16.12.14

mini-roupas natalícias

Tinha comprado meia dúzia de mini-roupas natalícias pensando que o M. podia nascer antes do Natal. As semanas foram passando e cada vez fui acreditando menos nisso, até que sou confrontada com um parto provocado antes do Natal. A mudar ligeiramente os conjuntos de roupa que já estavam definidos para o rebento e a dar-lhes um toque natalício aqui e ali. Afinal as fatiotas sempre vão ser usadas na altura certa!  

Pergunta recorrente dos últimos dias das poucas pessoas a quem contei a novidade: mas tu estás contente por o parto ser daqui a uma semana?, dito com ar incrédulo e olhos esbugalhados. A questão é há como evitar o parto? Sendo assim, venha daí o parto e o M. 

voltas e reviravoltas

Há 3 anos estava quase a voltar de Timor. Ainda lá estava, mas já começava a ter saudades do calor que mal me deixava respirar, do mar transparente, de fazer snorkeling, de Jako - a ilha sagrada com sabor a paraíso - e de tanto mais. Timor mudou-me, naquela altura eu ainda não tinha noção do quanto, mas já me sentia diferente. Há 2 anos tinha chegado há pouco da Suécia e da Sérvia. Duas realidades completamente diferentes, assim como as pessoas que conheci num lado e no outro. Há 2 anos estava quase de partida para a minha passagem de ano mais alternativa: a confusão das ruas de Siem Reap e o primeiro nascer do sol do ano em Angkor Wat, no Cambodja. Naquela altura andavam no ar duas possibilidades: mudar-me para Itália ou voltar a Timor. Ignorei uma vez na vida a paixão e optei pela razão. Mudei-me para onde ainda estou hoje. Há um ano, já a dois, estávamos prestes a voltar a Portugal, de onde seguimos para uma passagem de ano gelada em Amsterdão. Este ano estamos a menos de uma semana de ser três em Itália.

Agrada-me o inesperado, o não saber o que aí vem, o deixar o tempo e os acasos fluírem e aproveitar da melhor forma as oportunidades com que me vou deparando. A ver vamos o que poderei aqui acrescentar daqui a um ano.

15.12.14

a 3

Posso ter um ar frágil à primeira vista, mas é coisa que não sou mesmo. Sempre fui muito independente desde muito pequena e sempre me pareceu que uma característica estava aliada à outra. Ter viajado bastante sozinha também contribuiu para que aprendesse a desenrascar-me e estes já longos meses em Itália reforçaram tudo isto, especialmente os meses iniciais em que estive por minha conta. 

Estamos aqui só os dois e eu não me sinto só. Não sinto falta de nada nem de ninguém. Foi uma escolha minha pegar em meia dúzia de tralhas, metê-las numa mala e sair do país. Tinha emprego e uma vida confortável em Portugal, mas faltava-me o desafio (e agora falta-me de novo, estou ansiosa por tornar a meter a vida numa mala, mas isso é outra conversa). Fui atrás desse desafio e deixei tudo para trás, incluindo a pessoa com quem agora divido o meu tempo e o meu espaço. 

Cheguei a Itália e dois meses depois passava por um aborto sozinha. Estava só eu no momento em que se confirmou aquilo de que já suspeitava. Estava sozinha quando saí da clínica e fui para casa. Estava por minha conta quando fui trabalhar no dia seguinte à novidade nada feliz. Saí de casa sozinha quando, já com um embrião sem vida dentro de mim, fui passear porque a minha vida continuava, apesar da dele ter terminado tão cedo. Foi sozinha que entrei no hospital e na sala de operações para que o que restava daquela gravidez abandonasse o meu corpo. E foi num quarto vazio que acordei depois da anestesia. 

Talvez por sempre me ter bastado agora não sinta falta de nada nem de ninguém, porque a verdade é que agora tenho o dobro do que tinha antes. Agora somos dois, como fomos dois da segunda vez que abortei. Não sei dizer se me custou mais o primeiro ou o segundo aborto. Apesar de sermos dois da segunda vez, e apesar de ter alguém sempre comigo, tive que ver a tristeza imensa que te percorria os olhos e não tinha armas para a diminuir. Talvez isso tenha tornado o segundo aborto mais doloroso, isso e o facto de ser o segundo. É mais fácil tentar ignorar uma dor quando se está só. Fechamo-nos em nós mesmos e mais ninguém sabe o que nos corrói as entranhas. Ter alguém ao nosso lado que sabe que o sorriso que colámos no rosto é uma máscara dificulta o teatro. Temos fotos lindas tiradas no meio da neve. Ninguém sabe que no dia em que foram tiradas eu tinha um embrião morto dentro de mim, e ninguém, nem tu, sabia que  enquanto pisava e olhava para o branco da neve dava comigo a pensar no contraste que faria com o vermelho do sangue que perdia naquela altura.

Por tudo isto e muito mais continuo a acreditar que nos bastamos nesta fase mais sensível que aí vem. Não seremos apenas os três a partir de agora? Então que comecemos a ser apenas três desde já.

a dieta é para continuar

Pergunto ao endocrinologista o que fazer depois do parto. Basicamente o que eu queria era saber se parava imediatamente com a insulina após o parto ou se era necessário confirmar primeiro que o meu organismo tinha voltado a funcionar normalmente. Respondeu-me que devia continuar a dieta, não necessariamente nos moldes actuais, mas que deveria ter um cuidado especial com a alimentação. Reforçou o que eu já sabia: que grávidas com diabetes gestacionais têm maior tendência a ter diabetes no futuro e caso venha a engravidar de novo é quase certo que serei brindada outra vez com este bónus.

Os diabetes trouxeram-me dias de stress e algum desespero, mas fizeram-me mudar hábitos sobre os quais não reflectiria de outra forma. O meu paladar mudou nestes mais de 2 meses a dieta. O que para a maioria é pouco doce, para mim é agora uma explosão de açúcar na minha boca. Claro que me apetece comer uma fatia de bolo-rei, claro que me apetece voltar a comer uma fatia de bolo de maçã com mirtilos, mas tenho sérias dúvidas que consiga voltar a comer cereais cheios de açúcar de manhã. Eu, que inicialmente, não era grande fã do tomate ao pequeno-almoço, passei a gostar quando decidi que em vez de cru o podia "torrar" um pouco e lhe podia juntar meia dúzia de cogumelos e/ou um ovo. Há dois meses achava que as maçãs eram um fruto do demo, sem piada nenhuma, e agora estou viciada nas ditas cujas (não em todas, maçãs farinhentas é coisa de que nunca gostei e desconfio que nunca gostarei). Houve mesmo coisas que vieram para ficar. Pelo que tenho lido em fóruns de grávidas com diabetes, é comum os hábitos alimentares mudarem depois desta experiência inicialmente pouco amigável.

Ontem pesava mais 4 quilos do que antes de engravidar e nunca os resultados das minhas análises estiveram tão bons quanto nas últimas semanas. Sou obrigada a dar o braço a torcer e assumir que a dieta só me fez bem.

a vista da sala de partos


Se eu tiver a capacidade de olhar para fora e respirar fundo até é coisa para me acalmar!

contagem decrescente

Preferia um parto não agendado por duas razões: não stressar com a aproximação da data e poder ficar em casa o máximo tempo possível antes de ir para o hospital. Parece que não vai ser assim. Já tinha lido sobre isso e a obstetra acabou por o confirmar: não é habitual deixar que as grávidas com diabetes gestacionais cheguem ao final do tempo, ainda que os diabetes estejam controlados. Temos o parto agendado. O M. tem uma semana para se juntar a nós por livre e espontânea vontade ou receberá ordem de despejo, que me parece o mais certo.

É estranha esta sensação de saber antecipadamente o dia em que vamos ter o nosso filho connosco, ao nível de saber o sexo por mail, como também me aconteceu. Um estranho sentimento de que os minutos correm mais rápido que o habitual e não há como alterar esta situação. 

A obstetra aconselhou-me a relaxar e a aproveitar a última semana de sossego, mas acho que saber que falta uma semana me impede de relaxar. Há que fazer isto e aquilo agora, porque depois não vou conseguir e há que ir aqui e ali em tom de despedida e de aproveitar a liberdade que depois não terei. Estou mesmo em contagem decrescente.

Saber que a vida como a conhecemos até agora termina no dia X tem tanto de aterrador como de fabuloso. 

14.12.14

os sentimentos do momento

Sim, claro que tenho algum receio. Mas dentro de mim mora muito mais felicidade do que medo, sem qualquer comparação. Não há volta a dar-lhe, terei que passar pelo parto, portanto agora que o bebé já não será prematuro quanto mais depressa melhor. Nascerá ainda em 2014, como eu tanto gostava, e antes do Natal, como também queríamos. A não ser que haja algum imprevisto passaremos o Natal a três em nossa casa. Não há receio que se consiga sobrepor a este quadro que a dada altura julgámos não ser possível. Vamos deixar de sentir o M. pelos contornos da minha barriga e poder tocar-lhe sem obstáculos pelo meio. Faltam dias, ainda não sabemos quantos, mas muito poucos. E os dias que têm andado cinzentos ganharam outra cor aos nossos olhos.

actualização:

Bebé M. nascerá antes do Natal! Yeah! E desconfio que nunca mais teremos um presente de Natal assim.

12.12.14

opções

A maioria continua a achar estranho que o bebé nasça em Itália, e eu continuo sem perceber a admiração. É uma decisão puramente prática e racional. Caso o bebé nascesse em Portugal eu teria que voar pelo menos um mês antes do parto para lá. O pai trabalha em Itália, o que significaria que ficaríamos um em cada lado. Depois, nada nos garante que o rebento nasça no dia X. Logo o pai corria o risco de não estar quando o miúdo decidisse nascer. Após o parto eu e o bebé não poderíamos regressar a Itália num abrir e fechar de olhos, o que significaria que mais uma vez o pai voltaria sozinho para Itália e nós ficaríamos em Portugal. Perante isto, não percebo o espanto. Faria algum sentido o bebé nascer em Portugal?

Depois desta questão esclarecida vem outra mas os vossos pais não vão para Itália quando o bebé nascer? Não, foram avisados que nós queríamos estar sozinhos. Então e quando é que conhecem o neto? Quando formos a Portugal pela primeira vez! Eu sei, sou uma ave rara, mas sou uma ave rara que gosta de pensar de forma prática no que é melhor para si e para quem me rodeia. E este é um momento em que devemos ser egoístas. Virmos três para casa já é novidade suficiente para nós. Há toda uma realidade nova a descobrir, há que saber como a gerir e como nos adaptarmos a ela. Parece-me que isso já é novidade mais que suficiente para os primeiros tempos. Se juntássemos a isso termos mais 2 ou 3 pessoas em casa, que não costumam estar por cá, para mim seria o caos, ainda que estivesse a falar dos meus pais. Sim, daria um jeitão ter alguém que pudesse vir cá a casa dar uma ajuda pontualmente. Mas estamos a viver noutro país, logo quem viesse não vinha por umas horas, vinha e ficava uns dias ou umas semanas. Acredito que algumas pessoas se dessem bem assim, mas eu conheço-me o suficiente para saber que para mim não é uma boa solução. Claro que os avós gostariam de conhecer o neto assim que ele nascesse, eu também gostaria que assim fosse. Mas, neste momento, esta não é a melhor opção, nada a fazer. Conhecem-no quando já tiver um mesito, não vejo que venha daí mal ao mundo.

vantagem de estar longe

Estar longe coloca-nos desafios, mas também tem as suas vantagens. Neste caso não teremos que aturar visitas, um sossego. Em situações semelhantes, mas em que estive do outro lado, perguntei sempre se a mãe recente gostava que a fosse visitar. Caso me dissesse que sim perguntava quando e onde. Não tenho paciência para visitas-surpresa nestas situações. A mãe está frágil a todos os níveis, o bebé quer é paz e sossego e ter visitas inesperadas quer no hospital quer em casa é coisa que sempre achei que caía muito mal. Há quem não veja as coisas da mesma forma, e é desta gente que fujo que me pelo. 

Estando longe tenho esta questão resolvida. Não terei que mostrar o mau feitio (que não o é na realidade, mas que seria entendido por alguns como tal) a dizer que não quero visitas nos primeiros dias e a pedir respeito pela nossa privacidade e pelo nosso sossego. Seremos apenas três para o bem e para o mal.

o Natal este ano

Daqui a duas semanas o Natal já se foi e eu, que tanto gosto do Natal, este ano estou com o pensamento longe. Fiz a árvore, tenho luzes na janela, mas não passa muito disso. O que é mais um Natal quando este ano teremos a nossa própria criança a nascer mais dia menos dia?

11.12.14

37 semanas

Cá estamos, uma semana depois de ter feito as malas, a pensar então e agora? espera-se? Eu bem sabia que adiar as malas fazia sentido para mim. Continuo bem, sem desconfortos (a não ser o raio da comichão que ainda se mantém, mas com a qual vou lidando bem), mas esta espera é um bocadinho irritante. Tenho escrito e trabalhado para não pensar nisto.

Às 37 semanas tenho mais 4 quilos do que tinha antes de engravidar. A perder peso a este ritmo, e se o puto não se despacha, ainda chego ao peso inicial antes de ele nascer. Já estive mais preocupada com a questão da diminuição do peso, mas de qualquer forma estou mortinha para que a consulta da próxima semana chegue para confirmar que tudo continua muito bem com o M. Ter ido às urgências esta semana e termos visto que tudo estava normal já me sossegou, mas preciso de uma ecografia com todas as medidas e mais algumas para achar mais uma vez que a perda de peso é uma coisa boa. Os valores da glicémia têm sido perfeitos, eu e os diabetes temos finalmente uma relação pacífica. 

O M. continua a mexer muito, mas o apartamento começa a ser muito pequeno. De vez em quando estica-se e os pés dele vão quase até às minhas costas, fico com uma espécie de bossa lateral. Continua a ter soluços pelos menos duas vezes por dia e de vez em quando lembra-se que brincar com a minha bexiga é uma experiência divertida.

37 semanas, yeah!

diferenças entre a mãe da mãe e a mãe do pai

A avó materna quer que o miúdo nasça o quanto antes. Já não será prematuro, de modo que a partir de agora quando mais depressa melhor. Lembra-se bem do que sofreu no único parto que viveu e deseja com todas as forças que a filha não tenha que passar pelo mesmo.

A avó paterna quer que o miúdo nasça com peso de leitão, quanto mais tarde melhor. Pensa unicamente no neto e, portanto, quanto mais a criança pesar, mais saudável será, segundo o seu ponto de vista.

bicho do mato

A minha mãe chama-me bicho do mato desde que me lembro. Sempre fui e continuo a ser uma criatura muito pouco sociável. Prova disso é que ando a rezar a todos os santinhos para que esteja pouca gente no hospital quando o bebé decidir que é hora de nascer, para poder ficar sozinha num quarto. Se já normalmente não tenho grande paciência para fazer conversa de circunstância, muito menos terei nesta situação tão particular, e em italiano. Vá, criança, decide-te a nascer mesmo coladinho ao Natal que desconfio que nesses dias só estará lá internado quem não tem mesmo outra opção. Assim como assim vamos mesmo passar o Natal longe de toda a gente, de modo que pode ser mesmo no hospital já a três, ou em vias disso.

9.12.14

saudades de um corpo sem barriga

Sei que vou ter saudades dos movimentos suaves e dos movimentos abruptos dele dentro de mim, mas tenho que admitir que estes meses todos depois tenho saudades do meu corpo sem barriga e tenho saudades de nós. O nosso nós já mudou, vai continuar a mudar e ambos sabemos disso, mas vai fazer-nos muito bem podermos ser só os dois, ainda que por breves momentos e por entre choros e fraldas. Quanto ao meu corpo, não sei quanto tempo demorará a voltar ao ponto de partida, ou se algum dia voltará ao ponto de partida. Acredito que se reúnem as condições ideais para isso, mas tudo pode acontecer. Para já não há estrias à vista e acredito que os 5 quilos que tenho a mais (sim, continuo a emagrecer e o pequeno M. continua a engordar) sumirão com alguma rapidez, mas a firmeza da barriga e do peito é outra conversa. Seja lá como for, começo a ter saudades de não ter uma barriga de Pai Natal.

respirar fundo

Andava tudo muito normal e sereno quando há dois dias comecei a sentir comichão nos braços e nas pernas. Não valorizei, até que hoje de manhã acordei com umas borbulhitas nas pernas e a comichão estava ligeiramente mais acesa. Pesquisa na net e tanto encontrei informação a dizer que é normal ter comichão provocada pelo efeito da pele a esticar (nos braços e nas pernas?!) e do maior fluxo sanguíneo, como encontrei referência a um problema hepático que pode ser muito pouco simpático para o bebé. A colestase (o tal problema hepático) pode ter como sintomas comichão a sério, especialmente nas mãos e nos pés, o que não é o meu caso, mas resolvi não arriscar e enviei SMS à médica a contar o que se passava. Sugeriu que fosse ao hospital e lá fomos nós a achar que era coisa para ser observada em 5 ou 10 minutos e ficaria despachada. 

Fiz o primeiro CTG da minha vida: batimentos cardíacos normais e nada de contracções. Fizeram-me análises ao sangue (nunca tive problemas para me tirarem sangue em Portugal; em Itália não se entendem com as minhas veias, tentam num braço, tentam no outro, lá acabam por conseguir tirar-me sangue depois de me deixarem os braços como se tivesse sido mordida por um vampiro) e à urina. Umas boas horas depois conclui-se que aparentemente não há motivo para a comichão que sinto nos membros, e a hipótese de ser colestase foi excluída. Por momentos cheguei a pensar querem lá ver que agora que estou de bem com a vida e com a gravidez vem aí alguma surpresa menos feliz? Parece que não, para nosso descanso e bem-estar da mini-pessoa que um destes dias terá de abandonar o seu alojamento temporário.

6.12.14

timing

Li isto

Quando aprendi a estar grávida, a Clara nasceu.

e foi impossível não me identificar. Só passei a gostar de estar grávida já estava no terceiro trimestre, mesmo na recta final. Será que vou chegar com atraso às fases que se seguem?

2ª parte da tarefa concluída

Já há malas para a maternidade para os dois. Para além disso, há meia dúzia de coisas, deixadas bem à vista, para que o marido/pai as possa levar, caso sejam necessárias. Pronto, a ideia está a criar raízes: estamos mesmo na recta final e daqui a um mês é quase certo que seremos três cá em casa. É normal que os miúdos nasçam 15 dias antes ou 15 dias depois da data prevista do parto, mas Criança, tu livra-te de nascer depois de 1 de Janeiro! Não quero ter uma gravidez de 42 semanas, nem quero dar à luz um leitãozinho! Até há pouco tempo não me imaginava a dizer isto, mas queria que o bebé nascesse de parto normal, e se ultrapassarmos as 40 semanas tenho sérias dúvidas que isso possa acontecer.

Desconfio que se apanhar um dia de sol e luz farta ainda torna tudo a sair da mala do bebé para ser fotografado. São mariquices de futura mãe, mas gostava de fotografar o que levo dentro da mala dele, especialmente as primeiras fatiotas que vai vestir (se nascer depois das 40 semanas desconfio que vou ter que mudar de planos, porque nada daquilo lhe servirá, Tu não me arranjes trabalhos ainda antes de nasceres, miúdo!). Eu bem vos disse que o espírito da maternidade se começava a apoderar de mim, eu a fotografar as futuras roupas do rebento, quem diria, hã? Bom, mas para isso preciso de luz natural com fartura, coisa que pelos meus lados não tem havido. Os dias têm-se seguido numa monotonia de cinzento e chuva, que não se compadece com a minha vontade de tirar fotos dentro de casa. Parece que na próxima semana as temperaturas negativas chegam em força, e com elas o sol. Há esperança!

viajar com bebés

Se não houver nenhuma surpresa menos boa, a primeira viagem com o bebé será no final de Janeiro ou início de Fevereiro. Mas esta praticamente não conta, porque será de nossa casa em Itália para nossa casa em Portugal. À partida, a nossa primeira viagem a sério a três será em Maio, quando formos de férias para fora dos "nossos países" e das nossas casas.

5.12.14

das consequências da distância (ou de outras coisas)

Quando saí do país imaginei que iria perder algumas pessoas pelo caminho. Parece-me natural. Laços que não são propriamente fortes não resistem à distância e o afastamento geográfico estende-se a outros níveis. 

Fui surpreendida. A maior parte das pessoas que não me era próxima foi-se perdendo pelo caminho, mas para além disso, uma das pessoas que me era mais chegada praticamente sumiu de circulação. Não sei se foi efeito da distância, se foi efeito de todas as voltas e reviravoltas que a minha deu neste ano e meio, se foi efeito das mudanças na vida dela, ou se foi uma mistura de todos os factores, mas a verdade é que fui negativamente apanhada de surpresa.

Em ano e meio descobri que estava grávida mal tinha acabado de chegar a um país novo, quando ainda não conhecia praticamente ninguém, abortei, engravidei, abortei de novo,  voltei a engravidar, casei-me. Aconteceu tanta coisa que eu gostaria de ter partilhado de forma próxima, mas ela não estava nem disponível nem interessada. Fui a Portugal vezes sem conta, combinei lanches e jantares, estive com outras pessoas que antes de partir me diziam menos, e ela nem noção tem das vezes em que não esteve presente, porque simplesmente não estava para aí virada. 

Acredito que esta fase que vivo agora pouco ou nada lhe diga. Neste momento o meu cerne não é o trabalho, é um pequeno ser que ainda não viu a luz do dia. Do que conheço dela (ou do que acho conhecer) este é assunto para um ou dois minutos de conversa e depois é altura de mudar para outros temas, comummente relacionados com trabalho e afins. Sempre fomos muito diferentes, mas agora desconfio que estamos muito mais. Talvez este afastamento não seja tão inesperado assim. Desconfio que vai ver o bebé M. pela primeira vez quando o puto já andar na escola.

4.12.14

parte nº1 da tarefa concluída


A minha já está, agora falta a dele!

36 semanas!

Não consigo deixar de me espantar com os números que a cada semana vão aparecendo nos títulos destes posts: 36? Isto é mesmo a sério? Apesar das duas gravidezes com fim nada feliz, acreditava que era possível e por isso continuei a tentar, mas não deixo de me surpreender por ter chegado até aqui.

O primeiro trimestre custou. Foi lento, cada dia parecia demorar muito mais que 24 horas e, umas vezes conscientemente, outras de forma inconsciente, o medo de que a história se poderia repetir estava presente. O segundo trimestre trouxe as hemorragias sem motivo aparente e obrigou-me a ficar várias semanas em casa. Não foram momentos fáceis. Apesar de nessa altura termos ultrapassado já a barreira onde ficámos presos nas duas vezes anteriores, o receio de que outro obstáculo nos impedisse de prosseguir esteve bem presente. O terceiro trimestre trouxe-me os diabetes, mas tirando isso estou bem. Se tivesse aterrado de pára-quedas no terceiro trimestre da gravidez acharia que a gravidez é o paraíso. Às 36 semanas tenho mais seis quilos do que tinha inicialmente, continuo a mexer-me com facilidade, durmo bem e sem necessidade de almofadas em meu redor para me deixarem confortável. Que me lembre ainda não deixei de fazer nada do que habitualmente faria se não estivesse grávida (a não ser agora não poder viajar de avião). Sinto-me feliz e isso transparece: o cabelo está óptimo e a pele excelente. O bebé mexe-se muito, e nota-se que nesta fase o espaço disponível para as movimentações é já muito reduzido. De vez em quando faz muita pressão sobre determinadas partes da barriga, como se a qualquer momento fosse aparecer ali um pé ou mão!

Amanhã entro na 37ª semana e ainda me custa acreditar que até ao final do ano ou mesmo no início do próximo o M. se vai juntar a nós. Muitas grávidas que conheço sentiram os seus bebés a "encaixar" algum tempo antes do nascimento, outras foram sentindo contracções algumas semanas antes da hora H. Para já não me apercebi de absolutamente nada fora do comum, de modo que começo a achar que o rebento se sente bem na sua casa e é bem capaz de não nos fazer a vontade de nascer antes do Natal.

o que levar para a maternidade

Ontem lá me enchi de coragem e fui à obstetrícia do hospital cá do sítio pedir a lista do que levar quando o rebento decidir ver a luz do dia. Tendo em conta outras listas que encontrei de outros hospitais italianos podia ser muito pior.

Pedem o mínimo para o bebé: toalhitas, luva de algodão para lhe dar banho, sabonete líquido, toalha, manta e cinco mudas de roupa. Cada muda de roupa inclui t-shirt ou body de manga curta ou comprida (é à escolha do freguês) e babygrow com pés. Só isto, mais nada. Nem calças interiores (que eu insisto em chamar de ceroulas, pobre criança!) nem gorro, nem meias, nem nada. Tenho para mim que os italianos são mais descontraídos que os portugueses em relação à forma de vestir os bebés. Em Portugal parece que toda a gente tem medo que os miúdos gelem, por aqui não me parece que isso aconteça, muito pelo contrário. É certo que a zona em que vivo é muito fria no Inverno, o que obriga a que as casas tenham sistemas de aquecimento decentes, o que também ajuda a que os putos não tenham que estar envolvidos em mil e uma camadas de roupa. Mas não me parece só isso. Vejo bebés muito pequeninos na rua, bem agasalhados, claro!, mas a circularem na rua. 

E o que levar para a maternidade para mim? O comum e... uma chávena, um copo, açúcar e água! Ria-me eu por alguns hospitais pedirem para as grávidas levarem talheres! Pois que eu tenho que levar uma chávena e um copo! O açúcar desconfio que a diabética não vai levar. E... água? No fundo da folha referem que dão meio litro de água por dia, a restante cada um tem que levar. A sério, em que país do mundo é que um hospital não fornece água? É certo que o meu conhecimento sobre hospitais é basicamente nulo, mas... água??

3.12.14

ver vídeos de partos

Até aqui não tinha intencionalmente visto vídeos de partos. Acho que há que esperar o momento certo para tudo e o momento ainda não tinha chegado. Ontem, com o tempo a avançar desenfreadamente, achei que era importante ver a realidade. Ver mesmo, não ler algo que alguém serenamente sentado a uma secretária escreveu, mas ver um parto real de alguém real. 

Foi um acaso, mas acho que tive sorte no vídeo que escolhi. Não vi um filme de terror que me deixasse com pesadelos e me tirasse a vontade de dormir (e de ter este filho), mas vi um vídeo de um parto de uma mulher serena. Não gritou, não berrou, raramente se queixou. Ouviu o que quem a acompanhava lhe dizia, tentou corresponder e deu à luz uma criança que me pareceu gigante (não era pequena nem grande, mas garanto-vos que me pareceu enorme). Se calhar não corresponde à situação mais comum, mas uma vez que por mero acaso fui parar a este vídeo, não quero ver mais nenhum! Quero acreditar que um parto pode ser assim e ponto final. É este tipo de parto que quero ter presente nesta fase, acho que imaginar cenários de terror não é coisa que me ajude neste momento.

finalmente serenei relativamente aos diabetes

Não é fácil, especialmente para quem como eu gosta de controlar tudo, aceitar que o corpo tem vontade própria e que por muito que eu queira ou faça, há aspectos que não dependem das minhas acções ou do meu querer. Acho que o que mais me custou relativamente aos diabetes foi aceitar que era algo que eu não conseguia controlar sozinha.

De uma forma geral conseguia ter valores aceitáveis ao longo do dia, mas não em jejum e esse foi um problema que não consegui resolver. Li páginas e páginas sobre diabetes gestacionais, encontrei dicas em fóruns, pus essas sugestões em prática, mas nada funcionou comigo. O valor da glicose em jejum era sempre superior ao permitido, fizesse o que fizesse.

Desejei que o médico me mandasse tomar insulina para resolver este problema, o que, felizmente, acabou por acontecer. Tomo uma dose mínima diariamente, à noite, apenas para evitar que o valor da glicémia em jejum seja exagerado. Relativamente ao resto do dia continuo com a dieta e isso é suficiente para ter valores dentro dos padrões desejáveis.

Fujo completamente à dieta que me foi prescrita, porque essa comigo não funcionava, mas consegui encontrar alternativas que me deixam saciada e feliz. Fui experimentando alimentos, e combinações de alimentos, e consegui encontrar um leque de opções para ir variando, conseguindo manter os valores de glicose no sangue dentro do desejável. Não digo que depois do parto continuarei a fazer o que faço agora, mas tenho a certeza que alguns hábitos recentes são para manter. Como já tinha dito antes, o lado bom dos diabetes foi obrigarem-me a alterar a alimentação (que já não era desequilibrada), o que consequentemente me ajudou a controlar o aumento de peso. Continuo com apenas seis quilos a mais do que tinha quando engravidei e peso menos do que pesava há dois meses. O bebé tem peso e medidas normais. Portanto, estamos os dois muito bem.

Um aspecto curioso é que notei que se tornou muito mais fácil controlar os valores da glicémia assim que aceitei que estava a fazer o melhor que podia, independentemente do valor que me aparecesse no aparelho após a picadela no dedo. Estava a fazer o que me era possível, mais do que isso não podia fazer. Tinha lido que o stress não ajuda nada nestes casos e acabei por o confirmar: assim que serenei os valores melhoraram. Claro que o meu sossego também surgiu depois de confirmar que estava tudo bem com o bebé e que a alimentação que praticava não só não o prejudicava, como contribuía para que tudo estivesse bem com ele.

ainda sobre as malas

Pronto, rendi-me ao estado de gravidez quase estado maternal. Achava eu que ia pôr as primeiras roupas do rebento nuns saquitos que vieram com umas fraldas que comprei há uns tempos (dizia eu na altura que serviam muito bem, para quê estar a investir noutro tipo de sacos que depois não servem para nada), quando me cruzei com umas bolsinhas feitas à mão que são uma verdadeira delícia. Não resisti. Devem estar quase a bater-me à porta, se não tornar a ter outro contratempo com o raio dos correios italianos.

Ora, significa isto que ainda não é hoje que fico com as malas para a maternidade prontas. Eu sei que ando a abusar da sorte e que ainda me corre mal. Fica aqui prometido que até final da semana as malas ficarão recheadas, fechadas e prontinhas a sair porta fora a qualquer momento. É que apesar da aparente descontracção, eu não quero que seja Ele a ter que pegar em meia dúzia de coisas e levá-las de qualquer maneira para o hospital. Ele não faz a menor ideia do que é necessário e, apesar de viver na mesma casa que eu e ao mesmo tempo que eu, desconfio que não faz a menor ideia do sítio onde está seja o que for. Homens!

2.12.14

a saga da mala às bolinhas

Tenho andado a adiar fazer as malas para a maternidade porque me parece que é o assumir definitivamente que a nossa vida como a concebemos até agora tem mesmo os dias contados. Repito-me e reafirmo que queremos muito passar a ser três, mas o medo do "desconhecido" é tramado. De modo que ao longo das últimas semanas fui arranjando subterfúgios para ir escapando à tarefa de fazer a minha mala e a do bebé M.: ora faltava isto, ora faltava aquilo e depois resolvi que merecia um presente e encomendei uma mala de cabine nova para mim (que estava realmente a precisar) e decidi que não fazia a mala enquanto a mala das bolinhas não chegasse. E, já agora, encomendei um saco mais pequeno, com o mesmo padrão da mala para levar as coisas do rebento. 

Por estes dias comecei a ver o caso feio. Itália e os correios/empresas de transporte não se dão bem, não há volta a dar. Num dia não me entregaram a encomenda porque eu não estava em casa. No dia seguinte não ma tornaram a entregar porque, segundo vi no site da transportadora, a morada não estava completa e precisavam de informação adicional. Começo a ficar pouco tolerante para as parvoíces italianas. Ora, num dia não entregam porque não estou em casa (logo, parece-me que encontraram a casa e fizeram uma tentativa de entrega) e no dia seguinte não entregam porque a morada está incompleta? Bom, virei-me do avesso. Escrevi mails pouco afáveis e um pouco irados e lá me prometeram que passado dois dias a encomenda chegava a minha casa.

O dia E (de entrega) era hoje. Já era de noite e nada. Até que me o motorista da carrinha de distribuição me telefona e diz calmamente que está na localidade aqui ao lado. Mas eu não moro aí, a casa fica em blá blá. Pois eu sei, mas não encontro a casa. A criatura não se deu ao trabalho de a procurar, só pode! Rosa inspira profundamente, Rosa expira profundamente e lá lhe propõe um local que toda a gente conhece para ele entregar o raio da encomenda ao marido da Rosa. Rosa telefona ao marido e pede-lhe que vá buscar as caixas. 30 segundos depois tem o cromo do motorista a dizer que já está no sítio combinado, mas que o marido não está. Pois não está, criatura, eu tive que lhe pedir para ir aí de propósito, mover-se de um local para o outro não se faz num abrir e fechar de olhos e, já agora, eu estou há não sei quantos dias à espera do raio da encomenda, sua excelência pode esperar dois minutos?

Resumindo e concluindo: já tenho malas bonitinhas para levar para a maternidade. Estão-se-me a acabar as desculpas para não preparar as malas para a maternidade e, na verdade, é capaz de estar mais do que na hora. 

o círculo a apertar

É uma espécie de chamada à realidade:
- uma amiga grávida de mais uma semana que eu está neste momento em trabalho de parto;
- uma colega do grupo de grávidas, apenas com 33 semanas, está hospitalizada e a tomar medicação para a maturação dos pulmões do bebé que está decidido a ver a luz do dia muito em breve.

Bebé M., espera lá mais meia dúzia de dias e depois estás à tua vontade para te juntares a nós neste Natal. Nós já andamos os dois com aquele ar aparvalhado embevecido dos pais recentes, vai ser lindo depois do bebé nascer!

1.12.14

primeiro mês de licença de maternidade

Estou há um mês em casa, que é como quem diz que o primeiro mês da licença de maternidade já se foi. Pus ordem na casa, lavei e passei a roupa toda do miúdo, fiz uma série de encomendas, organizei o quarto do M. (dentro do possível para um quarto que sabemos temporário), furei paredes e decorei-as com acessórios de gosto duvidoso e comecei a separar o que muito em breve vai para a mala da maternidade.

Depois disto tudo não resisti a aproveitar os últimos momentos por minha conta e tirei partido de oportunidades para publicar. Hoje espero terminar mais um capítulo. Bem sei que podia aproveitar para relaxar mais e gozar o sossego do qual terei saudades daqui a pouco tempo, mas não só me dá prazer escrever e publicar, como é algo que pesa no CV e na futura procura de emprego. Portanto, vou sugar estes últimos dias até ao tutano que não sei quando é que voltarei a poder escrever em paz e sossego.

dias 1

Casámo-nos há 3 meses.
Falta 1 mês para a data prevista do parto.

No ano passado não tivemos árvore de Natal, mas este ano não nos escapou. É uma versão mini, mas tem cor, luzes e recordações de viagens a dois. É perfeita.


30.11.14

as chamadas caixas prioritárias para grávidas

Itália não é um país que respeite os cidadãos. Estou cá há um ano e meio, não é muito, mas é o suficiente para poder fazer esta afirmação sem ter medo de estar a fazer um juízo errado. Este é só um exemplo, já vivenciámos muitos outros.

Neste momento estou visivelmente muito grávida. Não há como não reparar na minha barriga roliça. Ontem, no hipermercado, fomos para a caixa prioritária para grávidas. É certo que esta caixa tinha uma fila ligeiramente mais pequena que as outras, mas não havia uma única grávida, para além de mim: vários velhotes e um casal de miúdos novos. Todos olharam para a minha barriga, que nós bem notámos, ninguém nos deixou passar à frente. Aguardámos a nossa vez como todos os outros. Mas para que é que esta gente tem caixas prioritárias seja para o que for? Ninguém liga absolutamente nada a isso. Há uma caixa prioritária chamada "over 70", mas os velhotes estavam todos na caixa das grávidas. Nunca estive grávida em Portugal, mas lembro-me de ver nos hipermercados pessoas que estão nas filas das caixas para grávidas a dar prioridade às grávidas. Nada contra ir para uma caixa prioritária quando não há lá ninguém com as características a quem estas se destinam (já o fiz também), mas se chega uma grávida, um deficiente ou uma pessoa idosa (conforme os casos) deixa-se passar à frente, não? Será assim tão complicado compreender o conceito? Itália às vezes cansa-me.

o que é que nos faz querer ter filhos?

Tenho pensado nos motivos que nos fazem querer ter filhos. Eu não queria, ou nem pensava nisso porque sabia que não podia. A partir do momento em que percebi que era possível, a vontade de ter filhos cresceu em mim e eu corri atrás dela, sem nunca a perder de vista. Porquê? No meu caso não é a concretização de um sonho de sempre. Não é uma forma de tentar ser feliz, porque feliz já eu era antes. Aliás, as tentativas para engravidar trouxeram-me momentos de muito pouca felicidade, que culminaram com momentos de felicidade maior, isso é certo, mas quando iniciei este caminho não sabia ao que ia. Também é verdade que ao longo destes meses daquilo que eu chamo de gravidez intermitente (grávida - não-grávida - grávida...), e especialmente nestes últimos meses, tenho vivido os momentos de felicidade mais genuína que já vivi até hoje, mas isso eu também não sabia quando decidi que queria ter um filho. 

Vou ter um filho porque estava com a pessoa certa no momento certo, mas muito provavelmente se não tivesse havido uma gravidez casual inicial não estaríamos agora grávidos. A gravidez resulta dos sentimentos que nos unem, mas não são esses sentimentos a causa da nossa decisão de ter um filho.

O motivo parece-me egoísta, o que não soa bem, mas soa-me a realidade. Quis ter um filho porque senti que tinha o poder de criar um outro ser humano, embora este não seja um pensamento consciente. Venham-me cá falar de influência, força, dinheiro, que a mim só me ocorre que o poder maior é poder criar um outro ser. Bolas, pá, isto é uma capacidade incrível e ao alcance de quase todos (e lamento mesmo muito não poder eliminar o quase nesta frase). Não foi consciente, nem sei se a razão de querer ter um filho é mesmo esta, mas a partir do momento em que percebi que podia dar origem a um outro ser humano não descansei (está no singular, porque sou eu que escrevo, mas tenho a certeza que poderia estar no plural).

É uma vontade puramente egoísta. Eu não sou imortal, um dia destes desapareço, mas deixarei por cá um ser que saiu de dentro de mim e que tem muito de mim. Um filho traz-me a sensação de não finitude. Mais do que todos os artigos e capítulos que possa escrever, mais do que qualquer foto tirada por mim que circule pelo mundo inteiro, mais do que qualquer outro legado que eu possa deixar para assinalar que estive aqui, eu posso deixar um ser humano, criado por nós. É quase impossível resistir a esta possibilidade imensa que quase todos guardamos em nós. Eu não resisti.

28.11.14

as maçãs e a abóbora

Por aqui já se sabe, nada de doces. Achava eu que me ia aborrecer de morte a comer maçãs (única fruta permitida à diabética de serviço), mas a verdade é que é das poucas coisas doces que como e a cada dia que passa me sabem melhor. Nunca tinha reparado que as maçãs eram tão doces, até não comer mais nada que me adoçasse o paladar. As minhas preferidas até são aquelas que têm um travo ácido, mas ainda assim sabem-me a doce e sabem-me bem. Maçãs, vocês que eram o meu fruto menos querido, acabaram de entrar no meu top de alimentos que me deixa feliz. Afinal foram a única fruta que não me abandonou nesta fase, prometo continuar a ser-vos fiel.

Outra forma de me enganar e fazer de conta que estou a comer uma sobremesa doce é deliciar-me com abóbora com canela aquecida no forno. Salivo só de pensar em abóbora quentinha com canela. E os níveis de glicose não se queixam. Com jeitinho lá vou encontrando alternativas para adicionar à minha dieta limitada.

27.11.14

sobre o parto

Durante muito tempo não pensei no parto, até porque era uma etapa muito distante para quem viu a gravidez interrompida duas vezes às sete semanas. Mas desta vez, e de há poucas semanas para cá, dei comigo a pensar nisso. Tenho lido algumas coisas, não tenho encontrado muitas novidades, mas é sempre bom ir tendo uns banhos de realidade. Até determinada altura não fazia ideia se seria parto normal se seria cesariana. Quando os diabetes foram diagnosticados pensei que ia ter um bebé grande e que o mais certo seria a gravidez terminar com uma cesariana. Com os diabetes controlados, o peso do bebé M. é perfeitamente normal e, a não ser que haja algum imprevisto, terei um parto normal. 

Tenho amigas que torcem para terem uma cesariana, outras que se batem fortemente por um parto normal. Encontro prós e contras nos dois. Enquanto não soube como seria o desfecho da minha gravidez não sabia muito bem o que pensar, e acho que não queria pensar mesmo (eu preciso de certezas para me sentir bem). Agora sei o tipo de parto que me espera e embora seja algo que me assuste não estou muito preocupada. O meu pensamento sempre foi por muito difícil que seja, se as outras passam pelo mesmo e sobrevivem eu também vou sobreviver. Sei que vou estar exposta a uma dor como nunca estive antes, tanto pela intensidade como pela duração, mais do que isso não consigo dizer. Tenho amigas que nunca imaginaram descontrolar-se como se descontrolaram durante o parto, tenho amigas que trataram mal toda a gente, outras que rezaram o Pai Nosso (que nem sabiam que sabiam rezar), outras que disseram palavrões em línguas estrangeiras, conhecidas que morderam os maridos e tenho outras amigas que guardam boas recordações do parto, que lhes trouxe apenas dores moderadas e com as quais lidaram bem. Não sou piegas, mas nunca passei por momentos de dor intensa, de modo que não consigo antecipar as minhas reacções. Sei apenas que, caso seja possível, quero ficar em casa o maior tempo possível e só depois ir para o hospital, e também sei que se não houver nada contra quero epidural (que eu não acredito que o sofrimento me leve ao céu, nem acredito que haja céu). 

35 semanas!

Como é que já estamos nas 35 semanas?

O M. tem intercalado fases de movimento intenso com fases de sorna absoluta. Agora soluça invariavelmente duas vezes por dia e, olhando para a minha barriga, diria que continua a crescer. A médica diz que tenho uma barriga pequena, mas eu continuo a achar que tenho uma pança considerável. Continuo bem, muito melhor do que nos 1º e 2º trimestres, embora no início desta semana tenha tido umas cólicas muito ténues, mas que me assustaram um pouco. Como tenho estado a 100% aquela ligeira impressão deixou-me algo preocupada, mas foi coisa para vir e sumir no dia seguinte. Daqui a uma semana o puto já pode nascer, que já não é considerado prematuro, mas para já que se deixe ficar no ninho mais uma semana, idealmente duas. Há encomendas que ainda não chegaram a dava-me jeito que cá estivessem antes que o rebento se juntasse a nós! O quarto já está organizado, faltam meia dúzia de pormenores pouco relevantes que hão de vir nas tais encomendas. 

As malas ainda não estão feitas, resultado de pura procrastinação. É como se admitisse que a partir do momento em que tenho as malas prontinhas isto vai mesmo acontecer e vamos passar a ser três. Claro que quero que sejamos três, mas ainda assim não deixa de assustar esta mudança radical. De modo que ando para aqui a arrastar o fazer as malas. Já há coisas separadas, não vá ele decidir nascer mais cedo, mas ainda não há nada dentro das malas, até porque... eu achei que merecia uma prenda e estava mesmo a precisar de uma mala de cabine nova e aproveitei a ocasião. Pode ser que ainda chegue amanhã. Esta semana, depois de arrumar todas as mini-roupas, também me pareceu que o M. não tinha assim tanta roupa de recém-nascido como eu achava (roupa para três meses tem para dar e vender) e acabei por encomendar mais uns fatitos, que chegaram hoje. E, claro, alguns irão para a maternidade, de modo que ainda não podia ter as malas prontas (desculpas, desculpas!).

Na próxima semana terei a lista do que levar para o hospital, mas de uma pesquisa que fiz online de listas de vários hospitais italianos (claro, aquele para onde vou não consta), encontrei uma diversidade considerável. Uns especificam até à exaustão, outros não exigem grande coisa, outros limitam-se mesmo ao bom senso, e outros chegam a pedir copo e talheres (?!). Por favor, que no hospital para onde vou haja bom senso (talheres??).

5 semanas! Final countdown!

26.11.14

tenho um urso no estendal!


banheira ou floreira!

Já tinha uma banheira normal com um adaptador para recém-nascido, mas depois de muito ler e ouvir lá me decidi a comprar a shantala. Umas amigas deram-se bem e os miúdos adoraram, outras experimentaram uma vez singular e nunca mais lhe tocaram. Nunca tinha visto nenhuma ao vivo e fiquei surpreendida com o tamanho (aquilo é grande!). Se não lhe der uso, e tendo em conta as dimensões da dita cuja, vai servir de floreira!