente que naquela hora pensei "Há quem coleccione cromos nas cadernetas do Mundial, eu colecciono situações infelizes no que diz respeito a engravidar. Et voilà, desta vez saiu-me uma anembrionária". A médica pensou o mesmo (a parte da caderneta de cromos é capaz de lhe ter escapado, vá), vi-o na expressão dela e na frase que iniciou "O saco embrionário está implantado no útero, não é uma gravidez ectópica, mas..." E eis que o embrião aparece na imagem. Respirámos fundo e rimo-nos e confirmámos que estávamos a pensar exactamente o mesmo. Embrião com o tamanho correspondente ao tempo de gravidez. Para já tudo normal.

Saiu-me um peso de cima, mas o medo continua cá. Esta gravidez não é claramente uma repetição da segunda, em que nada foi normal desde o início, mas ainda pode ser a repetição da primeira. Quase há um ano, estava eu grávida do mesmo tempo, e na ecografia tudo era perfeito. Não sei se acaso (imagino que sim, já que as situações foram claramente diferentes), mas nas duas gravidezes anteriores o embrião deixou de se desenvolver às 7 semanas e poucos dias. Passarei por esta fase na próxima semana, e inevitavelmente não tenho apenas pensamentos sorridentes e cor-de-rosa. 

Farei nova ecografia daqui a duas semanas, depois da "fase crítica", no mesmo dia em que viajarei para Portugal. Na segunda gravidez abortei exactamente no dia em que deveria ter regressado a Portugal... De modo que, embora seja estranho para quem não passou por situações deste tipo, mas ter acordado hoje, mais uma vez, com uma leve sensação de enjoo me deixa um pouco mais descansada. Da primeira vez, o embrião deixou de se desenvolver, mas não houve sinais exteriores evidentes de nada, a não ser ir perdendo aos poucos os sintomas de gravidez. Na altura não liguei grande coisa, estava tão distante do mundo das gravidezes que não chegam a bom porto.

Resumindo e concluindo, tenho 8.1 mm de gente dentro de mim e, mais uma vez, dois corações a bater em simultâneo. Se daqui a duas semanas continuar a ter corações aos pares sou capaz de começar a acreditar realmente que corro o risco de ter uma passagem de ano bastante original!

14.5.14

o bom humor dos amigos:

"E se amanhã as novidades não forem boas vamos para os copos, porque nesse caso já podes!"

1 ano de Itália

Muito trabalho, muitas reuniões (grande parte sem interesse nenhum), outras tantas chatices profissionais, aulas de italiano, prazos que se aproximam a olhos vistos, ou seja, o cenário ideal para não pensar muito na gravidez, para o bem e para o mal.

O médico português a que fui da última vez que estive em Portugal disse-me que assim que engravidasse de novo devia reduzir a actividade física e intelectual*. Eu tento, juro que tento, mas como é que se limita a actividade intelectual? Bom, eu bem que prometi a mim mesma pelo menos não me irritar e andar em paz com o mundo, mas parece que há criaturas que insistem em me testar os limites e eu, sendo calma, não sou amorfa, e há alturas em que não consigo ficar calada, ainda que sabendo que vou irritar os outros e me vou irritar também. Ontem a meio de uma reunião lá disse meia dúzia de verdades que mereciam ser ditas e ouvidas, mas senti claramente o nervosismo que aquela situação me provocou e só pensava "Não te podes irritar, não te podes irritar". Claro que quando se tem um pensamento destes já a tampa nos saltou há muito. 

O que é mesmo relevante: amanhã tenho consulta e estou mortinha por ver no ecrã o que se passa cá por dentro, já que o que se vai sentindo é um misto de fome e enjoo permanentes que não consigo colocar por palavras. Quem se lembrou de chamar a isto "enjoos matinais" esqueceu-se do pequeno pormenor de que isto dura o dia todo, desde que acordo até que me deito. E, ainda assim, acredito que é um bom sinal. Estou-me a transformar num ser estranho, fico contente por ter enjoos! E ontem, a meio da reunião, juro-vos que tive pena de não ter vontade de vomitar ali mesmo, que seria uma belíssima forma de exprimir o que me ia na alma! E... continuo a achar que é desta, mais do que alguma vez achei na segunda gravidez.

De resto, faz por estes dias um ano que me mudei para Itália!



*É certo que também olhou para nós e exclamou "Vocês têm os dois bom aspecto, não têm problema nenhum!", que é sempre uma coisa simpática de se ouvir quando se passou por dois abortos seguidos e queremos encontrar uma razão médica para o sucedido, de modo que o que ele diz vale o que vale. 

12.5.14

forma de ser

Hanging clothes (Dubrovnik mais uma vez, e cá continua a mania dos estendais!)


Contei aos meus pais e aos amigos próximos sobre a gravidez. Sei que há quem pense que é um risco, que tudo pode correr mal e depois terei que dar a má notícia. Mas não são estas as pessoas que terei ao meu lado para me ajudarem a dar a volta se o desfecho não for o que todos mais ansiamos? Sinto frequentemente que deve haver algo de pouco habitual em mim na forma como divulgo a novidade, mas não o sei fazer de outro modo e é este que me deixa confortável. 

semana 6

Dubrovnik, uma cidade encantadora 


Tanto adiei a ida a uma consulta que quando a quis marcar vi o caso complicado. A médica habitual só tinha vaga em Junho, e as outras opções que tentei só depois dessa data. Já me imaginava a ser pouco correcta, a inventar uma dor qualquer e a ir à urgência só para me fazerem uma ecografia. Bom, acabei por descobrir uma médica mesmo ao lado de casa e, estranhamente, arranjei uma consulta para o final desta semana. Ainda é muito cedo, mas dado o meu historial, a "fase crítica" aproxima-se e não queria que esta chegasse sem fazer uma ecografia e saber qual o ponto da situação. Se tudo estiver a correr como é suposto, no final desta semana devo ver um embrião com um coração acelerado. Não que este panorama seja diferente dos anteriores, porque nas duas gravidezes anteriores houve sempre dois corações a bater dentro de mim, mas é um passo essencial para chegar a bom porto. Mantenho-me optimista, mas racional, tendo sempre presentes as experiências anteriores. Para já sinto-me bem, com uma leve sensação de enjoo que me acompanha de manhã à noite. Suponho que deve ser um bom sinal. E, para já, nada mais me resta fazer para além de esperar e sonhar.

29.4.14

semana 5








(12 horas de escala no Dubai e a visita possível)

Estou estranhamente calma e, consequentemente, racional. Estou a tentar aproveitar as lições das experiências anteriores. Na última gravidez  fui a correr para o médico. Fiz ecografias todas as semanas. Morria de ansiedade, desespero e stress entre cada ecografia. Havia sempre alguma coisa que não estava aparentemente bem, mas que podia não significar nada. Havia que esperar pela ecografia seguinte. As semanas pareciam demorar meses e a verdade é que não adiantou de nada. Na realidade quando algo corre mal nesta fase inicial, os médicos pouco ou nada podem fazer. De modo que desta vez não vou cair no mesmo erro. Consulta e ecografia só daqui a mais umas semanas, quando já for possível ver o embrião e ouvir o coração. Até lá vou tentar manter-me calma e feliz, e ir gozando os sintomas ao sabor do correr dos dias. Ah, e também vou viajando, a melhor fonte de distracção possível. Vemo-nos por aí, na Croácia, amanhã! 

27.4.14

à terceira é de vez! :)

Untitled
(incenso em espiral, Hong Kong)


Sempre fui dada a correr riscos. Não me refiro a atirar-me de cabeça de um precipício, mas correr riscos depois de ponderar os prós e os contras e depois de ter presente qual a pior situação em que poderia ficar, caso o arriscar me corresse mesmo mal. Foi isso que fiz depois do segundo aborto. Sabia que queria fazer todos os exames possíveis para tentar encontrar uma possível causa para as duas gravidezes com fim espontâneo e precoce. Mas, por outro lado, não queria esperar meses pelos resultados dos exames e sabe-se lá mais quantos meses depois disso até tornar a engravidar. Já não tenho vinte e poucos anos, nem sequer trinta. Decidi fazer as duas coisas em simultâneo. Fazer os exames médicos sem deixar de tentar engravidar. Da última vez entre o aborto e a nova gravidez passaram 6 meses. Ninguém me garantia quanto tempo demoraria a tornar a engravidar desta vez. Tomei esta decisão numa postura de economizar tempo.

E economizei. Na verdade, economizei muito mais tempo do que alguma vez poderia ter imaginado. Hong Kong é um sítio mágico para mim, ao qual tenho associados alguns dos melhores momentos da minha vida. A viagem mais recente foi fabulosa e na melhor companhia possível. Temperaturas de Verão, caminhadas muito longas, muito cansaço, muitos templos, molhar os pés no mar do Sul da China, revisitar sítios onde já não ia há quase 20 anos. Enfim, fui verdadeiramente feliz naquela semana passada noutro clima e noutro fuso horário. Esqueci-me das gravidezes que não chegaram a bom porto e conscientemente ignorei um "mini-tratamento" que devo fazer todos os meses e sem o qual dificilmente conseguiria engravidar. Quis viver aquela semana de forma plena, sem nuvens a pairarem-me sobre a cabeça e sem esperanças falsas.

Ainda em Hong Kong senti-me grávida. Já tinha lido relatos destes e achava que eram um disparate pegado. Como é que alguém pode saber que está grávida uma semana antes do sinal evidente de uma gravidez? Eu sabia. Talvez o ter passado por outras duas gravidezes no espaço de um ano me tenha deixado a memória fresca, talvez esteja particularmente alerta a pequenos sinais e sintomas, talvez agora conheça o meu corpo como não conhecia antes. E ainda em Hong Kong havia um sinal que me deixava de pé atrás. Cheguei a Portugal e os pequenos sintomas foram-se acumulando. Uns dias antes do que era suposto já tinha um teste positivo nas mãos. 

Ainda não tenho os resultados dos exames que fiz para tentar encontrar uma causa para os abortos, de modo que estou num arame sem rede. Tudo se pode repetir ou, se o que me aconteceu foram dois acasos infelizes, tudo pode correr bem. Mas, neste momento, o que me interessa é que poucas semanas depois estou grávida. Ainda estou um pouco incrédula, sem saber muito bem como lidar com a novidade tão recente e inesperada. 

Estou grávida! 

Já vos disse que adoro Hong Kong? :)

24.4.14

dias de felicidade

Voltei à cabine de chão transparente do teleférico que vai até Lantau. Não há como descrever estes quase 6 Km de percurso.




21.4.14

19 anos depois

Já tinha voltado a Hong Kong entretanto, mas a Repulse Bay não ia desde 1995. O mesmo sítio da foto do post anterior com 19 anos de distância:


11.4.14

mala feita

Untitled

Semana terrível com muito trabalho, muitas confusões, sem tempo para caminhadas ou piscina. Esta semana basicamente existi e ponto final. Consegui fazer tudo o que era suposto, mas cortei nas horas de sono e no que mais gosto de fazer. Foi a primeira vez desde que cheguei a Itália em que trabalhei diariamente mais horas do que aquelas que posso declarar. Fui a primeira a chegar ao trabalho e a última a sair todos os dias. Chegava e tinha o estacionamento só para mim. Saía e o estacionamento ficava vazio. Estou de rastos.

E estou feliz. Trabalhei que me fartei porque tudo resolveu acontecer na semana antes das férias. Mas hoje, daqui a pouco, desligo o pc, arrumo a papelada e rumo directamente para o aeroporto. Ásia de novo, o continente que me faz mais feliz. A foto é de Hong Kong, tirada no tempo em que ainda se usava rolo e se esperava voltar para casa para se ver como tinham ficado as fotografias. Hong Kong foi a minha primeira viagem longa e talvez por isso me tenha caído no goto desta forma e me tenha deixado memórias excelentes, e um amigo para a vida. A verdade é que voltei há poucos anos e o encanto manteve-se. Afinal podemos voltar aos lugares aonde já fomos felizes e voltarmos a sê-lo. Fui três vezes a Hong Kong, e das três vezes fui muito feliz, ainda que de formas muito diferentes.

Até já, do meu lado preferido do mundo! 

8.4.14

hoje vou dormir mais descansada

Como é que esta foto foi tirada?




Assim :D


Hoje foi um dia bom no trabalho. Os is começam a ter os pontos no sítio certo. Claro que a minha dose de paciência para atitudes menos felizes também vai aumentando à medida que as férias se aproximam! Mas, independementemente disso, hoje foi um dia bom. Tenho andado mais sensível e intolerante e com os níveis de paciência a roçar valores negativos. Hoje alguém assumiu um disparate de todo o tamanho de há uns meses. Mais vale tarde que nunca. Não apaga o desconforto que me provocou, mas deixa-me mais leve. 

consequências

(lago Maggiore, como quase sempre)

Tenho lido relatos e desabafos de mulheres que têm dificuldade em engravidar ou que já sofreram vários abortos. Grande parte delas refere-se à dificuldade que têm em contactar com grávidas, em acompanhar as gravidezes de amigas e colegas de trabalho. Relatam também, com tristeza, a inveja que sentem das grávidas com que se cruzam na rua, das que lhes são mais próximas e especialmente de quem engravida com a mesma facilidade com que respira.

Há poucos dias uma amiga contou-me que estava grávida. Senti-me genuinamente feliz por ela. Uns minutos depois dei comigo a pensar quanto tempo mais manteria esta minha neutralidade. Quanto tempo mais irá passar até eu sentir uma pontada de inveja antes de me sentir feliz pela felicidade de quem me é próximo? Tenho mais receio de me tornar uma pessoa amarga do que de não ter um filho.

talvez não seja tão cinzenta como pensava!

Os meus colegas de trabalho a olharem com ar de espanto para os meus pés. Quero lá saber!

7.4.14

cinzento por dentro, explosão de cor cá fora

(do passeio junto ao lago, desta vez sem se ver o lago)

Não sou muito colorida na forma de me vestir. De vez em quando lá cometo uma extravagância, mas não uso frequentemente cores apelativas e muito menos padrões chamativos, e muito menos misturo as duas coisas. Tenho para mim que é um mecanismo inconsciente de lidar com o cinzento de alguns dias mais recentes, mas ultimamente dei comigo a usar peças coloridas. Ainda que a cor esteja escondida na lingerie, ela está lá. É como se apenas eu precisasse de saber que a explosão de cor está ali, e não os outros. É apenas para mim, e para mais ninguém. Eu é que preciso de ter dias coloridos! Mas toda a regra tem uma excepção. Ainda agora não consigo explicar nem como nem porquê, mas vi estas sapatilhas e foi amor à primeira vista. E, nem me reconheço a dizer isto, mas quero um dos casacos da mesma colecção. Os italianos são, de uma forma geral, bastante vistosos a vestir. Estarei a italianizar?

italiano

(da caminhada de ontem, com 27ºC e sabor a Verão)

Frequentemente acho que não aprendi grande coisa de italiano desde que aqui cheguei, mas a verdade é que aos poucos me vou apercebendo que antes não sabia como dizer isto e aquilo e agora sei, e há pequenas frases que me vão saindo com naturalidade. Aquela ideia de que para um português o italiano é básico não é totalmente verdade. Sim, confirmo que para quem vem a Itália de férias é fácil safar-se, ir a um restaurante e comprar bilhetes não exige propriamente grandes conhecimentos. Também confirmo que para um português é fácil ler e perceber italiano. Mas já não me é tão simples falar, manter um diálogo em italiano. E escrever? Os outros portugueses não sei, mas eu demoro imenso tempo quando tento escrever meia dúzia de frases gramaticalmente correctas. Também é verdade que trabalhar num contexto internacional em que todos interagimos em inglês não me ajuda muito a aprender italiano. Sim, se quiser consigo fazer-me entender, mas 10 meses depois exijo um pouco mais de mim. 

Soube hoje que desta vez o exame oral de italiano implica fazer uma apresentação oral durante 15 minutos. O tema é à escolha do freguês. Desconfio que vou fazer um relato de uma viagem e fica o assunto arrumado. Nada como falar de algo que muito me agrada para tornar a tarefa mais aliciante

do fim-de-semana


Lake Maggiore We

4.4.14

agarrar o touro pelos cornos

(a minha casa italiana)

A Primavera já está por aqui há algumas semanas, embora de vez em quando o céu volte aos tons de Outono. Finalmente o frio parece ter desaparecido de vez. A casa está rodeada de flores, mas as que mas me enchem as medidas são as magnólias. Acordar, abrir as portadas e ver aquela árvore imensa cheia de flores anima as minhas manhãs, mesmo nos dias menos sorridentes.

Continuo a processar tudo o que aconteceu e está a acontecer. Ainda tenho dificuldade em escrever sobre os últimos acontecimentos, não porque me aumente a dor, mas porque a amálgama de emoções e pensamentos é enorme. Durante alguns dias pensei também se seria assunto a abordar no blog de forma frequente. Depois pensei "Por que não?". E as únicas razões que encontrei para me calar sobre a maternidade, a gravidez e os abortos estavam relacionadas com os outros, este é um assunto que não interessa a grande parte de quem me lê. Mas a verdade é que este blog (como os outros que tive antes) é um pouco de mim, apenas isso, sem pretensões a nada. E o meu eu agora inclui a maternidade, a gravidez e o aborto, como antes incluiu paixões, amores, desamores e questões profissionais. Os blogues que fui tendo, a dada altura, foram uma espécie de sofá de psiquiatra nuns dias e sacos de boxe noutros. Cumpriram sempre a sua função, não resolvendo-me os problemas, mas permitindo-me escrever e reflectir sobre eles, ajudando-me a organizar ideias e tornando os problemas mais leves. Desconfio que é disto que vou precisar nos próximos tempos, de modo que não vou excluir esta faceta da minha vida no blog. Com bastante pena minha, um destes dias cruzei-me com a infertilidade (nunca até ao segundo aborto tinha pensado em como é possível ser infértil, apesar de conseguir engravidar) e, para já, ela continua por cá, no blog e na vida. Só há uma coisa a fazer: enfrentá-la.

2.4.14

quando me apetece gritar escrevo, sempre foi assim, e assim continua

Quando abortei a primeira vez achava que era um caso quase único. Sabia de uma situação ou outra semelhante, mas não mais que isso. Depois fui contando o que se tinha passado comigo e penso que não houve ninguém que não me tivesse dito que conhecia alguém que tinha passado pelo mesmo ou que tivesse vivido uma situação semelhante na primeira pessoa. Fui obrigada a concluir que a situação era comum, o que era incomum era falar-se sobre isso. Achei que se falava pouco sobre o aborto espontâneo porque quem vivia esta experiência preferia não a partilhar. Entretanto vivi um segundo aborto e começo a mudar de opinião. Desconfio que quase não se fala sobre o aborto não porque quem por ele passa não quer falar, mas porque os outros não querem ouvir. É algo que nada lhes diz, que é distante e, especialmente, é desagradável. Para além disso, quando o aborto é numa fase inicial, naquela fase em que os outros não vêem a gravidez, para esses outros a gravidez nunca existiu, pelo que, por muito próximos que sejam da mulher que abortou, nunca viram nem sentiram quem ela perdeu. Esta falta de compreensão e sensibilidade leva-os a não saber o que dizer e, sentindo-se na obrigação de dizer algo que não o mais honesto "não sei o que te diga", saem preciosidades com sabor a disparate aos ouvidos de quem abortou. Eu sei que não é dito por mal, mas não, eu não quero ouvir:

- de certeza que da próxima vez vai correr bem! (já vos provei que não é bem assim)

- a Maria Albertina, prima da Genoveva, amiga da Felisberta, abortou 197 vezes e à 198ª vez foi bem sucedida! (ah, pronto, já só me falta passar por 196 abortos, fico muito mais descansada)

- agora é tornar a treinar muito!, dito com um sorriso maroto no rosto (ainda bem que alguém me recorda do "como", das vezes anteriores foi por geração espontânea)

- tens que ter calma, a ansiedade não faz nada bem (da primeira vez nem sabia que estava grávida, de modo que esta é capaz de não encaixar muito bem no meu caso)

- antes agora que mais tarde (pronto, depois desta frase de sabedoria profunda sinto-me muito melhor)

- a minha prima Anastácia abortou dezenas de vezes, até que os médicos a aconselharam a desistir de tentar (haja quem nos anime!)

- podes sempre adoptar (o que eu gosto de pessoas com esperança!)

Aos ouvidos de quem abortou, estas frases só servem para minimizar a dor, é uma forma de dizer "esquece lá isso, já passou, bora lá voltar à vida normal". Lamento informar que ainda que continue de sorriso no rosto e de bem com a vida passei por dois abortos em pouco mais que meia dúzia de meses. Um aborto é muito mais do que a perda de uma criança, é a perda de um milhão de pequenas possibilidades. Isto é coisa para me fazer pensar em coisas em que nunca tinha pensado. E, garanto-vos, conheço-me muito bem e sei bem a capacidade de adaptação que tenho. Não sou de ficar a chorar pelos cantos, nem de ficar a lamentar o que passou. Mas, minha gente, eu não posso, nem quero, passar uma borracha em partes da minha vida, por muito difíceis que elas possam ser. Eu sou eu e as minhas circunstâncias, já Ortega y Gasset dizia.

Há dias dei comigo a recordar que pensei várias vezes ao longo da minha vida que poderia vir a ter dificuldade em engravidar (todas as mulheres pensam nisto, não?), mas nunca coloquei a hipótese de não conseguir levar uma gravidez até ao fim. 

só a mim

Fim-de-semana prolongado em Portugal. Aproveitei para fazer uma lista considerável de análises. Não contei, mas eram seguramente mais de 10 frasquitos cheios de sangue. Depois de me sentir sugada por um vampiro respirei fundo e pensei de mim para mim que agora havia que ser paciente e esperar um mês pelo resultado da análise mais demorada. Depois, com o resultado na mão, logo se verá se há ou não razão para os abortos repetidos.

Mas eu sou aquela pessoa a quem acontece tudo o que é improvável, recordam-se?

De modo que estou eu quase a chegar ao aeroporto quando me telefonam e pedem para voltar ao laboratório porque se esqueceram de tirar sangue para a tal análise mais demorada. Impossível voltar, o tempo não chega. Sendo assim, não só falta um mês para ter o resultado da análise como falta mais um mês, que é o tempo que vou demorar a tornar a ir a Portugal, altura em que finalmente me tirarão o sangue.

Eu não preciso de ir ao médico, preciso de ir à bruxa!

28.3.14

do Verão passado

Enquanto preparo a próxima road trip algumas fotos da do Verão passado, sem nenhuma ordem específica.


I love clouds Algures em Espanha: foto-chavão de qualquer road trip que se preze.

  can you hear the music?
A primeira paragem: Salamanca. Tinha lá estado há mais de 10 anos. Soube-e muito bem começar a viagem a recordar caminhos com memórias.

  one day I want a house like this
A delicadeza das casas em Carcassonne, património mundial da UNESCO, em França.

  road trip: day 4Chegámos a Martigues (França) já de noite e a primeira impressão não foi boa. Pensámos que não tinhamos feito a melhor opção ao termos escolhido parar em Martigues. A manhã confirmou a nossa opção inicial. A parte bonita e interessante de Martigues é muito pequena, mas é também muito bonita.

  Colorful windowsNice é uma confusão: trânsito pouco fluido, muita gente na rua e muita gente na praia. Desconfio que tão cedo não devemos voltar. Não somos fãs de grandes ajuntamentos. (Sim, é verdade, tenho uma adoração inexplicável por portas, janelas e portadas.)

  end of summerNarbonne e a sua praia de sonho: pouca gente, silêncio quase absoluto, paz e sossego. É para voltar em breve!

  Road trip: day 3Mais uma daquelas que fazem parte do álbum de qualquer road trip. Algures em França.

  Road trip: day 1Ainda no primeiro dia de viagem, em Espanha. Esta já foi parar à capa de um documento de trabalho meu. Deu-me gozo quando colocaram a questão dos direitos da fotografia da capa e respondi "É minha!".

  Road trip: day 4Em Avignon, tive pena de não ter ficado por lá a deambular mais tempo.

  morningSan Sebastian, em Espanha, com a certeza de que temos que arranjar uns dias para circularmos por lá com mais tempo.

a receita do crumble salgado


Para o crumble propriamente dito:

100g de farinha
100g de flocos de aveia integral
100g de manteiga (cortada aos cubos)
100g de queijo ralado (usei grana padano porque era o que tinha)

Com as mãos misturei os ingredientes todos até a massa ficar com consistência de areia (grãos grandes de areia!).

Para a parte salgada:

2 courgettes grandes
tomate cereja (quantidade a olho, não faço ideia!)
milho (talvez 1/4 de uma lata pequena)
1 peito de frango já cozido e cortado aos cubinhos
sal, pimenta, azeite

Coloquei as courgettes em água a ferver. Deixei-as 5 minutos na água a ferver (a intenção é só que fiquem um pouco amolecidas). Retirei as courgettes da água e fatiei-as. Juntei o frango cortado aos cubinhos, as courgettes fatiadas, os tomates-cereja cortados às metades e o milho. Temperei com sal, pimenta e um pouco de azeite. Coloquei num tabuleiro/taça para ir ao forno. Por cima espalhei a massa do crumble com consistência de areia. Devo ter deixado no forno durante 40 minutos.

Buon appetito!

27.3.14

não são só os olhos que comem

Vivo em Itália há 10 meses. Neste período comi mais pizzas do que tinha comido antes em toda a minha vida! Ainda não comi pizzas más. Já comi algumas assim assim e outras que quase me fizeram babar, mas quase 10 meses depois começo a precisar de fazer uma pausa nas pizzas. E nas massas. Na cantina servem massa todos os dias. Adoro massa e pizzas, mas há limites! Já a lasanha não é assim tão frequente. Nem todos os restaurantes têm lasanha no menu, um atentado para alguém como eu que sorri enquanto saboreia uma boa lasanha. E a lasanha em Itália, há que o sublinhar, é excelente. Também os risotos merecem destaque. Adoro o risoto de cogumelos e mirtilos de um restaurante aqui pertinho de casa. Quando como fora de casa é difícil escapar às massas, às pizzas, à lasanha e ao risoto, de modo que em casa tenho tentado diversificar.

No Domingo passado foi dia do crumble: um doce e outro salgado. Não me perguntem de qual gostei mais porque não vos sei dizer. De um lado a acidez dos frutos vermelhos a contrastar com a doçura do crumble, do outro o sabor acentuado a queijo do crumble salgado. É quase como perguntar a uma mãe de que filho gosta mais! Para já ainda não me rendi à comida de passaroco, cheia de sementes, e aos sumos verdes com ar gosmento que tanto se vêem por aí.



22.3.14

queda da flor!

Bastou que estivesse sol durante dois ou três dias para que as cores Outono dessem lugar ao florido primaveril. As árvores floriram de um dia para o outro e circular por aí sem destino enche-me os olhos de alegria e esperança. 


(mesmo à entrada do sítio onde trabalho, em Itália)

20.3.14

as férias que se querem grandes

Este ano não haverá férias em Agosto. Em Agosto grande parte dos meus colegas estará de férias, havendo o ambiente ideal para trabalhar em sossego. Por aqui os dias são tórridos nessa altura do ano, de modo que apetece vir trabalhar bem cedo, sair ainda antes do meio da tarde e aproveitar o Sol, o lago e a praia privada que temos desde que mudámos de casa. Em Agosto, estando aqui, estaremos em férias mesmo sem o estarmos oficialmente. Guardamos as férias para mais tarde, para a viagem que planeamos agora e que, ou muito me engano, ou vai ser uma das viagens das nossas vidas.  Confirmo aquilo que já todos sabem: planear a viagem dá-nos metade do prazer de viajar.

19.3.14

daqui a um mês estarei aqui

Não faço ideia do que mais me espera em 2014. Pode vir por aí muita coisa má, mas também tenho a certeza que me cruzarei com muitas coisas boas. Daqui a um mês estarei num sítio onde sou sempre um bocadinho mais feliz. Já lá estive três vezes, duas há mais de meia vida e a última em 2011. Das duas primeiras vezes éramos mais de cem, em 2011 fui sozinha e este ano vamos os dois. Acaso, ou não, isto diz muito sobre a minha vida.

Desejos no templo de A-Ma em Macau. Em 2011 deixei lá pendurado um meu. Os deuses orientais foram amigos. Três anos depois posso afirmar que o meu desejo foi satisfeito. Desconfio que este ano lá ficará outro!
 
Templo do Buda Gigante, em Lantau, Hong Kong

18.3.14

dos passeios de fim-de-semana

Eu continuo a mesma pessoa, só que um bocadinho mais vivida. Continuo a ser sorridente, a gostar de descobrir novos recantos e, ao contrário do que possam pensar, a ser muito feliz.

Lago d'Orta e a ilha de San Giulio pela primeira vez, mas é para voltar com toda a certeza:

12.3.14

regresso aos dias comuns

(de ontem, na caminhada solitária e silenciosa junto ao lado)

Da outra vez saí do hospital após a curetagem, respirei fundo, dormi, e no dia seguinte voltei ao trabalho como se nada fosse. Desta vez achei que merecia dois dias de sossego e descanso para pôr as ideias em ordem. Passei pela curetagem mais uma vez, embora desta vez o meu corpo se tenha encarregado de libertar de tudo o que era já supérfluo. No dia seguinte caminhei muito, parei sempre que me apeteceu e entre as caminhadas e as pausas houve tempo para fotografar. Hoje, dia em casa, almoço no terraço ao sol e limpeza da casa em jeito de limpeza da vida. Amanhã regresso aos dias comuns, volto ao ponto de partida. Mora em mim uma espécie de vazio. Não é um vazio enorme que me ocupa totalmente, mas um desconsolo, um desamparo e muitas dúvidas. Não me deixo consumir por estas dúvidas, mas de vez em quando elas aparecem de mansinho e depois somem. Acredito que um dia vai correr bem, naturalmente ou com acompanhamento médico. Não sei é quão longo será este caminho. Já pensei muitas vezes que o primeiro aborto pode ter sido apenas um passo inicial de uma longa caminhada. Já li muito, muito, muito. Mesmo antes do segundo aborto confirmado li muito sobre perdas consecutivas. Conheço as percentagens, sei de cor a teoria, sei o caminho a seguir. Sou racional o suficiente para reconhecer que há que tentar procurar as razões das perdas, embora saiba também que posso não vir a encontrar resposta para o porquê. Mas o meu lado que corre riscos continua a piscar-me o olho, e apetece-me arriscar mais uma vez e tentar provar que tive azar duas vezes seguidas, apenas isso, mas que à terceira é de vez.

11.3.14

o post que eu gostava de não escrever


(neve este Domingo, não muito longe de casa - Monte Mottarone)

A minha mãe costuma dizer que "O diabo não está sempre atrás da porta", mas atrás da minha já esteve duas vezes. Exactamente na mesmo altura em que a outra gravidez tinha deixado de evoluir, esta seguiu-lhe o exemplo. Da primeira vez, só quase um mês depois do embrião ter deixado de se desenvolver é que fui confrontada com a realidade. Não houve sintomas nem indícios de nada. Conheci por dentro uma expressão que até aí nada me dizia: aborto retido. Desta vez foi diferente. Desde o início que houve pequenos nadas que me deixaram de pé atrás, a confirmação do desfecho menos feliz chegou à sétima semana acompanhada por um aborto espontâneo. 

Pode parecer estranho, mas lidei melhor com a certeza do fim da gravidez do que com as semanas de incerteza entre o positivo e o fim. Sempre soube lidar com situações difíceis, nunca soube lidar com areias movediças, e desconfio que já não devo aprender.

Ainda é cedo para dizer que marcas me vão deixar estas duas gravidezes com fim precoce, mas tenho a certeza que essas marcas existem e o tempo dirá com que profundidade me ficarão vinacadas na pele e nas entranhas. Sei que numa próxima gravidez andarei de coração nas mãos a toda a hora, mas isso penso que não há como evitar. Novo balanço: 8 meses, 2 gravidezes, 2 corações que bateram, 2 corações que deixaram de bater às 7 semanas.

26.2.14

:-)

(Lago Maggiore, há dias de manhã)

Achei, e continuo a achar, que lidei muito bem com o aborto de há uns meses. Ainda hoje penso que ter ido sozinha para o hospital na manhã em que me foi feita a curetagem, ter partilhado o quarto com uma grávida com contracções muito pouco espaçadas, ter saído de lá sozinha depois de uma anestesia geral, ter ido trabalhar no dia seguinte e não ter chorado uma lágrima em nenhum destes momentos não é para qualquer uma. Mas a verdade é que a gravidez não evolutiva me marcou. Desta vez não tomo a gravidez como algo garantido por 9 meses. Estou alerta a tudo e mais alguma coisa e, durante as primeiras semanas, tenho termo de comparação, o que nem sempre é bom. Da outra vez tive um cocktail de sintomas bombástico, era impossível não notar que estava grávida (embora o tivesse ignorado por algum tempo). Desta vez, e apesar das ainda poucas semanas, já tive sintomas e já deixei de os ter. Agora sinto-me "muito pouco grávida". Diz a médica que estou tão centrada no stress que nem me apercebo dos sintomas. É bem possível. Hoje posso relaxar um pouco mais. Para já nada de anormal. Esta semana, que durou uma eternidade, terminou com sorrisos. Uma barreira ultrapassada. Muitas mais se seguem, bem sei. Mas o primeiro susto foi ultrapassado e hoje é apenas disso que me quero lembrar e é isso que quero comemorar.