26.10.14

...

Já o disse e escrevi não sei quantas vezes, mas tenho vontade de o repetir até à exaustão: sentir o meu filho (nada de princípes, nem bebecas, nem outros disparates afins que ouço diariamente) a mexer dentro de mim é provavelmente a sensação mais difícil de descrever, mais singular e a sensação que mais felicidade me traz. 

5!

Cinco, faltam cinco dias úteis para vir para casa. Estou verdadeiramente em contagem decrescente.

Amanhã torçam por mim. Vou fazer um teste para um emprego. É a primeira vez que passo por uma fase de teste escrito antes da entrevista. Estou grávida de 30 semanas e sei que as hipóteses são basicamente nenhumas, mas desistir é coisa que não me corre no sangue. 

25.10.14

oh happy day!

O pequeno M. está crescido. Duplicou de peso desde há um mês e pesa agora um quilo e meio. Mede 40 centímetros e todas as outras medidas são também normais. Não é gordo nem magro, o que me fez respirar de alívio. Continua cefálico e já não tem espaço para se tornar a sentar. Estava a chuchar no braço e não deixou que a médica lhe tirasse uma única "foto" decente. Obviamente está a guardar-se para as minhas fotografias! Respirei fundo, sorrimos e sossegamos. Bebé M. está muito bem e recomenda-se.

Eu também não estou nada mal. A tensão continua baixa, que é o seu estado normal em mim. Aumentei sete quilos em sete meses, ou seja, tenho atingido os objectivos definidos: nem peso a mais nem peso a menos. Curiosamente, hoje, não sei se por estar quietinha em casa, se por estar mais frescote, nem os dedos inchados tenho. Às tantas era o stress que me andava a fazer inchar ligeiramente! A médica não se mostrou muito preocupada com a diabetes, já que tudo parece estar muito bem com o M. e comigo. E... estou autorizada a ir a Londres! Yeah! ElE vai trabalhar e eu vou revisitar os meus sítios londrinos, descobrir outros, vou visitar museus (a falta que isto me faz!), tirar fotos e, claro, não vou resistir a fazer umas compras para o bebé!

O peso que me saiu de cima depois da consulta! A dar pulinhos de felicidade!

25 de Outubro

Faltam dois meses para o Natal, dia em que tanto eu como elE esperamos já ter o bebé connosco (o mais certo é as contas saírem-nos furadas e o puto decidir nascer só depois das 40 semanas. Puto, tu livra-te de me fazeres isto!, aviso-te já que haverá consequências nas prendas de aniversário e na mesada de adolescente!). Estamos quase no fim de Outubro. Eu e elE fazemos anos em Novembro, e depois dos nossos aniversários é um pulinho até ao Natal. Colocando assim as coisas parece que o final de Dezembro já está ali, ao virar da esquina. E isto, mais uma vez, provoca-me sentimentos contraditórios (o pão nosso de cada dia dos últimos tempos): por um lado, ah, que bom, vamos poder tocar os dois no bebé M., agarrá-lo, senti-lo, contemplá-lo com aquele ar aparvalhado e assoberbado tão característico dos pais recentes; por outro lado, oh meu Deus, mas já só faltam mesmo dois meses até ao momento em que vá lá saber-se como - de que forma, quantas horas de sofrimento e desespero - o rebento sairá de dentro de mim e do seu ovo protector  e será largado às feras.

Hoje é dia de consulta e eco. Estou expectante. Os valores da glicose continuam uma desgraça (deixei de ir ao H3!) e não sei que consequências poderão estar a ter no bebé. A médica avisou-me sobre a possibilidade de ele vir a ser um bebé grande se a glicémia continuasse descontrolada, mas a verdade é que eu não aumentei exageradamente de peso. Continuo na média de um quilo por mês e, estranhamente, foi-me mais difícil controlar o peso inicialmente do que do meio da gravidez para a frente. Será que eu estou a aumentar normalmente de peso e o bebé também? Mas se os valores de glicose continuam fora dos limites ele não deveria estar a engordar mais? Será que ele está a aumentar de peso, mas eu não? Ou, contrariando todas as expectativas (que é o habitual em tudo o que me envolve), o rebento está mais leve do que era suposto? Será que a dieta extremamente restritiva o está a afectar? Tenho pontos de interrogação a pularem em cima da minha cabeça. E a maturação dos pulmões? Eu sei que pode ser afectada pelos diabetes, e isto sim, desespera-me bem mais do que a questão do peso do bebé. Um monte de questões que espero ver respondidas hoje.

E depois ainda há aquelas perguntas adicionais, menos relevantes, mas também importantes, pelo menos para o meu ânimo: há epidural 24 horas por dia (incluindo fins-de-semana) no hospital onde o bebé vai nascer? Ou é um daqueles casos, como alguns em Portugal, em que há epidural das 9 às 5 só nos dias de semana? Não me façam uma coisa destas, pelo amor da santa, que eu não acho que o sofrimento me leve ao céu. Posso viajar? Posso ir a Londres passar 3 ou 4 dias, fazer as últimas compras e espairecer? (cada vez mais me convenço que vou ficar em terra, desconfio que os diabetes me vão valer um redondo Não como resposta).

É isto, mais umas horitas e espero ter respostas.

24.10.14

alien!

Eu sempre disse que isto de ver por fora a barriga a mexer e aos pulos tinha o seu quê de alienígena. Também pensava que talvez viesse a ver a coisa com outros olhos se algum dia a barriga a mexer de forma suspeita fosse a minha. Pois tenho a dizer-vos que neste preciso momento me sinto a transportar um pequeno alien que se encosta aqui e ali, e empurra para um lado e empurra para o outro e me deforma ligeiramente a barriga. Este ligeiramente é só para ir acautelando o que ainda me espera. Ver a barriga assim, a deformar-se sem que possa fazer nada, tudo completamente fora do meu controlo, é tão estranho quanto maravilhoso. E eu sou um bocadinho control freak. Já só um bocadinho. Fui melhorando ao longo do tempo, especialmente neste último ano e tal, em que tanta coisa completamente fora do meu controlo me bateu à porta.

mais serena

Achava que ainda não tinha nada para o M. mas, depois de voltar de Portugal, entrei no quarto que será o dele e assustei-me ligeiramente. O quarto parece um estaleiro: tudo ao monte e fé em Deus, o que significa que o quarto está cheio de tralha, salvo seja. Nada arrumado, nada limpo nem lavado, nada organizado, mas parece que as duas ou três coisas que lá coloquei inicialmente se multiplicaram sem eu dar conta. Desconfio que o miúdo não precisa de mais roupa para os primeiros tempos. Pequenos acessórios como babetes, fraldas e afins também me parece que chegam e sobram. Lençóis, cobertores e mantas igualmente. Berço e banheira também já tem. O trocador de fraldas também já está tratado. Fraldas para a fase inicial também estão por lá. Mini-tesoura para cortar as mini-unhas e escova e pente (se sair a mim completamente desnecessários, eu era o verdadeiro bebé careca!) --> check! O carrinho e acessórios afins estão encomendados e devem chegar em breve. Pensando bem faltam-me alguns produtos de higiene, uma espreguiçadeira, o adaptador de recém-nascido para a banheira e pouco mais. Não tinha noção que aos poucos fui comprando quase tudo. Estou um bocadinho menos preocupada e feliz por perceber que continuo a funcionar normalmente (organizada numa aparente desorganização).

ainda de casa


(praia da Barra)

23.10.14

é isto

Já o disse aqui algures e, pelo menos para já, mantenho-o: gosto muito de sentir os movimentos do bebé, mas dispensava tudo o resto. Acho que a Natureza não foi propriamente amiga ao guardar a gravidez para as mulheres. Sim, é um privilégio sermos nós a transportar dentro de nós um novo ser (não coloco isto em causa e acredito que quando o rebento estiver cá fora este sentimento será bem mais forte), mas é a vida das mulheres que se vira do avesso. Somos nós que sofremos na pele e nas entranhas os efeitos menos bons da gravidez, somos nós que vemos o corpo a mudar de dia para dia, somos nós que engordamos, somos nós que podemos ficar com marcas para o resto da vida, somos nós que fazemos análises e exames ginecológicos a toda a hora. E, para já, não me pronuncio sobre o parto, ficará para daqui a mais umas semanas. Somos nós que mais stressamos quando ainda estamos na fase de querer engravidar, somos nós que mais sofremos quando uma gravidez não corre bem. Ah, coitadinho o pai também sofre muito. Não digo que não, obviamente, mas pelo menos a dor física não tem, e não foi ele que viu e sentiu um filho a fugir-lhe do próprio corpo sem nada poder fazer. Somos nós, mulheres, que ficamos com a vida condicionada a vários níveis, que deixamos de poder viajar, que somos obrigadas a deixar o nosso trabalho. Talvez daqui a mais umas semanas ache que tudo isto que agora pouco me agrada vale mesmo a pena, mas, por agora, não consigo deixar de achar injusta a sobrecarga.

E, sim, para que não restem dúvidas, estou feliz por estar grávida, e nem sequer acho que este discurso seja efeito de uma explosão hormonal. Mas eu, que sempre fiz finca pé à igualdade a todos os níveis, sinto agora na pele a desigualdade que a Natureza me impõe e nada mais posso fazer do que dizer que não me agrada e me parece extremamente injusta.

30 semanas

Completam-se hoje as 30 semanas e só me ocorre perguntar Já? ao mesmo tempo que penso que ainda faltam mais 10. Estas 30 semanas foram um misto de um lento saborear de momentos e de uma corrida desenfreada. Sei bem que isto dá um certo ar de esquizofrenia, mas é mesmo o que sinto. 

Hong Kong parece ter sido há já tanto tempo, mas foi lá que há mais ou menos três mãos cheias de semanas o milagre se deu. Brinco e digo-Lhe que vamos ter um M. de olhos em bico. ElE abre muito os olhos e rosna. Rio-me enquanto lhe digo que assim que tiver idade suficiente temos que levar o rebento a conhecer Hong Kong e o meu lado preferido do mundo. ElE concorda, mas tenho para mim que tem receio que a criança saia a mim no que diz respeito à paixão pelo Oriente.

Não foi verdadeiramente no mesmo mês, mas segundo as contas retorcidas da gravidez foi, que abortei e engravidei. Parece impossível, mas é a minha verdade. Num momento estava a correr do pátio ensolarado para a casa de banho para libertar os vestígios de mais uma gravidez mal sucedida e no momento seguinte tinha a impressão que estava grávida. O feeling revelou-se verdadeiro e aqui estamos 30 semanas depois.

30 semanas é muito, e mais ainda para quem estava habituada a que o fim chegasse às 7. Mas 30 semanas é ainda pouco, se pensarmos em hipóteses de sobrevivência sem sequelas do lado de fora do canto que agora o acolhe. 30 semanas é pouco de manhã, mas se me perguntarem ao fim do dia direi que 30 semanas é muito e que ainda faltam outras longas 10.

Estou feliz, sem grandes efeitos colaterais da gravidez, a não ser o cansaço que de vez em quando toma conta de mim sem avisar e do inchaço ocasional das extremidades. Viro-me na cama sem dificuldade, não tenho dores de tipo nenhum, não tenho contracções, não tenho fome como se não houvesse amanhã, continuo a apertar os sapatos, a conseguir cortar as unhas e a pôr a depilação em dia sem ajuda. As outras grávidas com quem tenho contacto já desesperam com tudo isto. Ainda faltam 10 semanas, mas para já nada a assinalar.

Ultrapassei o impacto inicial provocado pela diabetes. Faço o melhor que posso em termos de alimentação e mantenho-me activa para tentar manter os valores de glicose o melhor possível. Mais que isto não posso fazer. Ainda que inconscientemente, o primeiro pensamento que tive quando a diabetes foi diagnosticada foi A culpa é minha. Mas a culpa não é minha, eu não tenho mão nas hormonas produzidas pela minha placenta, que desregulam completamente a produção de insulina. Na próxima consulta com o endocrinologista veremos qual o próximo passo. Estou muito mais serena quanto a este assunto e esta postura pode não ajudar a resolver o problema dos diabetes, mas será com toda a certeza uma atitude positiva face à gravidez.

Também sosseguei relativamente à pré-eclâmpsia. Para já a tensão continua perfeitamente normal, não aumentei de peso e o inchaço que noto de vez em quando é o normal para esta fase. Claro que posso vir a ser apanhada de surpresa por uma novidade menos feliz, mas para já quase não penso nisso.

Os trâmites legais já foram todos tratados e finalmente a minha licença de maternidade foi aprovada. No fim de mês arrumo as tralhas no gabinete, deixo a secretária limpa, levo meia dúzia de coisas que me podem fazer falta em casa e Adeus, até daqui a 6 meses. Daqui a uma semana e pouco estarei com licença de maternidade, ainda não me parece real de tão real que tudo se começa a tornar.

os dias em Portugal: serenos e estivais


(praia da Barra)

20.10.14

efeitos da gravidez

Confirma-se: a gravidez deixa-nos o cabelo diferente. Em vez de um cabelo liso e escorridinho, sempre tive na cabeça uma espécie de novelo difícil de controlar. Isto não se alterou, mas acho que os caracóis rebeldes andam mais fáceis de pentear e reapareceram os canudos que já não via há muito. Para além disso, normalmente cai-me mesmo muito cabelo e agora consigo contar os fios de cabelo que me caem. Parece que depois do parto o cabelo tende a cair aos molhos, como que para compensar os bons momentos anteriores. Medo! Mas para já tiro proveito do meu cabelo menos indomável que o habitual.

a arte de bem enganar de frente

29 semanas e poucos dias:


há esperança!

Em Aveiro, num Verão tropical a meio de Outubro, recebo feedback da candidatura de há poucos dias. Não vou desistir já, apesar de saber que as hipóteses, dado o meu estado de graça, são quase nulas. O mais relevante: o meu CV não foi ignorado e houve retorno. Precisava deste sinal nesta fase. O calor sempre me trouxe coisas boas, os quase 30ºC de hoje não foram excepção.

19.10.14

Só a mim

Equilibrar os valores de glicose no sangue é algo que quase me leva à loucura. Tenho seguido as indicações do médico. Nada feito. Devo ter os valores piores do que tinha antes de deixar de comer fruta e andar a contar minutos e horas para comer. Esta sexta, com curiosidade de ver que raio de valores teria uma hora depois de almoçar sem restrições, esqueci a dieta. Fui ao H3, e comi tudo a que tinha direito: hambúrguer, batatas fritas, arroz e limonada de maracujá. 60 minutos depois, espeto a lanceta no dedo e imagino um valor absurdamente alto. Sai-me o valor mais baixo que já vi desde que comecei a dieta. E agora? O que faço? O que posso concluir? Passo a ir ao McDonalds todos os dias para equilibrar os valores de glicose no sangue?! À noite, depois do resultado inesperado do almoço, engulo uma taça gigante de sopa de pedra. Novo valor bom. Na loucura, no almoço seguinte, como um crepe da Pizzarte, escorre natas e queijo. Novo valor dentro dos limites.  Estou a poucos milímetros de dar um pontapé na dieta e passar a comer pior do que como habitualmente. Comendo de forma saudável tenho valores altíssimos, comendo o que não se deve tenho valores dentro dos valores normais. Se me põem as mãos em cima levam-me para um laboratório e passo a ser a cobaia de serviço.

16.10.14

diabetes gestacionais

Um dos textos mais equilibrados e sensatos que li sobre diabetes gestacionais.

You can’t control Gestational Diabetes. It happens sometimes. But there are ways to help your body deal with it. Monitoring diet and engaging in regular exercise really can be the key for women who have low-to-medium level insulin resistance. The aim of monitoring your diet is to balance the amount of carbohydrate in your meals. The general consensus from dietitians and endocrinologists seems to be that having 3 meals and 2-3 snacks per day (but please follow the advice of your personal care provider). It does make sense that it’s easier on your body if you spread out the carbohydrates into 3 balanced meals and 2-3 snacks instead of packing them into three carb-heavy meals per day. Another way to manage high blood sugar levels can be regular exercise, like walking. Going for a walk 30 and 90 minutes after eating to can help lower blood sugar levels by using up the excess glucose in the blood stream. Every person responds differently though, so if you do have Gestational Diabetes, please work with your care provider in finding the management plan right for you.

sobre a dieta

Ontem cheguei a casa e comi uma bolacha e o bebé M. mexeu-se. Comi outra e ele continuou a abanar. O pai enfiou-me outra bolacha pela goela abaixo e o rebento continuou a bater palminhas. Tenho que esclarecer mesmo esta questão com a obstetra e o dietista. Pode ser maluquice minha, mas começo a achar que esta dieta praticamente sem hidratos de carbono pode ser demasiado restritiva para o bebé. Eu estou óptima e nada esfomeada, mas não sou eu que tenho todos os órgãos em desenvolvimento... Eu já praticamente não comia hidratos de carbono, mas a fruta ia-me dando algum açúcar. Agora só como maçãs, e em quantidade muito limitada... Tremo só de pensar que posso chegar à próxima consulta e ter um bebé com um percentil muito baixo à custa da dieta. Bom, espero que seja mesmo alarmismo meu e que esteja completamente enganada.

Resultado da brincadeira com as bolachas: ontem tinha a glicose em jejum com valores excelentes, hoje estavam acima dos normais, não duplicaram, mas quase. 

contagem decrescente

Hoje vou dormir a Aveiro. Esta deve ser mesmo a última oportunidade para comer um pastel de nata (sim, não me esqueci dos diabetes!) antes do nascimento do M. É estranha e ainda irreal esta aproximação do dia D. Nas malas levamos o mínimo dos mínimos porque imaginamos que no regresso haja muita coisa para trazer, obra das avós entusiasmadas. Levo uma lista de coisas que quero comprar lá, porque sei bem onde as encontrar, o que depois me facilitará bastante a vida em Itália. Desconfio que este será um fim-de-semana prolongado um pouco stressante e cheio de afazeres. O último antes do nascimento, o último antes do Natal, o último antes do ano novo, o último em que vamos apenas os dois. Ainda não é real, mas ao mesmo tempo dá que pensar e condiciona-nos algumas acções.

Hoje o dia está cinzento e a vontade de trabalhar é nula. Não continuasse enterrada em trabalho e seria um dia excelente para editar fotografias.

15.10.14

partilhar a alegria com o mundo

Por estes lados é assim, anuncia-se a boa nova à comunidade. Estas fotos foram tiradas no ano passado em Burano, onde ainda espero conseguir voltar este ano.




e eis que se mexeu! yeah!

Raio do rapaz continuou sem mexer o dia todo, e eu já aqui a stressar. Eu e o pai, que desconfio que ainda estava pior que eu. Pois que há pouco comi um iogurte e houve uma prolongada manifestação na minha barriga. Não sei se não estarei a exagerar na dieta e o pobre, quando se apanhou com um bocadito de açúcar ali à mão de semear, se pôs a bater palmas. Para testar quando chegar a casa vou comer uma bolacha e esperar pelo resultado. Se o rebento tiver um feitiozinho como o dos pais não se vai mexer, só para contrariar as expectativas.

Tenho mesmo que ver esta questão da dieta. Fruta nem vê-la e é raríssimo comer hidratos de carbono. Quero controlar os valores de glicose no sangue, mas quero que o moço continue a crescer e a engordar...

sem barriga, diz ela

Ontem tive que ir à médica de família pedir um atestado. Tinha lá ido uma vez, pouco tempo depois de chegar a Itália, também pedir uma credencial ou algo do género. Chego lá, explico o que quero, e obviamente digo que estou grávida. Olha para mim de lado e dispara um De quantos meses? Eu respondo, orgulhosa dos meus seis meses e tal. Resposta imediata com ar de quem acha que está a ser enganada Seis meses? Sem barriga? Ponho-lhe à frente os relatórios da obstetra e ponto final, mas a minha vontade foi perguntar-lhe se queria que me pusesse de lado. Sim, de frente e vestida de preto, aparentemente não tenho barriga. De lado, seja lá com que cor for, não há como esconder. Abençoada sensibilidade da médica. Não fosse eu ser seguida a par e passo na gravidez era bem capaz de começar a achar que a barriga estava pequena, que algo se passava com o bebé, e por aí adiante.

aleluia!

Finalmente o esfigmomanómetro está nas minhas mãos. Depois de mais de uma semana de tentativas de entrega mal sucedidas posso medir a tensão em casa quando bem me apetecer. Aleluia! Aleluia! Importante será dizer que só tenho o medidor comigo porque uma vizinha simpática o recebeu, porque suas exas., os senhores da transportadora, mais uma vez, ignoraram o meu pedido e não me telefonaram . Finalmente tenho o medidor de pressão arterial e tenho uma vizinha simpática, menos mal.

Mas por que raio precisas tu tanto de um esfigmomanómetro? Porque tenho diabetes gestacionais e tenho proteínas a mais na urina. Se se juntar a isto pressão arterial alta o mais certo é ser brindada com pré-eclâmpsia, que é coisa que nenhuma grávida quer. Para já a pressão continua nos valores habituais para mim, baixa, mas não demasiadamente baixa.

14.10.14

tempo parado

Tenho andado sem tempo, mas regressei do almoço ensonada e achei que editar uma fotografia podia ser uma boa estratégia para tentar acordar. Voltei aos dias serenos e felizes de Dubrovnik.

Dubrovnik, em Maio

unhas despidas

Desde que soube que estava grávida deixei de pintar as unhas e o cabelo. Ah, mas isso é um exagero... Quando muito nos primeiros três meses, mas depois disso não vale a pena. Eu também pensava assim, até que sem motivo aparente tudo correu mal duas vezes, logo no início. Depois disto tentei cortar tudo aquilo que pudesse directa ou indirectamente afectar a gravidez. Eu sei, racionalmente parece exagerado, mas é a minha forma de me sentir descansada, bem comigo própria e de saber que mais não poderia ter feito. 

Para além disso, descobri que tenho as unhas muito mais saudáveis agora do que tinha antes! Não me venham com a conversa dos vernizes baratos e blá blá blá. Eu usava vernizes de marcas chiques e, correspondentemente, caras e o resultado era as unhas não andarem em muito bom estado. Ou bem que partiam facilmente ou bem que tinham uma cor amarelada quando lhes tirava o verniz. Pois bem, muitos meses depois, sem verniz, tenho que admitir que tenho as unhas em muito bom estado e que até já me habituei a ter as unhas despidas. Mas também tenho saudades das loucuras que de vez em quando lhes fazia, especialmente quando me dava para as pôr a fazer pendant com determinada época do ano. Portanto, se o rebento se decidir a nascer antes do Natal, prometo vesti-las de tons natalícios (nessa altura não vais ter tempo nem paciência para isso! Pois que é bem possível, mas deixem-me sonhar com umas unhas vestidas!)

(Natal de 2012 by Rosa, mal eu imaginava onde - e não me refiro só à geografia - estaria 2 anos depois!)

bebé M, faxavor de se fazer sentir

Há dois dias que o bebé M decidiu não se mostrar tanto, que é como quem diz decidiu não se fazer sentir tanto. No primeiro dia ainda achei que poderia ser um acaso, mas agora acho que mudou de posição. Os poucos movimentos que sinto parecem-me diferentes, menos nítidos, mais interiores. O rapaz já estava cefálico, prontinho para se encaminhar para a saída, mas deve ter achado que ainda tinha tempo de sobra para continuar a explorar o alojamento e deu uma volta, ou meia volta, ou seja lá o que for, na mesma posição é que não me parece que esteja. Depois de uma série de semanas a senti-lo a toda a hora decidiu esconder-se, e eu tenho que admitir que não estou a achar grande piada.

13.10.14

só em Itália

A aventura de entrega do aparelho para medir a tensão arterial dura há uma semana. Por este andar mais valia ter esperado para ir a Portugal e trazia um de lá. 

Hoje mando novo mail, pergunto se posso ir buscar a encomenda a algum lado. Respondem-me que farão a entrega amanhã, algures entre as 13 e as 15. E eu que perca duas horas de trabalho e fique duas horas em casa à espera que a campainha toque! Lá pedi de novo para me telefonarem quando estiverem a chegar a casa. Desconfio que o farão tanto como fizeram das vezes anteriores. Não entendo: repetem o mesmo procedimento 100 vezes e não percebem que não resulta? Irra!

há coisas que não são para mim

A cada dia que passa mais me convenço que não fui feita para obedecer a regras que me limitam os passos físicos e, muito menos, os mentais. Colocarem-me dentro de uma cerca e limitarem-me o espaço de acção é meio caminho para eu querer, com todas as minhas forças, saltar o raio do muro. Preciso de espaço de manobra e irrita-me solenemente o controlo exacerbado. Há muito quem não seja assim, e eu respeito. Há quem precise mesmo de linhas delimitadoras e de regras para fazer um bom trabalho. Eu não, pelo contrário, tudo isto me castra os movimentos e me definha o pensamento. Há superiores que têm sensibilidade para perceber que as pessoas são diferentes e que deve haver alguma flexibilidade na forma de lidar com cada um. A maioria não é assim. À maioria dá gozo o poder de controlar os outros. Já tive superiores dos dois tipos e nem adianta dizer com quem as coisas correram bem e com quem correram mesmo muito mal.

Há uns anos tive uma experiência inesperada em que tive a oportunidade de me gerir, de gerir as minhas acções e os meus passos, de fazer tudo como bem entendia. Foi uma experiência particularmente bem sucedida. O problema é que não foi na minha área de actividade profissional comum, porque se tivesse sido, garanto-vos que me agarrava de novo a ela e mandava passear os superiores. Trabalho numa área que, à primeira vista, não permite abrir grandes portas a quem quer trabalhar por conta própria. Mas quem sabe, com tempo e sossego, não consigo encontrar uma brecha qualquer que me permita arriscar. Cada vez mais me convenço que não tenho perfil para ser uma trabalhadora dependente.

nota-se muito que eu acredito que o rebento nascerá antes do Natal?


Deve estar quase a chegar às minhas mãos!
Daqui: boden.co.uk

o ponto de partida de uma nova etapa

Voltei às candidaturas. Depois de longos meses sem concorrer a nada, voltei aos concursos. Tinha decidido só o fazer depois do parto, lá para o final de Janeiro, mas encontrei um lugar interessante e não resisti a atirar o barro à parede. Na verdade sou realista e sei bem as hipóteses que tenho, ou melhor, as que não tenho. Para além de serem 100 cães a um osso, há que recordar que estou grávida, e que mesmo que me chamassem para uma entrevista não poderia ir e fingir que nada se passa. Concorri mais para fazer um teste do que para ficar com o lugar. Será que vão dar uma hipótese ao meu CV, será que me vão contactar, será que teria hipótese de ser chamada para entrevista? 

Agora é mais difícil concorrer e eventualmente aceitar um lugar. Agora somos dois, daqui a pouco três, se bem que o terceiro elemento não tem direito a opinar! Agora concorremos a dois, em família, o que nos limita bastante as opções. Mas penso que termos noção disso e fazermos uma escolha criteriosa e pensada das nossas candidaturas já é um bom ponto de partida.

it's the final countdown

Mudei a minha protecção de ecrã. Hoje sempre que eu ficar uns minutos sem tocar no pc aparecerá o número 19 a rodopiar num fundo negro. Amanhã aparecerá o 18. Estou verdadeiramente em contagem decrescente para ir para casa.

Já fiz isto há muitos anos, na fase final do estágio da licenciatura. Estava exausta, de uma exaustão tal que cheguei a adormecer na paragem do autocarro, sentada num muro que de um lado tinha estrada e do outro tinha ria. Correu sempre bem, nunca caí à ria. Menos mal, arriscava-me a apanhar uma doença de pele para todo o sempre. Desta vez, e apesar de grávida, não me sinto exausta fisicamente, mas as confusões, irritações e stresses constantes levam-me a outro tipo de cansaço profundo. Não garanto que continue a trabalhar muito bem. Posso muito bem achar que os produtos do meu trabalho são bons simplesmente porque não tenho capacidade e discernimento suficientes para os julgar de outra forma. Daqui a uns meses lerei de novo o que ando a escrever agora e logo vos direi.

19!! Faltam 19 dias!

12.10.14

é pijama, não é pijama... errrrr

O meu conhecimento sobre bebés não é extenso, admito. Mas diria que as actividades dos recém-nascidos não variarão muito para além do dormir e comer. Daí nunca me ter preocupado se determinado fatinho era pijama ou roupa de ir à rua (não me estou a referir a fatiotas mais elaboradas, essas até eu sei que não são pijamas!), não estava a pensar levar a criança à ópera nos próximos tempos. Mas tenho lido algumas discussões sobre isso e quanto mais leio menos esclarecida fico. Eu olho para uns e para outros e parece-me tudo igual. Dizem-me que depende do tecido e do padrão, que há padrões e tecidos mais adequados a pijamas do que outros. Não percebo nada disto, e o mais certo é eu levar a criança à rua vestida de pijama sem saber em que preparos está o rebento. Sendo assim, e só para que por uma vez não tenha qualquer tipo de dúvida, decidi comprar um pijama que parece realmente um pijama (ah, com este não me enganam):
Daqui: boden.co.uk


11.10.14

a criança já tem roupa suficiente para os primeiros tempos, mas vi isto e sei que não vou resistir

reagir

Bem sei que idealmente as nossas motivações maiores deveriam ser intrínsecas, no caso do trabalho deveriam ser o gosto e o interesse genuíno pelo que fazemos. Mas não vivemos num mundo ideal, nem eu sou perfeita. Nada me motiva mais do que a fúria. Andava com uma vontade nula de fazer fosse o que fosse, mas conseguiram levar-me aos arames e eu irritada sou perigosamente trabalhadora. Aprendi às minhas custas, e há já algum tempo, que querermo-nos vingar de alguém e ficar horas e dias e semanas inteiras a pensar em estratégias maquiavélicas de ferir o outro não nos leva muito longe. Cansamo-nos, aborrecemo-nos (de cada vez que pensamos em irritar o outro, não é ao outro que provocamos irritação, é a nós mesmos). De modo que fazer algo apenas para atacar alguém não é estratégia que adopte. Porém, se eu puder fazer algo que me beneficie e que, paralelamente e indirectamente, deixe o outro furioso, não hesito. Já passei por isto uma vez e cá estou eu a repetir a façanha: trabalhar, trabalhar, trabalhar, porque o meu CV agradece e porque as criaturas que me têm irritado solenemente ficarão possessas com os resultados das muitas horas de trabalho. 

Lá fora chove copiosamente, pela primeira vez sinto os pés frios e vou voltar a pôr os olhos e a atenção nos meus artigos. Bom Sábado!

10.10.14

contagem decrescente

Estou a exactamente 3 semanas de arrumar as tralhas e rumar a casa. Tu ru ru ru ru! E pelo meio ainda vou uns dias a Portugal, yeah!

referenciais

Devemos estar a começar a ser emigrantes a sério quando o nosso referencial de tempo são as idas ao país de origem. Ou simplesmente estamos fartos do sítio onde estamos, ou das pessoas com quem somos obrigados a conviver.

28 semanas

Não fossem os diabetes e andava feliz da vida (assim ando na mesma, se bem que a perspectiva de ir a Portugal e não comer um pastel de nata me deixa com o sorriso às avessas). A entrada no terceiro trimestre ainda não fez grandes mossas. Continuo com o mesmo peso de há algumas semanas, embora a barriga esteja mais proeminente. Claro que me sinto menos resistente fisicamente. Não consigo caminhar um dia inteiro como fazia antes, mas não há milagres. Afinal já são 28 semanas! Mas para já não há dificuldade a dormir nem me dói nada. Não sinto o efeito das hormonas sobre mim. Continuo ponderada, sem ataques de choro sem razão e sem ansiedades sem motivo. Não me sinto menos desconcentrada que o habitual, acho até que esta semana tem sido especialmente produtiva, o que só revela que continuo no meu estado habitual: deadlines a aproximarem-se e eu a acelerar o ritmo. Daqui a 3 semanas acaba-se o trabalho e, bem mais relevante, livro-me daquele ambiente que não lembra ao diabo. Trabalhar com a gente com quem eu trabalho é uma verdadeira descida aos infernos.

Tenho sentido o bebé M a toda a hora e é uma excelente companhia nas horas de insónias. Estando a trabalhar em ritmo acelerado desisti de tentar preparar seja o que for para a chegada do rebento. Fica tudo para quando estiver sossegada em casa. Entretanto o berço chegou e é tal e qual como na foto: lindo e clássico.

Continuo com o feeling de que o M não vai esperar pelo primeiro dia de 2015 para nos brindar com a sua chegada. Aqui fica o registo da intuição, para ver se se confirma, como se confirmou quando tive a impressão de que estava grávida e quando achei que era um menino.

9.10.14

maçã, a fruta mais desinteressante de que há memória

Estou a dieta. O especialista em diabetes gestacionais achou que era cedo para a insulina entrar em cena e considerou que era de tentarmos dieta durante um mês (dieta e picadelas nos dedos para vermos como a coisa vai evoluindo). Se entretanto não resultar não me escapo à insulina. A dieta não é muito diferente da minha alimentação normal. Não sou muito dada a doces e hidratos de carbono já comia mesmo muito poucos. Portanto, esta parte da dieta é pacífica. Mas... a fruta, senhores, a fruta? Levaram-me a fruta toda, eu que andava feliz da vida a lanchar pêssegos e pêras, que fazia sumos com morangos, mirtilos e kiwis. E agora sobram-me... as maçãs? Só posso comer maçãs? A fruta mais desinteressante do universo (ainda hoje me dá vontade de rir quando me recordo que em Timor a maçã é um fruto exótico; tudo é relativo). Por este andar chego ao Natal a babar por meia dúzia de morangos, nem me lembro das fatias douradas.

8.10.14

enterrada em trabalho até às orelhas...

... mas contentinha porque os meus dias de férias que sobraram deste ano puderam passar para o ano seguinte (fala com este, fala com aquele, pede autorizações et voilà!). Ora, isto dá, mais coisa menos coisa, 2 meses de férias inteirinhos no próximo ano! Yeah!

nada surpreendida

Claro, como seria de esperar depois de se conhecer o modo de funcionamento do italiano comum, não telefonaram. Deixaram novo aviso informando que iriam tentar nova entrega no dia seguinte, aproximadamente à mesma hora. Lá enviei novo mail informando que tinha urgência na entrega do encomenda. Veremos se é hoje que a coisa se dá.

o post-it certo para cada ocasião

Estes marcam os meus documentos de trabalho e acompanham-me em reuniões. Um post-it vale mais que mil palavras.

7.10.14

uma espécie de sossego

Não é que tivesse dúvidas sobre o carácter da pessoa com quem tenho tido sérios problemas em contexto profissional, mas saber que meio mundo já teve problemas com ela deixa-me muito mais descansada.