Este é um jogo que já não posso empatar nem ganhar. O terceiro aborto bateu-me à porta na já muito minha conhecida sétima semana. Estas 7 semanas passaram mais depressa do que as 7 semanas das gravidezes anteriores. Desta vez tive um bebé de quase 8 meses a ocupar-me todos os minutos dos dias. A dada altura dei comigo a pensar "Oh diabo, estou na semana fatídica", mas o pensamento não foi muito além disso porque a falta de tempo não o permitiu. Até que se tornou impossível ignorar que estava na tal semana.
Quatro gravidezes: um filho e três abortos.
Pela primeira vez dou comigo a pensar que não sei se quero continuar a tentar engravidar. Não sei se me apetece correr o risco de voltar a chegar à sétima semana e voltar ao ponto de partida. Não ponho a ideia totalmente de parte, mas não tenho a postura que tive nas perdas anteriores, em que sabia que assim que pudesse voltaria a tentar.
Não tinha pensado sequer como seria a reacção a uma perda depois de já ter um filho, mas teoricamente imaginei que deveria ser mais fácil. Não é. Não é uma dor maior nem menor, é uma dor diferente. É a dor de se saber exactamente o que se perde, de já ter imaginado isto e aquilo não a três, mas a quatro, e já com conhecimento de causa e experiência. É a dor de planos desfeitos, como foi de todas as vezes.

