3.7.14

14 semanas, yeah!

14 semanas, o dobro do meu habitual. Continuo à espera dos resultados do teste Harmony, faltam mais duas semanas de paciência até me apanhar com o relatório na mão. Até lá nada de consultas nem de ecografias. Fico um pouco ansiosa por irem passar mais de 2 semanas sem fazer uma ecografia. Mais do que querer saber o sexo da criança, eu queria mesmo era começar a senti-la para me sentir mais sossegada. Uma das minhas companheiras de gravidez diz que já sente borboletas a voar na barriga. Eu não sinto absolutamente nada. Bem sei que é muito cedo para sentir seja o que for, mas que dava jeito, dava! 

 (Turim)

2.7.14

a procura de casa continua

Tínhamos encontrado um apartamento quase perfeito. Solarengo, espaçoso, recente e com um bom isolamento (essencial para os invernos gélidos e os verões abrasadores que se fazem sentir por estes lados). Tinha garagem e lugar de estacionamento, uma varanda grande e banheira. Tudos coisas normais em sítios normais, mas o sítio onde estou não é normal. Casas ou apartamentos recentes para alugar são uma raridade. Os que estão disponíveis são antigos, o que quase sempre equivale a dizer que têm um isolamento miserável, o que obriga a gastar enormidades em aquecimento no inverno. E uma banheira, a sério!, nunca imaginei que uma banheira fosse uma coisa tão rara por estes lados! Bom, tínhamos encontrado o apartamento quase perfeito, não fosse ficar ligeiramente afastado do centro cá do sítio, mas ainda assim dava para ir para o centro a pé ou de bicicleta (estou fartinha de não me mexer e andar sempre de carro!). 

Visitámos o apartamento, fizemos duas ou três perguntas e eu pensava de mim para mim "Pronto, não custou nada! Aqui está o que estávamos à procura!". Eu não sei o que é que de vez em quando se passa nas mentes masculinas, se é apenas disparate ou se o que dizem contradiz completamente o que estão a pensar, porque eu sei que Ele gostou tanto do apartamento quanto eu. Quando dou por mim está Ele a dizer à que seria nossa futura senhoria "Vamos pensar e falar um com o outro. Se aparecer mais alguém interessado..." E eu pensei "... por favor avise-nos, já que fomos os primeiros a visitar o apartamento!", mas o que ouvi foi "... não se prenda por nós."

Saí de lá a dizer-lhe que não devia ter dito aquilo, mas não valorizei muito. Mantive o pensamento optimista, por estes lados os apartamentos ficam que tempos vazios até serem alugados. Quando tornámos a contactar a dona do apartamento para comunicarmos a nossa vontade de nos mudarmos... já estava alugado. Disse em silêncio centenas de vezes "Eu bem te disse!", mas consegui ficar calada.

Continuamos à procura de casa, mas agora aquele apartamento não me sai da cabeça. Qualquer um que veja não me agrada, por eu queria Aquele!

1.7.14

a entrar no espírito

Às quase 14 semanas tirei a primeira foto ao espelho a mostrar a barriga. Pretende-se tirar uma por semana até ao final do ano ;)

30.6.14

barriga de quase 14 semanas

As grávidas do mesmo tempo que eu com quem vou tendo contacto ficam felizes por as terem deixado passar à frente no supermercado (porque isso mostra bem que estão visivelmente grávidas), ou andam tristes porque a barriga pouco se nota. Não faço questão de andar sempre contra a corrente, mas eu continuo contentinha por, para já, ser uma grávida camuflada. Sim, eu noto que a cintura desaparece a olhos vistos e que estou mais cheiita. Mas se inspirar fundo e encolher a barriga ela ainda volta quase ao ponto de partida. Mesmo usando roupas mais justas não tenho sentido olhos curiosos na minha cintura, mas também é certo que me tenho vestido de forma a não levantar suspeitas. Eu bem sei que daqui a pouco tempo a gravidez estará à vista de todos, e não tenho problema nenhum em mostrar uma barriga proeminente, mas já que isso está garantido (a não ser que... vá, esqueçamos isto agora) eu quero aproveitar a minha quase ausência de barriga enquanto for possível. 

procura-se casa (ou de como começa a ser real)

Estou à procura de casa. Aquela onde vivo agora é incompatível com um bebé. É idílica, campestre, aconchegante, mas não corresponde às necessidades futuras. Já avisei que sairei dali em breve, mas ainda não encontrei o novo poiso. Desejem-me sorte, que encontrar uma casa ou apartamento decente por estes lados é coisa para demorar. Temos uma longa lista de requisitos e só estamos dispostos a abdicar da centralidade. Temos três meses para nos decidirmos ou ficarmos a morar na rua, já que pontes por estes lados não há.

o fim-de-semana em Turim e a parada gay

Fui passar o fim-de-semana a Turim. Gostei muito mais de Turim do que de Milão. Cidade acolhedora, com um centro relativamente pequeno que se percorre muito bem. O Museu Egípcio encheu-me as medidas e ao do Cinema irei na próxima visita. Na tarde de sábado comecei a achar estranho o amontoado de gente e o número de polícias na rua. Até que começou a parada gay (e outros termos afins) e o mistério ficou resolvido. Tive pena do meu tempo ser limitado e de não ter tirado fotos com a calma e o sossego que as cores e a disponibilidade dos modelos exigiam. Gostei do ambiente descontraído e sereno. Tenho para mim que o meu acompanhante se sentiu pouco à vontade e que me tentou arrastar dali para fora o quanto antes.




27.6.14

tem sido assim

Aos poucos vou descontraindo e sinto que vou estando um pouco menos condicionada pelo passado. Esta fase é nova e tudo corre normalmente. As minhas probabilidades de que algo corra mal neste momento são as mesmas de qualquer outra grávida. Mas ainda não consigo imaginar a nossa casa com um novo habitante a partir de Janeiro. Ainda é algo inacreditável e aparentemente distante. Comentei isto há dias com uma amiga mãe recente, que me disse que o filho dela já tem 6 meses e ela ainda acorda a achar que não é verdade que tem um filho, de tão maravilhosa que está a ser a experiência. Portanto assumo que esta minha sensação de incredulidade é natural.

Continuo a não ter comprado nada para o bebé, para além da chupeta e do biberão pouco ortodoxos. Não consigo explicar porquê. Talvez ainda me esteja a defender e nem dê conta. Todos me perguntam se já sei o sexo do bebé. Não penso nisso. Acho que ter esta informação torna o bebé mais real, começa a atribuir-lhe uma identidade. Acho que inconscientemente ando a fugir a isso. Quanto mais impessoal se mantiver menos riscos corro. Sim, eu sei que neste momento corro tantos riscos como qualquer outra grávida, mas acho que o receio continua cá, escondido, bem camuflado, mas no fundo continua cá.

Tenho facilidade em reflectir sobre o que se vai passando, sobre o que penso e sinto, e isso ajuda-me a perceber-me e a encontrar razões para as minhas sensações. Acho que tenho vivido estes meses da melhor forma possível, de forma serena, com os pés bem assentes no chão. Acho que tenho tomado as decisões correctas, nos momentos certos. E tenho seguido a minha intuição, que ainda antes do teste positivo já me dizia que estava grávida.

um terço do tempo já passou!



25.6.14

Porto --> Itália, quando?

Devia estar em Itália desde ontem à noite, mas continuo no Porto. Nas muitas viagens que fiz já tive vários voos atrasados, alguns muito atrasados, mas ontem pela primeira vez tive um voo cancelado. O voo está agora previsto para hoje à tarde, mas a greve dos controladores aéreos franceses continua, de modo que não há garantia de nada. É  esperar para ver, nada mais há a fazer.

ano novo, vida nova - nunca antes foi tão verdade!

Nova data prevista do parto: 1 de Janeiro! É ou não é um bom sinal?

Mede 6,5 cm, (info seguinte só para também anda nestas andanças; demasiado específico para o público geral, eu sei!) o osso do nariz está lá e a translucência nucal foi difícil de medir por ser quase invisível. Portanto, para já, só boas notícias. Resultados do teste Harmony daqui a 3 semanas, altura em que também saberei se o baby M é um ele ou uma ela. Seja ele ou ela será sempre baby M, porque muito antes de nós ponderarmos ter filhos os nomes foram escolhidos, numa ocasional conversa de café!

22.6.14

12 semanas

Há já umas semanas que os enjoos que duravam o dia inteiro se foram. Andava toda contentinha, embora nos primeiros dias sem enjoos tenha ficado preocupada com a ausência do sintoma. Quando percebi que os outros se mantinham sosseguei. E pensei de mim para mim que agora é que ia ser, nada de enjoos e, como que milagrosamente, também muito menos fome! Até que há dois dias me apareceu uma bola de fogo na garganta. Depois de mais de três décadas de vida descubro o que é azia. Não me importava nada de continuar na ignorância!

Ontem, em Portugal, no primeiro dia de Verão comprei as minhas primeiras calças de grávida :D Amanhã há eco!

19.6.14

porquê, mas porquê?

Os fóruns e grupos de grávidas têm-me sido muito úteis. De certeza que já alguém teve a nossa dúvida. É só pesquisar ou perguntar e eis que lá está a resposta. Mas eu sinto que não falo a linguagem da maioria. Há especialmente uma coisa que me irrita e me faz rir ao mesmo tempo. Mas por que raio é que as pessoas não se tratam pelos nomes ou pelos nicks e se tratam por mamãs, como se ao entrar ali perdêssemos a individualidade e fossemos apenas mais uma ovelha do rebanho? Pior, a maioria ignora o til, e acabam por se tratar umas às outras por mamas. Surgem coisas do género:

Olá mamas! Muito obrigada por me adicionarem ao grupo.

Eu bem sei que nesta fase esta é uma parte do corpo com especial relevo, mas, a sério, vocês querem-se mesmo tratar umas às outras por mamas?

18.6.14

mas não era suposto nesta fase eu dormir como se não houvesse amanhã?

Sono eu tenho, durante o dia! À noite adormeço rapidamente, mas pouco tempo depois acordo com uma vontade incomensurável de fazer xixi. Lá vou eu, escada abaixo, escada acima. E quando me torno a deitar o sono sumiu. Não é incomum ficar horas a rebolar na cama e a ver as horas a passar. Quase que invariavelmente estou a dormir como um anjo na hora de me levantar. Ah, isto se estivermos a pensar nos dias de semana, porque ao fim-de-semana madrugo, tenha dormido muito ou pouco. Mas nesta fase eu não deveria dormir este mundo e o outro numa tentativa de compensar (está bem, está!) as muitas noites em claro que se seguirão daqui a uns meses? Oh que diabo! 

espalhar a boa nova

No trabalho os dois ou três colegas mais próximos já sabiam da novidade. Aos restantes não fazia questão nenhuma de contar. Mas há uns tempos fiz um pé de vento para participar numa formação e eis que agora me vejo obrigada a faltar a um dia dessa formação porque vou a Portugal fazer o teste Harmony.  Bom, lá me vi obrigada a explicar o motivo da ausência à organizadora da formação e ao big boss. Isto é gente para espalhar a notícia em menos de 30 segundos. A ver vamos se começo a ver olhares centrados na minha barriga! Não me apetece contar a mais ninguém, não são meus amigos, não me são próximos, não me preocupo minimamente com eles e o sentimento é recíproco. Se as duas criaturas que informei hoje não se desbroncarem, os outros hão de saber quando acharem que a gordura localizada na minha barriga é demasiado suspeita!

o bigode e as coisas fofinhas

Do muito que tenho lido e ouvido tenho percebido que o bafo da maternidade nos pode soprar forte e quente mal nos apanhamos com as duas riscas à frente, mas também pode ir aparecendo devagar devagarinho à medida que as semanas vão passando e o corpo se vai transformando. Espero pertencer ao segundo grupo, porque se não for isso está o caso muito mal parado! Apesar da gravidez planeada e sofrida dados os antecedentes, a verdade é que para já não há dentro de mim uma explosão de amor maternal a salpicar todos os recantos das minhas entranhas. Sinto necessidade de proteger o ser que habita dentro de mim, mas para já não passa disso.

Pertenço a um grupo de grávidas e todas elas estão possuídas pelo dom (a maldição?) das palavras fofinhas ditas em tom pastel. Publicam fotos esbatidas e amorosas e partilham listas com uns 2 quilómetros de compras essenciais para elas, para o rebento e para a casa. Fazem berços (meu Deus, há quem esteja a fazer o berço com as próprias mãos!) e transbordam maternidade por cada poro.

Depois existo eu: comprei (só) uma chupeta com um bigode e um biberão onde se lê "vodka". Disse-me uma  companheira de grupo quando partilhei a foto da bigodaça "Mas pode ser uma menina...". Ora, pois pode! E se for será uma portuguesa típica já com um belo buço à saída do hospital. Achei que para não me expulsarem do grupo talvez fosse melhor não partilhar o biberão alcoólico.

É certo que para já ainda me estou a defender de algo que possa correr menos bem, daí também a minha pouca pressa em saber se é menino ou menina. Ter essa informação vai tornar mais real e próximo o meu pequeno habitante. Mas ainda que não tivesse um passado cinzento escuro neste campo não me imagino a borbulhar lacinhos e estrelinhas.

Mas o melhor é não dizer "desta água não beberei" ou daqui a umas semanas ainda me arrependo!

17.6.14

que os cromossomas estejam todos no lugar e no número certo

Para quem já passou por duas perdas, saber que a amniocentese tem um risco de aborto, ainda que baixo, não é algo animador. Noutra situação pensaria que aquele 0,5% a 1% de probabilidade decerto que não me viria bater à porta, mas já se viu que a sorte nem sempre está do meu lado. Decidi procurar alternativas e encontrei o teste Harmony. Nunca tinha ouvido falar sobre ele. Na verdade até há um ano tudo o que se relacionasse com maternidade e gravidez passava-me completamente ao lado. Já depois disso tenho procurado informação à medida que os acontecimentos se vão sucedendo. De modo que nunca tinha chegado à fase de pensar numa amniocentese ou em alternativas, até há poucas semanas.

Falei no teste Harmony às duas obstetras que me têm seguido (sim, é capaz de estar na altura de optar por uma!) e as duas foram unânimes: é a melhor opção, vamos evitar todos os riscos possíveis. Assim, no início da próxima semana estarei de volta a Portugal para fazer o tal teste que, na verdade, consiste apenas na recolha de sangue. E por que vens tu a Portugal fazê-lo?, perguntam vocês. Porque em Itália é bastante mais caro, como praticamente tudo o que se relaciona com o sistema de saúde. Eu sei que em Portugal nos queixamos, e não digo que seja sem razão, mas em Itália a saúde paga-se muito bem.

Voltando ao mais relevante, no mesmo dia em que farei o teste farei também uma ecografia, porque as nossas mentes precisam de sossego e os nossos corações precisam de ver um coração a bater para irem confirmando de duas em duas semanas que à terceira é de vez. Terei os resultados do teste Harmony duas semanas depois. Com estes resultados virá também o sexo do bebé. Vamos lá ver se o meu palpite bate certo, embora isso seja o menos relevante.

16.6.14

1 ano depois

Faz hoje exactamente um ano que descobri que estava grávida pela primeira vez. Os sinais da gravidez eram mais do que evidentes, mas um "vai ter dificuldade em engravidar" ouvido há muitos anos fazia-me acreditar em tudo, menos nessa possibilidade. Lembro-me de pesquisar na net como se dizia teste de gravidez em italiano, e fui à farmácia comprá-lo para descartar essa hipótese. Tinha mudado de casa exactamente naquele dia, o dia em que completava um mês em Itália. Andava em limpezas e arrumações quando dei por mim a pensar "Mas estou à espera de quê? Vou fazer o teste e pronto!". E fiz. E a linha que confirmava a gravidez apareceu em tempo record, antes de aparecer a linha de controlo. Fiquei a olhar para o teste com ar desconfiado e fui procurar na net que raio de razões poderia haver para um teste de gravidez dar positivo quando não se está realmente grávida. Descobri que há tumores que produzem a hormona associada à gravidez, o que obviamente origina testes de gravidez positivos. Marquei uma consulta e lá fui eu, uma semana depois, uma semana que demorou anos, preparada para ouvir um veredicto pouco feliz. Estava há cinco semanas em Itália, não conhecia quase ninguém, não falava italiano e ainda não percebia como funcionava nada no meu novo país. Não contei os meus receios à médica, esperei para ver. Vi um embrião com sete semanas e um coração a bater. Não sei dizer o que senti para além de espanto. O resto vocês já sabem.

Um ano depois já falo italiano, já mudei de casa mais uma vez, já não estou cá sozinha, já me sei movimentar no sistema de saúde italiano e não só, estou grávida de 11 semanas e devo dizer que o botão das calças começa a mostrar-se relutante sempre que o quero apertar!

11.6.14

10 semanas e um dedo na boca


(Sirmione, Itália, um destes fins-de-semana prolongados; or cá têm sido muitos!)


Pouco mais de 3 centímetros de gente e conseguimos ver um dedo na boca. Mexe-se imenso e o coração bate de forma veloz. Chegámos às 10 semanas! Ainda estou incrédula, estou habituada a gravidezes que por esta altura já terminaram. Pode soar estranho, mas é a verdade. De vez em quando já digo que temos que tratar disto e daquilo, colocando a hipótese de que tudo vai correr bem desta vez, mas acho que ainda não acredito verdadeiramente que podemos começar 2015 a três e não a dois.

Um quarto do tempo já passou!

10.6.14

expectativa



Cinque Terre, este fim-de-semana


Quando deixar de viver em Itália vou ter saudades destes fins-de-semana de cor e novidade. Cinque Terre é mesmo como nas fotos que vemos por aí, espalhadas na net, mas mais quente! Trinta e tal graus e uma água azul e verde que nos chama sem podermos dizer que não. As pessoas são simpáticas e a comida muito boa. Comi pela primeira vez lasanha de pesto e adorei. 

Mais logo, nova consulta e nova eco. Estou mais apreensiva do que das outras vezes. Parte dos sintomas desapareceu, o que me deixa de pé atrás. Os enjoos e as náuseas sumiram, o paladar que andava completamente alterado está mais normal, a fome diminuiu. Bem sei que pode ser normal, mas quase há um ano tomei como parte normal do processo o desaparecimento dos sintomas e tive uma supresa muito pouco agradável às 11 semanas. Nada a fazer além de esperar pelas cinco da tarde e ver o que aquele ecrã a preto e branco me reserva.

4.6.14

diferenças

Quando vi o meu nome na porta do meu antigo gabinete, e quando soube que a minha secretária continuava desocupada, não pude deixar de pensar que no sítio onde trabalho actualmente costumam retirar os nomes de quem sai no dia a seguir a terem ido embora. Mal se sabe que alguém vai sair há uma luta dos que ficam para ocupar o lugar vazio no gabinete, caso o gabinete seja interessante de algum ponto de vista. E soube há pouco que 15 dias antes do contrato terminar a possibilidade de fazer chamadas deixa de existir, incluindo as de trabalho.

Em Aveiro tinha o gabinete com melhor vista do edifício onde trabalhava. Um ano depois ninguém se mudou para lá, nem ninguém teve pressa de arrancar o meu nome da porta. Nunca o meu telefone foi desligado com receio que eu levasse a instituição à falência com as minhas chamadas. Tive problemas sérios no meu percurso de mais uma década naquela instituição e, apesar de em alguns momentos ter sentido que as pessoas eram números, sei que não o são para todos. Não é por acaso que sempre que volto às origens volto ao meu antigo local de trabalho, ponho a conversa em dia e encontro quem realmente me conhece e me respeita.

No sítio onde trabalho actualmente não há dificuldades financeiras nem qualquer tipo de limitação a esse nível, a crise não se faz sentir, mas as instituições são, em primeiro lugar, as pessoas e, só depois, o dinheiro que têm.

3.6.14

e se?

Fim-de-semana que se prolongou por quase uma semana em Portugal. Senti-me em casa, como sinto sempre, mas desta vez senti-me mais em casa. Um ano depois houve obras, sítios que mudaram, bares, lojas e restaurantes que fecharam e outros que os substituíram. Tenho vindo com tanta frequência ao meu ponto de partida que tenho acompanhado todas as mudanças de forma gradual, como quase se aqui continuasse a viver. Estive no antigo local de trabalho e continuo a sentir que pertenço ali. O meu nome ainda está na porta do meu antigo gabinete e a minha secretária continua vazia. Pela primeira vez dei comigo a pensar se há um ano tomei a decisão correcta. Na verdade, e agora que coloco as palavras por escrito, sei que não foi isso que pensei. Mas dei comigo a reflectir sobre a minha vontade de prolongar a decisão tomada. Sei que fiz o correcto ao sair da minha zona de conforto, em me desafiar, em me pôr à prova. Talvez o meu momento de reflexão tenha sido potenciado pelas minhas novidades mais recentes. Talvez agora o meu foco esteja a mudar, e nesta fase me apetecesse voltar aos meus, à minha casa, aos meus sítios, à minha praia. Talvez seja só a reacção imediata de quem se sente a atravessar o desconhecido e se sinta mais segura em terreno conhecido e seguro.

Os próximos tempos dirão se esta sensação se irá manter ou se à medida que me for habituando à minha nova realidade me sentirei mais confortável na minha posição de emigrante. Mas, digo-vos, esta foi a primeira vez em que tive vontade que a hora de ir embora não chegasse tão cedo.

De qualquer forma daqui a menos de 3 semanas estarei de volta para novo fim-de-semana prolongado!

28.5.14

yeah! 8 semanas!

Quero lá saber que hoje tenha tido teste de italiano e que tenha um trabalho importante para entregar. A notícia do dia é que às 8 semanas e 3 dias continuo a ter dois corações a bater dentro de mim! Parece uma goma com formato de ursinho. Tem esboços de braços e pernas que abanam quando lhe apetece e um coração a palpitar que se assemelha a um mini-candeeiro. Isto tudo em 2 centímetros de gente. É desta!

23.5.14

finalmente sexta


Um destes dias, no sítio onde moro.


Das duas vezes anteriores foi nesta semana que o sonho deixou de o ser. Os dias cheios de trabalhos, relatórios, aulas e testes de italiano ajudam a que os pensamentos não se centrem na gravidez, mas admito que quando me sobram uns minutos de sossego me pergunto Será que ainda está tudo bem?.  Os sintomas continuam por cá: enjoos, fome, muito sono, cansaço, insónias (eu com insónias? O mundo já esteve mais longe do seu fim), mas eu sei bem que isso não é garantia de nada. Tenho demasiados termos de comparação, é o que é! Esta semana foi particularmente longa, imagino que fruto do cansaço acumulado resultante das noites mal dormidas. O fim-de-semana vai ser de trabalho e estudo. Mas, na verdade, o que me apetecia era daqui a umas horas ir para casa, deitar-me ao sol na espreguiçadeira à beira-lago, adormecer e só tornar a acordar na quarta de manhã.

20.5.14

diferenças

Do meu ponto de vista a diferença entre engravidar depois de um  aborto (ou mais) e engravidar sem experiências anteriores menos felizes encontra-se claramente na limitação dos sonhos e dos planos. Na primeira gravidez eu imaginava a minha vida daí a nove meses. Agora o meu limite temporal encurtou e está carregado de "ses". Continuo a acreditar que desta vez é diferente, mas não posso nem quero esquecer as minhas experiências anteriores. Vivo esta gravidez, pelo menos para já, semana a semana.

Na primeira gravidez comprei dois livros sobre gravidez e maternidade. Quase não tive tempo para os ler. Quando as coisas correram mal acabaram numa prateleira, no meio de outros livros. Fiquei sem saber o que fazer com eles, naquela altura nem sequer colocava a hipótese de conseguir engravidar de novo. Ficaram ali, semi-escondidos, para não avivar memórias. Já eu tinha abortado quando chegaram dois babetes que tinha encomendado online. Já nem me lembrava deles. Perguntei ao H. o que fazer com eles: dá-los a uma amiga grávida? Sugeriu guardá-los para uma próxima vez. Não sei onde ele os guardou e desconfio que nesta altura já nem ele deve saber. Devem estar bem arrumados - escondidos - algures. Na segunda gravidez não olhei para os livros, não comprei nada e nem sequer me lembrei dos babetes. Não fizemos planos e é com dificuldade que me lembro da data prevista do parto.

Desta vez comprámos uma chupeta (com um bigode!), em jeito de quem quer mostrar que acredita, que desta é de vez. Ontem peguei num dos livros e folheei-o. Mas no nosso discurso há sempre duas hipóteses: se correr bem fazemos isto, se não correr bem fazemos aquilo. Antes das duas riscas cor-de-rosa estávamos a planear uma viagem fantástica, neste momento estamos em standby sem saber o que fazer. Se correr bem talvez não seja prudente ir para o outro lado do mundo, correndo o risco de precisar de assistência médica de um momento para o outro. Se correr mal podemos ir frente com o plano da road trip. Se correr bem dificilmente conseguiremos passar o Natal em Portugal, se correr mal a tradição mantém-se.

Não pensamos em roupinhas, carrinhos de bebé e decoração de quartos. Muito menos fazemos apostas sobre se é menino ou menina. Enquanto os casais "sem passado" se perdem também nestas questões, nós focamo-nos simplesmente no Será que é desta? Será que na próxima ecografia o coração vai continuar a bater? Será que na próxima ecografia vai ter o tamanho certo? Será?

16.5.14

foi assim

Andei estranhamente calma estas semanas, mas ontem, já depois de estacionar e enquanto caminhava para o consultório, dei comigo a pensar que ia ter um daqueles momentos que podem decidir tanta coisa. Não esperei tempo nenhum, entrei no consultório e expliquei resumidamente o meu percurso de 3 gravidezes num ano e mostrei os resultados das análises que fiz já depois do segundo aborto, na tentativa de encontrar uma razão para o fim abrupto do desenvolvimento do embrião. Simpatizei com a médica. Viu os resultados das análises com calma, e confirmou o que já suspeitava. Não há, aparentemente, motivo que explique o que tem acontecido. Mas não me falou de má sorte, nem de ansiedade, nem de stress, nem dos lugares comuns que vindos da boca de um médico me fazem ter vontade de virar costas e sair do consultório. 

Nunca eu imaginei ter tanta vontade de fazer uma ecografia ginecológica! Acho que naquele momento nem pensei em nada, fixei os olhos no monitor e vamos lá ver o que se tem andado aqui a passar nas últimas semanas. Apanhei um susto enorme, e lembro-me perfeitamente que naquela hora pensei "Há quem coleccione cromos nas cadernetas do Mundial, eu colecciono situações infelizes no que diz respeito a engravidar. Et voilà, desta vez saiu-me uma anembrionária". A médica pensou o mesmo (a parte da caderneta de cromos é capaz de lhe ter escapado, vá), vi-o na expressão dela e na frase que iniciou "O saco embrionário está implantado no útero, não é uma gravidez ectópica, mas..." E eis que o embrião aparece na imagem. Respirámos fundo e rimo-nos e confirmámos que estávamos a pensar exactamente o mesmo. Embrião com o tamanho correspondente ao tempo de gravidez. Para já tudo normal.

Saiu-me um peso de cima, mas o medo continua cá. Esta gravidez não é claramente uma repetição da segunda, em que nada foi normal desde o início, mas ainda pode ser a repetição da primeira. Quase há um ano, estava eu grávida do mesmo tempo, e na ecografia tudo era perfeito. Não sei se acaso (imagino que sim, já que as situações foram claramente diferentes), mas nas duas gravidezes anteriores o embrião deixou de se desenvolver às 7 semanas e poucos dias. Passarei por esta fase na próxima semana, e inevitavelmente não tenho apenas pensamentos sorridentes e cor-de-rosa. 

Farei nova ecografia daqui a duas semanas, depois da "fase crítica", no mesmo dia em que viajarei para Portugal. Na segunda gravidez abortei exactamente no dia em que deveria ter regressado a Portugal... De modo que, embora seja estranho para quem não passou por situações deste tipo, mas ter acordado hoje, mais uma vez, com uma leve sensação de enjoo me deixa um pouco mais descansada. Da primeira vez, o embrião deixou de se desenvolver, mas não houve sinais exteriores evidentes de nada, a não ser ir perdendo aos poucos os sintomas de gravidez. Na altura não liguei grande coisa, estava tão distante do mundo das gravidezes que não chegam a bom porto.

Resumindo e concluindo, tenho 8.1 mm de gente dentro de mim e, mais uma vez, dois corações a bater em simultâneo. Se daqui a duas semanas continuar a ter corações aos pares sou capaz de começar a acreditar realmente que corro o risco de ter uma passagem de ano bastante original!

14.5.14

o bom humor dos amigos:

"E se amanhã as novidades não forem boas vamos para os copos, porque nesse caso já podes!"

1 ano de Itália

Muito trabalho, muitas reuniões (grande parte sem interesse nenhum), outras tantas chatices profissionais, aulas de italiano, prazos que se aproximam a olhos vistos, ou seja, o cenário ideal para não pensar muito na gravidez, para o bem e para o mal.

O médico português a que fui da última vez que estive em Portugal disse-me que assim que engravidasse de novo devia reduzir a actividade física e intelectual*. Eu tento, juro que tento, mas como é que se limita a actividade intelectual? Bom, eu bem que prometi a mim mesma pelo menos não me irritar e andar em paz com o mundo, mas parece que há criaturas que insistem em me testar os limites e eu, sendo calma, não sou amorfa, e há alturas em que não consigo ficar calada, ainda que sabendo que vou irritar os outros e me vou irritar também. Ontem a meio de uma reunião lá disse meia dúzia de verdades que mereciam ser ditas e ouvidas, mas senti claramente o nervosismo que aquela situação me provocou e só pensava "Não te podes irritar, não te podes irritar". Claro que quando se tem um pensamento destes já a tampa nos saltou há muito. 

O que é mesmo relevante: amanhã tenho consulta e estou mortinha por ver no ecrã o que se passa cá por dentro, já que o que se vai sentindo é um misto de fome e enjoo permanentes que não consigo colocar por palavras. Quem se lembrou de chamar a isto "enjoos matinais" esqueceu-se do pequeno pormenor de que isto dura o dia todo, desde que acordo até que me deito. E, ainda assim, acredito que é um bom sinal. Estou-me a transformar num ser estranho, fico contente por ter enjoos! E ontem, a meio da reunião, juro-vos que tive pena de não ter vontade de vomitar ali mesmo, que seria uma belíssima forma de exprimir o que me ia na alma! E... continuo a achar que é desta, mais do que alguma vez achei na segunda gravidez.

De resto, faz por estes dias um ano que me mudei para Itália!



*É certo que também olhou para nós e exclamou "Vocês têm os dois bom aspecto, não têm problema nenhum!", que é sempre uma coisa simpática de se ouvir quando se passou por dois abortos seguidos e queremos encontrar uma razão médica para o sucedido, de modo que o que ele diz vale o que vale. 

12.5.14

forma de ser

Hanging clothes (Dubrovnik mais uma vez, e cá continua a mania dos estendais!)


Contei aos meus pais e aos amigos próximos sobre a gravidez. Sei que há quem pense que é um risco, que tudo pode correr mal e depois terei que dar a má notícia. Mas não são estas as pessoas que terei ao meu lado para me ajudarem a dar a volta se o desfecho não for o que todos mais ansiamos? Sinto frequentemente que deve haver algo de pouco habitual em mim na forma como divulgo a novidade, mas não o sei fazer de outro modo e é este que me deixa confortável. 

semana 6

Dubrovnik, uma cidade encantadora 


Tanto adiei a ida a uma consulta que quando a quis marcar vi o caso complicado. A médica habitual só tinha vaga em Junho, e as outras opções que tentei só depois dessa data. Já me imaginava a ser pouco correcta, a inventar uma dor qualquer e a ir à urgência só para me fazerem uma ecografia. Bom, acabei por descobrir uma médica mesmo ao lado de casa e, estranhamente, arranjei uma consulta para o final desta semana. Ainda é muito cedo, mas dado o meu historial, a "fase crítica" aproxima-se e não queria que esta chegasse sem fazer uma ecografia e saber qual o ponto da situação. Se tudo estiver a correr como é suposto, no final desta semana devo ver um embrião com um coração acelerado. Não que este panorama seja diferente dos anteriores, porque nas duas gravidezes anteriores houve sempre dois corações a bater dentro de mim, mas é um passo essencial para chegar a bom porto. Mantenho-me optimista, mas racional, tendo sempre presentes as experiências anteriores. Para já sinto-me bem, com uma leve sensação de enjoo que me acompanha de manhã à noite. Suponho que deve ser um bom sinal. E, para já, nada mais me resta fazer para além de esperar e sonhar.

29.4.14

semana 5








(12 horas de escala no Dubai e a visita possível)

Estou estranhamente calma e, consequentemente, racional. Estou a tentar aproveitar as lições das experiências anteriores. Na última gravidez  fui a correr para o médico. Fiz ecografias todas as semanas. Morria de ansiedade, desespero e stress entre cada ecografia. Havia sempre alguma coisa que não estava aparentemente bem, mas que podia não significar nada. Havia que esperar pela ecografia seguinte. As semanas pareciam demorar meses e a verdade é que não adiantou de nada. Na realidade quando algo corre mal nesta fase inicial, os médicos pouco ou nada podem fazer. De modo que desta vez não vou cair no mesmo erro. Consulta e ecografia só daqui a mais umas semanas, quando já for possível ver o embrião e ouvir o coração. Até lá vou tentar manter-me calma e feliz, e ir gozando os sintomas ao sabor do correr dos dias. Ah, e também vou viajando, a melhor fonte de distracção possível. Vemo-nos por aí, na Croácia, amanhã! 

27.4.14

à terceira é de vez! :)

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(incenso em espiral, Hong Kong)


Sempre fui dada a correr riscos. Não me refiro a atirar-me de cabeça de um precipício, mas correr riscos depois de ponderar os prós e os contras e depois de ter presente qual a pior situação em que poderia ficar, caso o arriscar me corresse mesmo mal. Foi isso que fiz depois do segundo aborto. Sabia que queria fazer todos os exames possíveis para tentar encontrar uma possível causa para as duas gravidezes com fim espontâneo e precoce. Mas, por outro lado, não queria esperar meses pelos resultados dos exames e sabe-se lá mais quantos meses depois disso até tornar a engravidar. Já não tenho vinte e poucos anos, nem sequer trinta. Decidi fazer as duas coisas em simultâneo. Fazer os exames médicos sem deixar de tentar engravidar. Da última vez entre o aborto e a nova gravidez passaram 6 meses. Ninguém me garantia quanto tempo demoraria a tornar a engravidar desta vez. Tomei esta decisão numa postura de economizar tempo.

E economizei. Na verdade, economizei muito mais tempo do que alguma vez poderia ter imaginado. Hong Kong é um sítio mágico para mim, ao qual tenho associados alguns dos melhores momentos da minha vida. A viagem mais recente foi fabulosa e na melhor companhia possível. Temperaturas de Verão, caminhadas muito longas, muito cansaço, muitos templos, molhar os pés no mar do Sul da China, revisitar sítios onde já não ia há quase 20 anos. Enfim, fui verdadeiramente feliz naquela semana passada noutro clima e noutro fuso horário. Esqueci-me das gravidezes que não chegaram a bom porto e conscientemente ignorei um "mini-tratamento" que devo fazer todos os meses e sem o qual dificilmente conseguiria engravidar. Quis viver aquela semana de forma plena, sem nuvens a pairarem-me sobre a cabeça e sem esperanças falsas.

Ainda em Hong Kong senti-me grávida. Já tinha lido relatos destes e achava que eram um disparate pegado. Como é que alguém pode saber que está grávida uma semana antes do sinal evidente de uma gravidez? Eu sabia. Talvez o ter passado por outras duas gravidezes no espaço de um ano me tenha deixado a memória fresca, talvez esteja particularmente alerta a pequenos sinais e sintomas, talvez agora conheça o meu corpo como não conhecia antes. E ainda em Hong Kong havia um sinal que me deixava de pé atrás. Cheguei a Portugal e os pequenos sintomas foram-se acumulando. Uns dias antes do que era suposto já tinha um teste positivo nas mãos. 

Ainda não tenho os resultados dos exames que fiz para tentar encontrar uma causa para os abortos, de modo que estou num arame sem rede. Tudo se pode repetir ou, se o que me aconteceu foram dois acasos infelizes, tudo pode correr bem. Mas, neste momento, o que me interessa é que poucas semanas depois estou grávida. Ainda estou um pouco incrédula, sem saber muito bem como lidar com a novidade tão recente e inesperada. 

Estou grávida! 

Já vos disse que adoro Hong Kong? :)

24.4.14

dias de felicidade

Voltei à cabine de chão transparente do teleférico que vai até Lantau. Não há como descrever estes quase 6 Km de percurso.




21.4.14

19 anos depois

Já tinha voltado a Hong Kong entretanto, mas a Repulse Bay não ia desde 1995. O mesmo sítio da foto do post anterior com 19 anos de distância:


11.4.14

mala feita

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Semana terrível com muito trabalho, muitas confusões, sem tempo para caminhadas ou piscina. Esta semana basicamente existi e ponto final. Consegui fazer tudo o que era suposto, mas cortei nas horas de sono e no que mais gosto de fazer. Foi a primeira vez desde que cheguei a Itália em que trabalhei diariamente mais horas do que aquelas que posso declarar. Fui a primeira a chegar ao trabalho e a última a sair todos os dias. Chegava e tinha o estacionamento só para mim. Saía e o estacionamento ficava vazio. Estou de rastos.

E estou feliz. Trabalhei que me fartei porque tudo resolveu acontecer na semana antes das férias. Mas hoje, daqui a pouco, desligo o pc, arrumo a papelada e rumo directamente para o aeroporto. Ásia de novo, o continente que me faz mais feliz. A foto é de Hong Kong, tirada no tempo em que ainda se usava rolo e se esperava voltar para casa para se ver como tinham ficado as fotografias. Hong Kong foi a minha primeira viagem longa e talvez por isso me tenha caído no goto desta forma e me tenha deixado memórias excelentes, e um amigo para a vida. A verdade é que voltei há poucos anos e o encanto manteve-se. Afinal podemos voltar aos lugares aonde já fomos felizes e voltarmos a sê-lo. Fui três vezes a Hong Kong, e das três vezes fui muito feliz, ainda que de formas muito diferentes.

Até já, do meu lado preferido do mundo! 

8.4.14

hoje vou dormir mais descansada

Como é que esta foto foi tirada?




Assim :D


Hoje foi um dia bom no trabalho. Os is começam a ter os pontos no sítio certo. Claro que a minha dose de paciência para atitudes menos felizes também vai aumentando à medida que as férias se aproximam! Mas, independementemente disso, hoje foi um dia bom. Tenho andado mais sensível e intolerante e com os níveis de paciência a roçar valores negativos. Hoje alguém assumiu um disparate de todo o tamanho de há uns meses. Mais vale tarde que nunca. Não apaga o desconforto que me provocou, mas deixa-me mais leve. 

consequências

(lago Maggiore, como quase sempre)

Tenho lido relatos e desabafos de mulheres que têm dificuldade em engravidar ou que já sofreram vários abortos. Grande parte delas refere-se à dificuldade que têm em contactar com grávidas, em acompanhar as gravidezes de amigas e colegas de trabalho. Relatam também, com tristeza, a inveja que sentem das grávidas com que se cruzam na rua, das que lhes são mais próximas e especialmente de quem engravida com a mesma facilidade com que respira.

Há poucos dias uma amiga contou-me que estava grávida. Senti-me genuinamente feliz por ela. Uns minutos depois dei comigo a pensar quanto tempo mais manteria esta minha neutralidade. Quanto tempo mais irá passar até eu sentir uma pontada de inveja antes de me sentir feliz pela felicidade de quem me é próximo? Tenho mais receio de me tornar uma pessoa amarga do que de não ter um filho.

talvez não seja tão cinzenta como pensava!

Os meus colegas de trabalho a olharem com ar de espanto para os meus pés. Quero lá saber!