Já fui a Londres várias vezes. Cada viagem foi diferente e de cada uma guardo momentos especiais. Esta foi a nossa última viagem a dois e por isso tem logo um significado particular. Não tirei as centenas de fotos habituais porque não me apeteceu carregar a máquina todos os dias, nem para todo o lado (ao fim do dia a carteira pesava que se fartava!, coisas de grávida). Acabei por tirar algumas fotos com o telemóvel e, curiosamente, uma das minhas fotos preferidas desta viagem foi mesmo tirada com o telemóvel:
13.11.14
33 semanas!
Às 33 semanas tenho uma preocupação: o meu peso, que se manteve constante por umas boas semanas, agora decidiu diminuir. No dia em que completo as 33 semanas tenho mais 6 quilos do que tinha quando engravidei. Já tive mais 7 quilos, agora tenho 6. É certo que nestes últimos dias me fartei de caminhar, o que pode muito bem ajudar a explicar a perda de peso. Mas, por outro lado, não consigo deixar de pensar que os diabetes podem ser responsáveis pelo que está a acontecer com o meu peso. Descansa-me ver que a barriga continua a crescer e que o bebé se mexe vigorosamente, mas não consigo deixar de ficar preocupada com esta evolução incomum do meu peso.
Na semana passada, o bebé M. teve um dia de pura preguiça. Ia-me levando à loucura: não o conseguia sentir. Cheguei a comer bolachas doces para ver se o açúcar o fazia mexer, mas não resultou. Deitei-me um bom bocado à espera de sentir movimento e nada. Já estava decidida a ir às urgências quando me lembrei de tentar encontrar os batimentos cardíacos da mini-criatura com uma app que descarreguei há uns tempos (MyBabyBeat).
Na primeira tentativa não senti nada, mas mal encostei o telemóvel à barriga, senti um movimento ligeiro, mas era um movimento. Afasto o telemóvel e torno a encostar e novo movimento subtil. Não sei se era por o telemóvel estar frio, mas a verdade é que o bebé se mexia ligeiramente sempre que encostava o telemóvel à barriga. Depois de várias tentativas lá consegui encontrar o batimento cardíaco de sua excelência, o bebé preguiçoso: podem ouvir aqui o coração do bebé M. Nesse dia à noite mexeu como se não houvesse amanhã e assim tem continuado. Ontem, no aeroporto, via a barriga a mexer, mesmo com uma camisola de lã bem grossa vestida.
Se nascer daqui a 3 semanas já não é prematuro!
12.11.14
de Londres
Ainda em Londres, mas quase de regresso. É possível viajar com quase 7 meses e meio de gravidez, mas há que saber dosear a energia. Nos primeiros dois dias agi como se não estivesse grávida e ao terceiro vi-me obrigada a desacelerar. Serviu-me de lição: nos dias seguintes fiz mais pausas para cappuccino e nada de cansaço exagerado.
Soube-me bem sair de casa, do canto habitual, e passear a barriga por aí. Falei com várias mulheres que se mostraram admiradas por viajar com uma barriga deste tamanho. Acho que grávidas ou não nos devemos manter fiéis à nossa essência, e viajar faz parte do que sou. Logo, se medicamente nada me impede de viajar por que não o hei de fazer?
Este livro já estava lá por casa há umas semanas, mas ainda não tinha tido oportunidade de lhe pegar. Li-o agora, de um fôlego, e soube a pouco. Descobri o Agualusa há uns anos, por acaso. Ia para a praia, não tinha nada para ler, e encontrei um livro de crónicas dele na estante de um amigo. Levei-o e foi devorado nessa tarde quente de mais sol que mar. Gostei da forma da escrita e do conteúdo. Li outros depois desse e cada vez me agradou mais. Há pouco tempo encontrei este livro e tive que o levar para casa. São crónicas de um pai apaixonado pela paternidade e pelo filho, mas que continua a ser uma pessoa atenta ao mundo, irónica e mordaz. Agora vou passá-lo ao pai em nascimento cá de casa.
6.11.14
32 semanas!
Lembro-me de às 18 semanas me ter apercebido de uns sinais mais evidentes de barriga e agora, de um momento para o outro, chegámos às 32. Faltam 8 Domingos até ao final do ano. Faltam só 8 Domingos até ao final do ano!
Apesar de depois de ter dado pulos de felicidade ter tido mais um ou outro valor de glicose acima do permitido, não me parece nada de grave. Foram refeições em que decidi experimentar introduzir novos alimentos para testar, e o teste claramente mostrou que não foram ideias brilhantes. De modo que vou mantendo o mesmo registo, e vou mantendo os diabetes controlados. Desconfio que já depois do parto vou manter algumas características desta dieta, mas vou ficar feliz por poder voltar a comer fruta como e quando bem me apetecer.
Só volto a ter consulta daqui a duas semanas, mas desconfio que o M. se continua a desenvolver bem. A barriga continua a crescer e agora sinto os movimentos de forma diferente. Imagino que o espaço para se mexer esteja cada vez mais limitado, o que torna os movimentos menos nítidos, mas mais globais.
A primeira semana da licença de maternidade não tem sido propriamente excitante: vida de dona de casa que sempre me aborreceu imenso, mas desta vez não há como fugir às limpezas gerais da casa (desconfio que durante os próximos tempos não terei tempo nem paciência para isto) e tratar da roupa do bebé (finalmente começa a haver roupa lavada e passada, yeah!).
Daqui a dois dias rumamos a Londres para a nossa última viagem a dois (mais um escondido) e espero bem não ter problemas no embarque. Até agora nunca me pediram a declaração do médico a autorizar a viagem, mas desta vez desconfio que não escapo. Ainda estou dentro do período em que é permitido viajar e tenho autorização médica, mas já li relatos em que grávidas tiveram problemas em embarcar, ainda que tudo estivesse de acordo com o solicitado pelas companhias aéreas. Não quero ficar em terra, já há um plano bem interessante de viagem traçado!
Vou voltar às lides de fada do lar!
4.11.14
3.11.14
conclusão do dia
É muito mais fácil uma grávida andar elegante no Inverno do que no Verão. Hoje peguei na caixa com a roupa de inverno e lá fui tirando e experimentando as peças, uma a uma, achando que nada me iria servir ou ficar bem. Com raras excepções, gosto de me ver com tudo e são poucas as peças que não servem mesmo. Camisolas e vestidos de lã continuam a agradar-me como me agradavam no Inverno passado (a ver vamos se não ficam definitivamente esticadas e a pedir a reforma no final do ano). Portanto, juntando estes vestidos e camisolas às calças e aos collants de grávida, tenho roupa para os próximos dois meses. Isto não é um aspecto vital, mas faz-me bem ao ego.
licença de maternidade - dia 1
Oficialmente em licença de maternidade.
Vou tentar fazer o mais possível nestas primeiras semanas, porque depois imagino que me apeteça mesmo descansar e pouco mais. Finalmente há mini-roupa a lavar e tenho que tentar pôr ordem no quarto do M. Vou tirar uma foto aos caos instalado actualmente para poder ter uma comparação fiel entre o antes e o depois.
Ao mesmo tempo que me sabe bem ter este tempo para mim e para nós, é uma confirmação de que o dia D (ou M) se aproxima e isso continua a ser estranho. Sinto um bebé a mexer-se dentro de mim, há partes do corpo dele que já consigo identificar quando lhe toco através da minha barriga. Já me habituei a este estado, a ter o M. dentro de mim, mas ainda não consigo imaginá-lo aqui em casa, junto a nós. Continua a ser estranhamente inesperado, apesar de ter sido muito desejado e dos já mais 7 meses de preparação física e mental.
2.11.14
Rosa 1 - diabetes gestacionais 0
Consegui! Ou melhor, nos últimos dias tenho conseguido ser mais teimosa que a diabetes e ter valores de glicose dentro dos intervalos normais. Não sei se é um acaso, se a coisa está para durar, mas deixem-me comemorar esta pequena batalha depois de semanas a desesperar.
A dieta que me mandaram seguir não resulta. Desde o início que me parecia que não poderia fazer grande diferença, já que basicamente já era o que fazia. Fui ajustando a dieta aos poucos e agora está mesmo bastante diferente da versão inicial. A obstetra diz-me que se resulta, se eu não me sinto fraca e sem energia, e se o bebé se continua a desenvolver normalmente, não tem nada contra. Basicamente eliminei toda e qualquer forma de pão e como muitas vezes, especialmente da parte da manhã. Se depois do jejum tomar um pequeno-almoço mais recheado é certo e sabido que os valores disparam. Assim, o meu primeiro pequeno-almoço é normalmente tomate ou pepino, queijo ricota e chá. Mais tarde uma maçã e chá ou um capuccino, e uma hora e tal/duas horas depois ovo (mexido ou cozido), ricota e chá ou bolachas de arroz. O almoço e o jantar incluem peixe cozido ou carne grelhada acompanhados por legumes e/ou sopa. Posso comer uma amostra de batata, ou de massa, ou de arroz, mas mesmo uma quantidade mínima. Entre o almoço e o jantar como maçãs, iogurtes magros e/ou bolachas de arroz.
A minha maior dificuldade tem sido o valor da glicose em jejum. Era o único valor que antes da dieta era normal e agora tem sido o meu maior problema. Até que conseguia ter valores normais durante o dia, mas o valor em jejum não era bom. Tentei várias dicas de outras grávidas com diabetes, mas comigo não resultavam. Até que pareço ter encontrado algo que funciona: a meio da noite como uma tosta de centeio do IKEA (!) e uma fatia de queijo e de manhã a glicose está abaixo da barreira dos 92.
Ah, e caminhar durante o dia também me parece que dá uma grande ajuda.
Espero ter encontrado a minha fórmula mágica.
31.10.14
quase, quase
No último dia de trabalho antes da licença de maternidade não só tenho os valores de glicose controlados como recebo um telefonema da vizinha amistosa a dizer que recebeu uma encomenda por mim, e a deixou à porta do apartamento: o carrinho de bebé! Ansiosa por lhe pôr as mãos em cima!
Já sinto os músculos a relaxar, a tensão a diminuir e só espero não ter novidades deste sítio e suas gentes (há excepções, mas são mesmo muito poucas) nos próximos meses. Mereço finalmente paz e sossego, e ir a Londres daqui a uma semana! Ainda colocámos a hipótese de irmos a Portugal mais uma vez antes do início de Dezembro (a médica permite), e depois de voltarmos de Londres, mas começámos a achar que era esticar demasiado a corda. O puto ainda nasce dentro de um avião, o que tendo o seu quê de interessante - feito em Hong Kong, nascido num avião... - é capaz de não ser uma ideia brilhante a nível nenhum. De modo que nos parece que depois de Londres sossegamos e a próxima vez que formos a Portugal será a três (ou com os três visíveis, que a três já fizemos várias).
aleluia!
Desde o jantar de ontem que não tenho um valor de glicose fora dos valores normais! Praise the Lord!
O segredo do sucesso, para não me esquecer e repetir muitas vezes (se bem que é sabido que o organismo vai reagindo de forma diferente, o que no meu caso quer mesmo dizer que tem vida própria e é desobediente, mas não custa tentar):
- jantar: peixe cozido e salada russa praticamente sem batata + sopa de espinafres (uma espécie de musgo triturado) + chá
- pequeno-almoço: ovo cozido + 2 colheradas de queijo ricota + chá
- meio da manhã 1: cappucino
- meio da manhã 2: bolachas de arroz
- almoço: salada de alface + sopa de miso + sashimi + arroz branco + água
Isto já é um record, mas se completasse um ciclo completo de refeições sem ir além dos valores normais de glicose era menina para dar meia dúzia de pulos de felicidade, mesmo estando pançuda!
30.10.14
31 semanas
Já só faltam 9!
Por agora ainda estou um pouco em pânico porque nada está preparado para receber o bebé, mas espero daqui a mais uns dias, depois de finalmente estar de licença de maternidade e pôr ordem na casa (e em mim!), já poder respirar de alívio . Também acredito que pôr ordem na casa e no futuro quarto do M. me ajudará a pôr ordem em mim, nos meus pensamentos e na minha forma de encarar a nova realidade que aí vem. Sempre senti que há alturas em que precisamos de tempo, não necessariamente para arrumarmos armários e guarda-roupas, mas para nos organizarmos, nos mentalizarmos das novidades que se aproximam e para, em silêncio, encontrarmos respostas e estratégias para os nossos receios e inseguranças. Não tenho tido tempo para mim e sinto que isso me faz mesmo muita falta e me acentua receios, que espero concluir serem infundados depois de ter tempo para reflectir.
Quando descobri que a licença de maternidade em Itália incluía dois meses antes do parto achei despropositado e exagerado, mas agora não acho. Embora continue a achar que três meses de licença depois do parto é miseravelmente pouco. Mas agora sinto necessidade de ter estes dois meses para mim, por diversas razões. Imagino que se estivesse em Aveiro, a viver na minha casa, rodeada das minhas pessoas, a saber onde me dirigir sempre que precisasse de alguma coisa, a ser seguida pelo meu médico habitual, não precisasse deste tempo todo. Talvez alguns dias bastassem para organizar o meu espaço e a minha mente. Mas vivo a muitos quilómetros do meu núcleo, vivemos os dois para os dois, não temos apoios externos e temos que descobrir como nos desenrascar a cada novidade e necessidade que surge. A gravidez só por si já é uma novidade bastante grande, agora associem-na a viver num mundo que não é o vosso, onde as regras e os hábitos são outros. Não é simples, nem é fácil, embora no dia a dia não pense muito sobre isto. Para além disto, neste momento não posso dizer que tenha um trabalho que adore. Tenho um trabalho que vou tolerando e que não me dá gozo. Sempre gostei muito de trabalhar e continuo a gostar, mas não num contexto como aquele em que me movo agora. É mais um factor de stress numa fase que, pelas suas características específicas, já é particularmente stressante. E talvez este seja o factor que mais vontade me dá de ir para casa viver os meus dois meses de licença de maternidade pré-parto em paz e sossego.
Nesta fase sinto o bebé durante quase todo o dia e sinto-o a chegar a sítios onde antes não chegava. Ontem estava a esticar-se lateralmente, parecia estar a querer escapar-se para as minhas costas! Faço mais ginástica para me calçar, mas é a única diferença que sinto relativamente às últimas semanas. Bom, na verdade também sinto a pele da barriga mais esticada e continuo a besuntar-me com cremes para grávidas todas as manhãs. Honestamente parece-me que a principal responsável pela existência ou ausência de estrias é a genética, mas vou fazendo o que posso. Sempre pus creme de manhã, mantenho o hábito, mas mudei o tipo de creme. Continuo com o mesmo peso e com o raio dos diabetes descontrolados. Na próxima semana tenho consulta e já vou preparada para começar a tomar insulina. Todas as grávidas com diabetes com quem tenho falado têm conseguido controlar os diabetes seguindo a dieta. Eu pareço ser a excepção à regra. De semana para semana os valores pioram e continuo sem conseguir perceber o que me faz aumentar ou reduzir os valores da glicémia. Concluí que o pão, seja de que tipo for, faz com que os valores de glicose vão até aos píncaros, mas nada mais que isso. O valor que aparece no aparelho é sempre uma surpresa, já quase se fazem apostas cá em casa. Antes rir que chorar, mas este é um assunto que me preocupa muito. Os bebés com mães diabéticas podem nascer com os pulmões imaturos e podem ter crises severas de hipoglicémia, entre outras consequências. Neste momento sinto-me completamente impotente para lidar com este problema. Que venha a consulta e a insulina.
3ºC
3ºC quando saí de casa às 7:43 (o relógio do carro ainda não está certo!). Vi que em Aveiro a máxima prevista é de 28ºC. Hoje ainda vim só de sweat shirt e casaquito de malha em cima, mas é capaz de começar a ser boa ideia tapar-me um bocadinho mais. Ao fim da tarde quando saio do trabalho e regresso a casa já me cheira a Inverno e a Natal. ElE olha para mim com ar de quem não me entende quando comento isto, mas aquele cheiro a frio, lenha queimada e fumo é para mim sinónimo de Inverno.
Por esta altura, todos os anos, já me apetece o Natal. Este ano o Natal tem um significado especial. Se eu já gostava das luzes e da cor do Natal, acredito que a partir deste ano passarei a gostar mais. A minha médica não actualiza a data prevista do parto (não sei se é habitual em Itália, ou se é apenas hábito da médica italiano-holandesa que me saiu na rifa), de modo que continuamos à espera do M. no primeiro dia do ano, mas eu continuo com o feeling de que vai nascer antes. Da última vez que fui a Portugal vi uns babygrows alusivos ao Natal e não resisti. Pode não correr bem, mas vai vesti-los na mesma, nem que seja lá para meio de Janeiro!
29.10.14
o meu ar não mente
Cruza-se comigo no corredor e comenta que a cada dia que passa estou com melhor aspecto. Sorrio e sou honesta Faltam 3 dias para ir embora! Pisca-me o olho e ri-se. Todos sabem o que se passa por estes lados, todos sabem que isto não tem pés nem cabeça. Uns aceitam e entram no jogo, outros mostra-se descontentes e reagem. Talvez fosse mais fácil fechar os olhos, fazer de conta que tudo o que se passa em meu redor é normal, mas sou incapaz de o fazer. Não é a primeira vez que vou contra a corrente, mas esta é a mais difícil. 3 dias!
porque a maternidade não é só feita de roupinhas para ele
Faltam dois meses e eu bem que podia continuar a usar a roupa que tenho usado e a inventar mais um pouco enquanto reviro os armários. Estou aqui a torcer para não ter que gastar um dinheirão num casaco de Inverno de grávida para ser usado meia dúzia de vezes. Para já os que tenho ainda servem, mas se a barriga esticar muito mais desconfio que vou ter que encontrar uma alternativa. Bom, mas onde queria chegar é que me tenho fartado de comprar mini-roupa e eu, naturalmente, tenho ficado não em segundo, mas para aí em 13º. Há umas semanas dei comigo a pensar que estava grávida, mas continuava a ser mulher e a gostar do que sempre tinha gostado. Entrei na Sephora e vim carregada de cremes e pós e afins. Senti-me bem, senti-me eu e senti que ter consciência da necessidade de me manter igual a mim própria é meio caminho para manter a sanidade mental (lido com grávidas que se esquecem completamente delas e não me parece que isso lhes faça muito bem, mas cada um sabe de si). Para comprar roupa esta é mesmo capaz de não ser a melhor altura. Mas ando para aqui cheia de saudades das minhas calças pretas a imitar pele e dei com estas na H&M, bem sei que não as vou usar quase tempo nenhum, mas não quero saber. Vou-me sentir bem com elas, vou-me sentir eu e vou-me sentir uma grávida pançuda, mas que mantém o seu estilo habitual (o que me parece que tenho conseguido fazer até aqui e muito me agrada). De modo que este fim-de-semana estas vêm comigo para casa.
foto da H&M
o quase impossível
Tinha vinte e poucos anos quando por acaso se descobriu que eu tinha um quisto enorme num dos ovários, nunca sei qual, mas sei o que significa enorme neste contexto: 7 centímetros e tal quando foi descoberto, já passava dos 9 quando foi removido (um ovário tem normalmente 3 centímetros no seu lado maior). Não se sabia ao certo de que tipo era, não era necessariamente inofensivo. Naturalmente optimista, e provavelmente inconsequente e ingénua, nunca coloquei a hipótese de poder ter uma origem cancerosa, mas os médicos colocaram essa possibilidade em cima da mesa e os meus pais andavam aflitos, e só sossegaram quando veio o resultado da biópsia. Livrar-me do quisto implicou uma operação. Recordo-me de um dos pijamas que levei para a clínica e lembro-me também de me ter ido despedir do mundo à praia, no dia da operação de manhã, no caso da coisa correr francamente mal. Também me recordo de mandar os meus pais para casa ou ainda nos punhamos todos a chorar no quarto da clínica (já naquela altura eu não era dada a mimimimis). Uma hora e tal depois de entrar na sala de operações estava de volta ao quarto. Recordo-me de achar que não tinha sido operada, de colocar a mão em cima do penso enorme, de confirmar que tinha mesmo sido operada e de achar que aquele tempo de inconsciência provocado pela anestesia era algo mesmo muito estranho. Tive muito frio, depois tive muito calor. A dada altura chamei a enfermeira e pedi uma aspirina para a minha mãe, que tinha voltado enquanto eu era operada. Eu estava bem e quase pronta para outra. Mais tarde o médico falou comigo e com os meus pais, explicou que o quisto tinha sido mais difícil de remover do que ele tinha antecipado, e que não só teve que remover o quisto como o ovário. Também tinha encontrado pequenos quistos no outro ovário, pelo que também os tinha retirado, e com eles uma porção do ovário. Informou com ar sério e pesaroso que seria muito complicado para mim conseguir engravidar.
Tinha vinte e poucos anos, não tinha namorado, não pensava em relações sérias, muito menos pensava em ter uma família. Nem sequer em miúda tinha aquele sonho comum a tantas outras amiguinhas de casar e ter filhos. Aquela informação não teve grande impacto em mim, mas ficou presente. Assumi que não poderia ter filhos, ponto final. Lembro-me de a dada altura pensar que se quisesse ter filhos podia adoptar, e lembro-me de ler sobre isso e perceber que se o quisesse fazer sozinha teria de esperar pelos 30 anos. Os 30 chegaram e eu estava completamente absorvida pela profissão e pelas viagens. Nunca senti uma nuvem em cima da cabeça por supostamente não poder ter filhos. Não sei se por estar completamente absorvida por outras facetas da vida, se por nunca ter tido uma relação séria que me pudesse eventualmente levar a pensar nisso, mas foi assunto que nunca me preocupou nem me visitou muitas vezes. Sempre fui muito pragmática, se soube cedo que não podia ter filhos, esse foi um assunto que para mim estava naturalmente decidido e encerrado.
Até que no ano passado engravidei (depois de achar que estava a morrer!, parecia-me muito mais lógico achar que estava mesmo muito doente do que colocar a hipótese de estar grávida). Ainda não sei descrever bem o que senti quando na ecografia vi um embrião no meu útero, mas sei que mais do que felicidade senti surpresa e susto. O impossível tinha acontecido. Pouco depois a gravidez terminou e lembro-me de na consulta em que a não evolução do embrião se descobriu ter perguntado de imediato Quando é que posso voltar a tentar? Descobri aos 36 anos que afinal tinha a possibilidade de ser mãe e instintivamente corri atrás dessa hipótese. Não foi um processo fácil em momento nenhum, continuo a achar que ainda nada é garantido (esta racionalidade que não me larga), mas naturalmente, e a um dia de completar as 31 semanas, acredito cada vez mais que é possível.
28.10.14
4!
Faltam 4 dias para não mais voltar a pôr aqui os pezinhos este ano. Ainda com um volume considerável de trabalho pela frente, mas quero lá saber... Segunda não venho, yeah! Estou tão cansada deste ambiente e mortinha para me poder dedicar ao que agora é o mais relevante. Quatro, quatro dias!
27.10.14
calças de grávida
Comprei as calças de grávidas ainda antes das 12 semanas. Disseram-me na altura que fiz disparate porque passadas umas semanas já não ia caber lá dentro. Veio o calor, andei de calções e vestidos e ignorei as calças. Quando tornei a pegar nelas achei que já não entraria nas ditas cujas. Entrei! Entretanto tenho andado com elas e devo dizer que no fim do sétimo mês me estão mais largas (na barriga obviamente não!) do que estavam quando as comprei. Não sei se é da dieta ou do mau feitio, mas a verdade é que a minha engorda se centra na barriga e me parece que o resto do corpo está a mingar. A ver vamos o que acontecerá nos dois últimos meses, que isto é uma surpresa a cada mês que passa!
o teste
Se tivesse que descrever o teste com uma só palavra escolheria tramado. Nada fácil e muito exigente para o tempo disponível. Acho que prefiro não reler o que enviei, não vá corar de vergonha. Pronto, está feito! Agora não adianta pensar no assunto, nada pode já ser alterado.
soluços
No fim-de-semana senti os soluços do M. pela primeira vez e hoje voltaram. Um movimento muito suave, uma espécie de tique muscular ritmado e bem localizado. Já tinha lido sobre isto, mas continuo a ser como S. Tomé: ver (neste caso sentir) para crer. Já acredito.
keep calm and change my bum
Comprei o muda-fraldas no Ikea, nada entusiasmante nem bonito, mas achei que cumpriria a sua função. Colocando a hipótese de daqui a não muito tempo nos mudarmos, achei que estaria mais que bom. Mas agora vi este e não sei se resisto, é que este combina mesmo comigo! Há que aproveitar esta fase em que a criança não tem opinião e tem que se cingir à vontade e aos gostos dos pais!
(à venda na Amazon)
Outono
Por aqui já é mesmo Outono. 6ºC quando saí de casa de manhã e a máxima prevista não ultrapassa os 14ºC. Claro que preferia estar no Verão tardio português, mas esta mudança nítida de estação que sinto em Itália agrada-me. Recorda-me os livros da escola primária com os textos e as ilustrações sobre as características de cada estação. Acho que nunca tinha sentido de forma tão clara estas mudanças como em Itália. Na verdade, este ano, e apesar de muito gostar de calor e de Sol, estas temperaturas mais frescas sabem-me bem: os dedos deixaram de acordar ligeiramente inchados. O lado menos bom: garganta a latejar e eu sem poder tomar nada, a não ser um chá de eucalipto que amansa as amígdalas temporariamente.
26.10.14
...
Já o disse e escrevi não sei quantas vezes, mas tenho vontade de o repetir até à exaustão: sentir o meu filho (nada de princípes, nem bebecas, nem outros disparates afins que ouço diariamente) a mexer dentro de mim é provavelmente a sensação mais difícil de descrever, mais singular e a sensação que mais felicidade me traz.
5!
Cinco, faltam cinco dias úteis para vir para casa. Estou verdadeiramente em contagem decrescente.
Amanhã torçam por mim. Vou fazer um teste para um emprego. É a primeira vez que passo por uma fase de teste escrito antes da entrevista. Estou grávida de 30 semanas e sei que as hipóteses são basicamente nenhumas, mas desistir é coisa que não me corre no sangue.
25.10.14
oh happy day!
O pequeno M. está crescido. Duplicou de peso desde há um mês e pesa agora um quilo e meio. Mede 40 centímetros e todas as outras medidas são também normais. Não é gordo nem magro, o que me fez respirar de alívio. Continua cefálico e já não tem espaço para se tornar a sentar. Estava a chuchar no braço e não deixou que a médica lhe tirasse uma única "foto" decente. Obviamente está a guardar-se para as minhas fotografias! Respirei fundo, sorrimos e sossegamos. Bebé M. está muito bem e recomenda-se.
Eu também não estou nada mal. A tensão continua baixa, que é o seu estado normal em mim. Aumentei sete quilos em sete meses, ou seja, tenho atingido os objectivos definidos: nem peso a mais nem peso a menos. Curiosamente, hoje, não sei se por estar quietinha em casa, se por estar mais frescote, nem os dedos inchados tenho. Às tantas era o stress que me andava a fazer inchar ligeiramente! A médica não se mostrou muito preocupada com a diabetes, já que tudo parece estar muito bem com o M. e comigo. E... estou autorizada a ir a Londres! Yeah! ElE vai trabalhar e eu vou revisitar os meus sítios londrinos, descobrir outros, vou visitar museus (a falta que isto me faz!), tirar fotos e, claro, não vou resistir a fazer umas compras para o bebé!
O peso que me saiu de cima depois da consulta! A dar pulinhos de felicidade!
25 de Outubro
Faltam dois meses para o Natal, dia em que tanto eu como elE esperamos já ter o bebé connosco (o mais certo é as contas saírem-nos furadas e o puto decidir nascer só depois das 40 semanas. Puto, tu livra-te de me fazeres isto!, aviso-te já que haverá consequências nas prendas de aniversário e na mesada de adolescente!). Estamos quase no fim de Outubro. Eu e elE fazemos anos em Novembro, e depois dos nossos aniversários é um pulinho até ao Natal. Colocando assim as coisas parece que o final de Dezembro já está ali, ao virar da esquina. E isto, mais uma vez, provoca-me sentimentos contraditórios (o pão nosso de cada dia dos últimos tempos): por um lado, ah, que bom, vamos poder tocar os dois no bebé M., agarrá-lo, senti-lo, contemplá-lo com aquele ar aparvalhado e assoberbado tão característico dos pais recentes; por outro lado, oh meu Deus, mas já só faltam mesmo dois meses até ao momento em que vá lá saber-se como - de que forma, quantas horas de sofrimento e desespero - o rebento sairá de dentro de mim e do seu ovo protector e será largado às feras.
Hoje é dia de consulta e eco. Estou expectante. Os valores da glicose continuam uma desgraça (deixei de ir ao H3!) e não sei que consequências poderão estar a ter no bebé. A médica avisou-me sobre a possibilidade de ele vir a ser um bebé grande se a glicémia continuasse descontrolada, mas a verdade é que eu não aumentei exageradamente de peso. Continuo na média de um quilo por mês e, estranhamente, foi-me mais difícil controlar o peso inicialmente do que do meio da gravidez para a frente. Será que eu estou a aumentar normalmente de peso e o bebé também? Mas se os valores de glicose continuam fora dos limites ele não deveria estar a engordar mais? Será que ele está a aumentar de peso, mas eu não? Ou, contrariando todas as expectativas (que é o habitual em tudo o que me envolve), o rebento está mais leve do que era suposto? Será que a dieta extremamente restritiva o está a afectar? Tenho pontos de interrogação a pularem em cima da minha cabeça. E a maturação dos pulmões? Eu sei que pode ser afectada pelos diabetes, e isto sim, desespera-me bem mais do que a questão do peso do bebé. Um monte de questões que espero ver respondidas hoje.
E depois ainda há aquelas perguntas adicionais, menos relevantes, mas também importantes, pelo menos para o meu ânimo: há epidural 24 horas por dia (incluindo fins-de-semana) no hospital onde o bebé vai nascer? Ou é um daqueles casos, como alguns em Portugal, em que há epidural das 9 às 5 só nos dias de semana? Não me façam uma coisa destas, pelo amor da santa, que eu não acho que o sofrimento me leve ao céu. Posso viajar? Posso ir a Londres passar 3 ou 4 dias, fazer as últimas compras e espairecer? (cada vez mais me convenço que vou ficar em terra, desconfio que os diabetes me vão valer um redondo Não como resposta).
É isto, mais umas horitas e espero ter respostas.
24.10.14
alien!
Eu sempre disse que
isto de ver por fora a barriga a mexer e aos pulos tinha o seu quê de
alienígena. Também pensava que talvez viesse a ver a coisa com outros olhos se
algum dia a barriga a mexer de forma suspeita fosse a minha. Pois tenho a
dizer-vos que neste preciso momento me sinto a transportar um pequeno alien que
se encosta aqui e ali, e empurra para um lado e empurra para o outro e me
deforma ligeiramente a barriga. Este ligeiramente é só para ir acautelando o que ainda me espera. Ver a barriga assim, a deformar-se sem que possa fazer nada, tudo completamente fora do meu controlo, é tão estranho quanto maravilhoso. E eu sou um bocadinho control freak. Já só um bocadinho. Fui melhorando ao longo do tempo, especialmente neste último ano e tal, em que tanta coisa completamente fora do meu controlo me bateu à porta.
mais serena
Achava que ainda não tinha nada para o M. mas, depois de voltar de Portugal, entrei no quarto que será o dele e assustei-me ligeiramente. O quarto parece um estaleiro: tudo ao monte e fé em Deus, o que significa que o quarto está cheio de tralha, salvo seja. Nada arrumado, nada limpo nem lavado, nada organizado, mas parece que as duas ou três coisas que lá coloquei inicialmente se multiplicaram sem eu dar conta. Desconfio que o miúdo não precisa de mais roupa para os primeiros tempos. Pequenos acessórios como babetes, fraldas e afins também me parece que chegam e sobram. Lençóis, cobertores e mantas igualmente. Berço e banheira também já tem. O trocador de fraldas também já está tratado. Fraldas para a fase inicial também estão por lá. Mini-tesoura para cortar as mini-unhas e escova e pente (se sair a mim completamente desnecessários, eu era o verdadeiro bebé careca!) --> check! O carrinho e acessórios afins estão encomendados e devem chegar em breve. Pensando bem faltam-me alguns produtos de higiene, uma espreguiçadeira, o adaptador de recém-nascido para a banheira e pouco mais. Não tinha noção que aos poucos fui comprando quase tudo. Estou um bocadinho menos preocupada e feliz por perceber que continuo a funcionar normalmente (organizada numa aparente desorganização).
23.10.14
é isto
Já o disse aqui algures e, pelo menos para já, mantenho-o: gosto muito de sentir os movimentos do bebé, mas dispensava tudo o resto. Acho que a Natureza não foi propriamente amiga ao guardar a gravidez para as mulheres. Sim, é um privilégio sermos nós a transportar dentro de nós um novo ser (não coloco isto em causa e acredito que quando o rebento estiver cá fora este sentimento será bem mais forte), mas é a vida das mulheres que se vira do avesso. Somos nós que sofremos na pele e nas entranhas os efeitos menos bons da gravidez, somos nós que vemos o corpo a mudar de dia para dia, somos nós que engordamos, somos nós que podemos ficar com marcas para o resto da vida, somos nós que fazemos análises e exames ginecológicos a toda a hora. E, para já, não me pronuncio sobre o parto, ficará para daqui a mais umas semanas. Somos nós que mais stressamos quando ainda estamos na fase de querer engravidar, somos nós que mais sofremos quando uma gravidez não corre bem. Ah, coitadinho o pai também sofre muito. Não digo que não, obviamente, mas pelo menos a dor física não tem, e não foi ele que viu e sentiu um filho a fugir-lhe do próprio corpo sem nada poder fazer. Somos nós, mulheres, que ficamos com a vida condicionada a vários níveis, que deixamos de poder viajar, que somos obrigadas a deixar o nosso trabalho. Talvez daqui a mais umas semanas ache que tudo isto que agora pouco me agrada vale mesmo a pena, mas, por agora, não consigo deixar de achar injusta a sobrecarga.
E, sim, para que não restem dúvidas, estou feliz por estar grávida, e nem sequer acho que este discurso seja efeito de uma explosão hormonal. Mas eu, que sempre fiz finca pé à igualdade a todos os níveis, sinto agora na pele a desigualdade que a Natureza me impõe e nada mais posso fazer do que dizer que não me agrada e me parece extremamente injusta.
30 semanas
Completam-se hoje as 30 semanas e só me ocorre perguntar Já? ao mesmo tempo que penso que ainda faltam mais 10. Estas 30 semanas foram um misto de um lento saborear de momentos e de uma corrida desenfreada. Sei bem que isto dá um certo ar de esquizofrenia, mas é mesmo o que sinto.
Hong Kong parece ter sido há já tanto tempo, mas foi lá que há mais ou menos três mãos cheias de semanas o milagre se deu. Brinco e digo-Lhe que vamos ter um M. de olhos em bico. ElE abre muito os olhos e rosna. Rio-me enquanto lhe digo que assim que tiver idade suficiente temos que levar o rebento a conhecer Hong Kong e o meu lado preferido do mundo. ElE concorda, mas tenho para mim que tem receio que a criança saia a mim no que diz respeito à paixão pelo Oriente.
Não foi verdadeiramente no mesmo mês, mas segundo as contas retorcidas da gravidez foi, que abortei e engravidei. Parece impossível, mas é a minha verdade. Num momento estava a correr do pátio ensolarado para a casa de banho para libertar os vestígios de mais uma gravidez mal sucedida e no momento seguinte tinha a impressão que estava grávida. O feeling revelou-se verdadeiro e aqui estamos 30 semanas depois.
30 semanas é muito, e mais ainda para quem estava habituada a que o fim chegasse às 7. Mas 30 semanas é ainda pouco, se pensarmos em hipóteses de sobrevivência sem sequelas do lado de fora do canto que agora o acolhe. 30 semanas é pouco de manhã, mas se me perguntarem ao fim do dia direi que 30 semanas é muito e que ainda faltam outras longas 10.
Estou feliz, sem grandes efeitos colaterais da gravidez, a não ser o cansaço que de vez em quando toma conta de mim sem avisar e do inchaço ocasional das extremidades. Viro-me na cama sem dificuldade, não tenho dores de tipo nenhum, não tenho contracções, não tenho fome como se não houvesse amanhã, continuo a apertar os sapatos, a conseguir cortar as unhas e a pôr a depilação em dia sem ajuda. As outras grávidas com quem tenho contacto já desesperam com tudo isto. Ainda faltam 10 semanas, mas para já nada a assinalar.
Ultrapassei o impacto inicial provocado pela diabetes. Faço o melhor que posso em termos de alimentação e mantenho-me activa para tentar manter os valores de glicose o melhor possível. Mais que isto não posso fazer. Ainda que inconscientemente, o primeiro pensamento que tive quando a diabetes foi diagnosticada foi A culpa é minha. Mas a culpa não é minha, eu não tenho mão nas hormonas produzidas pela minha placenta, que desregulam completamente a produção de insulina. Na próxima consulta com o endocrinologista veremos qual o próximo passo. Estou muito mais serena quanto a este assunto e esta postura pode não ajudar a resolver o problema dos diabetes, mas será com toda a certeza uma atitude positiva face à gravidez.
Também sosseguei relativamente à pré-eclâmpsia. Para já a tensão continua perfeitamente normal, não aumentei de peso e o inchaço que noto de vez em quando é o normal para esta fase. Claro que posso vir a ser apanhada de surpresa por uma novidade menos feliz, mas para já quase não penso nisso.
Os trâmites legais já foram todos tratados e finalmente a minha licença de maternidade foi aprovada. No fim de mês arrumo as tralhas no gabinete, deixo a secretária limpa, levo meia dúzia de coisas que me podem fazer falta em casa e Adeus, até daqui a 6 meses. Daqui a uma semana e pouco estarei com licença de maternidade, ainda não me parece real de tão real que tudo se começa a tornar.
20.10.14
efeitos da gravidez
Confirma-se: a gravidez deixa-nos o cabelo diferente. Em vez de um cabelo liso e escorridinho, sempre tive na cabeça uma espécie de novelo difícil de controlar. Isto não se alterou, mas acho que os caracóis rebeldes andam mais fáceis de pentear e reapareceram os canudos que já não via há muito. Para além disso, normalmente cai-me mesmo muito cabelo e agora consigo contar os fios de cabelo que me caem. Parece que depois do parto o cabelo tende a cair aos molhos, como que para compensar os bons momentos anteriores. Medo! Mas para já tiro proveito do meu cabelo menos indomável que o habitual.
há esperança!
Em Aveiro, num Verão tropical a meio de Outubro, recebo feedback da candidatura de há poucos dias. Não vou desistir já, apesar de saber que as hipóteses, dado o meu estado de graça, são quase nulas. O mais relevante: o meu CV não foi ignorado e houve retorno. Precisava deste sinal nesta fase. O calor sempre me trouxe coisas boas, os quase 30ºC de hoje não foram excepção.
19.10.14
Só a mim
Equilibrar os valores de glicose no sangue é algo que quase me leva à loucura. Tenho seguido as indicações do médico. Nada feito. Devo ter os valores piores do que tinha antes de deixar de comer fruta e andar a contar minutos e horas para comer. Esta sexta, com curiosidade de ver que raio de valores teria uma hora depois de almoçar sem restrições, esqueci a dieta. Fui ao H3, e comi tudo a que tinha direito: hambúrguer, batatas fritas, arroz e limonada de maracujá. 60 minutos depois, espeto a lanceta no dedo e imagino um valor absurdamente alto. Sai-me o valor mais baixo que já vi desde que comecei a dieta. E agora? O que faço? O que posso concluir? Passo a ir ao McDonalds todos os dias para equilibrar os valores de glicose no sangue?! À noite, depois do resultado inesperado do almoço, engulo uma taça gigante de sopa de pedra. Novo valor bom. Na loucura, no almoço seguinte, como um crepe da Pizzarte, escorre natas e queijo. Novo valor dentro dos limites. Estou a poucos milímetros de dar um pontapé na dieta e passar a comer pior do que como habitualmente. Comendo de forma saudável tenho valores altíssimos, comendo o que não se deve tenho valores dentro dos valores normais. Se me põem as mãos em cima levam-me para um laboratório e passo a ser a cobaia de serviço.
16.10.14
diabetes gestacionais
Um dos textos mais equilibrados e sensatos que li sobre diabetes gestacionais.
sobre a dieta
Ontem cheguei a casa e comi uma bolacha e o bebé M. mexeu-se. Comi outra e ele continuou a abanar. O pai enfiou-me outra bolacha pela goela abaixo e o rebento continuou a bater palminhas. Tenho que esclarecer mesmo esta questão com a obstetra e o dietista. Pode ser maluquice minha, mas começo a achar que esta dieta praticamente sem hidratos de carbono pode ser demasiado restritiva para o bebé. Eu estou óptima e nada esfomeada, mas não sou eu que tenho todos os órgãos em desenvolvimento... Eu já praticamente não comia hidratos de carbono, mas a fruta ia-me dando algum açúcar. Agora só como maçãs, e em quantidade muito limitada... Tremo só de pensar que posso chegar à próxima consulta e ter um bebé com um percentil muito baixo à custa da dieta. Bom, espero que seja mesmo alarmismo meu e que esteja completamente enganada.
Resultado da brincadeira com as bolachas: ontem tinha a glicose em jejum com valores excelentes, hoje estavam acima dos normais, não duplicaram, mas quase.
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