13.10.14

só em Itália

A aventura de entrega do aparelho para medir a tensão arterial dura há uma semana. Por este andar mais valia ter esperado para ir a Portugal e trazia um de lá. 

Hoje mando novo mail, pergunto se posso ir buscar a encomenda a algum lado. Respondem-me que farão a entrega amanhã, algures entre as 13 e as 15. E eu que perca duas horas de trabalho e fique duas horas em casa à espera que a campainha toque! Lá pedi de novo para me telefonarem quando estiverem a chegar a casa. Desconfio que o farão tanto como fizeram das vezes anteriores. Não entendo: repetem o mesmo procedimento 100 vezes e não percebem que não resulta? Irra!

há coisas que não são para mim

A cada dia que passa mais me convenço que não fui feita para obedecer a regras que me limitam os passos físicos e, muito menos, os mentais. Colocarem-me dentro de uma cerca e limitarem-me o espaço de acção é meio caminho para eu querer, com todas as minhas forças, saltar o raio do muro. Preciso de espaço de manobra e irrita-me solenemente o controlo exacerbado. Há muito quem não seja assim, e eu respeito. Há quem precise mesmo de linhas delimitadoras e de regras para fazer um bom trabalho. Eu não, pelo contrário, tudo isto me castra os movimentos e me definha o pensamento. Há superiores que têm sensibilidade para perceber que as pessoas são diferentes e que deve haver alguma flexibilidade na forma de lidar com cada um. A maioria não é assim. À maioria dá gozo o poder de controlar os outros. Já tive superiores dos dois tipos e nem adianta dizer com quem as coisas correram bem e com quem correram mesmo muito mal.

Há uns anos tive uma experiência inesperada em que tive a oportunidade de me gerir, de gerir as minhas acções e os meus passos, de fazer tudo como bem entendia. Foi uma experiência particularmente bem sucedida. O problema é que não foi na minha área de actividade profissional comum, porque se tivesse sido, garanto-vos que me agarrava de novo a ela e mandava passear os superiores. Trabalho numa área que, à primeira vista, não permite abrir grandes portas a quem quer trabalhar por conta própria. Mas quem sabe, com tempo e sossego, não consigo encontrar uma brecha qualquer que me permita arriscar. Cada vez mais me convenço que não tenho perfil para ser uma trabalhadora dependente.

nota-se muito que eu acredito que o rebento nascerá antes do Natal?


Deve estar quase a chegar às minhas mãos!
Daqui: boden.co.uk

o ponto de partida de uma nova etapa

Voltei às candidaturas. Depois de longos meses sem concorrer a nada, voltei aos concursos. Tinha decidido só o fazer depois do parto, lá para o final de Janeiro, mas encontrei um lugar interessante e não resisti a atirar o barro à parede. Na verdade sou realista e sei bem as hipóteses que tenho, ou melhor, as que não tenho. Para além de serem 100 cães a um osso, há que recordar que estou grávida, e que mesmo que me chamassem para uma entrevista não poderia ir e fingir que nada se passa. Concorri mais para fazer um teste do que para ficar com o lugar. Será que vão dar uma hipótese ao meu CV, será que me vão contactar, será que teria hipótese de ser chamada para entrevista? 

Agora é mais difícil concorrer e eventualmente aceitar um lugar. Agora somos dois, daqui a pouco três, se bem que o terceiro elemento não tem direito a opinar! Agora concorremos a dois, em família, o que nos limita bastante as opções. Mas penso que termos noção disso e fazermos uma escolha criteriosa e pensada das nossas candidaturas já é um bom ponto de partida.

it's the final countdown

Mudei a minha protecção de ecrã. Hoje sempre que eu ficar uns minutos sem tocar no pc aparecerá o número 19 a rodopiar num fundo negro. Amanhã aparecerá o 18. Estou verdadeiramente em contagem decrescente para ir para casa.

Já fiz isto há muitos anos, na fase final do estágio da licenciatura. Estava exausta, de uma exaustão tal que cheguei a adormecer na paragem do autocarro, sentada num muro que de um lado tinha estrada e do outro tinha ria. Correu sempre bem, nunca caí à ria. Menos mal, arriscava-me a apanhar uma doença de pele para todo o sempre. Desta vez, e apesar de grávida, não me sinto exausta fisicamente, mas as confusões, irritações e stresses constantes levam-me a outro tipo de cansaço profundo. Não garanto que continue a trabalhar muito bem. Posso muito bem achar que os produtos do meu trabalho são bons simplesmente porque não tenho capacidade e discernimento suficientes para os julgar de outra forma. Daqui a uns meses lerei de novo o que ando a escrever agora e logo vos direi.

19!! Faltam 19 dias!

12.10.14

é pijama, não é pijama... errrrr

O meu conhecimento sobre bebés não é extenso, admito. Mas diria que as actividades dos recém-nascidos não variarão muito para além do dormir e comer. Daí nunca me ter preocupado se determinado fatinho era pijama ou roupa de ir à rua (não me estou a referir a fatiotas mais elaboradas, essas até eu sei que não são pijamas!), não estava a pensar levar a criança à ópera nos próximos tempos. Mas tenho lido algumas discussões sobre isso e quanto mais leio menos esclarecida fico. Eu olho para uns e para outros e parece-me tudo igual. Dizem-me que depende do tecido e do padrão, que há padrões e tecidos mais adequados a pijamas do que outros. Não percebo nada disto, e o mais certo é eu levar a criança à rua vestida de pijama sem saber em que preparos está o rebento. Sendo assim, e só para que por uma vez não tenha qualquer tipo de dúvida, decidi comprar um pijama que parece realmente um pijama (ah, com este não me enganam):
Daqui: boden.co.uk


11.10.14

a criança já tem roupa suficiente para os primeiros tempos, mas vi isto e sei que não vou resistir

reagir

Bem sei que idealmente as nossas motivações maiores deveriam ser intrínsecas, no caso do trabalho deveriam ser o gosto e o interesse genuíno pelo que fazemos. Mas não vivemos num mundo ideal, nem eu sou perfeita. Nada me motiva mais do que a fúria. Andava com uma vontade nula de fazer fosse o que fosse, mas conseguiram levar-me aos arames e eu irritada sou perigosamente trabalhadora. Aprendi às minhas custas, e há já algum tempo, que querermo-nos vingar de alguém e ficar horas e dias e semanas inteiras a pensar em estratégias maquiavélicas de ferir o outro não nos leva muito longe. Cansamo-nos, aborrecemo-nos (de cada vez que pensamos em irritar o outro, não é ao outro que provocamos irritação, é a nós mesmos). De modo que fazer algo apenas para atacar alguém não é estratégia que adopte. Porém, se eu puder fazer algo que me beneficie e que, paralelamente e indirectamente, deixe o outro furioso, não hesito. Já passei por isto uma vez e cá estou eu a repetir a façanha: trabalhar, trabalhar, trabalhar, porque o meu CV agradece e porque as criaturas que me têm irritado solenemente ficarão possessas com os resultados das muitas horas de trabalho. 

Lá fora chove copiosamente, pela primeira vez sinto os pés frios e vou voltar a pôr os olhos e a atenção nos meus artigos. Bom Sábado!

10.10.14

contagem decrescente

Estou a exactamente 3 semanas de arrumar as tralhas e rumar a casa. Tu ru ru ru ru! E pelo meio ainda vou uns dias a Portugal, yeah!

referenciais

Devemos estar a começar a ser emigrantes a sério quando o nosso referencial de tempo são as idas ao país de origem. Ou simplesmente estamos fartos do sítio onde estamos, ou das pessoas com quem somos obrigados a conviver.

28 semanas

Não fossem os diabetes e andava feliz da vida (assim ando na mesma, se bem que a perspectiva de ir a Portugal e não comer um pastel de nata me deixa com o sorriso às avessas). A entrada no terceiro trimestre ainda não fez grandes mossas. Continuo com o mesmo peso de há algumas semanas, embora a barriga esteja mais proeminente. Claro que me sinto menos resistente fisicamente. Não consigo caminhar um dia inteiro como fazia antes, mas não há milagres. Afinal já são 28 semanas! Mas para já não há dificuldade a dormir nem me dói nada. Não sinto o efeito das hormonas sobre mim. Continuo ponderada, sem ataques de choro sem razão e sem ansiedades sem motivo. Não me sinto menos desconcentrada que o habitual, acho até que esta semana tem sido especialmente produtiva, o que só revela que continuo no meu estado habitual: deadlines a aproximarem-se e eu a acelerar o ritmo. Daqui a 3 semanas acaba-se o trabalho e, bem mais relevante, livro-me daquele ambiente que não lembra ao diabo. Trabalhar com a gente com quem eu trabalho é uma verdadeira descida aos infernos.

Tenho sentido o bebé M a toda a hora e é uma excelente companhia nas horas de insónias. Estando a trabalhar em ritmo acelerado desisti de tentar preparar seja o que for para a chegada do rebento. Fica tudo para quando estiver sossegada em casa. Entretanto o berço chegou e é tal e qual como na foto: lindo e clássico.

Continuo com o feeling de que o M não vai esperar pelo primeiro dia de 2015 para nos brindar com a sua chegada. Aqui fica o registo da intuição, para ver se se confirma, como se confirmou quando tive a impressão de que estava grávida e quando achei que era um menino.

9.10.14

maçã, a fruta mais desinteressante de que há memória

Estou a dieta. O especialista em diabetes gestacionais achou que era cedo para a insulina entrar em cena e considerou que era de tentarmos dieta durante um mês (dieta e picadelas nos dedos para vermos como a coisa vai evoluindo). Se entretanto não resultar não me escapo à insulina. A dieta não é muito diferente da minha alimentação normal. Não sou muito dada a doces e hidratos de carbono já comia mesmo muito poucos. Portanto, esta parte da dieta é pacífica. Mas... a fruta, senhores, a fruta? Levaram-me a fruta toda, eu que andava feliz da vida a lanchar pêssegos e pêras, que fazia sumos com morangos, mirtilos e kiwis. E agora sobram-me... as maçãs? Só posso comer maçãs? A fruta mais desinteressante do universo (ainda hoje me dá vontade de rir quando me recordo que em Timor a maçã é um fruto exótico; tudo é relativo). Por este andar chego ao Natal a babar por meia dúzia de morangos, nem me lembro das fatias douradas.

8.10.14

enterrada em trabalho até às orelhas...

... mas contentinha porque os meus dias de férias que sobraram deste ano puderam passar para o ano seguinte (fala com este, fala com aquele, pede autorizações et voilà!). Ora, isto dá, mais coisa menos coisa, 2 meses de férias inteirinhos no próximo ano! Yeah!

nada surpreendida

Claro, como seria de esperar depois de se conhecer o modo de funcionamento do italiano comum, não telefonaram. Deixaram novo aviso informando que iriam tentar nova entrega no dia seguinte, aproximadamente à mesma hora. Lá enviei novo mail informando que tinha urgência na entrega do encomenda. Veremos se é hoje que a coisa se dá.

o post-it certo para cada ocasião

Estes marcam os meus documentos de trabalho e acompanham-me em reuniões. Um post-it vale mais que mil palavras.

7.10.14

uma espécie de sossego

Não é que tivesse dúvidas sobre o carácter da pessoa com quem tenho tido sérios problemas em contexto profissional, mas saber que meio mundo já teve problemas com ela deixa-me muito mais descansada. 

Itália cansa-me

Itália é um país com características de terceiro mundo disfarçado de país do G7.

Finalmente, passados estes dias todos, consegui marcar consulta com o especialista em diabetes gestacionais. Expliquei o caso, disse que era muito urgente (e é!) e lá consegui uma consulta ainda para esta semana. Mas marcar uma consulta por estes lados não implica apenas telefonar e marcar. Os médicos não têm um horário fixo para dar consultas aqui e ali. Em Portugal, sabemos que o médico X dá consulta na clínica Y das 9 às 13 às quintas. Aqui não, o médico faz o seu horário semanalmente conforme a sua conveniência e, imagino eu, o número de clientes aqui e ali. Assim, o mais comum é telefonar para o consultório dos ditos cujos e a recepcionista dizer que ainda não sabe o horário do médico nos próximos tempos, e que depois liga. Umas vezes ligam, outras não. E lá andamos nós a mendigar por uma consulta que vamos pagar e bem. Oh santa paciência! 

Ontem era suposto receber, por transportadora, o medidor de pressão arterial que encomendei há dias. Efectivamente tentaram entregar ontem, mas eu trabalho e não estava em casa. Fazem o quê? Deixam um aviso com um contacto para se tentar remarcar a entrega num horário que me seja conveniente? Ou telefonam a avisar que estão à porta de casa, quem sabe eu não poderia ir lá em meia dúzia de minutos (trabalho a três minutos de casa)? Não, enviam SMS a dizer que tentaram fazer a entrega, mas que eu não estava, de modo que vão fazer nova tentativa de entrega no dia seguinte, mais ou menos à mesma hora. Eu não sei, mas desconfio que a maior parte das pessoas que faz encomendas é capaz de trabalhar e não estar em casa a meio do dia. Repetir exactamente o procedimento do dia em que não estava ninguém em casa é capaz de não resultar... Lá entrei em contacto com as criaturas, concordaram em telefonar quando estiverem a chegar lá a casa. A ver vamos, esta gente não é de confiar.

6.10.14

afinal também gosto de ursos nas fatiotas e nos acessórios do bebé!

Mantas a caminho, não consegui resistir à bicharada!


Daqui: Monkey McCoy

Tenho para mim que as avós vão ficar horrorizadas, mas foi mais forte que eu!



habemus decisão!

Depois de ouvir muitas opiniões de viva voz, depois de ler muitas mais online, depois de muita pesquisa, parece que cheguei a um veredicto. O carrinho do bebé M será este (sem as crianças, que uma parece-me que  é suficiente para me dar água pela barba durante uns tempos):


Ponderei todas as funcionalidades que o carrinho deveria ter e o espaço que ocupa dobrado (dava-nos jeito continuar a ter mala do carro). E, para já (e penso que já não muda), penso que a melhor opção para nós e para o nosso carro será o Jané Rider. Andei de olho numa série deles e a dada altura achei que o Stokke Xplory ou o Joolz Day Earth é que eram, mas depois percebi que teríamos que dizer adeus à mala do carro. Depois passei para o outro extremo, e ponderei o Quinny Zapp Xtra 2. Continuaria a ter mala do carro, mas parece que não é o carrinho mais confortável do mercado, muito pelo contrário, a estabilidade deixa um pouco a desejar, e amortecedores é coisa que não tem. Voltei à estaca zero. Até que me deparei com este carrinho da Jané e, para além de reunir aquelas que considero as condições essenciais para nós, ainda acho que em termos de design corresponde ao que tinha em mente (não é um Joolz, mas, vá lá, não me ocupa totalmente a bagageira!). Agora ando a fazer leituras sobre a cadeira auto: Strata ou Koos? Isto é um mundo sem fim!

5.10.14

please, please, mais uma viagem antes do bebé M ver a luz do dia!

Eu sei, a médica vai-me prender com uma corda ao pé da mesa, mas surgiu a possibilidade de ir a Londres no início de Novembro e eu queria ir. Já lhe perguntei há uns tempos se podia viajar em Novembro, ela primeiro torceu o nariz e disse que decidíamos na consulta de final de Outubro. Na altura a pergunta foi a pensar numa ida a Portugal, que começo a achar que não vai acontecer, porque vou a Portugal quase no final de Outubro e não faz grande sentido voltar logo no início do Novembro. Para mim já é ponto assente que depois do meio de Novembro não vou a lado nenhum (não vou de avião, mas espero estar OK para andar de comboio, que eu queria muito voltar a Veneza e a Burano, para tirar fotos à pança com aquele pano de fundo!). Mas, se no final de Outubro ainda me sentir para as curvas, lá vou eu voltar ao ataque com a questão sobre viajar de avião. ElE vai em trabalho e eu, qual dondoca-quase-mãe iria passear aos sítios habituais (cultura, senhores, cultura! Moro no campo há mais de um ano, um banho de cultura de vez em quando é essencial) e, claro, fazer umas compritas para o rebento. Não estou muito crente, mas não custa tentar... e sonhar!

fevereiro, outubro e janeiro

Se tudo tivesse corrido bem na primeira gravidez teria agora em casa um bebé de 7 meses. Já não me recordo exactamente do dia previsto, mas sei que o nascimento seria em Fevereiro. Este seria um bebé fruto da despedida dos pais, antes de eu vir para Itália. Se a segunda gravidez não tivesse tido um fim precoce, o bebé nasceria algures em Outubro. Não penso nisto muitas vezes, mas de vez em quando lembro-me.

Apesar de toda a dor e desilusão que estas perdas envolveram, especialmente a segunda (porque uma infelicidade acontece a qualquer um, mas duas já é coincidência  mais), a verdade é que se não tivesse engravidado, fruto de um acaso, nunca saberia que poderia engravidar. Nunca tinha pensado realmente em engravidar até que aconteceu. O que não era um objectivo, porque me tinha sido dito ser praticamente impossível, tornou-se numa meta a atingir. Claro que teria sido preferível que tudo tivesse corrido bem da primeira vez, e agora já fossemos três. Não tendo sido assim, acabo por ficar imensamente feliz na mesma por ter engravidado. Se não fosse este acaso tenho quase a certeza que agora não estaria grávida de 7 meses, a desesperar com  a escolha de um carrinho de bebé, a fazer uma colecção de mini-roupas, a esbugalhar os olhos de cada vez que vejo a minha barriga ao espelho, e a planearmos um futuro a três.

27 semanas

Completamos 27 semanas e entramos no 7º mês. A correspondência entre semanas e meses não é linear, mas como a minha data prevista do parto é tão redondinha, assumi que entrei no 7º mês no dia 1 de Outubro. 

O bebé M mexe-se cada vez mais, ou eu sinto-o cada vez mais a mexer. Esta semana acordou pela primeira vez o pai! De madrugada tinha um reboliço na barriga e não resisti a acordá-lO e a pôr-lhe a mão na minha barriga (até agora as vezes que o pai tinha conseguido sentir o M contavam-se pelos dedos de uma mão, e sobravam dedos!). Sentiu um movimento suave e adormeceu com a mão na minha barriga. Segundos depois o bebé M teve um movimento vigoroso que acordou o pai. Na hora não teve grande reacção, a não ser um ensonado "Mexeu-se!", mas horas depois, já completamente de volta ao mundo das pessoas acordadas comentou, cheio de entusiasmo, o pontapé forte do rebento. 

O diagnóstico de diabetes gestacionais irritou-me um pouco. Uma sensação de falta de justiça de todo o tamanho: conheço grávidas que não se alimentam decentemente, que cometem extravagâncias refeição sim refeição sim, e o "prémio" bateu à minha porta. Bem sei que neste caso pouco ou nada tem a ver com a forma como me alimento, mas, bolas!, não dá para ter sossego durante algum tempo? Como diz a obstetra, a cada mês uma surpresa. Faltam 3 meses, a ver vamos o que se segue.

Fisicamente nada de muito novo. Não me sinto mais pesada, nem sinto que ande como uma pata, mas custa-me mais virar na cama e dobrar-me. Já O avisei que daqui a pouco tem que me apertar os sapatos! Notei também uma diferença nas idas à casa de banho. Não há como adiar o xixi, ou uma dor pouco simpática apodera-se do meu lado esquerdo do abdómen. Durante o dia sinto-me bem, mas mal entro em casa só me apetece descansar. Outras grávidas, com o mesmo tempo que eu, ou menos, sentem frequentemente contracções. Por aqui nada a assinalar. 

Estou a tratar de tudo para a partir do final do mês desligar do mundo real e centrar-me em nós.

3.10.14

decidir

Tenho ponderado ficar a trabalhar até final de Novembro para ter direito a mais um mês de licença após o parto. Mas a vontade de real de trabalhar até lá é nula. Seria mesmo apenas uma estratégia para ganhar tempo depois do nascimento do M. Tenho a possibilidade de usar alguns meses de licença parental após a licença de maternidade, isto é, ficar em casa com o bebé e receber apenas uma percentagem do meu salário habitual. Tenho pensado seriamente nesta possibilidade e cada vez mais acho que é isso que vou fazer. Para além disso, este ano poupei dias de férias a pensar no próximo ano.

Sei que a minha postura seria diferente se trabalhasse num contexto diferente com pessoas diferentes, e se aquilo que faço me desse realmente gozo. Aí não seria uma obrigação ou um sacrifício trabalhar até final de Novembro, ou até mais tarde. Assim é. Acho que esta é uma fase em que tenho realmente que pensar no que é melhor para mim e para o M. Estando a trabalhar falta-me tempo para tudo. Nada está pronto para receber um recém-nascido. Não me sinto cansada durante o dia, mas mal entro em casa a exaustão e o sono apoderam-se de mim e aquilo que consigo fazer é apenas o essencial. Noto também que o meu humor e o meu ânimo se alteraram claramente desde que voltei ao trabalho. O melhor para nós neste momento é eu sair de um ambiente que não me faz bem e concentrar-me no que realmente me é importante. Acho que a minha decisão sobre quando deixar de trabalhar está tomada.

2.10.14

sentir a gravidez

Diabetes gestacionais confirmados. A médica acha que no meu caso isto não se controla apenas com dieta porque a origem é claramente hormonal, de modo que, apesar de me ter reencaminhado para um especialista, já me avisou que vou ter que tomar insulina.

Também me mandou medir a tensão diariamente. Não me explicou porquê, mas consigo imaginar. Proteínas em excesso na urina, aliadas a tensão alta são sinais de pré-eclâmpsia. Até agora a tensão tem andado perfeitamente normal, mas como a cada mês que passa eu vou tendo uma surpresa, vamos lá ver o que aí vem.

Cada vez mais acho o que já afirmei há uns tempos, o corpo da mulher suporta a gravidez, mas que é uma violência, é. Violência esta que se revela em graus e formas diferentes de mulher para mulher. Eu nem sequer tenho grande razão de queixa.

Gosto de estar grávida pelo que isso significa, gosto incondicionalmente do ser que habita as minhas entranhas. Sei que vou ter saudades de sentir os movimentos do bebé M dentro de mim. E estou claramente feliz por, finalmente, à terceira tentativa, ter conseguido chegar até aqui. Se me agrada realmente estar grávida, sentir o corpo a mudar e a aumentar a cada dia que passa? Não, não gosto nada, dispensava bem esta parte. Não fui uma daquelas grávidas que depois de terem 2 centímetros a mais de barriga a espetaram para fora e saíram de casa entaladas em roupas justas. A gravidez, para mim, é um estado necessário para que possa ter o M finalmente connosco, mas não é, por si só, um estado que me faça brilhar os olhinhos de felicidade.

1.10.14

e porque eu sou pessoa que não deixa escapar nada...

- proteínas na urina que não devia ter --> tenho
- diabetes gestacional --> parece que também já cá canta

Consulta amanhã, a ver vamos o que se segue. Os valores não estão muito fora dos valores de referência, mas estão fora. O que mais me irrita na questão da diabetes é que não estou a ver muito bem como a controlar: tenho comido bem e não exageradamente. Acho que sou uma das poucas grávidas que conheço que não anda sempre esfomeada. Bem sei que nesta fase a diabetes pode ter causas hormonais, mas também sei que o que é proposto para controlar os níveis de glicose no organismo é fazer dieta. Ora, eu olho para as dietas normalmente propostas nestas situações e acho que aquilo já é o que eu faço. Então que raio posso eu fazer mais? Aiii, que me esperam três tão longos meses!...

sensação recorrente dos últimos dias

Oh meu Deus, deitadinha de barriga para cima sinto que estou a ser esmagada pelo meu próprio corpo!

1 de Outubro --> e faltam exactamente 3 meses!

Na verdade, espero que faltem menos alguns dias. Bebé M, sente-te livre para abandonar os teus aposentos assim que completares as 37 semanas!

Finalmente encomendei o berço do rebento: tradicional e com laçarotes, exactamente como o da foto (quer dizer, espero que seja como o da foto!). Este rapaz, um dia, quando for mais velho, vai morrer de vergonha dos primeiros tempos de vida! Espero que o berço chegue rapidamente para que o quarto do M deixe de ser uma espécie de estaleiro quase vazio e também para que eu me vá convencendo de que o que está a acontecer é mesmo real!


Continuo sem ter carrinho de bebé. Acabei por não comprar o carrinho em segunda mão que me tinha agradado (fazer negócios com italianos é uma tarefa difícil!) e voltei à estaca zero. Quanto mede o carrinho fechado? Fita métrica na mão, vejamos que espaço ocupa na mala do carro. OK, este não ocupa a mala toda, mas tem um ar frágil. Aquele tem um ar mais resistente, mas ficamos praticamente sem mala. Rebatemos um banco de trás e resolvemos o problema? E a cadeira para o carro? Esta é leve, mas as opiniões de quem a usa não são brilhantes. Aquela tem boas opiniões, mas pegar nela implica fazer musculação. Cadeira que deixa o bebé virado para a frente ou para trás? E depois, no momento em que praticamente já me decidi, cruzo-me com outro carrinho que acho que pode ser o ideal, e voltamos ao ponto de partida! Acho que vou estabelecer um prazo, se não for assim acho que não vou lá!

28.9.14

o segredo...

... é andar de t-shirt branca! Fui ao restaurante do costume com uma t-shirt branca e a empregada que ainda ontem me viu (vestida de preto) deu-me os parabéns! Disse que ontem tinha ficado na dúvida, mas que hoje era evidente. Amanhã vou trabalhar de preto, aquela gente filha da mãe não merece ver-me a barriga.

a barriga e a fila do hipermercado

As semanas que passei em casa coincidiram com a fase em que a barriga se começou a fazer notar, ainda que pouco. De qualquer forma, estando em casa em repouso, a preocupação com a o que vestir era mínima. Depois, nos poucos dias de férias, já com a barriguita mais saliente, fui rodando entre uns calções de grávida e umas saias e vestidos pré-grávida. Volto a Itália, regresso ao trabalho e aos dias comuns e dou comigo a abrir o guarda-roupa e a pensar "Oh que diabo, e agora que raio é que visto?" Isto de ter que sair de casa todos os dias pançuda e com um ar apresentável, sem querer gastar balúrdios em roupa para ser usada 2 ou 3 meses, fez-me virar os armários do avesso. É certo que as escolhas estão mais bem limitadas do que normalmente, mas acho que consegui encontrar algumas peças pré-grávida que se adequam à fase actual (sim, já concluí que no dia-a-dia normal não preciso realmente de toda a roupa que tenho...). A barriguita saliente lá vai dando um ar da sua graça, mas convenhamos que estou a chegar ao final do sexto mês!

Ontem, estava eu na fila da caixa do hipermercado quando ouço a funcionária a gritar "Signora! Signora!" e manda avançar uma grávida. Eu fiquei ali a olhar para a barriga da grávida e para a minha, pus olhos de cachorro perdido e disse-lhE "Então, mas que é isto? Eu também estou grávida! Quando é que vou poder beneficiar do meu estado nas filas do hipermercado?" Responde-me elE que se nota pouco e que a forma como me visto disfarça, e que ou me começo a vestir de forma diferente ou só vou poder usar o trunfo da gravidez durante muito poucas semanas. Ainda por cima eu conheço a grávida que teve direito a tratamento privilegiado e sei que ela está grávida do mesmo tempo que eu. Humpf.

26.9.14

26 semanas

Foi a semana mais difícil dos últimos tempos, não pela gravidez, mas pelo regresso ao trabalho. Se me esquecer desta questão contextual foi uma semana sem sobressaltos. A ecografia confirmou que o M continua a desenvolver-se normalmente. Mexe-se que se farta e cada vez o sinto mais em cima. Sinto-o de forma mais intensa nas horas sossegadas de insónia, mas de vez em quando surpreende-me durante o dia. Ontem, estava eu concentrada nuns gráficos, quando fui apanhada de surpresa por um movimento brusco. Apanhei um valente susto.

Fiz o teste de tolerância à glicose e, estranhamente, o líquido mais do que açucarado soube-me bem e não me caiu mal. Fiquei de pé atrás quando a enfermeira me pediu que a avisasse caso vomitasse, mas não houve nada a assinalar. O meu estômago, conhecido por ser resistente, mostrou-se à altura da sua fama. Também fiz o exame da proteinúria (24 horas a fazer xixi para um garrafão, oh vida deprimente!) para perceber se os meus pés inchados ao final do dia são apenas uma consequência normal da gravidez ou se os meus rins me estão a deixar mal. Na próxima semana haverá resultados. Todos a torcer para não ter diabetes e para ter uns rins eficientes!

O regresso ao trabalho, e suas consequências menos felizes, fizeram-me parar de pensar nos preparativos para a chegada do bebé M, mas tenho que retomá-los rapidamente, não vá o rebento lembrar-se de querer ver a luz do dia antes do final do ano e apanhar-nos completamente desprevenidos. 

era uma vida mais monótona, se faz favor

A semana foi cinzenta escura, mas termina em tons de verde esperança. Um dia destes, quando me apanhar fora do contexto actual, poderei falar abertamente sobre o que se tem passado comigo de há um ano para cá. Escrever sempre foi libertador para mim, mas neste caso não é possível. Quando vos digo que não há nada que não me aconteça não estou a exagerar.

25.9.14

post cinzento

Nem sempre os dias são bons, mas dei comigo a pensar, pela primeira vez, que apesar de tudo o que de mau aconteceu tinha um motivo para estar feliz. Senti-lo a mexer por entre as minhas lágrimas nocturnas deu-me esperança e admito que me criou algum sentimento de culpa. Não devia fazê-lo passar pelas minhas tristezas, mas ontem foi inevitável. As maravilhas de estar de regresso ao trabalho...

23.9.14

fazer o pino

Bebé M está tão feliz no seu pequeno apartamento que decidiu fazer o pino. Desde ontem que sentia uns movimentos estranhos, uma espécie de vibrações que ainda não tinha notado antes. E sentia estes movimentos bastante mais acima do que o habitual. Hoje de manhã comentei com elE que ou o puto tinha dado a volta ou estava a ficar comprido e a tocar onde ainda não tinha tocado antes. Quanto ao comprimento não sei, mas que está de pernas para o ar, está! A médica diz que acha o rebento parecido com o pai, mas eu olho para as imagens da eco 3D e vejo um bebé igual a tantos outros. Tirar parecenças não é comigo, nem quando tenho as duas pessoas lado a lado, quanto mais quando uma ainda está in utero.

Eu estou bem, se me esquecer dos pés de Fiona. A médica acha que estou aqui para as curvas e mandou-me de volta para o trabalho. Embora agora me apetecesse mesmo não ter que aturar as criaturas com quem trabalho, acho que não será difícil tolerar estas alminhas mais um mês e tal, porque se posso ir para casa dois meses antes do parto, é isso mesmo que vou fazer. Portanto, estou em contagem decrescente para me dedicar totalmente à gravidez. Pelo meio ainda irei mais uma vez a Portugal, o que também torna este mês e pouco ainda mais curto. Quanto a viajar de avião em Novembro ainda é uma incógnita. A ver vamos como estarei daqui a um mês.

a recordar as férias no 1º dia de trabalho


back to school
Las Palmas, Gran Canária

o regresso (e a falta de vontade)

Acordei em Itália, madruguei e às 7.30 estava no gabinete. Admito que a minha vontade de voltar ao trabalho roçava o zero, mas já que é para voltar que seja em força. Logo à tarde tenho temos consulta. Na última consulta com a médica italiana, há quase 2 meses, o meu regresso ao trabalho nesta altura era algo ainda indefinido. A ver vamos qual o veredicto final (voltei hoje porque não me apetecia estar a gastar um dia de férias apenas porque sim; se vier trabalhar hoje e amanhã ficar em casa não vem mal nenhum ao mundo).

O que sinto agora vai contra a minha forma de agir até este momento. A última (única, penso eu!) vez em que tinha estado de baixa tinha sido há quase 15 anos. Foi um motivo de força maior. Nunca faltei ao trabalho depois disso. Na verdade, sempre passei mais tempo no trabalho do que era suposto. Mas agora dou comigo a pensar que destes 9 meses, que inicialmente pareciam imensamente longos, sobram apenas 100 dias. E provavelmente serão os últimos 100 dias de gravidez que terei em toda a minha vida, de modo que o que me apetecia mesmo era que a médica me mandasse para casa. Tenho o resto da vida para trabalhar, e da gravidez só me sobram 100 dias. Será assim tão absurdo querer ignorar o trabalho por agora e gozar esta fase única?

21.9.14

25 semanas

Mais uma semana que pareceu ter menos de 7 dias. Chegamos do Verão das Canárias e encontramos em Aveiro um Outono tropical, chuvoso e abafado. Os dias passaram-se calmamente entre passeios aos nossos sítios e encontros com amigos. Todos parecem achar que a minha barriga deveria ser maior para 6 meses. Na verdade não me parece que a barriga seja pequena, mas a arte de a disfarçar parece crescer em mim! 

Nuns dias sinto-te mais, noutros menos, mas parece que o teu pico de actividade se centra na madrugada, quase manhã. Nesse horário de pacatez e silêncio temos longos encontros de toques interiores e exteriores.

Na próxima semana haverá nova ecografia, já em Itália. Desde que voltamos das Canárias que estamos em contagem decrescente para o regresso. Não nos apetece. Não só não nos apetece, como não nos apetece nada. A viagem de Outubro já está marcada há vários meses, daqui a menos de um mês estaremos de volta. Depois ainda não sabemos e penso que é isso que mais nos angustia. Em princípio não haverá problema em voltarmos a Portugal em Novembro, mas caso algo corra menos bem para os meus lados posso não ter autorização para viajar de avião. Ainda há pouco 2015 estava tão longe e agora damos connosco sem saber se a viagem de Outubro será o nosso último regresso a dois a Aveiro. 

Às vezes dou comigo a pensar que caso levemos os nossos contratos até ao final em Itália, o bebé M poderá começar a falar em italiano. E se o italiano se tornar a sua língua? E se o português for a sua segunda língua? Como será se um dia tivermos oportunidade de voltar a Portugal? Como reagirá? Para nós é ponto assente que não queremos continuar em Itália, mas a verdade é que o bebé M conhecerá Itália antes de conhecer Portugal e o seu nascimento em Itália ficará para sempre registado no seu cartão de cidadão. E se depois de Itália formos para outro país qualquer, qual será a reacção do bebé M?

Tantas questões, tantos atropelos no pensamento que seriam evitados se estivéssemos em casa.

18.9.14

eu e o blog

Ontem não li o blog de fio a pavio, mas li alguns anos de blog (nem tinha noção de quanto tempo este blog já tinha). Notei uma diferença dos tempos mais antigos de blog para os mais recentes. Enquanto que há algum tempo quem aqui escrevia era uma personagem que tendia a exagerar e todas as situações descritas, hoje quem cá escreve sou mesmo eu. Não sou eu por completo, obviamente, mas a parte de mim que aparece reflecte a minha postura, as minhas opniões e os meus pontos de vista. Hoje o blog sou mais eu do que da Rosa.

os futuros pais e as futuras mães

Sou novata nestas lides e, para além da minha experiência, conheço apenas a realidade de mais algumas grávidas que me rodeiam, mas as opiniões são unânimes: a postura das futuras mães e dos futuros pais é muito diferente. Não me parece estranho que assim seja, reflexo mais do que natural das diferentes percepções da gravidez. Se eu que sinto o bebé a mexer e sinto o corpo a transformar-se tenho dificuldade em me imaginar no início do próximo ano com um bebé a habitar o meu espaço e a minha vida, o que sentirá um pai que vive a gravidez de forma completamente externa?

A sensação que tenho é que eles ficam tão felizes quanto nós, mulheres, mas ficam um pouco por aí. A chegada de um bebé exige uma preparação que não me parece simples nem imediata. Para além da preparação mental dos próprios, exige ser prático, exige dominar assuntos que nos são completamente estranhos, exige procurar informação, ler, reler, pesquisar experiências de quem já passou pelo mesmo e, finalmente, tomar decisões. E é em todo este processo que me parece que grande parte dos futuros pais está ausente. É bom saber que eles confiam nas nossas decisões, mas também seria bom que procurassem estudos sobre a qualidade dos carrinhos de bebé, quais os que mais se adequam ao nosso caso particular, que pesquisassem sobre tudo o que temos que ter em casa para assegurar a segurança e o conforto do bebé assim que este chegue a casa, que se preocupassem com o espaço que temos disponível para o bebé e de que forma o vamos usar, e tantas, mas mesmo tantas outras coisas. Na melhor das hipóteses confiam nas nossas escolhas, dizem que sim, que se compre, e ponto final.

Actualmente os meus tempos livres são ocupados basicamente a preparar a chegada do bebé. As minhas leituras mudaram. Quem vir o meu histórico de navegação percebe claramente que estou grávida, encontram desde fóruns sobre gravidez e maternidade a lojas online de tudo e mais alguma coisa que se relacione com gravidez, maternidade e puericultura. As leituras de quem divide o espaço cá de casa comigo não mudaram e não me parece que a preparação da chegada do filho seja o seu foco. A felicidade dos dois é igual, mas o envolvimento é nitidamente diferente.

17.9.14

o dia em que me ia dando uma coisinha má

Hoje lembrei-me de pesquisar na net opiniões de grávidas sobre o parto no hospital italiano onde o bebé M verá pela primeira vez a luz do dia. Todas as opiniões eram muito positivas, reforçando a ideia que eu já tinha do serviço de obstetrícia desse hospital. Das duas vezes em que lá estive internada (e apesar de não terem sido momentos fáceis) fui muito bem tratada, todas as vezes em que fui às urgências (e já foram várias) fui atendida de forma célere e competente, e a obstetra que me segue também lá trabalha e tem sido excelente. Estava eu feliz da vida quando reparo que várias grávidas referem o "pormenor" de lá não darem epidural. Como??? Leio mais uma opinião e mais outra e lá surge o tal pormenor doloroso. Oh diabo... estará na altura de ponderar ter a criança em Portugal? Reparo entretanto que aquelas opiniões já eram de 2008, 2009 e 2010. Procuro informação mais recente sobre a epidural em Itália e percebo que a epidural em Itália só está disponível, de forma gratuita, para todas as mulheres, desde Janeiro de 2013. Ainda estou de queixo caído. Epidural gratuita só desde o ano passado? Estamos a falar de Itália ou de um país do terceiro mundo? Não, estamos a falar de um país do G7. Ai, Portugal, Portugal, que só te valorizamos depois de nos apanharmos longe.