27.8.14

se calhar a luz da gravidez ainda não baixou sobre mim, mas...

... sou só eu acho que acho as barrigas de gesso uma coisa assim a puxar para o creepy?

procura-se bruxa!

A chave sumiu ontem à tarde, depois de termos estacionado o carro já dentro da área do prédio, termos dado meia dúzia de passos, subido as escadas e entrado em casa. Em casa o raio da chave não está, já viramos tudo do avesso e nada de chave. Lá fora também não a encontramos. Se a chave caiu, caiu dentro da área do prédio. Se algum dos vizinhos a encontrasse facilmente perceberia a que carro pertence e já a teria devolvido. 

Opção 1: deixamos a chave dentro da mala do carro e o carro trancou.

Antes de entrarmos em casa fizemos festas ao cão dos vizinhos, que é um bicho simpático e carente, que mal nos vê abana freneticamente a cauda, arrebita as orelhas e põe a língua de fora de satisfação.

Opção 2: o cão comeu a chave.

A chave suplente está em Aveiro. Ou melhor, espero que a chave suplente esteja em Aveiro, porque não faço a menor ideia onde raio a pus.

Portanto, estamos sem carro até sexta. Andamos à boleia no carro dos amigos e alguém terá que nos levar ao aeroporto.


Vejamos: 
1) temos o casamento marcado
2) eu sou brindada com uma gravidez de risco e a consequente baixa  
3) a data do casamento coincide com a baixa médica
4) o meu chefe não me permite casar porque se estou de baixa nada de devaneios
5) resolvemos a questão colocada pelo chefe
6) perdemos a chave do carro, deixamos de ter meio de transporte para nos rasparmos daqui para fora
7) se continuamos em Itália não há casamento em Portugal

Ou o universo me está a tentar dizer alguma coisa ou tenho de ir à bruxa.

começar bem o dia

Cadê as chaves do carro? 

26.8.14

o futuro

Ainda antes de me mudar para Itália comentei com quem me é mais próximo que tinha dúvidas sobre se iria levar o meu contrato até ao final. Não por passar a viver em Itália, mas pelo trabalho que iria fazer. Apesar de ainda estar bastante às escuras e não saber o que me esperava, tinha noção que me iria deparar com muita burocracia e uma vertente mais política do que investigativa. Este não é para mim o contexto ideal, longe disso. Então por que foste em frente? Porque precisava de me desafiar, de mudar de ar, de mudar de pessoas, de conhecer outro contexto profissional (estava há mais de uma década no mesmo sítio). A vinda para Itália foi uma decisão importante, e apesar de óbvia (não tive dúvidas), não foi fácil. Deixei que a razão vencesse, mas o coração mandava-me para Timor. Se não tivesse vindo para Itália, trabalhar em algo que nada me diz, continuaria a trabalhar no mesmo sítio, mas num projecto novo, criado por mim, que me levaria a Timor de vez em quando, durante dois anos. Caiu-me tudo nas mãos ao mesmo tempo. No dia em que vim à entrevista no sítio onde agora trabalho, soube que o meu projecto sobre Timor tinha sido aprovado. Rebentei de felicidade e lamentei virar costas ao sonho. Mas há alturas em que há que virar costas a tudo e todos. Não tivesse tomado esta decisão e hoje não estaríamos aqui juntos, a três.

Não me arrependo.

Mas não é isto que quero. A intuição disse-mo antes de eu me mudar, e o conhecimento de causa confirma-o. Investigação a sério não se faz das 9 às 17. Investigação também se faz noite dentro, e em fins-de-semana sem vida para além do computador e da papelada. Investigação a sério faz-se de forma fluida, não tendo que pedir três mil autorizaçãoes de cada vez que tenho de dar um passo. Investigação a sério faz-se com paixão e não porque não sei quem me pede um relatório sobre uma coisa sobre a qual não consigo encontrar o menor interesse. Investigação a sério faz-se com colegas em quem confiamos, não com chefes que se aproveitam da sua posição, nem com colegas que nos tentam passar a perna, se isso os fizer subir mais um degrau. E, para além disso, quero que o que faço tenha impacto, e não sejam apenas relatórios cheios de blá blá blá que vão parar a mãos e às gavetas de políticos sem o menor interesse genuíno no assunto em questão. Já tenho mais umas linhas de peso no CV, aqui não ganharei mais nada.

E, sendo assim, parece que daqui a uns tempos será altura de me mudar (nos mudarmos). Para onde? Não faço ideia. Para longe daqui, com toda a certeza.

a lentidão dos dias cinzentos

Ecografia no Sábado e o tempo que parece que não passa. Depois de ter refilado porque não consigo sentir o bebé a mexer, pareceu-me que nesse dia à noite ele me fez a vontade e eu senti algo fora do comum. Pensei "Ah, agora é que é! Começou!" Mas depois disso voltamos à ausência de movimentos. Resumindo e concluindo: estou na mesma. Acho que senti alguma coisa, mas como não se repetiu não sei se senti ou não. *

Os dias cinzentos deste Verão incomum também não ajudam a afastar as nuvens mais escuras que de vez em quando teimam em pousar em cima da minha cabeça. No ano passado devo ter tido o Verão mais quente de que tenho memória, se me esquecer do Verão fora de tempo timorense. Este ano não houve Verão. Houve muita chuva, muitos dias cinzentos e lá pelo meio um ou dois dias de calor e sol. O estio repõe-me a energia e a vontade, mesmo quando tudo o resto joga contra. Estamos no fim de Agosto e nada de sol nem calor. Não me dou bem com dias cinzentos de chão molhado.

Estou a poucos dias de sair daqui pelo período mais longo desde que me mudei para cá. Uns dias serão passados de papo para o ar ao sol (esperamos nós, esperemos que o tempo não decida ser irónico connosco), outros a circular por Portugal. Não eram estas férias sossegadas que tínhamos em mente, mas, dadas as minhas circunstâncias, achamos que uma vez na vida devíamos ser ponderados. Venham daí as férias de praia que nem eu nem ele apreciamos por aí além. Por outro lado, e agora que nos habituamos a passar quase todos os fins-de-semana italianos fora de casa, achamos que talvez não fosse má ideia passear por Portugal, algo que não fazemos há muito tempo. Temos ainda a vantagem de ter sempre um hospital por perto, caso seja necessária assistência médica.


* E porque a criança é bem capaz de ter um feitio tão arrevesado como o dos pais, parece-me que enquanto escrevia este post comecei a sentir uma leve e invulgar pressão no lado esquerdo da barriga. 


25.8.14

habemus casamento!

Yeah! 
Depois de toda esta confusão parece que a questão está resolvida. ElE estava confiante e sempre achou que tudo se resolveria, eu tinha os pés mais assentes no chão e considerava todas as possibilidades. Assunto resolvido depois de uma semana com os nervos em franja. Agora é só esperar até o chefe levantar um novo problema. O que eu gosto de trabalhar aqui.

22.8.14

não resisti ao morango!



(que não haja confusões, o morango é para o bebé, não para mim!)

a diferença entre esta vez e as outras

Já me perguntaram várias vezes se fiz (ou estou a fazer) alguma coisa de diferente nesta gravidez, algo que possa explicar o sucesso (pelo menos até já) desta vez. Apliquei progesterona a partir do momento em que percebi que estava grávida até às 13 semanas, mas já na segunda gravidez o tinha feito. A única diferença é mesmo estar a tomar cardioaspirina desde as 6 semanas. Normalmente as grávidas que têm algum tipo de trombofilia simples tomam cardioaspirina do início até ao final (ou quase) da gravidez. A cardioaspirina torna o sangue menos espesso. Não me foi detectado qualquer tipo de trombofilia, aparentemente não há nenhum problema com o meu sangue, mas como a cardioaspirina mal também não faz, a obstetra achou que seria uma boa opção. Parece ser um "tratamento" comum para quem já passou por vários abortos sem motivo aparente. Não sei se a cardioaspirina é a responsável pela minha gravidez actual ter chegado até aqui, ou se simplesmente tive mesmo muito azar nas duas primeiras vezes, mas, pelo sim pelo não, a minha cardioaspirina matinal já faz parte dos meus hábitos.

21 semanas!

Passamos o meio do caminho. Esta semana não houve sustos nem idas às urgências, nem aquela sensação de peso no fundo da barriga que já senti algumas vezes. Depois do pulo da barriga às 18 semanas parece que, por agora, estabilizou. Continuo a não parecer claramente grávida, mas pareço ter uma camada extra de gordura na barriga. Tenho cumprido as ordens da obstetra "O ideal é engordar um quilo por mês", mas tenho perfeita noção de que o desafio do peso se coloca daqui para a frente. Embora me pareça que o tecto está acima do desejável, tenho usado esta página para, em cada fase, ir vendo o que é mais ou menos normal. Obtemos um gráfico deste tipo, bem claro e elucidativo.


De vez em quando sinto uma movimentação adicional na barriga, mas continuo sem sentir movimentos nítidos que me indiquem que são mesmo fruto da actividade do bebé. Um dia destes lanço-lhe um ultimato. Mas que raio, já ultrapassamos o meio do caminho e o rapaz não se decide a fazer-se sentir de forma clara. Cá para mim vai ser desajeitado como os pais e nada de pontapés ao jeito de jogador de futebol. 

Os enjoos passaram antes das 12 semanas, a azia rondou-me apenas durante dois ou três dias, e já foi há umas boas semanas. Não sinto mais fome que o habitual, mas depois de cada refeição, mais ou menos leve, sinto-me muito cheia. Depois de nas primeiras semanas ter ficado com o paladar completamente alterado, tudo voltou ao normal já há algumas semanas. Voltei a conseguir beber água com gás, que adoro, mas que nas primeiras semanas de gravidez tinha um sabor ácido e intragável. Sinto falta dos chás que bebia de manhã à noite, mas depois de ter pesquisado percebi que os chás de que gosto não são indicados nesta fase. Vingo-me no próximo ano (ou quando deixar de amamentar). Não tenho desejos, mas felizmente o que me sabe melhor são comidas simples e saudáveis. Eu sei que é desinteressante, mas peixe cozido com brócolos sabe-me bem como nunca antes soube. E fruta, salivo por fruta. Não digo que enjoei, mas já quase não posso ver pizzas, massas e risotos à minha frente. A cozinha italiana, depois de mais de um ano por estes lados, tornou-se aborrecida e muito pouco diversificada. Há mais ou menos um mês apercebi-me que se estiver o dia toda sentada, no final do dia fico com pezinhos de Fiona, mas é coisa que, pelo menos para já, se resolve caminhando durante ou dia ou tendo os pés um pouco elevados (o que, estando em casa, não é difícil de fazer). 

21.8.14

o casamento (complicado!)

Quem me acompanha há bastante tempo sabe que eu atraio situações incomuns. Está-me nos genes ou coisa que o valha, não sei explicar, mas eu consigo complicar as situações mais normais. Ou melhor, não sou eu necessariamente que as complico, mas quando dou conta estou presa no meio de um novelo de lã sem saber muito bem como lá fui parar e muito menos como sair. Acho sempre que já me aconteceu de tudo, até que me deparo com uma nova situação invulgar (invulgar é eufemismo, como já vão perceber). E parece que o estado de graça me trouxe muitas novidades, mas livrar-me deste meu íman que atrai situações e gente que não interessam a ninguém não foi uma delas.

Ora, então, resumidamente é isto: Rosinha foi pedida em casamento há uns bons meses. Deixámos a coisa a marinar que, para dizer a verdade, nem eu nem elE somos muito dados ao matrimónio (isto só quer dizer que ter o papel assinado ou por assinar não muda absolutamente nada em termos dos sentimentos que nos unem). Entretanto ocorreu-me que giro giro seria casar em Las Vegas e, já que estávamos para aquele lado do mundo, juntava-se uma road trip na Califórnia ao pacote. Andávamos todos entusiasmados a tratar do roteiro, já havia capela escolhida e tudo, quando bebé M se juntou a nós. Dado o historial começámos a achar que talvez o casamento pela mão do Elvis não fosse a ideia mais brilhante, e que talvez fosse mais prudente fazermos a coisa de modo mais convencional e no nosso continente habitual. Tratámos dos trâmites legais e habemus casamento marcado. Só nós (descobrimos que não há necessidade de haver testemunhas), num dia de semana, sem pompa e com as nossas circunstâncias. Eis senão quando eu vou ao tapete e sou remetida para casa com um belo atestado médico. Estaria tudo muito bem se eu não estivesse em Itália, se o casamento não fosse em Portugal e se eu não tivesse um chefe filho da mãe que desde que eu não me mostrei receptiva às suas investidas de carácter sexual me faz a vida negra. Lá informei sua excelência sobre o casamento, porque sou obrigada a fazê-lo para ter direito à justa licença de casamento (e me permite poupar nas férias, que no próximo ano, já a três, me serão muito úteis). Mas por acaso o casamento está marcado para um dia antes do final da minha baixa médica. Pois que a criatura põe em causa o casamento porque eu estou de baixa, logo, segundo ele, não me posso deslocar para Portugal.

E é isto. Estamos a tentar resolver o imbróglio. Talvez nos casemos um dia destes, ou talvez não.

19.8.14

o lado B de Itália

Eu sei que todos já ouvimos vezes sem conta aquela conversa sobre só valorizarmos o nosso país depois de nos apanharmos lá fora. Estando ainda em Portugal e ouvindo este discurso até percebemos algumas coisas, mas ficamos sempre de pé atrás. Emigrante há um ano e pouco, devo assumir que já dei o braço a torcer várias vezes e a mais recente tem a ver com a licença de maternidade. Sem conhecermos a realidade italiana, assumimos que as condições para a mãe e o pai serão mais interessantes que as portuguesas. Vejamos então:
- em Itália a mãe tem direito a 2 meses de licença de maternidade antes do parto e três a seguir. Numa situação normal fará sentido ficar 2 meses antes em casa? Enfim. E perguntam vocês: então e não pode ficar os 5 meses depois do parto? Não! Na melhor das hipóteses poderá ficar apenas 1 mês antes em casa (o que implica que um médico ateste que a grávida pode continuar a trabalhar) e 4 depois, nunca 5 meses depois da criança nascer.
- em Itália o pai tem direito a 1 dia de licença de paternidade. Reparem nesta fartura: 1 dia! Mas sublinhe-se que, caso a mãe não use na totalidade a licença de maternidade, o pai tem direito a mais 2 dias de licença de paternidade. Claro que terá que fazer um pedido formal para poder usufruir destes 2 dias.

18.8.14

lá atrás

Há uns anos era próxima de uma pessoa de quem acabei por me afastar naturalmente. Os interesses divergem, as disponibilidades mudam e os caminhos seguem em separado. É um processo natural. Assim como é lógico que a partir do momento em que seguimos caminhos distintos as nossas vidas mudem e nós mudemos com elas.

Quase que deixámos de ter contacto há sete anos. Há dias reencontrámo-nos e falou-me em pessoas e situações dessa altura, como se eu tivesse ficado parada naquele ponto lá tão atrás. Fez-me confusão. Talvez o problema seja meu que às vezes me sinto muito mais velha do que o corpo indicia, de tantas vidas que já me parece que vivi. Há sete anos eu era outra pessoa. E, sim, vivi muito bem os meus anos até aqui. Fiz o que bem me apetecia, na maior parte das vezes sem pensar duas vezes e sem sentimentos de culpa. Não fui irresponsável, a questão é que não tinha de prestar contas a ninguém e não tinha que me preocupar com mais ninguém a não ser comigo. Viajei para onde bem quis, beijei quem me apeteceu, percorri meio mundo, apaixonei-me as vezes que calhou, corri muitos riscos pessoais e profissionais. Passei por situações que não lembram ao diabo e foram essas vivências que me transformaram na pessoa que sou hoje e de quem muito gosto. São todas as experiências que ficaram lá trás que me ajudam a lidar da melhor forma com as dificuldades e os obstáculos com que me deparo hoje.

Respeito as opções de vida de quem fez aquele comentário com um tom crítico, mas temos claramente formas de viver diferentes, e eu, naturalmente, aprecio muito a minha, agora e há 7 anos. 

(Timor-Leste, há 3 anos eu também era outra pessoa)

amor à primeira vista

Eu sei que acabarei por comprar um carrinho mais normal, mas quando os meus olhos se cruzaram com este foi amor à primeira vista. 


não são precisas mais palavras, pois não?

Podia dizer muito sobre as pessoas com quem trabalho, mas penso que esta situação me poupa a discursos e esclarecimentos longos.

Quando fiquei em casa, por ter uma gravidez de risco, informei por mail as três pessoas que deveria informar. Não sou obrigada a explicar o motivo da minha ausência, sou apenas obrigada a informar que tenho um atestado médico que justifica a minha ausência, e a entregá-lo directamente aos serviços médicos. Assim fiz. Os três sabem que estou grávida e os três sabem que existem duas gravidezes anteriores recentes. Até hoje não tive qualquer resposta a esse mail. Até hoje ninguém me perguntou se estou bem ou se o bebé está bem.

do que deveria ser sempre sinónimo de felicidade, mas nem sempre é

Até ter tido a primeira interrupção de gravidez o meu conhecimento sobre o aborto espontâneo era quase nulo. Sabia que acontecia de vez em quando, mas achava mesmo que este de vez em quando era muito pouco frequente. Depois esta realidade bateu-me à porta. Informei-me, procurei outros casos e procurei causas e percebi que era muito mais comum do que poderia imaginar. Descobri casos de pessoas próximas e li sobre outros, mundo fora. Na maior parte das situações os abortos aconteceram no 1º trimestre da gravidez, como me aconteceu também. Cruzei-me com fóruns cujos tópicos estavam divididos por trimestres, li alguns dos casos dos 2º e 3º trimestres, mas não quis aprofundar o conhecimento (e a dor) e centrei-me no meu problema. Até há poucas semanas não conhecia de viva voz ninguém que tivesse passado por uma interrupção da gravidez depois das 12 semanas. Agora conheço. Não sei dizer em que situações a dor é maior, cada uma de nós lida com a sua dor de forma diferente (conheço mulheres que ficaram desfeitas depois de uma perda às 8 semanas), mas ninguém deveria passar por um parto e sair da maternidade de mãos a abanar. 

Ontem disse para uma amiga "o quarto do bebé". Ela respondeu-me "Ainda não dizes que é o quarto do M..." Sai-me de vez em quando, outras vezes não. Ainda estou em processo de defesa e penso que só deixarei de estar depois de ver o bebé M com os meus próprios olhos e depois de o poder sentir quente com o meu corpo.



(da parte mais austríaca de Itália, este fim-de-semana - Bolzano)

14.8.14

20 semanas!

Meio caminhado percorrido, outra metade para percorrer.

Há já algumas semanas que sentia uma espécie de latejar na barriga e dava comigo a pensar "Será? Não será?" Agora a sensação é mais frequente e um pouco mais notória e, como foi coisa que nunca senti antes de estar grávida, suponho que seja o bebé a dar sinal. Mas, uma vez que tenho placenta anterior (isto é, está localizada entre a minha barriga e o bebé), é natural que sinta os movimentos do bebé de forma menos intensa.

Já estou de volta a Itália, mas daqui a pouco tempo regresso a Portugal (e não só) para uns dias de descanso a sério. A próxima ecografia será feita nessa altura. Se bem que tivemos direito a uma eco inesperada quando, mais uma vez no dia em que ia viajar, fui parar às urgências. Desta vez tive direito a cadeira de rodas e dei comigo a pensar "Mas desta vez que até estou serena, apesar do susto, é que tenho direito a este aparato todo?" Mais uma vez não se encontrou uma razão para a perda de sangue e tudo continua bem. 

Resolvi começar a dar uma vista de olhos em carrinhos de bebés e afins e devo dizer que é mais fácil comprar um carro para gente crescida do que um carrinho de bebé! Que confusão!

9.8.14

19 semanas

Apenas a uma semana de chegar a meio do caminho. Continuo incrédula por ter chegado até aqui. Quatro meses e meio para quem até este momento nunca tinha conseguido chegar ao final do segundo. Estou em casa, na minha casa a sério, a de sempre, a quem tem por perto os amigos e a família. Já abri as várias encomendas que chegaram entretanto e todas as roupinhas são mais bonitas do que nas fotos.  Estes últimos dias têm sido perfeitamente normais, sem surpresas daquelas que me levam às urgências em desespero. Desconfio que o trabalho me estava realmente a fazer mal. Os avós estão enternecidos e a transbordar felicidade. Já foram às gavetas que há décadas não eram abertas procurar o que restava dos nossos tempos de bebés. Apareceram mantas, cobertores, babetes e afins. Vai dar-me um gozo especial usar com o bebé M o que um dia foi usado em mim e nelE.

Ainda que o tempo cinzento não esteja a ser o nosso melhor amigo, estar em Aveiro repõe-nos as energias e os sorrisos. E, há que admitir, também nos deixa os estômagos mais confortados. Os pastéis de nata da Costa Nova podem não me manter na linha, mas fazem-me feliz. E finalmente tenho à mão de semear o peixe grelhado que pelos meus lados, em Itália, é impossível encontrar.

E ontem comprámos um ursinho na H&M:


6.8.14

a casa e as 18 semanas

Mudámos de apartamento no dia a seguir a ter chegado de Riga. Agora temos um quarto vazio à espera do bebé e, neste momento, já temos uma casa arrumada e funcional. Claro que nos primeiros dias numa casa nova nos sentimos sempre apaixonados pelo novo poiso, mas desta vez sinto que é para cá ficarmos enquanto estivermos por estes lados. Tenho espaço, tenho luz, tenho sossego. Imagino-me a viver em Aveiro, ou noutro sítio qualquer, neste apartamento. Não é uma casa com características locais (com excepção do tecto de madeira inclinado, que eu adoro), é uma casa normal em qualquer lugar no mundo.

Às 18 semanas a barriga decidiu que era altura de se tornar mais visível. Mas, para já, e para quem não sabe, estou só mais gordita numa zona muito específica. Mais umas semanas e terei mesmo uma barriga visivelmente de grávida! Assustam-me estas mudanças no corpo. Na verdade, lido com uma mistura de sentimentos. Por um lado, estar grávida (e apesar de ainda nem ter chegado a meio do caminho) é passar por uma experiência difícil de descrever. Saber que dentro do meu corpo habita um outro corpo completo e perfeito (espero eu) em pleno crescimento é efectivamente um milagre. Por outro lado, sinto que este é um processo violento em termos físicos. É um processo natural, o corpo está preparado para ele, mas ao mesmo tempo é-lhe exigido um esforço hercúleo. Há momentos, como no dia em que tive a hemorragia, em que tenho receio que o corpo não esteja à altura do que lhe é exigido. Daí não ter sequer resmungado quando me foi dada a possibilidade de ficar em casa nas próximas semanas.

5.8.14

faltam 5 meses

Faltam 5 meses. Por um lado faltam uns longos 5 meses, mas, por outro lado, acho que estes meses vão passar num abrir e fechar de olhos. Faltam 5 meses para termos a vida virada do avesso, no bom sentido, espera-se. Falta-nos praticamente tudo para receber o bebé com pompa e circunstância, mas nós já cá estamos cheios de vontade de o abraçar, de modo que nos parece que o essencial já cá está. Eu lá me vou aventurando no mundo das roupas e pequenos acessórios, mas as coisas maiores estamos intencionalmente a deixar lá mais para o final. Não falamos sobre isso porque nem precisamos, mas ambos pensamos que mais vale jogar pelo seguro. O passado não se apaga, não nos diminui a alegria presente, mas torna-nos mais prudentes.

Ontem comprámos o primeiro brinquedo. Na verdade, foi o segundo. O primeiro espera pelo bebé há mais de um ano. Já teve vários donos, mas ainda não conheceu nenhum. Acredito mesmo que desta vez já não mudará de dono.

4.8.14

as encomendas, o pirata e a zebra

As primeiras roupas encomendadas online já chegaram a Aveiro há uns bons dias, mas eu só as vou ver no final desta semana quando lá for passar mais um fim-de-semana prolongado. Os correios italianos são uma verdadeira desgraça, de modo que tudo o que compro online é enviado para Portugal. Pelo menos por agora, que lá vou uma vez por mês. A ver vamos o que acontece quando o bebé M nascer.

Em Itália nunca se sabe se as encomendas chegam e, caso cheguem, em que estado as encontramos. Há quase um ano encomendei uns livros e é certo que chegaram, mas no dia da entrega (por transportadora, nem as transportadoras se safam por estes lados!) estava a chover. O que fez o estafeta? Enviou-me uma SMS a dizer que a encomenda estava à porta de casa. Quando cheguei realmente vi o pacote à porta de casa (nenhum transeunte o tinha levado, estava mesmo ali à mão de semear), mas estava todo molhado (talvez por isso ninguém se tenha apropriado dele). Os meus livros ficaram com um aspecto ondulado do qual não se livraram até hoje. Depois disto jurei que enquanto tivesse outras hipóteses, correios italianos nunca mais! 

Entretanto tenho andado a explorar o mundo, até aqui desconhecido, das roupas de bebé e afins e admito que me começo a apaixonar e tem sido difícil resistir. Ainda não apareceram as colecções de Inverno e, por mim, já tinha enchido a casa de mini-fatiotas! Desgracei-me um bocadinho em Riga e entretanto comprei online estas leggings (na Peanut and Pope):



Tenho para mim que vou tirar muitas fotos ao rapaz e que daqui a uns anos farei chantagem com elas. Qual é o adolescente que quer que os amigos saibam que um dia ele já andou de leggings com uma zebra no rabo?


2.8.14

18 semanas

Às 18 semanas pesa 218 gramas e mexe-se imenso. Sabíamos que era um menino pelo teste Harmony feito há umas semanas, mas hoje vimos a prova da verdade. Todos os órgãos que era suposto verem-se nesta fase foram vistos. O coração continua a bater forte e depressa e todos os vasos sanguíneos que deviam ser identificados o foram. Respirei de alívio e estou a rebentar de felicidade!

As perdas de sangue (sim, no plural; durante a semana tive direito a mais uma visita às urgências) podem ser provocadas pela posição baixa da placenta e, para já, sendo esse o motivo, não há razão para alarme, mas há razão para repouso. A médica, que me acompanha desde o primeiro aborto e conhece bem o meu historial menos feliz, não quer arriscar e aconselhou-me a continuar em casa. Noutra fase não acataria bem esta decisão, sou workaholic há muito tempo, mas agora as prioridades viraram-se do avesso e quase que dei por mim a agradecer o poder ficar em casa e viver intensamente cada segundo desta fase que não sei se algum dia se repetirá.

Aumentei 3 quilos, o que é normal para esta fase, as análises estão perfeitas e sinto-me bem, hoje menos ansiosa que o habitual. A próxima eco será feita em terras lusas, durante as férias.

Já vos disse que estou muito feliz? :)

28.7.14

a parte boa da viagem a Riga



stop

Gostava de dizer que a viagem a Riga foi fabulosa, mas não foi. Ainda não tinha chegado ao hotel e começavam as confusões profissionais. Um mail que me deixou furiosa, e que foi apenas o primeiro a virar-me do avesso. Tentei resguardar-me, propus tratar o assunto em questão assim que voltasse. As pessoas cujo carácter é escasso em qualidades não entendem que uma mulher grávida não deve ser exposta a stress de forma gratuita. Tentei respirar fundo e ignorar, o que foi impossível, já que cada vez que abria o mail tinha uma nova mensagem a lembrar-me do que se passava a quilómetros de distância. 

Resultado:

No dia do regresso, de manhã, no aeroporto em Riga, mesmo antes do voo, fui à casa de banho e estava a perder sangue vivo. Fiquei aflita, obviamente. Sozinha, num aeroporto na Letónia, a minutos de embarcar, esta surpresa alarmante. O voo atrasou imenso. Em Frankfurt perdi a ligação para Milão. Arranjam-me novo voo com a porta de embarque nos confins. Corri que me fartei, mas perdi este também. Eu só queria chegar rapidamente a Milão para ir ao hospital  O voo seguinte era às 10 da noite. O sangue deixou de ser vermelho vivo e passou a castanho. Eu estava mesmo a acreditar que à terceira era de vez, mas naquele momento comecei a ter dúvidas  Respirei fundo, engoli as lágrimas, e esperei pelo raio do voo. Todos os dias seriam maus para acontecer isto, mas o dia em que aconteceu foi o pior de todos.

Mal cheguei fui directa do aeroporto em Milão para o hospital. Assim que vi o mini-coração a palpitar sosseguei. O bebé estava bem e eu preciso de descansar, nada que uns dias em casa não resolvam. Como disse a médica que muito bem me atendeu nas urgências "Isto foi um sinal de STOP."

22.7.14

de Viena, a caminho da Letónia

O bebé M está crescido. Quem diria que aqueles parcos milímetros há poucas semanas chegariam às 165 gramas? Contaram-se 20 dedos, viu-se o estômago, a bexiga e os rins. O coração tem quatro cavidades e continua a bater cheio de energia. 

É provável que ainda mudemos de casa este mês e iniciemos Agosto num novo apartamento, cheio de luz e com um quarto vazio à espera de um novo habitante. 

E eu comecei hoje a minha última viagem solitária, e a única solitária, mas a dois. Nunca viajei com tão pouca coisa. Trouxe a máquina fotográfica, o telemóvel, o computador, um livro, um caderno por estrear e meia dúzia de peças de roupa. E trouxe uma amálgama de pensamentos e sentimentos e expectativas em desordem. Ainda não cheguei sequer a meio do caminho, mas acho mesmo que estes 9 meses de espera são essenciais para que tudo e todos (especialmente eu!) se organizem antes da desorganização se instalar a 1 de Janeiro.

21.7.14

hoje há nova eco, a torcer para que a fase serena se mantenha

O M. tem as suas primeiras luvas, o seu primeiro gorro e a sua primeira camisola de inverno. Mas admito que de vez em quando me pergunto "E se algo corre mal?". Logo a seguir acalmo-me, lembrando-me que viver com medo não é viver* e que estes são meses únicos que merecem ser saboreados. O que aí vem, bom ou mau, acontecerá independentemente da minha vontade, pelo que, para já, há que aproveitar a fase serena e descontraída.

*neste caso como em tantos outros. Todos nós já passámos por amores menos felizes que nos marcaram. Deixámos de acreditar que um dia iríamos ser felizes ao lado de outro alguém por isso? Deixámos de agir como gostaríamos por esse motivo? Ser cauteloso q.b. é uma vantagem e, quanto a mim, um sinal de inteligência. Ser medroso é limitarmo-nos e deixarmos de saborear a vida.

18.7.14

e ainda a procura de casa

Tenho sido agradavelmente surpreendida. Achava que ia ver dezenas de apartamentos até encontrar um que me agradasse, mas a verdade é que, com excepção de um, todos os outros poderiam ser opções a considerar. Das vezes anteriores foi bem mais complicado encontrar algo que me agradasse. É provável que nesta altura do ano a oferta seja maior e, por outro lado, começo a saber melhor o que é relevante um apartamento por estes lados ter ou não ter. 

Apartamento 1: enorme, três quartos e duas casas-de-banho (uma banheira, yeah!), sala e cozinha separadas; ar rústico que muito me agrada; mobília OK e TV grandona; classe energética miserável e gás não canalizado (vulgo, muito caro e nunca saberei quando ficarei a tomar banho de água fria, o que num inverno com temperaturas negativas é coisa que se deseje a muito pouca gente); garagem não há; afastado do mundo e arredores, mas próximo do lago.

Apartamento 2: muita luz, 2 quartos, nada de banheira (snif snif), sala e cozinha juntas, rés-do-chão, nada de garagem; classe energética assim assim; não é propriamente central, mas consigo sair de casa a pé.

Apartamento 3: oh meu deus! Por que raio de razões viemos ver este? Não, não e não!

Apartamento 4: muitas janelas e muita luz, 2 quartos, casa-de-banho com banheira (rebolo de contentamento), piso aquecido, classe energética que me faz bater palminhas; sala e cozinha juntas, mobília interessante e com muita arrumação; arrumos; garagem (yeah!); perto da civilização (posso ir a pé!).

Hoje vou ver os últimos dois, mas acho que habemus apartamento!

17.7.14

a despedida das viagens solitárias

Viajei muito sozinha até há bem pouco tempo, tanto por razões profissionais como em passeio. De há um ano para cá tive companhia em todas as viagens, quer de colegas de trabalho, quer delE. Na próxima semana vou conhecer um destino novo sozinha e desconfio que me vai saber e fazer muito bem.

Daqui a umas semanas iremos de férias, juntos, claro. Depois disso, nos últimos meses do ano, tentarei escapar a viagens profissionais desnecessárias. De modo que me parece que as minhas viagens solitárias têm os seus dias contados. É por esta razão que esta pequena viagem na próxima semana terá um sabor especial. Será a minha derradeira viagem solitária pré-maternidade. Vão ser poucos dias, mas serão dias só meus, ocupados a fazer o que bem me apetecer, a divagar por aí de máquina fotográfica na mão, sem obrigações nem horários. Serão também dias para organizar as ideias e tomar consciência da nova fase que se aproxima. Sempre fui muito metida comigo, preciso de momentos de isolamento e solidão para estar bem comigo e com os outros. Nesta fase de mudança estes momentos são ainda mais importantes. Esta viagem será uma espécie de despedida dos meus anos de liberdade total, sem qualquer saudosismo ou arrependimento, quer do que vivi, quer do que me espera.

começou! :D

Vocês não me deviam ter dado ideias, e eu não devia ter andado a pesquisar roupas de bebé sem coelhinhos, ursinhos e afins. Estas vêm a caminho para se juntar à fatiota solitária que mora cá por casa.




Fotos rapinadas daqui (é favor não demorarem muito tempo a fazer a entrega, que eu estou mortinha por me apanhar com estas miniaturas nas mãos!)

16 semanas

Ontem estava eu toda entusiasmada com a ideia de tornar a ver o rebento, quando me informam que a consulta foi adiada. Fiquei ainda mais irritada por não me proporem logo uma data alternativa. Depois de vários telefonemas cá continuo eu à espera que se dignem remarcar o raio da consulta. Estaria muito mais preocupada se na semana passada, nos dias portugueses, não tivesse tido direito a uma passagem pelas urgências (nada de grave, só um susto) e não tivesse feito uma ecografia. Assim sei que, há menos de uma semana, o bebé M. estava muito bem alojado no seu T0 e cheio de actividade.

Hoje saí de casa com um top justo e não há como não reparar na minha ausência de cintura. Foi-se, sumiu, mas eu tenho esperança que daqui a uns tempos volte a dar sinal de si. 16 semanas! Ainda não acredito que daqui a um mês estamos a meio do caminho e que daqui a um ano teremos um puto de quase 7 meses nos braços.

16.7.14

mar

De volta a Itália.

Ontem o dia amanheceu a cheirar a calor e a mar, e a minha vontade de perder o avião foi mais que muita. Apeteceu-me ir em sentido oposto, no sentido que me traz o sabor a iogurtes quentes no fim das tardes de Verão da infância. 

Sempre disse que para ser feliz precisava viver perto de água, fosse mar ou rio. Nunca tinha colocado a hipótese de viver perto de um lago, até há um ano e pouco. Descobri agora que mais do que viver perto de água, preciso viver perto de água salgada. O lago tem o seu encanto, mas faltam-lhe as ondas e o sabor. Nadar num destes lagos quentes no Verão é como estar dentro de uma panela de água tépida sem sal.  

O tempero do meu dia vem daqui a mais umas horas com nova eco e, espero, mais umas semanas ultrapassadas com sucesso.

13.7.14

a criança já não terá que andar nua

Comprei a primeira roupa para o rebento. E tenho a sensação que agora que comecei não há quem me pare :D 

Gente entendida nestes assuntos, indicam-me lojas com roupas giras para bebé? Neste momento sou completamente ignorante no assunto, preciso mesmo de ajuda!

9.7.14

tempos modernos: saber o sexo do filho por mail :-)

XY

Tudo se tornou tão mais real. E eu, conhecida por ser uma rocha, só não chorei baba e ranho ao saber que estava tudo bem e que o bebé passou a ter nome porque estava sozinha e respirei muito fundo muitas vezes.

acho que não vou ficar na rua

Ontem fui visitar mais dois apartamentos. Tinha visto os anúncios na net e fui ver os apartamentos sem grandes expectativas. Os preços pedidos eram baixos para os preços habituais cá do sítio, o que era um indício de que não deviam ser grande coisa. Um deles dizia ter três quartos e duas casas-de-banho, mas nas fotos só aparecia um quarto e nada de casa-de-banho. Não é preciso ter muito jeito para o marketing para se saber que se temos algo bom para vender há que o mostrar muito e bem, enquanto que se o nosso produto não é brilhante não vale a pena mostrar misérias. De modo que as quatro fotos solitárias disponíveis me diziam que o que estava à vista era interessante, mas o que não se via devia ser uma desgraça. Fui na mesma, nada a perder.

Fui surpreendida. O das quatro fotos é fabuloso. Grande, luminoso, com uma cozinha separada da sala (aleluia! Afinal isto sempre existe em Itália!) e duas casas-de-banho (uma delas com banheira, rufem os tambores!). Tem realmente três quartos, um deles sem mobília, o que para nós, neste momento, é o ideal. Imaginei-me a viver ali. O outro é mais pequeno, mas igualmente cheio de luz. Também tem um quarto vazio, mas nada de banheira nem de cozinha separada da sala. Lado lunar dos dois: a classe energética é uma desgraça, o que em Invernos com temperaturas abaixo de zero é bastante relevante. Vou ver mais alguns e ponderar, mas o primeiro que vi ontem caiu-me no goto.

3.7.14

14 semanas, yeah!

14 semanas, o dobro do meu habitual. Continuo à espera dos resultados do teste Harmony, faltam mais duas semanas de paciência até me apanhar com o relatório na mão. Até lá nada de consultas nem de ecografias. Fico um pouco ansiosa por irem passar mais de 2 semanas sem fazer uma ecografia. Mais do que querer saber o sexo da criança, eu queria mesmo era começar a senti-la para me sentir mais sossegada. Uma das minhas companheiras de gravidez diz que já sente borboletas a voar na barriga. Eu não sinto absolutamente nada. Bem sei que é muito cedo para sentir seja o que for, mas que dava jeito, dava! 

 (Turim)

2.7.14

a procura de casa continua

Tínhamos encontrado um apartamento quase perfeito. Solarengo, espaçoso, recente e com um bom isolamento (essencial para os invernos gélidos e os verões abrasadores que se fazem sentir por estes lados). Tinha garagem e lugar de estacionamento, uma varanda grande e banheira. Tudos coisas normais em sítios normais, mas o sítio onde estou não é normal. Casas ou apartamentos recentes para alugar são uma raridade. Os que estão disponíveis são antigos, o que quase sempre equivale a dizer que têm um isolamento miserável, o que obriga a gastar enormidades em aquecimento no inverno. E uma banheira, a sério!, nunca imaginei que uma banheira fosse uma coisa tão rara por estes lados! Bom, tínhamos encontrado o apartamento quase perfeito, não fosse ficar ligeiramente afastado do centro cá do sítio, mas ainda assim dava para ir para o centro a pé ou de bicicleta (estou fartinha de não me mexer e andar sempre de carro!). 

Visitámos o apartamento, fizemos duas ou três perguntas e eu pensava de mim para mim "Pronto, não custou nada! Aqui está o que estávamos à procura!". Eu não sei o que é que de vez em quando se passa nas mentes masculinas, se é apenas disparate ou se o que dizem contradiz completamente o que estão a pensar, porque eu sei que Ele gostou tanto do apartamento quanto eu. Quando dou por mim está Ele a dizer à que seria nossa futura senhoria "Vamos pensar e falar um com o outro. Se aparecer mais alguém interessado..." E eu pensei "... por favor avise-nos, já que fomos os primeiros a visitar o apartamento!", mas o que ouvi foi "... não se prenda por nós."

Saí de lá a dizer-lhe que não devia ter dito aquilo, mas não valorizei muito. Mantive o pensamento optimista, por estes lados os apartamentos ficam que tempos vazios até serem alugados. Quando tornámos a contactar a dona do apartamento para comunicarmos a nossa vontade de nos mudarmos... já estava alugado. Disse em silêncio centenas de vezes "Eu bem te disse!", mas consegui ficar calada.

Continuamos à procura de casa, mas agora aquele apartamento não me sai da cabeça. Qualquer um que veja não me agrada, por eu queria Aquele!

1.7.14

a entrar no espírito

Às quase 14 semanas tirei a primeira foto ao espelho a mostrar a barriga. Pretende-se tirar uma por semana até ao final do ano ;)

30.6.14

barriga de quase 14 semanas

As grávidas do mesmo tempo que eu com quem vou tendo contacto ficam felizes por as terem deixado passar à frente no supermercado (porque isso mostra bem que estão visivelmente grávidas), ou andam tristes porque a barriga pouco se nota. Não faço questão de andar sempre contra a corrente, mas eu continuo contentinha por, para já, ser uma grávida camuflada. Sim, eu noto que a cintura desaparece a olhos vistos e que estou mais cheiita. Mas se inspirar fundo e encolher a barriga ela ainda volta quase ao ponto de partida. Mesmo usando roupas mais justas não tenho sentido olhos curiosos na minha cintura, mas também é certo que me tenho vestido de forma a não levantar suspeitas. Eu bem sei que daqui a pouco tempo a gravidez estará à vista de todos, e não tenho problema nenhum em mostrar uma barriga proeminente, mas já que isso está garantido (a não ser que... vá, esqueçamos isto agora) eu quero aproveitar a minha quase ausência de barriga enquanto for possível.