22.12.15

1 ano de Miguel

Há 1 ano era mãe há poucas horas. Nunca tinha mudado uma fralda e o meu contacto com bebés era igual a nenhum. Ainda assim, e talvez fruto do meu risco pelo abismo, o que me apetecia mesmo era pegar naquele recém-nascido de 3 quilos e ir para casa viver o Natal com deve ser. Tive que esperar dois dias e às 8 da noite do dia 24 entrámos a casa a três. E tudo mudou. Não vou dizer que foi tudo fácil e cor-de-rosa porque não foi, ainda hoje me estou a adaptar à nova realidade. Mas também não é o bicho de sete cabeças que às vezes nos querem dar a entender que é, ou não estaria agora grávida de novo (sou uma inconsciente e não faço ideia nenhuma daquilo em que me estou a meter, essa é que é essa!).

Ainda não acredito, um ano?

16.12.15

até já, em Portugal!

Vamos para Portugal sem alterações na data prevista. Vamos quatro: três e um escondido. Pouco mais de dois centímetros e meio de gente que se inicia assim nas viagens de avião, nas viagens por outros países já se iniciou com poucos milímetros.

Os enjoos começam a atenuar, mas a maior parte da comida continua a fazer torcer-me o nariz. Acho que isto é coisa para se resolver em Portugal, com comida tradicional e com o Natal.

Tal como na gravidez do Miguel não vou fazer o rastreio do primeiro trimestre. Na próxima semana faço pela segunda vez o teste Harmony (fujo a sete pés de uma amniocentese quase certa, dada a minha idade e o meu histórico), e depois é esperar umas duas ou três semanas até haver resultados. Espero que o Natal e o ano novo não atrasem isto tudo, mas o mais importante é que os resultados não mostrem aquilo que nenhuma mãe quer ver, venham os resultados quando vierem. Com o relatório do teste virá também o veredicto sobre o sexo do bebé. Espero poder festejar a chegada de mais um rapaz ou da primeira rapariga, porque isso significará que os resultados não indicam nada de estranho e me permitem focar naquilo que é completamente acessório.

12.12.15

9 semanas!

Custa-me "comemorar" as 9 semanas sem um comprovativo de que chegámos efectivamente lá. Desta vez, como na vez anterior em que aqui chegámos, há um misto de alegria e desconfiança, uma amálgama de acreditar e de receio. Não sei se poderá ser de outra forma depois de nos perdermos pelo caminho 3 vezes. 

Haverá nova eco no dia antes de ir para Portugal. Admito que tenho algum medo de ficar em terra. Este também não seria um inédito. Na segunda gravidez abortei no dia antes da viagem e fui, naturalmente, proibida de voar. Desta vez a viagem tem um significado diferente. É Natal e o último Natal foi passado sem a família por perto, ainda que pelo melhor motivo que poderíamos ter. Este ano apetece-nos realmente pegar em nós e rumar a um Natal menos gelado no clima e na companhia.

Quero acreditar que esta semana pegaremos nas malas e irei, entre outras coisas, matar saudades do meu mar. A ver vamos.

11.12.15

nova fase

Já não é possível adiar mais o meu regresso ao trabalho. O Miguel começa a creche em Janeiro. Até ir para a pré-primária fui criada em casa pela minha mãe, totalmente dedicada a mim. Talvez por isso para mim tenha sido importante ficar em casa pelo menos até o Miguel completar um ano. Fazia-me confusão entregar um recém-nascido a alguém estranho. Tive a sorte de trabalhar num contexto que me permitiu ficar em casa este tempo todo, entre licença de maternidade e licença parental. 

Nos dois últimos dias fomos à creche, primeiro ter uma reunião com a directora, e no dia seguinte conhecer o espaço e as educadoras. Adorámos o espaço e as pessoas. Gostei particularmente do sossego e do silêncio, do espaço amplo, e de ter percebido que respeitam o ritmo de cada criança. Se antes de visitar a creche ainda estava de pé atrás por ir deixar de ter o meu filho comigo 24 horas por dia, esse receio sumiu quando o pus no chão e ele, sem medos nem angústias, gatinhou pela sala, começou a explorar os brinquedos e a seguir a única miúda que já caminhava. Começamos a adaptação em Janeiro e de acordo com a evolução logo se vê por quantas semanas irá apenas parte do dia.

8.12.15

8 semanas

As 8 semanas chegaram e a ecografia mostrou-me um embrião de pernas para o ar com o coração a bater forte. Pela segunda vez chegámos aqui. O receio não diminuiu, mas ultrapassámos mais um obstáculo. Continuo enjoada e juro que se não tivesse visto que era só um embrião começaria a achar que estava grávida de gémeos. Sim, eu sei que é suposto na segunda gravidez a barriga fazer-se notar mais cedo, mas bolas! Eu estou grávida de 8 semanas e estou mais pançuda do que na gravidez do Miguel com umas 16 ou 17 semanas. A continuar assim não sei onde irei parar, mas sei como lá vou chegar: a rebolar!

3.12.15

7 semanas e 5 dias

Ontem durante o dia a sensação de náusea deu-me tréguas. Vi a vida a andar para trás. Pensei de imediato que a maldição das 7 semanas tinha voltado a atacar. À noite os enjoos voltaram em força. Fiquei mais descansada enquanto lutava para conseguir comer alguma coisa ao jantar. Quase não consegui. Numa situação normal sou feliz alimentada a ovos e cogumelos. Ontem não consegui comer os meus adorados cogumelos gratinados com queijo. Tudo o que tenha um sabor mais acentuado faz com que o meu estômago dê meia dúzia de pinotes. Nesta fase sabem-me bem os sabores simples, pouco ou nada condimentados. O meu pequeno-almoço foram tomates-cereja, ovos mexidos e café com leite. Os tomates souberam-me bem, o resto nem por isso.

7 semanas e 5 dias e aparentemente tudo normal. Há esperança.

2.12.15

a árvore de Natal, o pequeno panda e as luzinhas

Temos árvore de Natal há para aí uma hora. A pequena criatura que habita cá em casa ainda não a destruiu, estou estupefacta! É certo que tentou comer algumas luzes, mas tirando isso, para já, tudo está sereno.

29.11.15

A semana

Entrámos na semana complicada, aquela que só por uma vez conseguimos ultrapassar. Espero, daqui a uma semana, poder dizer que pela segunda vez vencemos este obstáculo.

26.11.15

à 5ª gravidez é assim

Reacção da obstetra quando entrei no consultório: "A sério?" E riu-se. 

como estás?

Enjoada, ou porque acabei de comer ou porque tenho fome. Não consigo perceber onde acaba a sensação de ter acabado de comer meio leitão e onde começa a sensação de estar esfomeada por não trincar nada para aí há uns 15 dias.

Na verdade, apesar do desconforto, esta sensação de enjoo permanente deixa-me mais descansada.

24.11.15

6 semanas!

O dia da ecografia chegou finalmente. Para além de uma pequena esfera de células tive direito a ouvir um pequeno coração galopante. A semana em que habitualmente os sonhos caem por terra ainda não chegou, mas há que celebrar cada pequena vitória, independentemente do que virá. Hoje voltei a saber que tenho dois corações a bater dentro de mim, e há poucas coisas com um sabor mais doce que este.

tudo ou nada, como sempre

Trabalho de sonho, em destino de sonho (um cenário com águas límpidas azuis e transparentes, palmeiras e calor, muito calor), bate-me à porta numa altura em que me é impossível dizer que sim. Eu, grávida, sou uma espécie de bomba-relógio. Não posso arriscar percorrer meio mundo neste estado. E custa-me tanto, mas mesmo tanto, dizer que não a algo que queria com todas as minhas forças. 

17.11.15

esperar

Estou, mais uma vez, nesta fase da espera, já tão minha conhecida, mas nem por isso mais fácil. Da última vez custou menos. Estava de férias, mais distraída entre a piscina e os passeios. Agora estou rodeada de dias comuns, daqueles dias aborrecidos de Inverno, em que às cinco horas é de noite e em que o tempo, só por si, já parece custar mais a passar. Estou de novo nesta fase dos dias que não avançam e das semanas que ganham dimensões de meses. Da última vez, mais descontraída pelas férias e porque a última gravidez tinha sido bem sucedida, estava mais confiante. Marquei a primeira ecografia para a semana em que os sonhos costumam tombar. Sabia que independentemente do resultado nada poderia fazer para o alterar, de modo que decidi não ir a correr para o consultório. Não cheguei a ir a essa consulta. Não chegámos lá. Desta vez marquei a ecografia para a semana anterior à semana da prova de fogo. Falta uma semana e os dias parecem não querer avançar. Às vezes dou comigo a perguntar-me como é que voltei a estar nesta posição. Talvez seja loucura, talvez seja inconsciência. Não é fácil tornar a estar aqui, assim, sem saber para que lado penderá o prato da balança desta vez. Mas sei que estou no sítio em que é suposto estar. Uma semana, só falta uma semana.

13.11.15

é torcer, minha gente, é torcer!

Tanta, tanta coisa a acontecer, menos o blog.

O mais importante: o resultado do jogo ainda está em aberto. Sou doida varrida, eu sei. Torçam muito por mim nós.

10.10.15

ninguém o pára!

Depois de muito aperfeiçoar a técnica de gatinhar para trás, descobriu que a coisa também funciona para a frente. 

6.10.15

nunca irei entender

Mediante o panorama político actual não há grande voltar a dar: não voltarei a Portugal tão cedo. Custa-me especialmente pelos meus pais, mas não tenho alternativa. O problema deve ser meu, porque se uma parte considerável dos Portugueses quer que o país continue como está (já se sabe que vai piorar, mas façamos de conta que continuará igual) é porque a situação deve ser favorável. Estou fora do país há 2 anos e meio, deve ter melhorado muito entretanto e eu não me apercebi.

4.10.15

simbolismo

Ver os resultados das eleições e começar a fazer as malas para amanhã regressar a um país que não é o meu.

2.10.15

inspirar, expirar, estou quase a ir embora

Meia dúzia de dias em Portugal e bato palmas pela distância que normalmente me separa cá do sítio. O motivo resume-se numa palavra de cinco letras começada por S, terminada em A, e que pelo meio tem quase um ogre.

ainda sobre as eleições

A certeza de que os resultados ditarão a (im)possibilidade de um dia destes regressar.


Não entendo como é que famílias que vivem miseravelmente, que viram os seus emigrar, que não podem dar aos seus o que gostariam, têm como intenção manter a situação política actual. É algo que sempre me ultrapassou e agora que a situação é mais grave, mais difícil me é entender. 

1.10.15

Há dias saí de casa às 6 da manhã. O bebé estava a dormir. Entrei em casa passava das 9 da noite. O bebé estava a dormir. Nos 9 meses de existência do Miguel foi o primeiro dia assim. No dia seguinte quando o tornei a abraçar (com força redobrada para compensar a ausência do dia anterior) dei comigo a pensar que talvez a ideia de ter outro filho não estivesse totalmente de lado.

resumo dos dias

Em Portugal a saborear esta espécie de Verão fora de tempo. Sei que quando voltar a Itália voltarei também ao Outono, pelo que estes dias amenos me sabem a um bónus valioso. O bebé voltou a acordar de hora a hora durante a noite. Aguento-me bem durante o dia se dormir umas 2 ou 3 horas seguidas à noite, mas ultimamente é raro conseguir dormir uma hora de uma vez. Não me sinto cheia de sono, mas sinto o cansaço físico como nunca tinha sentido antes. Sei que ainda estou dentro dos meus limites e vou esticando a corda. Fui sozinha a Lisboa em trabalho. Podia ter dormido as 4 horas de viagem, mas fui incapaz de o fazer. Aproveitei para trabalhar, aproveitar cada minuto só meu sem interrupções. Foram 4 horas de silêncio e concentração que não sei quando poderei repetir. Estou a trabalhar num projecto interessante com o outro lado do mundo. Confirma-se que é isto que me dá gozo. É um trabalho útil para alguém, que sei ter impacto. Estou cansada de trabalhos de faz de conta que se arrumam em gavetas ou são usados em discursos políticos sem qualquer interesse ou consequência. Não vim nesta altura propositadamente para votar, mas fico feliz por estar cá neste momento. Penso que é a primeira vez que sinto verdadeiramente que os resultados destas eleições são fundamentais para o país e tenho um receio enorme que nada mude e tudo piore. Vou votar de forma que pode ser chamada de não útil. Não poderei votar de outra forma.

26.9.15

sábado, 7 da manhã, a trabalhar

O que acontece a uma workaholic a quem nasce um filho? Transforma-se numa workaholic com um filho.

Nos primeiros meses ainda pensei que a nova realidade (me) pudesse mudar, mas os hábitos falam mais alto.

22.9.15

começo de dia

A reunião por skype estava combinada para as 8 da manhã de cá (fim da tarde do lado de lá do mundo). Acordo às 7 e tal. Vejo o mail e tenho uma mensagem das 6 e pouco da manhã a dizer que podíamos começar a reunião quando eu quisesse. Lavo a cara a correr, nada de maquilhagem, visto uma camisola de malha, agarro no portátil e vou para a varanda para não acordar a família. Está frescote e chove. Skype ligado e uma mensagem a dizer que se tinha enganado nas horas, que falávamos às 8 e não às 6 da manhã. Vê-me ligada e começa a reunião. Eu às 7 e meia da manhã na varanda, de calças de pijama e camisola a fazer de conta que estou apresentável, e com chuva miudinha à minha volta. Do outro lado do monitor o dia quase a chegar ao fim, temperaturas altas e muito mar. Enquanto não posso estar do outro lado sou feliz assim.

egoísmo?

Talvez seja egoísmo, talvez seja perfeitamente normal. A verdade é que agora que me começo a sentir eu de novo, agora que me voltei a envolver em projectos que me agradam e que me fazem pensar que trabalhar pode ser mesmo um grande prazer, dou comigo a pensar se quero mesmo ter outro filho. Talvez esteja a ressacar destes 9 meses em casa num país que não é o meu, longe de tudo e todos. Talvez inconscientemente eu quisesse engravidar logo de seguida porque sabia que quando voltasse a sentir o sabor das outras facetas da vida não teria vontade de tornar a hibernar. O mais certo é isto passar-me em três tempos, mas hoje, no dia em que o Miguel faz 9 meses, sinto esta interrogação no ar.

14.9.15

consegui, consegui!

Supostamente estou em casa apenas a tomar conta do bebé. Mas, na verdade, divido-me em várias. Uma trata do Miguel, a outra escreve artigos e capítulos, há ainda uma outra que se candidata a tudo o que lhe parece relevante, e ainda há a dona de casa. Às vezes pergunto-me em silêncio se esta correria desenfreada em que vivo vale a pena. Depois há dias, como hoje, em que acordo e tenho uma resposta positiva a um tipo de trabalho que perseguia há algum tempo e só não dou pulos de contente porque tenho que ir deitar o pequenote e arranjar um esquema qualquer que me permita fazer efetivamente este trabalho e continuar a tomar conta da pequena criatura. Esta correria vale a pena, vale tanto a pena. Consegui, pá! Consegui! Sempre achei que o difícil era conseguir o primeiro contrato deste tipo e que a seguir seria bem mais fácil conseguir mais. Agora vou poder testar! Oh yeah!

10.9.15

3-1, resultado que espero não ser o final

O primeiro aborto surgiu do nada, de forma inesperada, tão inesperada quanto a primeira gravidez. Depois de saber que estava grávida nunca pensei que poderia abortar. Claro que conhecia casos de mulheres que tinham passado por isso, mas para mim, nessa altura, esses casos eram excepções que não me mereciam atenção nem preocupação. Depois veio o balde de água fria. Desfizeram-se os sonhos e os planos. Eu, que nem era suposto engravidar, imaginei que o meu acaso improvável e feliz tinha terminado desta forma e o mais certo era nem se vir a repetir. Ainda assim não pensei duas vezes para voltar a tentar. Recordo-me que na mesma consulta em que a ecografia me mostrou um coração que já não batia, perguntei quando poderia voltar a tentar engravidar. Acho que eu própria me surpreendi com a pergunta e acho que foi ali que percebi que queria engravidar. Ironias do destino, descobri que gostava de ser mãe no dia em que descobri que a gravidez tinha deixado de evoluir. Assumi que este tinha sido um acaso infeliz e segui em frente.

O segundo aborto congelou-nos as esperanças e colocou sobre nós a nuvem negra do medo. Receio de que algo nos impedisse de ter filhos. O segundo aborto dói tanto como o primeiro. Não há o factor surpresa que há da primeira vez, mas já não há como achar que tivemos azar. Ter azar duas vezes seguidas é demasiado azar junto.

O Miguel fez-nos olhar para traz com outros olhos. Podíamos efetivamente ter tido muito pouca sorte das duas primeiras vezes. Afinal as dezenas de análises e testes que fizemos não encontraram nenhum motivo para as duas perdas sucessivas. Ou talvez eu tivesse algum problema menor, não detectado, que a cardioaspirina, tomada religiosamente desde o início até quase ao final da gravidez, tivesse resolvido. 

O terceiro aborto não surgiu do nada, sempre houve uma ténue sombra que se reflectia em "ses" quando pensávamos no futuro. "Se tudo correr bem." Mas, na verdade, não queríamos desperdiçar muito tempo com essa possibilidade. Já tínhamos o Miguel, por que haveria de correr mal desta vez? Mas correu. A cardioaspirina não foi a solução. O terceiro aborto mostrou-nos que se calhar não tivemos azar das duas primeiras vezes, mas tivemos antes muita sorte na terceira. Temos connosco um bebé vivaço e sorridente e isso faz-nos ver a realidade com outros olhos, mas o terceiro aborto doeu tanto como os anteriores, ainda que de forma diferente. Como já disse antes, depois de se ter um filho sabemos o que estamos a perder. Esta foi a primeira vez em que parei para pensar se queria continuar a tentar engravidar. Agora estou claramente a perder o jogo e imagino que o mais certo é a minha desvantagem aumentar. Ainda assim o meu gosto por correr riscos não se perdeu. Façamos figas e lancemos os dados.

a mudança dos ritmos

Tarefa importantíssima para terminar e um bebé para cuidar 24 horas por dia. Isto de não ter apoio familiar não é complicado quando o bebé tem 2 dias, é complicado quando o bebé já tem vários meses e nós queremos voltar a ter alguma vida. Convenço-me que só se consegue com muito jogo de cintura e muita habilidade para sermos o artista de circo que mantém vários pratos a rodar em cima de pauzitos sem deixar cair nenhum. A dada altura achei que não ia conseguir terminar este trabalho, que era impossível conseguir pensar, reflectir, tomar decisões e escrever enquanto troco fraldas, faço sopas, faço o aviãozinho porque não quer comer a sopa, passo horas a tentar adormecê-lo porque dormir é coisa que não lhe assiste alegremente. A poucos dias do prazo-limite posso dizer que superei a prova. É possível. Estava habituada a fugir do mundo durante dias, semanas ou meses e centrar-me no trabalho do momento. Agora trabalho na meia hora em que dorme, ou nos 10 minutos em que se distrai sozinho e à noite, depois de ele adormecer, quando já tenho os olhos semi-fechados. É outro ritmo, é todo um outro universo, mas é possível. Agora vou ali dar os últimos retoques no trabalho e ver se despacho isto de vez, para depois poder ter uns dias de paz e sossego para me dedicar à pequena criatura.

25.8.15

tudo é relativo

Não me recordo do nome do blog, mas lembro-me de há um ano ou dois me ter cruzado com ele. Eram relatos de uma mulher que tentou engravidar durante 20 anos. A dada altura conseguiu, mas acabou por abortar. Não desistiu, continuou a fazer tratamentos e 20 anos depois conseguiu finalmente ter uma filha nos braços. Perante casos destes o meu terceiro aborto, depois de ter um filho saudável, é nada. Eu consigo engravidar, mas tenho dificuldade em que o embrião se continue a desenvolver para além das 7 semanas. Mas, de uma forma racional, tenho todos os meses uma nova janela de oportunidade. Não preciso de tratamentos e isso é uma vantagem sem tamanho. Mas tudo é relativo. Engravidar para mim não é necessariamente sinónimo de vir a ter um filho, enquanto que para muitas amigas e conhecidas ver as duas riscas no teste é garantia de que passados 9 meses a família cresce. Tenho amigas que planificam tudo de modo a que o rebento nasça no mês X ou Y. Eu dar-me-ia por contente por engravidar numa altura qualquer e saber que a gravidez não teria um fim antecipado. Tudo é relativo e há situações que dificilmente conseguiremos entender até termos de as viver.

23.8.15

a 3ª vez

Já ter um filho não atenua a dor, mas diminui a ansiedade. Depois do primeiro aborto achei que tinha tido azar. Depois do segundo achei que seria demasiado azar seguido e a ideia de que poderia haver algo de errado connosco ganhou força. Seguiu-se uma gravidez com alguns sustos, mas um final feliz. Acreditei que tinha tido muito azar nas duas primeiras vezes, mas que poderia não ter passado disso: azar. Ao terceiro aborto deixei de acreditar no factor azar (talvez tenha começado a pensar que tive muita sorte por hoje termos o Miguel connosco). A verdade é que estar próxima dos 40 não abona a favor da qualidade dos meus óvulos e talvez o meu historial não seja assim tão estranho. Mas é certo que há muitas mulheres da minha idade que engravidam sem problemas, assim como é verdade que há muitas mulheres mais novas que lidam com o mesmo tipo de problemas. Voltamos ao factor sorte/azar aos olhos do comum mortal, como eu.

A dada altura tive vontade de fazer de novo a análise à HCG (a ausência de sintomas andava a fazer-me espécie), depois pensei de novo e achei que estava a ser um pouco paranóica. O mais certo seria nessa altura os valores já não serem os mais normais para a fase em que estava. Na prática ter repetido essa análise e ter obtido um valor preocupante só me deixaria ansiosa sem poder fazer absolutamente nada. Conheço bem esta fase inicial da gravidez e sei que não há curas milagrosas, nem há como evitar um aborto que se adivinha. Por esse motivo não corri para o hospital quando percebi o que se poderia estar a passar. É também nesta forma de agir que me sinto menos ansiosa e muito mais ponderada. Há situações em que não adianta ser control freak, e esta é claramente uma delas.

22.8.15

3-1

Este é um jogo que já não posso empatar nem ganhar. O terceiro aborto bateu-me à porta na já muito minha conhecida sétima semana. Estas 7 semanas passaram mais depressa do que as 7 semanas das gravidezes anteriores. Desta vez tive um bebé de quase 8 meses a ocupar-me todos os minutos dos dias. A dada altura dei comigo a pensar "Oh diabo, estou na semana fatídica", mas o pensamento não foi muito além disso porque a falta de tempo não o permitiu. Até que se tornou impossível ignorar que estava na tal semana. 

Quatro gravidezes: um filho e três abortos.

Pela primeira vez dou comigo a pensar que não sei se quero continuar a tentar engravidar. Não sei se me apetece correr o risco de voltar a chegar à sétima semana e voltar ao ponto de partida. Não ponho a ideia totalmente de parte, mas não tenho a postura que tive nas perdas anteriores, em que sabia que assim que pudesse voltaria a tentar.

Não tinha pensado sequer como seria a reacção a uma perda depois de já ter um filho, mas teoricamente imaginei que deveria ser mais fácil. Não é. Não é uma dor maior nem menor, é uma dor diferente. É a dor de se saber exactamente o que se perde, de já ter imaginado isto e aquilo não a três, mas a quatro, e já com conhecimento de causa e experiência. É a dor de planos desfeitos, como foi de todas as vezes.

16.8.15

Maio 2013 | Hoje

Estávamos em Maio de 2013 e a última coisa em que pensava era em ser mãe. Pensava em viagens, pensava no emprego novo, pensava no que aconteceria connosco quando mudasse de país, pensava em como seria viver uma vida nova num país novo. Não poderia imaginar que a tal vida nova que me esperava incluiria mini-pessoas e desejos que não sabia existirem em mim. Em Maio de 2013 tinha chegado há poucos meses de uma viagem alucinante do outro lado do mundo, tinha passado o ano no calor do Cambodja e poucas horas depois passeava os braços destapados nos muitos graus negativos da China. Em Maio de 2013 já tinha decidido que o meu amor por Timor ficaria em standby e tinha a certeza que tinha tomado a decisão certa. Tinha razão, mas por motivos que não poderia imaginar.

Em Maio de 2013 era só eu, era uma pessoa no singular. Hoje somos três, com perspectivas de virmos a ser quatro. Hoje não há viagens loucas decididas em cima do joelho. Hoje há decisões muito pensadas a dois, mas pensando nos três (ou quatro). Hoje o meu sono é interrompido inúmeras vezes por noite e a cada manhã sou brindada com o sorriso mais bonito e sincero. Hoje sou muito diferente de quem era há dois anos e tal e sou feliz de uma forma muito diferente.

14.8.15

quase 7 semanas

Sintomas é coisa que não abunda por estes lados, a não ser o cansaço no degrau acima do habitual. De resto nada de nada. Não sei se está tudo bem ou tudo mal, porque consulta só daqui a pouco mais de uma semana. Os obstetras, não obstante a minha gravidez, decidiram ir de férias, que grande lata! Já me passou pela cabeça inventar uma desculpa qualquer e ir ao hospital só para ver se há embrião com batimento cardíaco. Poucos segundos depois a pessoa equilibrada que sou normalmente baixou sobre mim e mandou-me ter juízo e bom senso. Durante as gravidezes anteriores tornei-me cliente habitual das urgências do hospital cá do sítio e sempre fui atendida de forma célere. Isto também porque não havia lá grávidas com desculpas esfarrapadas para fazerem uma ecografia. De modo que se não há evidências para preocupação não vale a pena inventá-las. Esperarei mais uma semana para saber que novidades esconde o meu útero.

Deve ser dos meus olhos (aliás, espero que seja dos meus olhos!), mas acho-me mais pançuda!

7.8.15

os testes de gravidez

Dois anos e muitos poucos meses e vou na quarta gravidez. A gravidez actual tem um pouco da primeira: não surgiu tão inesperadamente como a primeira, mas foi uma grande surpresa. Só fiz um teste de gravidez, tal como na primeira, e já numa altura em que não havia grandes dúvidas.

Na segunda e terceira vezes fartei-me de fazer testes de gravidez. Acho que posso dizer que era aquilo que vejo frequentemente designado nos fóruns internacionais como POAS addicted (pee on a stick!). Da segunda vez aconteceu algo que me deixou alerta (e depois vim, infelizmente, a confirmar que com razão): depois de 4 ou 5 testes de gravidez, feitos diariamente, em que a linha ia ficando mais escura, a linha deixou de escurecer. Li muito sobre isto e tentei acreditar que os testes só nos dão uma indicação qualitativa (ou seja, ou há HCG no organismo e estamos grávidas - linha rosa, ou não há HCG, não estamos grávidas e não aparece linha nenhuma), como li em muitos sítios. Mas continuava a achar estranho que à medida que a concentração de HCG aumentava, a linha não ia ficando mais escura. Não precisei de muitos dias para perceber que a linha não ficava mais escura porque os meus valores de HCG tinham deixado de aumentar.

Ainda guardo o teste de gravidez que fiz na primeira gravidez (foi feito tão tarde que a linha de controlo é mais clara que a outra!) e todos os testes que fiz da gravidez do Miguel: uma sucessão de testes feitos todos os dias em que se vê claramente a linha rosa a escurecer. Não sei porque os guardo, mas sou incapaz de me separar deles. Ou melhor, talvez até saiba porque os guardo: o primeiro foi a descoberta não só da minha primeira gravidez, mas foi mais que isso, foi a descoberta de que eu conseguia engravidar, apesar de tudo indicar o contrário. Os testes que fiz na gravidez do Miguel lembram-me aquela fase de receio e incerteza, mas com um final feliz, e as histórias com final feliz merecem que todos os seus momentos e detalhes sejam guardados.

Desta vez fiz apenas um teste. Primeiro nem a linha de controlo aparecia, achei que o teste não estava em bom estado. Pus o teste no bolso da carteira e umas horas depois encontrei duas linhas feitas de esperança.

os 7 meses e algumas semanas do Miguel

Descobriu já em Portugal que gosta de comer. As primeiras vezes que comeu sopa e fruta correram bem (talvez pelo efeito novidade), mas depois tudo se complicou. Fazia cara feia, fechava a boca, cuspia e era muito difícil que comesse alguma sopa. Com a fruta foi tudo muito mais simples, mas a sopa foi um pequeno suplício. Durante as férias, num novo ambiente e rodeado de pessoas novas, ganhou o gosto a comer. Começou a comer muito mais (muitas vezes de forma sôfrega), seja sopa, fruta ou papa.

Continua a não gostar de estar de barriga para baixo, mas já vai ficando nesta posição alguns bocados sem reclamar. Para já gosta mesmo é de estar sentado. Senta-se na perfeição, abana-se, salta sentado e não cai. 

Noto que desde que viemos para Portugal está mais atento a tudo e todos, nada lhe escapa. Vira constantemente a cabeça para ver quem chega e quem está a falar. Começou a dizer "da da da" e tem 3 dentes já bem visíveis.

6.8.15

5 semanas e poucos dias

Esta deve ser a maior loucura da minha vida, e consigo contar várias de dimensão razoável! Continuo pouco consciente da nova realidade. Preciso de mais tempo para enraizar a novidade que, a correr bem, virará as nossas vidas de novo do avesso.

Porque na segunda gravidez tudo começou a correr mal logo de início, e tenho quase a certeza que se tivesse feito análises à HCG na altura teria percebido de imediato que o desfecho nunca poderia ser feliz, desta vez fui mesmo fazer esta análise por iniciativa própria. Valores de HCG medidos num dia e medidos de novo após 48 horas. Aparentemente tudo OK, os valores duplicaram como é normal nesta fase. As 7 semanas continuam a provocar-me algum receio, mas a verdade é que agora não me sobra tempo para nada, o que acredito que fará com que o tempo passe com muito mais ligeireza. Agora estou de férias, mas daqui a poucos dias voltarei a ser mãe a tempo inteiro do pequeno panda. Para além disso terei vários trabalhos exigentes para fazer em casa, quando ele me permitir, de modo que não há tempo para devaneios.

Se tudo correr bem tenho mil e uma coisas para re-equacionar, tenho que me re-formatar para uma realidade a quatro, tenho que ultrapassar receios e esclarecer dúvidas, mas ainda tenho muitos meses pela frente.

Esta é a maior loucura da minha vida, mas eu quero muito que se concretize.

2.8.15

as duas riscas... de novo!

Disse há uns tempos que gostava de engravidar de novo rapidamente. A verdade é que por diversos motivos esse desejo ficou esquecido. Convenci-me que o pequeno Miguel seria filho único como eu e o pai. Habituei-me à nossa realidade a três. Não foi imediato nem fácil, mas agora nós somos três e é nesse número que penso em todas as equações do nosso dia-a-dia. Andava tão embrenhada em trabalhos pontuais e nos preparativos para as férias que não me apercebi que algo andava sumido este mês. Até que um dia, em pleno sossego alentejano, nos poucos segundos que tive para mim, encostada no limite da piscina, se fez luz. Somei os dias, recordei ciclos anteriores. Este estava a ser demasiado longo, o que poderia não significar nada, já que depois da gravidez o meu corpo se transformou numa espécie de relógio ligeiramente avariado. Mas comecei a juntar a constipação sem motivo e as dores de cabeça vindas não se sabe de onde e não tive dúvidas. No dia seguinte fiz o teste e, sem surpresa, duas riscas bem visíveis a olharem para mim.

Estou grávida!

Não tomo o teste positivo como um sinal de uma gravidez de 40 semanas, porque o meu historial não mo permite. Tenho os pés assentes no chão, e estou preparada para todos os desfechos. Mas o mais relevante é que agora estou grávida. 

trabalhei fora de casa (2 dias, já é um ponto de partida!)

Em Portugal trabalhei dois dias inteiros fora de casa. Significa isto que trabalhei longe da pequena criatura que me preenche os dias. Ele ficou com o pai, e provavelmente foi isso que me sossegou e me fez estar aqueles dois dias efectivamente a trabalhar. Soube-me bem ser trabalhadora, para além de mãe. 7 meses depois a vida continua, em todas as suas dimensões.

19.7.15

voltei ao meu estado normal

Não sei como cheguei a este ponto, mas a verdade é que apesar de estar em casa, supostamente sem trabalhar, estou cheia de trabalho. Tenho 4 dias para terminar uma série de coisas e mesmo depois disso, até Setembro, tenho muito com que me entreter. Se as coisas corressem pelo melhor (ou pior, se pensar no tempo livre que não tenho) até Outubro seria um fartote de tarefas novas, desafiantes e daquelas que ficam bem no CV. Continuo a roubar tempo às noites e, às vezes, a acordar como se tivesse sido atropelada por um camião, mas é mais forte que eu. Confirmo que o meu ideal de vida não seria ser mãe a 100%, mas seria poder estar 100% do meu tempo com o meu filho e poder trabalhar a partir de casa. A maternidade anestesiou-me durante uns meses, mas agora voltei ao meu estado normal.  Desconfio que estou a trabalhar mais do que se estivesse no meu trabalho habitual, com o pequeno pormenor de agora ter um pequeno ser que me merece grande parte do tempo e da atenção. É possível, inspira, expira, é possível!

15.7.15

cão ou gato?

Eu sei que há por aí umas redes para pôr pedaços de comida dentro para os bebés poderem comer sem haver o perigo de se engasgarem. Entendo as vantagens da coisa, mas aquilo parece-me um bocado contra natura. Talvez seja demasiado descontraída, mas eu sou por lhe pôr pedaços de comida na mão e deixá-los explorar os alimentos em todas as suas vertentes. Assim, mal o puto pode comer glutén comecei a pôr-lhe pedaços de pão na mão. Até agora tudo tem corrido bem. Tudo, salvo seja… Estou a ponderar arranjar um cão ou um gato para me resolver o problema documentado na foto abaixo.

Itália, as transportadoras e eu

De novo a longa saga das transportadoras italianas…

Comprei uma Bimby, aliás, paguei uma Bimby. Já vos explico o resto.

Tinham-me feito a demonstração em Portugal já há uns bons anos. Na altura não fiquei nada convencida, mais pela falta de jeito da vendedora, do que pelo desempenho do robot. Na verdade na altura vivia sozinha e não precisava de uma Bimby para nada. Agora também não é nada que me seja essencial, mas é um robot, tem botões, e é sabido que os homens gostam de maquinetas com botões. O de cá de casa não varre com vassoura, mas se for para aspirar não lhe custa nada. Há que juntar tecnologia às tarefas domésticas e é ver o sexo masculino a juntar-se às lides da casa. Pois que eu estou a precisar de ajuda na cozinha e o homem cá de casa foge a 7 pés do fogão. Compre-se uma Bimby para que ele se mexa. Homem convencido, robot pago e diz a vendedora que a entrega é feita por transportadora umas 6 a 8 semanas depois do pagamento recebido. Isto é maquineta para ser muito requisitada e não as há assim disponíveis do pé para a mão. Seja. Imaginei-me a fazer papas para o puto no dito aparelho e pesquisei receitas para nós. Passaram-se 3 meses e nada. A transportadora diz sempre que até ao final da semana entrega, mas até agora não chegou nada cá a casa. Pronto, já não quero Bimby nenhuma, resigno-me às actividades solitárias na cozinha e agradeço que me devolvam o dinheiro. 

Já disse que Itália me cansa?