16.3.15
15.3.15
só a mim mais uma vez
Já não sei o que pense, se bem que o melhor é mesmo não pensar, bem sei. Ontem estive toda a manhã enjoada como um perú. Não me lembro de alguma vez ter estado enjoada assim, nem quando estive grávida. Pois que as ideias de uma mulher podem ser demoníacas e hoje de manhã dei comigo com o último teste de gravidez que ainda morava cá por casa desde a gravidez anterior (sim, compro de empreitada no ebay). E fiquei sem palavras, coisa pouco comum por estes lados: positivo, daqueles claros, sem ter que estar quase a encostar a tirita aos olhos para vislumbrar a segunda risca. É isto, teste positivo - teste negativo - teste positivo. Pés assentes no chão com clara noção de que isto de normal tem pouco e, logo, desfecho sem grandes alternativas. Mas há sempre aquela réstia de loucura e de esperança.
tentativa de regresso à normalidade - a verdade dos factos
Sim, conseguimos sair de casa a 3. O sítio ficava a uns 40 minutos de carro e desencantámos um fraldário, que acabou por não ser necessário. Na verdade estamos a descobrir que o puto não gosta de fazer cocó fora de casa (o que nos deixa verdadeiramente felizes). Já é a segunda vez que saímos de casa por umas horas e assim que pomos os pés em casa o rebento faz cocó até meio das costas. Cá p'ra mim vai ser daqueles seres estranhos incapazes de fazer o seu número dois em casas de banho partilhadas!
Bom, mas voltando à saída de casa. Saímos, mas para aí umas 3 horas depois do que era suposto. O rebento decidiu alimentar-se vagarosamente, demorou que tempos a arrotar e quando eu estava serenamente a tentar acalmá-lo (porque entretanto desatou aos berros) decidiu bolçar. Devia ter feito um vídeo, seria mais fácil de perceber. Decidiu bolçar como nunca antes havia feito, uma espécie de cena de filme de terror: várias golfadas generosas de leite com um alcance considerável. Resultado: fomos parar os dois de novo ao banho.
Depois desta cena assustadora saímos os 3 de casa para mostrarmos ao puto que a população do globo não somos só nós os dois. Pois que a mini-criatura não viu nada: fechou os olhos desde que entrou no carro e só os tornou a abrir já depois de estarmos em casa.
E foi isto. Confirma-se que quando sai à rua é o mais sereno dos seres, e quando está em casa tem , de vez em quando, ataques severos de mau humor.
14.3.15
retomar a normalidade
Vamos hoje tentar retomar os nossos hábitos de fim-de-semana em Itália: pegar no carro e ir conhecer algum sítio relativamente perto, mas desta vez com um bebé com quase 3 meses acoplado. A ver vamos como corre. No fim-de-semana passado fomos pela primeira vez com o rebento a Milão e ele portou-se muito bem, nada de birras nem choros no carro, no metro ou na cidade. Estou a torcer para que repita a façanha. Espero que aos poucos consigamos voltar aos nossos velhos hábitos com ligeiras adaptações, como pesquisar fraldários antes de sair de casa (coisa que em Itália é pouco comum e que nos condiciona os passos).
Deus existe!
Esta noite só acordou uma vez às 3 e pouco da manhã! É certo que fez uma birra monumental e esteve acordado mais de uma hora, mas são agora quase 9 horas e eu estou a tomar serenamente um pequeno-almoço solitário no meio de silêncio.
13.3.15
decisões alucinadas e morrer na praia
O bebé ainda não tem 3 meses e eu dei comigo a olhar para um teste de gravidez positivo. Acalmem-se os ânimos que eu avanço já com o desfecho: não estou grávida.
Ainda eu estava grávida e ainda longe de chegar ao fim da aventura e já cá em casa se falava de um segundo filho. Eu e Ele somos filhos únicos. Ele não gostou da experiência e defendia que o bebé que aí vinha não devia ser filho único. Eu admito que só já na idade adulta senti falta de um irmão. Ele muito a favor de um segundo filho e eu ainda sem saber muito bem se o primeiro chegaria mesmo. A verdade é que quando a meta da gravidez se começou a avistar a ideia de ter um segundo filho começou a fazer sentido para mim. Provavelmente isto aconteceu quando eu comecei a gostar de estar grávida e a desfrutar verdadeiramente do estado sem medos. Ainda antes do pequenote nascer a decisão estava tomada, apenas com uma condicionante: a minha experiência do parto podia fazer-me fugir a sete pés de uma segunda tentativa. Não foi o caso. De modo que, apesar de sabermos que poderia vir a ser uma empreitada difícil dado o meu histórico, decidimos que iríamos tentar... logo após a mini-criatura nascer. Ah, é uma loucura!, pensam vocês. Pois é, confirmo eu, mas eu tenho a vida preenchida de loucuras, por que não mais uma?
Achava eu que a obstetra me iria lançar um olhar lancinante quando lhe falasse sobre isto. Pelo contrário, mandou-me aproveitar o pico de fertilidade pós-gravidez. Coisa fácil de dizer, mas mais difícil de fazer quando se tem uma pequena criatura em casa que nos condiciona as energias, os passos e outros tipos de movimentos. Segundo a obstetra seria esperar o primeiro período após o parto e passar à acção.
A verdade é que antes disso, o período ainda não deu sinal por estes lados, dei comigo a aperceber-me de sintomas meus conhecidos (já o disse e repito, isto de ter engravidado 3 vezes num ano deu-me um conhecimento profundo do meu corpo). Passou um dia, passaram dois e eu não resisti: teste de gravidez por descargo de consciência. Negativo, nada que me causasse espanto ou tristeza. Uns bons minutos depois pego no teste para o pôr fora e eis que lá vejo uma pequena sombra que olhando bem era uma risca cor-de-rosa do mais ténue que possam imaginar (mas ainda assim mais visível que a que encontrei no primeiro teste que fiz da gravidez do Miguel). Fiquei sem pio e sem movimentos. Poderia ser? Tive um filho há menos de 3 meses e ainda não tive período e tenho um testes com duas riscas cor-de-rosa à frente? Inspira, expira e decide fazer novo teste no dia seguinte. Teste esse que também me pareceu negativo, até que depois lá vejo uma risca ainda mais clara que a do dia anterior. Aqui não consegui guardar isto só para mim e falei com ele. Os dois espantados, mas serenos, e a antever o desfecho breve da história. Faço novo teste e morava lá uma risca solitária. Teste digital para provar que os nossos olhos estão a funcionar bem e "não grávida".
Na altura em que os abortos me bateram à porta li muito e li também sobre gravidez química. Neste tipo de gravidez há fecundação, mas a gravidez termina pouco depois. Muitos estudos referem que numa situação destas o ovo é libertado aproximadamente na altura em que se daria o período, pelo que grande parte das mulheres não se apercebe sequer que esteve grávida. Não sei ainda ao certo se foi isto que me aconteceu (caso tenha sido o período deve dar sinal de si nos próximos dias), mas a verdade é que tive um teste positivo que em dois dias se transformou em negativo, e não consigo encontrar outra explicação.
Diz-me Ele que nunca teve uma vida tão agitada como depois de se juntar a mim. É um facto que não faltam emoções fortes nos nossos dias, umas melhores que as outras. Há um ano esta situação deixar-nos-ia de rastos e a maldizer a sorte. Agora é claramente diferente. Temos junto a nós uma mini-criatura que nos preenche os sonhos e sabemos que, apesar de querermos ter um segundo filho, se este objectivo não for atingido a nossa felicidade não será ceifada, apenas não será aumentada. De qualquer forma fica um sentimento muito ténue de morte na praia.
8.3.15
2 meses e 13 dias
Duplicou o peso do nascimento. Temos uma pequena lontra com mais de seis quilos em casa.
Tenho escrito pouco. Ele cresce a olhos vistos e agora começa a haver novidades todos os dias - diz arrr quando está feliz e descobriu que pode tocar objectos com os pés, e eu tomo decisões aparentemente loucas, mas que a intuição me incita a tomar. Tenho os dias cheios de tudo o que não é fácil colocar em palavras. Um dia destes digiro tudo e volto a escrever diariamente.
4.3.15
como é que isto aconteceu?
É ainda estranho pensar em mim como uma mulher que tem um marido e um filho. É como se de um momento para o outro me tivesse tornado verdadeiramente adulta sem dar conta e sem saber muito bem como.
1.3.15
2 meses
Passaram 2 meses e poucos dias desde que passámos a ser três cá em casa. Estás mais crescido e já deixaste de parecer um recém-nascido. Continuas a gostar de tomar banho na floreira, continuas a ter uma cabeleira que provoca comentários e tens agora umas bochechas rechonchudas que só apetece beijar. As tuas pernas deixaram de parecer pernitas esqueléticas de rã e as mãos são papudas. Estás mais independente. Dormes mais tempo seguido durante o dia, mas durante a noite é raro dormires mais de 2 horas seguidas (pobre de mim!). Começaste a sorrir. Continuas a não gostar da chupeta e és obviamente o bebé mais bonito que já conheci!
Eu estou bem e recomendo-me, mas não me importava de dormir um bocadito mais, ou pelo menos dormir mais algum tempo seguido. Isto de acordar de hora a hora (nos últimos dias tem sido assim) não é coisa que se deseje a ninguém. Mas isto é um pequeno pormenor, o que há a assinalar destes dois meses é o bom que é ter-te connosco, e a forma como sinto que me estás a mudar apenas por existires.
21.2.15
o melhor chá é italiano
Eu sei, é estranho. Estando em Itália esperava-se que eu me rendesse às pizzas, ao risotto, à pasta e à lasanha, mas a verdade é que foi o chá que me seduziu. Todos os chás da Blend Tea são fabulosos, mas o de amêndoa é uma espécie de néctar dos deuses. Parece que a sede da empresa fica a poucos quilómetros da minha casa, mas ainda não consegui dar com ela. Vou fazendo encomendas online, depois de, por mero acaso, há já mais de um ano, ter bebido um chá desta marca num café cá do sítio. Em Portugal fiquei surpreendida por os ver à venda na El Corte Inglès, já que em Itália não os encontro em lado nenhum. Felizmente existe a loja online, o que me deixa feliz agora e me continuará a deixar a deixar de sorriso nos lábios depois de ir de Itália sabe-se lá para onde.
mudanças
Nunca eu pensei dizer isto antes, mas se pudesse não voltava ao trabalho tão cedo. Sempre imaginei que depois de alguns meses muito me agradaria voltar ao trabalho, mas a verdade é que por mim ficava com o bebé a tempo inteiro (um emprego a tempo parcial também seria uma óptima opção) durante os primeiros anos. Dou comigo a pensar mas quem sou eu e em quem me transformei? Sim, esta fase é dura: acorda, chora, quer comer, já não quer, adormece enquanto come, não adormece quando devia, noite passada em branco, aerossóis, nariz entupido, respiração atabalhoada, arrota, não arrota, bolça e suja a roupa toda pela terceira vez em duas horas, lava roupa, passa roupa, veste, despe, come a correr e à vez, vai à casa de banho menos vezes que o habitual, fica em clausura em casa semanas seguidas, toma banho em velocidade record, vestir enquanto se abana a espreguiçadeira, pôr rímel com o bebé ao colo, dores nas costas... muitas, e, no entanto, prolongava estes dias do demo se pudesse.
20.2.15
um ano depois
Há um ano estava grávida e deixaria de estar poucas semanas depois. Estive grávida três vezes. Tenho um filho. Cada um lida com a sua dor da forma que melhor sabe e pode. Há quem diga que tem estrelinhas no céu. Isso nada me diz, talvez por não acreditar nesse tipo de céu. Este tempo todo depois, e também depois do sonho concretizado, continuo a achar que lidei com tudo isto da melhor forma. Não fui abaixo, não desisti, corri atrás do que queria e, à terceira, fruto do acaso ou de uma biologia mais feliz, a coisa deu-se.
Nunca pensei em desistir, mas a dada altura tive receio que aqueles poucos meses de desilusões fossem apenas o início de uma caminhada dolorosa e sem fim. Não escrevo longa propositadamente porque a minha idade já não permitia que o fosse, mas poderia ser um percurso penoso sem que o objectivo fosse atingido. Nunca houve um plano para o que faria se a terceira gravidez não fosse avante. Em todo este processo fui vivendo os dias, saboreando as pequenas vitórias feitas de corações a bater e poucos milímetros de gente e respirando fundo quando a derrota se dava.
Não há uma fórmula para lidar com os abortos, e muito menos para lidar com os abortos de repetição. Encontrei a minha forma de lidar com eles, de seguir em frente e continuar a viver feliz, mas cada uma de nós é diferente. Contei a quem me rodeava o que se ia passando, conheço outras mulheres que guardaram para si a realidade e a dor. Não me revejo nessa forma de estar (preciso que a dor expluda em palavras para me libertar), mas aceito que essa seja a melhor maneira de superar a dor para outras pessoas.
Sorrio quando penso em tudo o que aconteceu de há um ano para cá: uma segunda desilusão, maior que a primeira, e um filho perfeito deitado agora, aqui, à minha frente. É o maior cliché de todos, mas o tempo faz efectivamente milagres.
consegui!
O capítulo foi submetido, apesar das últimas noites terem sido das mais curtas dos últimos dois meses.
17.2.15
16.2.15
15.2.15
14.2.15
vai mesmo haver livro!
Agora estou para ver como é que preparo tudo o que é necessário para que haja livro em breve quando nem tempo tenho para o básico do dia-a-dia. Bom, na verdade tenho que admitir que já consigo tomar o pequeno-almoço com algum sossego (ainda que de vez em quando só tenha uma mão livre), consigo tomar banho sem grandes preocupações, consigo fazer o almoço (embora de vez em quando comece a pôr a mesa às 10 da manhã para aproveitar a paz enquanto o rebento dorme e me dá liberdade de movimentos) e vou conseguindo fazer outras tarefas. O miúdo ainda nem dois meses tem, acho que não vamos no mau caminho.
Bom, voltando ao livro: ele aparecerá por aí algures daqui a uns meses, quando não se sabe que este é um parto sem tempo-limite.
1 mês e 20 e tal dias de pequeno panda
Já temos mais de 5 quilos de gente a viver connosco, e os meus braços e as minhas costas confirmam-no ainda mais do que a balança. O olhar do Miguel está mais atento e mais focado e começa a emitir uns sons diferentes. Dorme mais tempo seguido (azar dos azares: especialmente durante o dia) e já é capaz de ficar acordado, deitado na espreguiçadeira, a olhar para algures (os tectos, quer tenham luzes quer não tenham, exercem sobre ele um estranho fascínio) sem chorar nem reclamar. Quer tenha fome quer não tenha, é rara a refeição em que não decida chorar, o que nos obriga a comer à vez (raio do miúdo que é arrevesado como os pais, estamos tramados). Desconhecidos, quer aqui quer em Portugal, metem-se connosco por causa dele, de modo que começo a acreditar que o miúdo é mesmo giro aos olhos de todos, e não apenas aos meus. Até ele nascer achava que os recém-nascidos eram todos basicamente iguais e pouco bonitos (achava que eram mesmo feiinhos, vá, e que alguns com o tempo melhoravam, outros nem por isso, e se mantinham naquele estado de fealdade até à idade adulta). Sou agora obrigada a dar o braço a torcer e a admitir que há recém-nascidos sem aquele ar vermelhusco, enrugado e frágil e tive a sorte de me sair um desses na rifa.
do lado de dentro
(tirada da janela de casa, que para já não dá para mais)
Estou numa espécie de cativeiro. Os dias são ainda demasiado frios (há já uns bons dias nevou a sério e a neve continua presente) e incompatíveis com um bebé de poucas semanas. Ora, se o rebento não pode sair de casa eu também não tenho como. Estamos os dois fechados em casa desde que ele nasceu, excepção feita às saídas para ir às consultas e à ida a Portugal (onde também tivemos um azar desgraçado com o tempo e também não tivemos grandes oportunidades para arejar). Seria totalmente diferente se fosse Primavera e pudéssemos sair de vez em quando, nem que fossem só 15 minutos para irmos ali ao lado ver o lago. Pensamento positivo: quando o tempo alegrar já o bebé será mais crescido e poderá também ele desfrutar do lado de fora da casa.
Mas, por agora, este afastamento do mundo custa um bocadinho. Já estaria afastada do meu mundo por estar noutro país, mas neste momento estou afastada de quase tudo (valha-me a internet).
meio caminho (na verdade é o caminho todo) para deixar de ler um blog
Ter apenas um post visível na página inicial. Estas estratégias para ter mais pageviews levam-me todo o interesse para um sítio bem distante.
momentos
O melhor dos meus dias é aquela meia hora de manhã em dormimos abraçados. Tu choramingas sem convicção e eu sei que não é fome. Trago-te para junto de mim, abraço-te e ficamos ali, só os dois, num momento só nosso.
10.2.15
nem tudo é sorridente na maternidade
Preciso seriamente de voltar a fazer exercício. Não, não é por causa do meu peso (menos 4 quilos do que quando engravidei), mas a barriga precisa de ser tonificada e eu preciso de me esticar. Sinto-me entrevadinha e tenho dores nas costas (nunca tal tinha tido). Parece que os 60 anos baixaram sobre mim de um mês para o outro: o lado B da maternidade.
aleluia! aleluia!
Finalmente, às 6 semanas, o mini-panda começou a dormir mais de 10 ou 15 minutos seguidos! Uma hora seguida a dormir durante o dia, o que significa que tive uma hora inteira para as minhas tarefas, que é como quem diz lavar a loiça, pôr roupa a lavar, estender roupa e ainda deu para fazer a cama e passar a ferro 2 ou 3 coisas. No dia em que o rebento dormir duas horas de seguida quem sabe não consigo actualizar decentemente o blog!
4.2.15
dicas sobre as cólicas
- andámos à cata de água com um valor baixo de sódio. Acabámos por encontrar uma água toda selecta. Comprámos a dita cuja. Um destes dias peguei numa garrafa de água do Carrefour que andava lá por casa e analisei o rótulo: é a água com valor de sódio mais baixo que encontrámos até agora! Passámos a fazer os biberões com água do Carrefour;
- mudámos para um leite anti-cólicas. O leite fica mais espesso do que os leites normais, tivemos que mudar as tetinas porque as normais entupiam;
- comecei a dar chá da Nutribén ao pequenote duas vezes por dia, diluído no leite.
Parece que as cólicas diminuiram consideravelmente e deixou de ser necessário estimular o rebento com o cotonete.
notas de Aveiro
Itália, aquele país civilizado onde no controlo de segurança no aeroporto de Malpensa, em Milão, não há uma fila especial para pessoas com bebés e crianças. Sítio para trocar fraldas também é coisa rara. Cada vez gosto menos da forma como este país machista trata as mulheres e as famílias. Tirando estes pormenores (que são reveladores de uma forma de pensar e estar vincada) a viagem correu bem. Devíamos ter ido directamente de Milão para o Porto, mas fomos obrigados a fazer uma paragem em Toulouse (já não me recordo do último voo da TAP que correu como o esperado). Quando soube disto stressei ao pensar no bebé, mas a verdade é que ele se deve ter sentido embalado pelo movimento e pelo som do avião e dormiu o tempo todo. As cólicas não o atacaram e a viagem foi mesmo um sossego.
Ainda me estou a habituar ao novo ritmo da vida. Faz-me confusão que agora tudo demore o dobro do que demorava antes. Talvez isto com mais algum tempo e mais alguns ajustes melhore. A ver vamos.
Andava mortinha por trincar um pão da avó, mas a verdade é que estou na minha cozinha (de quase sempre) a olhar para o chão molhado e agora banhado pelo sol enquanto como uma espécie de bolo de aveia acabado de fazer no microondas. Se calhar não tinha saudades do pão da avó, mas antes do seu significado - estar em casa.
No Sábado almoçámos no sítio onde almoçamos sempre pela primeira vez quando voltamos. Os crepes souberam-nos a casa e sossego. O pequeno Miguel colaborou e dormiu de barriga cheia enquanto nós saboreávamos os nossos crepes preferidos e enquanto eu bebia lentamente, e muitos meses depois, champanhada. Achava eu que um só gole me faria ficar alcoolicamente alegre, mas parece que sou mais resistente do que imaginava.
Os avós não se cansam de olhar e pegar no neto e há um misto de alegria e tristeza no ar: todos sabemos que esta felicidade desmesurada termina daqui a uns dias. Estando aqui agora já dei comigo a pensar se o melhor não seria tentarmos voltar para não ceifarmos o contacto avós-neto. Talvez seja um pensamento passageiro, talvez me passe assim que entrar no avião de novo ou assim que entrar na casa italiana. É esperar para ver.
Os avós não se cansam de olhar e pegar no neto e há um misto de alegria e tristeza no ar: todos sabemos que esta felicidade desmesurada termina daqui a uns dias. Estando aqui agora já dei comigo a pensar se o melhor não seria tentarmos voltar para não ceifarmos o contacto avós-neto. Talvez seja um pensamento passageiro, talvez me passe assim que entrar no avião de novo ou assim que entrar na casa italiana. É esperar para ver.
30.1.15
vai ser lindo!
Não sei se foi da mudança do leite, da mudança da água ou das massagens, mas o pequenote está bem melhor das cólicas. Tão melhor que liberta sonoros gases a toda a hora. A viagem de avião hoje promete! Já estou a imaginar toda a gente a olhar para nós enquanto o Miguel, com o seu ar inocente de bebé, liberta um e outro pum de forma despudorada.
só com uma mão
Escrevo só com uma mão - como uma galinha a picar milho - porque no outro braço tenho o pequenote. Ser mãe tem tanto de fabuloso como de cansativo e exigente. Nestas primeiras semanas o meu tempo - aquele só meu, para pensar em nada ou em tudo - resume-se ao momento do banho e a uma meia hora ocasional ao fim-de-semana, quando não estou sozinha com o pequenote. O banho, que antes servia para lavar também a alma e não tinha duração definida, é agora tomado a correr, enquanto vou espreitando pelo resguardo da banheira para ver se o pequeno panda continua a dormir na espreguiçadeira, que entretanto arrastei para a casa de banho. O bebé tem sido amigo e tem-me permitido desfrutar daqueles 5 minutos só meus, ainda que com os olhos fora da banheira. A vida resume-se a alimentá-lo, pegar-lhe ao colo, mudar-lhe a fralda, vesti-lo, despi-lo e dar-lhe banho. E isto, parecendo quase nada, cansa que se farta. Daqui a mais umas horitas saímos para o aeroporto e quando isso acontecer já eu estarei mais que cansada e pela frente ainda terei longas horas de caminho. Quando chegar a Aveiro não poderei fechar os olhos e desligar porque de duas em duas horas o despertador interno do Miguel toca e ele deixa bem claro que quer comer. Ter nos meus braços este pequeno ser de olhos atentos é o melhor que me poderia ter acontecido e é também o maior teste à minha resistência e eu, garanto-vos, sou rija, mas isto é um estado de cansaço que sei que não terminará. E, agora, olhando para trás, acho que vivi a minha vida pré-Miguel da melhor forma possível: livre e ao sabor da corrente.
27.1.15
crónicas da cólicas
Depois do último post lá tentei de novo a estimulação com o cotonete. Finalmente resultou. O bebé ficou bem mais aliviado, mas as cólicas continuam a dar sinal de si durante a noite. Li entretanto que águas com baixos valores de sódio contribuem para atenuar as cólicas. Ontem comprou-se a água com os níveis mais baixos de sódio que se encontrou por estes lados (em Portugal já temos à espera Evian e água do Vimeiro na esperança de que ajudem) e um novo leite anti-cólicas. A ver vamos no que dá. Espero que a tentativa-erro um destes dias dê bons frutos.
Já agora, e porque li muitos testemunhos no sentido contrário, devo dizer que no nosso caso o Infacol teve efeito zero. Se o pequenote estrebuchava sem o Infacol ficou exactamente igual com ele. Agora estamos-lhe a dar umas gotas italianas que pela composição me parecem equivalentes ao Colimil, para já não houve melhorias. A manter-se assim vamos experimentar o Infacalm quando estivermos em Portugal, quem sabe este não resulta. Uma amiga deu chá de funcho ao bebé e parece ter sido a única coisa a quase fazer desaparecer as cólicas, mas tenho algumas reticências em dar chá a um bebé de um mês... Cólicas, xô!
25.1.15
isto é bem capaz de não correr bem
Um pouco depois das 2 semanas as cólicas decidiram atacar em força. Nos últimos dias têm piorado. Já experimentámos vários tipos de gotas supostamente milagrosas, mas nada de efeito, nem mais nem menos milagroso. Faço-lhe massagem sempre que troco a fralda, mas o pequeno urso continua a chorar e a gritar e a espernear a torto e a direito. Estimular com o termómetro, com uma cotonete, com o tubinho do bebegel também são práticas comuns por estes lados, mas nada parece resultar. Daqui a meia dúzia de dias vamos fazer uma viagem de 2 horas e meia de avião (mais uma horas antes no aeroporto + o tempo de viagem Porto-Aveiro) e eu começo a achar que não vai ser fácil nem para o bebé, nem para nós, nem para os restantes passageiros. Torçam por nós que não se augura nada de bom no horizonte.
Ah, e se alguém tiver uma estratégia que tenha resultado com os vossos rebentos eu agradeço mesmo muito a partilha.
vou-me desgraçar tanto
Gosto de algumas peças de roupa mais tradicionais para o miúdo, mas o que me enche as medidas são roupas menos convencionais, sem folhos e afins a torto e a direito e sem as típicas cores de bebé. Há uns bons meses tinha comprado duas ou três peças desta marca, mas não explorei muito mais. Agora, depois de ver o puto com as fatiotas vestidas rendi-me completamente: a 4 Funky Flavours tem tudo aquilo de que eu gosto - cores diferentes, padrões e modelos com ar retro. Lá fui explorar a marca e dei com o site deles e com a respectiva loja online. Está tudo em holandês, mas também enviam para fora da Holanda. Já me desgracei valentemente, e desconfio que não fica por aqui.
24.1.15
1 mês depois do parto
Sempre que me lembro do parto recordo-me do momento animal que é. Durante a gravidez houve fases em que achei que o corpo da mulher apenas tolerava a gravidez, em que senti que o corpo não estava totalmente adaptado às exigências da criação de um novo ser. Depois de ter passado pelo parto tenho que admitir que agora a minha opinião é outra. O nosso corpo está realmente preparado para lidar com o desenvolvimento e nascimento de um outro ser. A forma como as contracções se dão para que o bebé seja expulso do seu casulo e seja libertado tem tanto de bem concebido e maravilhoso como de doloroso. Apesar da dor pontual continuo a achar que o meu parto dificilmente poderia ter corrido melhor e guardo óptimos recordações daquela sala com vista para o castelo onde o Miguel viu pela primeira vez a luz do dia.
1 mês depois os lóquios já se foram e eu tenho dificuldade em aceitar que há pouco mais de 1 mês estava barriguda e com o ventre a ondular. Parece uma realidade distante. Depois de terminada a gravidez tenho que admitir que estar grávida é efectivamente maravilhoso, embora os meus receios (bem fundamentados) não me tenham permitido desfrutar do processo como devia (e merecia). Comecei a gostar de estar grávida já no 3º trimestre, até aí foi uma sucessão de acontecimentos que me deixou sempre alerta e de pé atrás. Mas o que realmente interessa é que à terceira foi de vez e agora temos cá em casa um bebé lindo e espevitado que nos preenche os dias e a vida.
Às vezes dou comigo a perguntar ao pai do rebento se o miúdo será realmente bonito como nós achamos ou se estamos tomados pelo amor de pais e isso nos condiciona a avaliação. Ele ri-se e diz que o puto é realmente bonito e eu sorrio e fico na mesma!
1 mês depois dou comigo a pensar que não me quero separar do pequeno panda tão cedo e começo a ponderar as hipóteses para poder ficar em casa com ele o máximo tempo possível, ainda que isso implique um corte razoável no vencimento. Por esta altura queria também já ter começado a procurar novo emprego de forma sistemática. Já o comecei a fazer, mas de forma muito pontual. Estar dedicada 24 horas por dia ao pequeno não me facilita a vida a este nível. A ver vamos se as próximas semanas me deixam mais tempo para esta tarefa essencial. Quero muito sair do sítio onde trabalho e quero muito sair de Itália. Itália é um país fantástico para se passarem uns dias de férias, mas não é um bom sítio para viver (pelo menos na zona norte do país). Para onde queres ir agora?, perguntam-me alguns. Não tenho resposta. Sei apenas que quero sair daqui o quanto antes e há todo um mundo onde posso procurar emprego.
pequeno panda já tem cartão de cidadão,
o que significa que daqui a uma semana estaremos em Aveiro. Yeah!
22.1.15
o nosso último mês
Parece que foi há menos tempo, mas ao mesmo tempo parece que aquele Domingo em que me deitei sabendo que no dia seguinte o pequeno panda iria nascer já foi há mesmo muito tempo. O Natal foi há menos de um mês e parece agora tão distante. Foi um mês que passou rápido entre biberões, fraldas e o cheiro doce do bebé da casa. Passado o receio inicial associado ao pequeno ganho de peso tudo entrou nos eixos. Nos últimos 20 dias o pequeno texugo engordou um quilo e desde que nasceu passou dos 48 para os 54 centímetros. Tenho que admitir que hoje, na consulta com a pediatra, respirei de alívio e orgulho quando ela nos disse que deveríamos continuar a fazer o que temos feito porque ele está óptimo a todos os níveis.
Eu também estou óptima e quase a aceitar o novo ritmo que tanto me deixa ter algum tempo para mim e para fazer qualquer coisa relacionada com trabalho como me impede de fazer tudo, incluindo comer. Passar de uma casa de dois para uma casa de três é uma diferença enorme e que custa, mas que compensa tanto.
O pequeno Miguel é um bebé simpático e que pouco chora, excepção feita aos momentos de cólicas, em que revela todo o seu potencial vocal. Tem umas expressões adoráveis que eu tento ir fotografando para mais tarde recordar.
18.1.15
floreira aprovada
Comprei a Shantala um bocado na dúvida. Uns diziam maravilhas, outros descreviam pesadelos dentro de água. Sou como S. Tomé, portanto só vendo para crer. Resultado: o puto adora a banheira em forma de vaso. O Miguel não resmunga com o banho seja em que banheira for, mas é visível que se sente mais confortável na Shantala. Eu é que ainda tenho que encontrar uma posição confortável para lhe dar banho na floreira, mas que ele gosta da banheira, gosta!
a balança
Trabalho num sítio onde trabalham milhares de pessoas, grande parte deslocados de casa, que é como quem diz de país. Grande parte de nós não tem um emprego permanente, o que significa que ao fim de poucos anos pegamos nas nossas tralhas e rumamos a outras paragens. Significa também que durante o tempo em que cá estamos juntamos quinquilharia como se não houvesse amanhã. Os tarecos que deixam se nos interessar ou que não se querem levar para o novo destino são normalmente colocados à venda através de uma mailing list. O que não nos dá jeito agora dará quase com toda a certeza jeito a alguém que acabou de chegar ou a alguém cuja realidade mudou, por exemplo porque foi pai ou mãe.
Umas semanas antes do Miguel nascer alguém colocou uma balança para pesar bebés à venda. Se fosse cara não pensaria em comprar, mas era muito barata e achei que poderia ser interessante ter uma balança em casa. Agora confirmo que foi uma compra excelente. Se não tivesse comprado esta quase de certeza que já teria ido comprar uma balança nova para podermos sossegar. Numa fase inicial o bebé era pesado no hospital, mas depois ficámos à nossa mercê. Sim, podemos ir ao pediatra, mas não vamos ao pediatra a toda a hora só para pesar o puto. No início o peso teimava em não aumentar. Depois veio o suplemento et voilà, eis que o peso aumentou. E tem aumentado sempre, mas isto do crescimento dos bebés não é linear e é um sossego podermos pesar o pequenote frequentemente. Há uns quatro dias começou a comer como se não houvesse amanhã. De duas em duas horas dá sinal e abre a boca à espera do biberão. Esperávamos que tivesse feito o ponteiro da balançar aumentar visivelmente, mas em dois dias só aumentou 40 gramas. Bom, o normal é aumentar entre 20 a 30 gramas por dia nesta fase, portanto está dentro dos valores normais, dissemos de nós para nós, para nos acalmarmos. Embora achássemos estranho tanto consumo de leite para tão pouco peso a mais. Passados dois dias tornámos a pesar o puto: em dois dias aumentou 200 gramas. Respirámos fundo e bendissemos a balança que nos permite aclarar os espíritos em momentos mais cinzentos.
Ninguém mo pediu, mas aqui fica o conselho: pais recentes, tenham uma balança em casa. Vão por mim, dá um jeitão.
17.1.15
manhã de Sábado
Já o disse e confirmo-o: custa-me muito mais não ter tempo para comer decentemente e com calma do que dormir pouco e/ou às prestações de 2 ou 3 horas. Sou uma esfomeada, é o que é! De modo que hoje isto sabe-me a pequeno-almoço numa qualquer esplanada com vista para o mar. Continuo em modo panquecas com aveia e banana.
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