18.8.14

amor à primeira vista

Eu sei que acabarei por comprar um carrinho mais normal, mas quando os meus olhos se cruzaram com este foi amor à primeira vista. 


não são precisas mais palavras, pois não?

Podia dizer muito sobre as pessoas com quem trabalho, mas penso que esta situação me poupa a discursos e esclarecimentos longos.

Quando fiquei em casa, por ter uma gravidez de risco, informei por mail as três pessoas que deveria informar. Não sou obrigada a explicar o motivo da minha ausência, sou apenas obrigada a informar que tenho um atestado médico que justifica a minha ausência, e a entregá-lo directamente aos serviços médicos. Assim fiz. Os três sabem que estou grávida e os três sabem que existem duas gravidezes anteriores recentes. Até hoje não tive qualquer resposta a esse mail. Até hoje ninguém me perguntou se estou bem ou se o bebé está bem.

do que deveria ser sempre sinónimo de felicidade, mas nem sempre é

Até ter tido a primeira interrupção de gravidez o meu conhecimento sobre o aborto espontâneo era quase nulo. Sabia que acontecia de vez em quando, mas achava mesmo que este de vez em quando era muito pouco frequente. Depois esta realidade bateu-me à porta. Informei-me, procurei outros casos e procurei causas e percebi que era muito mais comum do que poderia imaginar. Descobri casos de pessoas próximas e li sobre outros, mundo fora. Na maior parte das situações os abortos aconteceram no 1º trimestre da gravidez, como me aconteceu também. Cruzei-me com fóruns cujos tópicos estavam divididos por trimestres, li alguns dos casos dos 2º e 3º trimestres, mas não quis aprofundar o conhecimento (e a dor) e centrei-me no meu problema. Até há poucas semanas não conhecia de viva voz ninguém que tivesse passado por uma interrupção da gravidez depois das 12 semanas. Agora conheço. Não sei dizer em que situações a dor é maior, cada uma de nós lida com a sua dor de forma diferente (conheço mulheres que ficaram desfeitas depois de uma perda às 8 semanas), mas ninguém deveria passar por um parto e sair da maternidade de mãos a abanar. 

Ontem disse para uma amiga "o quarto do bebé". Ela respondeu-me "Ainda não dizes que é o quarto do M..." Sai-me de vez em quando, outras vezes não. Ainda estou em processo de defesa e penso que só deixarei de estar depois de ver o bebé M com os meus próprios olhos e depois de o poder sentir quente com o meu corpo.



(da parte mais austríaca de Itália, este fim-de-semana - Bolzano)

14.8.14

20 semanas!

Meio caminhado percorrido, outra metade para percorrer.

Há já algumas semanas que sentia uma espécie de latejar na barriga e dava comigo a pensar "Será? Não será?" Agora a sensação é mais frequente e um pouco mais notória e, como foi coisa que nunca senti antes de estar grávida, suponho que seja o bebé a dar sinal. Mas, uma vez que tenho placenta anterior (isto é, está localizada entre a minha barriga e o bebé), é natural que sinta os movimentos do bebé de forma menos intensa.

Já estou de volta a Itália, mas daqui a pouco tempo regresso a Portugal (e não só) para uns dias de descanso a sério. A próxima ecografia será feita nessa altura. Se bem que tivemos direito a uma eco inesperada quando, mais uma vez no dia em que ia viajar, fui parar às urgências. Desta vez tive direito a cadeira de rodas e dei comigo a pensar "Mas desta vez que até estou serena, apesar do susto, é que tenho direito a este aparato todo?" Mais uma vez não se encontrou uma razão para a perda de sangue e tudo continua bem. 

Resolvi começar a dar uma vista de olhos em carrinhos de bebés e afins e devo dizer que é mais fácil comprar um carro para gente crescida do que um carrinho de bebé! Que confusão!

9.8.14

19 semanas

Apenas a uma semana de chegar a meio do caminho. Continuo incrédula por ter chegado até aqui. Quatro meses e meio para quem até este momento nunca tinha conseguido chegar ao final do segundo. Estou em casa, na minha casa a sério, a de sempre, a quem tem por perto os amigos e a família. Já abri as várias encomendas que chegaram entretanto e todas as roupinhas são mais bonitas do que nas fotos.  Estes últimos dias têm sido perfeitamente normais, sem surpresas daquelas que me levam às urgências em desespero. Desconfio que o trabalho me estava realmente a fazer mal. Os avós estão enternecidos e a transbordar felicidade. Já foram às gavetas que há décadas não eram abertas procurar o que restava dos nossos tempos de bebés. Apareceram mantas, cobertores, babetes e afins. Vai dar-me um gozo especial usar com o bebé M o que um dia foi usado em mim e nelE.

Ainda que o tempo cinzento não esteja a ser o nosso melhor amigo, estar em Aveiro repõe-nos as energias e os sorrisos. E, há que admitir, também nos deixa os estômagos mais confortados. Os pastéis de nata da Costa Nova podem não me manter na linha, mas fazem-me feliz. E finalmente tenho à mão de semear o peixe grelhado que pelos meus lados, em Itália, é impossível encontrar.

E ontem comprámos um ursinho na H&M:


6.8.14

a casa e as 18 semanas

Mudámos de apartamento no dia a seguir a ter chegado de Riga. Agora temos um quarto vazio à espera do bebé e, neste momento, já temos uma casa arrumada e funcional. Claro que nos primeiros dias numa casa nova nos sentimos sempre apaixonados pelo novo poiso, mas desta vez sinto que é para cá ficarmos enquanto estivermos por estes lados. Tenho espaço, tenho luz, tenho sossego. Imagino-me a viver em Aveiro, ou noutro sítio qualquer, neste apartamento. Não é uma casa com características locais (com excepção do tecto de madeira inclinado, que eu adoro), é uma casa normal em qualquer lugar no mundo.

Às 18 semanas a barriga decidiu que era altura de se tornar mais visível. Mas, para já, e para quem não sabe, estou só mais gordita numa zona muito específica. Mais umas semanas e terei mesmo uma barriga visivelmente de grávida! Assustam-me estas mudanças no corpo. Na verdade, lido com uma mistura de sentimentos. Por um lado, estar grávida (e apesar de ainda nem ter chegado a meio do caminho) é passar por uma experiência difícil de descrever. Saber que dentro do meu corpo habita um outro corpo completo e perfeito (espero eu) em pleno crescimento é efectivamente um milagre. Por outro lado, sinto que este é um processo violento em termos físicos. É um processo natural, o corpo está preparado para ele, mas ao mesmo tempo é-lhe exigido um esforço hercúleo. Há momentos, como no dia em que tive a hemorragia, em que tenho receio que o corpo não esteja à altura do que lhe é exigido. Daí não ter sequer resmungado quando me foi dada a possibilidade de ficar em casa nas próximas semanas.

5.8.14

faltam 5 meses

Faltam 5 meses. Por um lado faltam uns longos 5 meses, mas, por outro lado, acho que estes meses vão passar num abrir e fechar de olhos. Faltam 5 meses para termos a vida virada do avesso, no bom sentido, espera-se. Falta-nos praticamente tudo para receber o bebé com pompa e circunstância, mas nós já cá estamos cheios de vontade de o abraçar, de modo que nos parece que o essencial já cá está. Eu lá me vou aventurando no mundo das roupas e pequenos acessórios, mas as coisas maiores estamos intencionalmente a deixar lá mais para o final. Não falamos sobre isso porque nem precisamos, mas ambos pensamos que mais vale jogar pelo seguro. O passado não se apaga, não nos diminui a alegria presente, mas torna-nos mais prudentes.

Ontem comprámos o primeiro brinquedo. Na verdade, foi o segundo. O primeiro espera pelo bebé há mais de um ano. Já teve vários donos, mas ainda não conheceu nenhum. Acredito mesmo que desta vez já não mudará de dono.

4.8.14

as encomendas, o pirata e a zebra

As primeiras roupas encomendadas online já chegaram a Aveiro há uns bons dias, mas eu só as vou ver no final desta semana quando lá for passar mais um fim-de-semana prolongado. Os correios italianos são uma verdadeira desgraça, de modo que tudo o que compro online é enviado para Portugal. Pelo menos por agora, que lá vou uma vez por mês. A ver vamos o que acontece quando o bebé M nascer.

Em Itália nunca se sabe se as encomendas chegam e, caso cheguem, em que estado as encontramos. Há quase um ano encomendei uns livros e é certo que chegaram, mas no dia da entrega (por transportadora, nem as transportadoras se safam por estes lados!) estava a chover. O que fez o estafeta? Enviou-me uma SMS a dizer que a encomenda estava à porta de casa. Quando cheguei realmente vi o pacote à porta de casa (nenhum transeunte o tinha levado, estava mesmo ali à mão de semear), mas estava todo molhado (talvez por isso ninguém se tenha apropriado dele). Os meus livros ficaram com um aspecto ondulado do qual não se livraram até hoje. Depois disto jurei que enquanto tivesse outras hipóteses, correios italianos nunca mais! 

Entretanto tenho andado a explorar o mundo, até aqui desconhecido, das roupas de bebé e afins e admito que me começo a apaixonar e tem sido difícil resistir. Ainda não apareceram as colecções de Inverno e, por mim, já tinha enchido a casa de mini-fatiotas! Desgracei-me um bocadinho em Riga e entretanto comprei online estas leggings (na Peanut and Pope):



Tenho para mim que vou tirar muitas fotos ao rapaz e que daqui a uns anos farei chantagem com elas. Qual é o adolescente que quer que os amigos saibam que um dia ele já andou de leggings com uma zebra no rabo?


2.8.14

18 semanas

Às 18 semanas pesa 218 gramas e mexe-se imenso. Sabíamos que era um menino pelo teste Harmony feito há umas semanas, mas hoje vimos a prova da verdade. Todos os órgãos que era suposto verem-se nesta fase foram vistos. O coração continua a bater forte e depressa e todos os vasos sanguíneos que deviam ser identificados o foram. Respirei de alívio e estou a rebentar de felicidade!

As perdas de sangue (sim, no plural; durante a semana tive direito a mais uma visita às urgências) podem ser provocadas pela posição baixa da placenta e, para já, sendo esse o motivo, não há razão para alarme, mas há razão para repouso. A médica, que me acompanha desde o primeiro aborto e conhece bem o meu historial menos feliz, não quer arriscar e aconselhou-me a continuar em casa. Noutra fase não acataria bem esta decisão, sou workaholic há muito tempo, mas agora as prioridades viraram-se do avesso e quase que dei por mim a agradecer o poder ficar em casa e viver intensamente cada segundo desta fase que não sei se algum dia se repetirá.

Aumentei 3 quilos, o que é normal para esta fase, as análises estão perfeitas e sinto-me bem, hoje menos ansiosa que o habitual. A próxima eco será feita em terras lusas, durante as férias.

Já vos disse que estou muito feliz? :)

28.7.14

a parte boa da viagem a Riga



stop

Gostava de dizer que a viagem a Riga foi fabulosa, mas não foi. Ainda não tinha chegado ao hotel e começavam as confusões profissionais. Um mail que me deixou furiosa, e que foi apenas o primeiro a virar-me do avesso. Tentei resguardar-me, propus tratar o assunto em questão assim que voltasse. As pessoas cujo carácter é escasso em qualidades não entendem que uma mulher grávida não deve ser exposta a stress de forma gratuita. Tentei respirar fundo e ignorar, o que foi impossível, já que cada vez que abria o mail tinha uma nova mensagem a lembrar-me do que se passava a quilómetros de distância. 

Resultado:

No dia do regresso, de manhã, no aeroporto em Riga, mesmo antes do voo, fui à casa de banho e estava a perder sangue vivo. Fiquei aflita, obviamente. Sozinha, num aeroporto na Letónia, a minutos de embarcar, esta surpresa alarmante. O voo atrasou imenso. Em Frankfurt perdi a ligação para Milão. Arranjam-me novo voo com a porta de embarque nos confins. Corri que me fartei, mas perdi este também. Eu só queria chegar rapidamente a Milão para ir ao hospital  O voo seguinte era às 10 da noite. O sangue deixou de ser vermelho vivo e passou a castanho. Eu estava mesmo a acreditar que à terceira era de vez, mas naquele momento comecei a ter dúvidas  Respirei fundo, engoli as lágrimas, e esperei pelo raio do voo. Todos os dias seriam maus para acontecer isto, mas o dia em que aconteceu foi o pior de todos.

Mal cheguei fui directa do aeroporto em Milão para o hospital. Assim que vi o mini-coração a palpitar sosseguei. O bebé estava bem e eu preciso de descansar, nada que uns dias em casa não resolvam. Como disse a médica que muito bem me atendeu nas urgências "Isto foi um sinal de STOP."

22.7.14

de Viena, a caminho da Letónia

O bebé M está crescido. Quem diria que aqueles parcos milímetros há poucas semanas chegariam às 165 gramas? Contaram-se 20 dedos, viu-se o estômago, a bexiga e os rins. O coração tem quatro cavidades e continua a bater cheio de energia. 

É provável que ainda mudemos de casa este mês e iniciemos Agosto num novo apartamento, cheio de luz e com um quarto vazio à espera de um novo habitante. 

E eu comecei hoje a minha última viagem solitária, e a única solitária, mas a dois. Nunca viajei com tão pouca coisa. Trouxe a máquina fotográfica, o telemóvel, o computador, um livro, um caderno por estrear e meia dúzia de peças de roupa. E trouxe uma amálgama de pensamentos e sentimentos e expectativas em desordem. Ainda não cheguei sequer a meio do caminho, mas acho mesmo que estes 9 meses de espera são essenciais para que tudo e todos (especialmente eu!) se organizem antes da desorganização se instalar a 1 de Janeiro.

21.7.14

hoje há nova eco, a torcer para que a fase serena se mantenha

O M. tem as suas primeiras luvas, o seu primeiro gorro e a sua primeira camisola de inverno. Mas admito que de vez em quando me pergunto "E se algo corre mal?". Logo a seguir acalmo-me, lembrando-me que viver com medo não é viver* e que estes são meses únicos que merecem ser saboreados. O que aí vem, bom ou mau, acontecerá independentemente da minha vontade, pelo que, para já, há que aproveitar a fase serena e descontraída.

*neste caso como em tantos outros. Todos nós já passámos por amores menos felizes que nos marcaram. Deixámos de acreditar que um dia iríamos ser felizes ao lado de outro alguém por isso? Deixámos de agir como gostaríamos por esse motivo? Ser cauteloso q.b. é uma vantagem e, quanto a mim, um sinal de inteligência. Ser medroso é limitarmo-nos e deixarmos de saborear a vida.

18.7.14

e ainda a procura de casa

Tenho sido agradavelmente surpreendida. Achava que ia ver dezenas de apartamentos até encontrar um que me agradasse, mas a verdade é que, com excepção de um, todos os outros poderiam ser opções a considerar. Das vezes anteriores foi bem mais complicado encontrar algo que me agradasse. É provável que nesta altura do ano a oferta seja maior e, por outro lado, começo a saber melhor o que é relevante um apartamento por estes lados ter ou não ter. 

Apartamento 1: enorme, três quartos e duas casas-de-banho (uma banheira, yeah!), sala e cozinha separadas; ar rústico que muito me agrada; mobília OK e TV grandona; classe energética miserável e gás não canalizado (vulgo, muito caro e nunca saberei quando ficarei a tomar banho de água fria, o que num inverno com temperaturas negativas é coisa que se deseje a muito pouca gente); garagem não há; afastado do mundo e arredores, mas próximo do lago.

Apartamento 2: muita luz, 2 quartos, nada de banheira (snif snif), sala e cozinha juntas, rés-do-chão, nada de garagem; classe energética assim assim; não é propriamente central, mas consigo sair de casa a pé.

Apartamento 3: oh meu deus! Por que raio de razões viemos ver este? Não, não e não!

Apartamento 4: muitas janelas e muita luz, 2 quartos, casa-de-banho com banheira (rebolo de contentamento), piso aquecido, classe energética que me faz bater palminhas; sala e cozinha juntas, mobília interessante e com muita arrumação; arrumos; garagem (yeah!); perto da civilização (posso ir a pé!).

Hoje vou ver os últimos dois, mas acho que habemus apartamento!

17.7.14

a despedida das viagens solitárias

Viajei muito sozinha até há bem pouco tempo, tanto por razões profissionais como em passeio. De há um ano para cá tive companhia em todas as viagens, quer de colegas de trabalho, quer delE. Na próxima semana vou conhecer um destino novo sozinha e desconfio que me vai saber e fazer muito bem.

Daqui a umas semanas iremos de férias, juntos, claro. Depois disso, nos últimos meses do ano, tentarei escapar a viagens profissionais desnecessárias. De modo que me parece que as minhas viagens solitárias têm os seus dias contados. É por esta razão que esta pequena viagem na próxima semana terá um sabor especial. Será a minha derradeira viagem solitária pré-maternidade. Vão ser poucos dias, mas serão dias só meus, ocupados a fazer o que bem me apetecer, a divagar por aí de máquina fotográfica na mão, sem obrigações nem horários. Serão também dias para organizar as ideias e tomar consciência da nova fase que se aproxima. Sempre fui muito metida comigo, preciso de momentos de isolamento e solidão para estar bem comigo e com os outros. Nesta fase de mudança estes momentos são ainda mais importantes. Esta viagem será uma espécie de despedida dos meus anos de liberdade total, sem qualquer saudosismo ou arrependimento, quer do que vivi, quer do que me espera.

começou! :D

Vocês não me deviam ter dado ideias, e eu não devia ter andado a pesquisar roupas de bebé sem coelhinhos, ursinhos e afins. Estas vêm a caminho para se juntar à fatiota solitária que mora cá por casa.




Fotos rapinadas daqui (é favor não demorarem muito tempo a fazer a entrega, que eu estou mortinha por me apanhar com estas miniaturas nas mãos!)

16 semanas

Ontem estava eu toda entusiasmada com a ideia de tornar a ver o rebento, quando me informam que a consulta foi adiada. Fiquei ainda mais irritada por não me proporem logo uma data alternativa. Depois de vários telefonemas cá continuo eu à espera que se dignem remarcar o raio da consulta. Estaria muito mais preocupada se na semana passada, nos dias portugueses, não tivesse tido direito a uma passagem pelas urgências (nada de grave, só um susto) e não tivesse feito uma ecografia. Assim sei que, há menos de uma semana, o bebé M. estava muito bem alojado no seu T0 e cheio de actividade.

Hoje saí de casa com um top justo e não há como não reparar na minha ausência de cintura. Foi-se, sumiu, mas eu tenho esperança que daqui a uns tempos volte a dar sinal de si. 16 semanas! Ainda não acredito que daqui a um mês estamos a meio do caminho e que daqui a um ano teremos um puto de quase 7 meses nos braços.

16.7.14

mar

De volta a Itália.

Ontem o dia amanheceu a cheirar a calor e a mar, e a minha vontade de perder o avião foi mais que muita. Apeteceu-me ir em sentido oposto, no sentido que me traz o sabor a iogurtes quentes no fim das tardes de Verão da infância. 

Sempre disse que para ser feliz precisava viver perto de água, fosse mar ou rio. Nunca tinha colocado a hipótese de viver perto de um lago, até há um ano e pouco. Descobri agora que mais do que viver perto de água, preciso viver perto de água salgada. O lago tem o seu encanto, mas faltam-lhe as ondas e o sabor. Nadar num destes lagos quentes no Verão é como estar dentro de uma panela de água tépida sem sal.  

O tempero do meu dia vem daqui a mais umas horas com nova eco e, espero, mais umas semanas ultrapassadas com sucesso.

13.7.14

a criança já não terá que andar nua

Comprei a primeira roupa para o rebento. E tenho a sensação que agora que comecei não há quem me pare :D 

Gente entendida nestes assuntos, indicam-me lojas com roupas giras para bebé? Neste momento sou completamente ignorante no assunto, preciso mesmo de ajuda!

9.7.14

tempos modernos: saber o sexo do filho por mail :-)

XY

Tudo se tornou tão mais real. E eu, conhecida por ser uma rocha, só não chorei baba e ranho ao saber que estava tudo bem e que o bebé passou a ter nome porque estava sozinha e respirei muito fundo muitas vezes.

acho que não vou ficar na rua

Ontem fui visitar mais dois apartamentos. Tinha visto os anúncios na net e fui ver os apartamentos sem grandes expectativas. Os preços pedidos eram baixos para os preços habituais cá do sítio, o que era um indício de que não deviam ser grande coisa. Um deles dizia ter três quartos e duas casas-de-banho, mas nas fotos só aparecia um quarto e nada de casa-de-banho. Não é preciso ter muito jeito para o marketing para se saber que se temos algo bom para vender há que o mostrar muito e bem, enquanto que se o nosso produto não é brilhante não vale a pena mostrar misérias. De modo que as quatro fotos solitárias disponíveis me diziam que o que estava à vista era interessante, mas o que não se via devia ser uma desgraça. Fui na mesma, nada a perder.

Fui surpreendida. O das quatro fotos é fabuloso. Grande, luminoso, com uma cozinha separada da sala (aleluia! Afinal isto sempre existe em Itália!) e duas casas-de-banho (uma delas com banheira, rufem os tambores!). Tem realmente três quartos, um deles sem mobília, o que para nós, neste momento, é o ideal. Imaginei-me a viver ali. O outro é mais pequeno, mas igualmente cheio de luz. Também tem um quarto vazio, mas nada de banheira nem de cozinha separada da sala. Lado lunar dos dois: a classe energética é uma desgraça, o que em Invernos com temperaturas abaixo de zero é bastante relevante. Vou ver mais alguns e ponderar, mas o primeiro que vi ontem caiu-me no goto.

3.7.14

14 semanas, yeah!

14 semanas, o dobro do meu habitual. Continuo à espera dos resultados do teste Harmony, faltam mais duas semanas de paciência até me apanhar com o relatório na mão. Até lá nada de consultas nem de ecografias. Fico um pouco ansiosa por irem passar mais de 2 semanas sem fazer uma ecografia. Mais do que querer saber o sexo da criança, eu queria mesmo era começar a senti-la para me sentir mais sossegada. Uma das minhas companheiras de gravidez diz que já sente borboletas a voar na barriga. Eu não sinto absolutamente nada. Bem sei que é muito cedo para sentir seja o que for, mas que dava jeito, dava! 

 (Turim)

2.7.14

a procura de casa continua

Tínhamos encontrado um apartamento quase perfeito. Solarengo, espaçoso, recente e com um bom isolamento (essencial para os invernos gélidos e os verões abrasadores que se fazem sentir por estes lados). Tinha garagem e lugar de estacionamento, uma varanda grande e banheira. Tudos coisas normais em sítios normais, mas o sítio onde estou não é normal. Casas ou apartamentos recentes para alugar são uma raridade. Os que estão disponíveis são antigos, o que quase sempre equivale a dizer que têm um isolamento miserável, o que obriga a gastar enormidades em aquecimento no inverno. E uma banheira, a sério!, nunca imaginei que uma banheira fosse uma coisa tão rara por estes lados! Bom, tínhamos encontrado o apartamento quase perfeito, não fosse ficar ligeiramente afastado do centro cá do sítio, mas ainda assim dava para ir para o centro a pé ou de bicicleta (estou fartinha de não me mexer e andar sempre de carro!). 

Visitámos o apartamento, fizemos duas ou três perguntas e eu pensava de mim para mim "Pronto, não custou nada! Aqui está o que estávamos à procura!". Eu não sei o que é que de vez em quando se passa nas mentes masculinas, se é apenas disparate ou se o que dizem contradiz completamente o que estão a pensar, porque eu sei que Ele gostou tanto do apartamento quanto eu. Quando dou por mim está Ele a dizer à que seria nossa futura senhoria "Vamos pensar e falar um com o outro. Se aparecer mais alguém interessado..." E eu pensei "... por favor avise-nos, já que fomos os primeiros a visitar o apartamento!", mas o que ouvi foi "... não se prenda por nós."

Saí de lá a dizer-lhe que não devia ter dito aquilo, mas não valorizei muito. Mantive o pensamento optimista, por estes lados os apartamentos ficam que tempos vazios até serem alugados. Quando tornámos a contactar a dona do apartamento para comunicarmos a nossa vontade de nos mudarmos... já estava alugado. Disse em silêncio centenas de vezes "Eu bem te disse!", mas consegui ficar calada.

Continuamos à procura de casa, mas agora aquele apartamento não me sai da cabeça. Qualquer um que veja não me agrada, por eu queria Aquele!

1.7.14

a entrar no espírito

Às quase 14 semanas tirei a primeira foto ao espelho a mostrar a barriga. Pretende-se tirar uma por semana até ao final do ano ;)

30.6.14

barriga de quase 14 semanas

As grávidas do mesmo tempo que eu com quem vou tendo contacto ficam felizes por as terem deixado passar à frente no supermercado (porque isso mostra bem que estão visivelmente grávidas), ou andam tristes porque a barriga pouco se nota. Não faço questão de andar sempre contra a corrente, mas eu continuo contentinha por, para já, ser uma grávida camuflada. Sim, eu noto que a cintura desaparece a olhos vistos e que estou mais cheiita. Mas se inspirar fundo e encolher a barriga ela ainda volta quase ao ponto de partida. Mesmo usando roupas mais justas não tenho sentido olhos curiosos na minha cintura, mas também é certo que me tenho vestido de forma a não levantar suspeitas. Eu bem sei que daqui a pouco tempo a gravidez estará à vista de todos, e não tenho problema nenhum em mostrar uma barriga proeminente, mas já que isso está garantido (a não ser que... vá, esqueçamos isto agora) eu quero aproveitar a minha quase ausência de barriga enquanto for possível. 

procura-se casa (ou de como começa a ser real)

Estou à procura de casa. Aquela onde vivo agora é incompatível com um bebé. É idílica, campestre, aconchegante, mas não corresponde às necessidades futuras. Já avisei que sairei dali em breve, mas ainda não encontrei o novo poiso. Desejem-me sorte, que encontrar uma casa ou apartamento decente por estes lados é coisa para demorar. Temos uma longa lista de requisitos e só estamos dispostos a abdicar da centralidade. Temos três meses para nos decidirmos ou ficarmos a morar na rua, já que pontes por estes lados não há.

o fim-de-semana em Turim e a parada gay

Fui passar o fim-de-semana a Turim. Gostei muito mais de Turim do que de Milão. Cidade acolhedora, com um centro relativamente pequeno que se percorre muito bem. O Museu Egípcio encheu-me as medidas e ao do Cinema irei na próxima visita. Na tarde de sábado comecei a achar estranho o amontoado de gente e o número de polícias na rua. Até que começou a parada gay (e outros termos afins) e o mistério ficou resolvido. Tive pena do meu tempo ser limitado e de não ter tirado fotos com a calma e o sossego que as cores e a disponibilidade dos modelos exigiam. Gostei do ambiente descontraído e sereno. Tenho para mim que o meu acompanhante se sentiu pouco à vontade e que me tentou arrastar dali para fora o quanto antes.




27.6.14

tem sido assim

Aos poucos vou descontraindo e sinto que vou estando um pouco menos condicionada pelo passado. Esta fase é nova e tudo corre normalmente. As minhas probabilidades de que algo corra mal neste momento são as mesmas de qualquer outra grávida. Mas ainda não consigo imaginar a nossa casa com um novo habitante a partir de Janeiro. Ainda é algo inacreditável e aparentemente distante. Comentei isto há dias com uma amiga mãe recente, que me disse que o filho dela já tem 6 meses e ela ainda acorda a achar que não é verdade que tem um filho, de tão maravilhosa que está a ser a experiência. Portanto assumo que esta minha sensação de incredulidade é natural.

Continuo a não ter comprado nada para o bebé, para além da chupeta e do biberão pouco ortodoxos. Não consigo explicar porquê. Talvez ainda me esteja a defender e nem dê conta. Todos me perguntam se já sei o sexo do bebé. Não penso nisso. Acho que ter esta informação torna o bebé mais real, começa a atribuir-lhe uma identidade. Acho que inconscientemente ando a fugir a isso. Quanto mais impessoal se mantiver menos riscos corro. Sim, eu sei que neste momento corro tantos riscos como qualquer outra grávida, mas acho que o receio continua cá, escondido, bem camuflado, mas no fundo continua cá.

Tenho facilidade em reflectir sobre o que se vai passando, sobre o que penso e sinto, e isso ajuda-me a perceber-me e a encontrar razões para as minhas sensações. Acho que tenho vivido estes meses da melhor forma possível, de forma serena, com os pés bem assentes no chão. Acho que tenho tomado as decisões correctas, nos momentos certos. E tenho seguido a minha intuição, que ainda antes do teste positivo já me dizia que estava grávida.

um terço do tempo já passou!



25.6.14

Porto --> Itália, quando?

Devia estar em Itália desde ontem à noite, mas continuo no Porto. Nas muitas viagens que fiz já tive vários voos atrasados, alguns muito atrasados, mas ontem pela primeira vez tive um voo cancelado. O voo está agora previsto para hoje à tarde, mas a greve dos controladores aéreos franceses continua, de modo que não há garantia de nada. É  esperar para ver, nada mais há a fazer.

ano novo, vida nova - nunca antes foi tão verdade!

Nova data prevista do parto: 1 de Janeiro! É ou não é um bom sinal?

Mede 6,5 cm, (info seguinte só para também anda nestas andanças; demasiado específico para o público geral, eu sei!) o osso do nariz está lá e a translucência nucal foi difícil de medir por ser quase invisível. Portanto, para já, só boas notícias. Resultados do teste Harmony daqui a 3 semanas, altura em que também saberei se o baby M é um ele ou uma ela. Seja ele ou ela será sempre baby M, porque muito antes de nós ponderarmos ter filhos os nomes foram escolhidos, numa ocasional conversa de café!

22.6.14

12 semanas

Há já umas semanas que os enjoos que duravam o dia inteiro se foram. Andava toda contentinha, embora nos primeiros dias sem enjoos tenha ficado preocupada com a ausência do sintoma. Quando percebi que os outros se mantinham sosseguei. E pensei de mim para mim que agora é que ia ser, nada de enjoos e, como que milagrosamente, também muito menos fome! Até que há dois dias me apareceu uma bola de fogo na garganta. Depois de mais de três décadas de vida descubro o que é azia. Não me importava nada de continuar na ignorância!

Ontem, em Portugal, no primeiro dia de Verão comprei as minhas primeiras calças de grávida :D Amanhã há eco!

19.6.14

porquê, mas porquê?

Os fóruns e grupos de grávidas têm-me sido muito úteis. De certeza que já alguém teve a nossa dúvida. É só pesquisar ou perguntar e eis que lá está a resposta. Mas eu sinto que não falo a linguagem da maioria. Há especialmente uma coisa que me irrita e me faz rir ao mesmo tempo. Mas por que raio é que as pessoas não se tratam pelos nomes ou pelos nicks e se tratam por mamãs, como se ao entrar ali perdêssemos a individualidade e fossemos apenas mais uma ovelha do rebanho? Pior, a maioria ignora o til, e acabam por se tratar umas às outras por mamas. Surgem coisas do género:

Olá mamas! Muito obrigada por me adicionarem ao grupo.

Eu bem sei que nesta fase esta é uma parte do corpo com especial relevo, mas, a sério, vocês querem-se mesmo tratar umas às outras por mamas?

18.6.14

mas não era suposto nesta fase eu dormir como se não houvesse amanhã?

Sono eu tenho, durante o dia! À noite adormeço rapidamente, mas pouco tempo depois acordo com uma vontade incomensurável de fazer xixi. Lá vou eu, escada abaixo, escada acima. E quando me torno a deitar o sono sumiu. Não é incomum ficar horas a rebolar na cama e a ver as horas a passar. Quase que invariavelmente estou a dormir como um anjo na hora de me levantar. Ah, isto se estivermos a pensar nos dias de semana, porque ao fim-de-semana madrugo, tenha dormido muito ou pouco. Mas nesta fase eu não deveria dormir este mundo e o outro numa tentativa de compensar (está bem, está!) as muitas noites em claro que se seguirão daqui a uns meses? Oh que diabo! 

espalhar a boa nova

No trabalho os dois ou três colegas mais próximos já sabiam da novidade. Aos restantes não fazia questão nenhuma de contar. Mas há uns tempos fiz um pé de vento para participar numa formação e eis que agora me vejo obrigada a faltar a um dia dessa formação porque vou a Portugal fazer o teste Harmony.  Bom, lá me vi obrigada a explicar o motivo da ausência à organizadora da formação e ao big boss. Isto é gente para espalhar a notícia em menos de 30 segundos. A ver vamos se começo a ver olhares centrados na minha barriga! Não me apetece contar a mais ninguém, não são meus amigos, não me são próximos, não me preocupo minimamente com eles e o sentimento é recíproco. Se as duas criaturas que informei hoje não se desbroncarem, os outros hão de saber quando acharem que a gordura localizada na minha barriga é demasiado suspeita!

o bigode e as coisas fofinhas

Do muito que tenho lido e ouvido tenho percebido que o bafo da maternidade nos pode soprar forte e quente mal nos apanhamos com as duas riscas à frente, mas também pode ir aparecendo devagar devagarinho à medida que as semanas vão passando e o corpo se vai transformando. Espero pertencer ao segundo grupo, porque se não for isso está o caso muito mal parado! Apesar da gravidez planeada e sofrida dados os antecedentes, a verdade é que para já não há dentro de mim uma explosão de amor maternal a salpicar todos os recantos das minhas entranhas. Sinto necessidade de proteger o ser que habita dentro de mim, mas para já não passa disso.

Pertenço a um grupo de grávidas e todas elas estão possuídas pelo dom (a maldição?) das palavras fofinhas ditas em tom pastel. Publicam fotos esbatidas e amorosas e partilham listas com uns 2 quilómetros de compras essenciais para elas, para o rebento e para a casa. Fazem berços (meu Deus, há quem esteja a fazer o berço com as próprias mãos!) e transbordam maternidade por cada poro.

Depois existo eu: comprei (só) uma chupeta com um bigode e um biberão onde se lê "vodka". Disse-me uma  companheira de grupo quando partilhei a foto da bigodaça "Mas pode ser uma menina...". Ora, pois pode! E se for será uma portuguesa típica já com um belo buço à saída do hospital. Achei que para não me expulsarem do grupo talvez fosse melhor não partilhar o biberão alcoólico.

É certo que para já ainda me estou a defender de algo que possa correr menos bem, daí também a minha pouca pressa em saber se é menino ou menina. Ter essa informação vai tornar mais real e próximo o meu pequeno habitante. Mas ainda que não tivesse um passado cinzento escuro neste campo não me imagino a borbulhar lacinhos e estrelinhas.

Mas o melhor é não dizer "desta água não beberei" ou daqui a umas semanas ainda me arrependo!

17.6.14

que os cromossomas estejam todos no lugar e no número certo

Para quem já passou por duas perdas, saber que a amniocentese tem um risco de aborto, ainda que baixo, não é algo animador. Noutra situação pensaria que aquele 0,5% a 1% de probabilidade decerto que não me viria bater à porta, mas já se viu que a sorte nem sempre está do meu lado. Decidi procurar alternativas e encontrei o teste Harmony. Nunca tinha ouvido falar sobre ele. Na verdade até há um ano tudo o que se relacionasse com maternidade e gravidez passava-me completamente ao lado. Já depois disso tenho procurado informação à medida que os acontecimentos se vão sucedendo. De modo que nunca tinha chegado à fase de pensar numa amniocentese ou em alternativas, até há poucas semanas.

Falei no teste Harmony às duas obstetras que me têm seguido (sim, é capaz de estar na altura de optar por uma!) e as duas foram unânimes: é a melhor opção, vamos evitar todos os riscos possíveis. Assim, no início da próxima semana estarei de volta a Portugal para fazer o tal teste que, na verdade, consiste apenas na recolha de sangue. E por que vens tu a Portugal fazê-lo?, perguntam vocês. Porque em Itália é bastante mais caro, como praticamente tudo o que se relaciona com o sistema de saúde. Eu sei que em Portugal nos queixamos, e não digo que seja sem razão, mas em Itália a saúde paga-se muito bem.

Voltando ao mais relevante, no mesmo dia em que farei o teste farei também uma ecografia, porque as nossas mentes precisam de sossego e os nossos corações precisam de ver um coração a bater para irem confirmando de duas em duas semanas que à terceira é de vez. Terei os resultados do teste Harmony duas semanas depois. Com estes resultados virá também o sexo do bebé. Vamos lá ver se o meu palpite bate certo, embora isso seja o menos relevante.