12.2.16

18 semanas!

Oh yeah: 18 semanas e... sem diabetes gestacionais! Dou pulos de felicidade e como um bolo a escorrer creme para comemorar! Nãaa, nada disso! Bebi esta semana aquele xarope medonho e descobri que (ainda) não tenho diabetes. Fiz a análise mais cedo que o habitual por ter tido diabetes na gravidez do Miguel e lá fui eu a tremer que nem varas verdes na hora de receber o resultado. Para já tudo OK! Tenho tido cuidado com a alimentação, até porque os enjoos só acalmavam se não comesse hidratos de carbono (acho que foi esta semana que os enjoos se foram de vez!) e, não sei se resultado disso ou não, os valores de glicose estão bons e recomendam-se.

O J. faz-se sentir muito de vez em quando e parece que a pança me fez engordar um quilo e meio. Achava eu que por esta ser a minha última gravidez iria fazer questão de exibir a barriga desde cedo, mas continua a dar-me gozo disfarçar a protuberância abdominal com a roupa certa e manter este assunto privado.

Estou de baixa por gravidez de risco, o que significa que não vou voltar ao trabalho. Tenho que admitir que é algo que me agrada porque assim poderei continuar com o Miguel em casa pelo menos até final do ano. A creche já foi cancelada e voltará a ficar comigo a tempo inteiro. Quem tem miúdos na creche defende que ele lá devia continuar para socializar com outros miúdos. Li muito sobre isto, falei com educadoras, e as opiniões dos entendidos são unânimes: as crianças só começam a socializar por volta dos 3 anos. Se até aí puderem estar com os pais ou avós só têm a ganhar. De modo que foi simples tomar a decisão de tirar o Miguel da creche, uma vez que eu não voltarei ao trabalho tão cedo.

Quem diria, sou mãe a tempo inteiro há mais de um ano e assim continuarei pelo menos até final do ano!

e é isto

Ia escrever que tenho andado afastada do blog por falta de vontade de escrever, mas na verdade não é bem isso. É aquele travão mental que de vez em quando nos recorda que há quem leia isto e não me convém ser um livro totalmente aberto. Passa-se muita coisa, muitas mudanças e eu ando a processar tudo de forma silenciosa. Ainda não me encontrei no meio de tudo isto, o que não me parece assim tão estranho se recordarmos que há mais ou menos três anos vivia no lugar de quase sempre, viajava livremente quando e para onde me apetecia, não tinha obrigações familiares e estava prestes a abraçar um novo desafio profissional. Três anos depois sou outra. Tudo mudou. Depois de várias tentativas sou mãe e estou quase a ser de novo. Não tenho qualquer dúvida de que esta é a maior loucura da minha vida (e consigo contar tantas!), mas também não tenho qualquer dúvida que este é o caminho a seguir. Três anos depois tenho uma família de três, quase quatro. Este passou a ser o factor fundamental para a tomada de qualquer tipo de decisão, e tem consequências a todos os níveis da minha vida. E é aqui que tenho tanto, mas mesmo tanto, para assimilar e processar e decidir. Sigo o caminho tradicional ou faço das minhas, mando o que é suposto ser e fazer às urtigas, e sigo o caminho que agora me apetece? Diria que se está mesmo a ver a minha opção, mas deixem-me ruminar mais uns tempos sobre o assunto e depois se verá.

20.1.16

15 semanas!

Estou no quarto mês, e daqui a mais 5 semanas estarei a meio do caminho. Apesar das primeiras semanas terem passado devagar (não devagar como na gravidez do Miguel, que isto de já ter um filho em casa transforma completamente a forma como o tempo passa), sinto que agora o ritmo acelerou. Os enjoos, que já tinham acalmado, de vez em quando voltam a dar sinal (não deviam ter passado já? Humpf!). Mantém-se o sono, muito sono mesmo (desconfio que chegar ao final dos dias mais cansada por ter um bebé que não pára também deve ajudar à sensação de olhos a querer fechar) e já tive direito a uma ida às urgências porque tive uma pequena hemorragia (tal como na gravidez do Miguel não conseguem encontrar explicação para estas perdas). De resto tudo normal. Peso mais um quilo do que antes de engravidar, e ainda peso menos do que quando engravidei do Miguel. Penso que estou ligeiramente mais pançuda do que na mesma fase da gravidez do mini-urso, mas a verdade é que depois de às 6 ou 7 semanas já me sentir barriguda, a barriga decidiu não crescer ao mesmo ritmo. Passo bem por não-grávida.

Regresso ao trabalho no próximo mês, depois de mais de um ano fora após o nascimento do Miguel. E regresso... grávida. Ainda ninguém sabe. Rio-me da surpresa que vou provocar e das conversas de corredor que a minha nova gravidez vai gerar.

18.1.16

noc noc

Um dia antes de completar as 15 semanas o rapaz decidiu que era altura de se fazer sentir de forma inequívoca. Dois ou três movimentos muito suaves e em nada semelhantes ao movimento brusco que senti na gravidez do Miguel, quando já tinha ultrapassado as 20 semanas. Parece que desta vez a placenta não está virada para a parte da frente da minha barriga, o que deve ter ajudado a sentir o rebento mais cedo. 

Já o sinto a mexer, já o sinto a mexer! Yeah!

14.1.16

habemus resultados!

Desta vez os resultados do teste Harmony chegaram uns dias mais cedo (desconfio que haver concorrência para o Harmony deve ter feito acelerar o processo). Os resultados são aqueles que esperava e... vou continuar em minoria cá em casa!

13.1.16

pele de grávida

Para ter esta pele era quase capaz de estar sempre grávida. Os diabetes podem estar a preparar-se para entrar em cena, posso andar com a pressão tão baixa que de vez em quando tenho direito a experimentar a vertigem de uma tontura, mas a gravidez traz-me de volta a pele de bebé. 

10.1.16

as teorias da maternidade 2

Alguém fez questão de telefonar de Portugal para Itália para me informar que os antigos (sejam lá quem forem) diziam que não se deve comer enquanto se amamenta.

Ouvi e calei.

Ainda estava na fase de querer ser simpática, por maiores que fossem os disparates que me dissessem. A postura mudou entretanto. Agora faço questão que me expliquem todos os fenómenos que me tentam impingir. Quero conhecer a relação causa-efeito. Costuma ser remédio santo para deixarem de insistir, embora quem tente vender os disparates continue a acreditar neles, mas isso é algo que não me diz respeito nem me interessa.

9.1.16

menino 1 - 1 menina

Quase 7 centímetros de gente e tudo aparentemente normal. É uma criatura irrequieta que não sossegou durante toda a ecografia. 

Sobre o sexo da pequena criatura temos um empate técnico: médico português fez uma aposta, médica italiana apostou no sentido contrário. E pela segunda vez vou saber o sexo do bebé por mail, quando receber os resultados do Harmony. Era da tecnologia, não há como a contrariar!


8.1.16

13 semanas

Amanhã há nova consulta.

Passadas as semanas iniciais ando estranhamente serena. Ultrapassei a barreira onde me costumo estatelar e agora aguardo calmamente os resultados do teste Harmony. O teste não foi feito na data prevista (nada de teste Harmony na semana do Natal nem na do ano novo), de modo que há que esperar até quase ao final do mês para ter notícias, que se esperam boas. O teste contará também qual o sexo da criança. Na última ecografia, em Portugal, e sem que eu perguntasse (na gravidez do Miguel perguntei ao mesmo médico se já dava para perceber se era menino ou menina e ele mandou-me dar uma grande volta, dizendo que ainda era muito cedo), o médico disse-me qual era o palpite dele. Não partilhei a novidade com ninguém. Se houve coisa que mudou em mim da gravidez do Miguel para esta foi a ausência de pressa. Para quê partilhar já o que daqui a pouco será do domínio público? Durante estas semanas o palpite do médico, que não passa disso mesmo, é só meu.

Continuo ligeiramente enjoada se comer hidratos de carbono, embora os enjoos maiores tenham sumido por volta das 11 semanas. Desde a descoberta dos diabetes na gravidez do Miguel que a fruta para mim era basicamente sinónimo de maçãs. Nas últimas semanas ando a comer laranjas de forma quase compulsiva. Acho que me estou a preparar para a chegada de novo dos diabetes, e a fugir às maçãs enquanto posso. 

As semanas passadas em Portugal, como já era esperado, correram a galope. Sem dar por isso dou comigo com as 13 semanas já completas e o primeiro trimestre ultrapassado. Continuo a ter plena consciência da inconsciência que é estar à espera de um segundo filho quando o primeiro acabou de completar um ano. Não consigo sequer imaginar o que me espera nos primeiros tempos. Centro-me nas muitas mulheres que passaram pelo mesmo e sobreviveram com a sanidade mental intacta. Ter um filho longe de tudo e de todos e praticamente não ter ajuda nenhuma não é pêra doce, ter dois com idades tão próximas não consigo imaginar como será, mas espero descobrir em breve. A ignorância e a inconsciência de mãos dadas, para bem do aumento demográfico do globo.

3.1.16

2016

Não reflecti ainda sobre o já ultrapassado 2015 e não há ainda resoluções ponderadas para 2016. Estar de férias "em casa" come-me o tempo de uma forma que não tem explicação. Os dias voam e se olhar para estas quase três semanas em Portugal concluo que não fiz grande coisa. Espero que os primeiros dias de volta à rotina italiana me dêem alguns momentos de silêncio e sossego para estas reflexões não essenciais, mas que me ajudam a estabelecer metas e a manter o equilíbrio.

Sem necessidade de grandes reflexões, penso no melhor e assumo que 2016 será mais um ano em grande: adivinha-se uma família que passa de três para quatro e uma mudança de país. Sabemos que nos vamos mudar, sabemos qual o plano B no caso do plano A não correr bem, mas vamos lutar o mais possível pelo nosso plano A. Aliás, estamos a tratar dele já há alguns meses, mas nem tudo depende de nós. Quanto ao quarto elemento da família, eu diria que vem aí mais um nome começado por M, mas a minha intuição pode falhar. Mais umas semanas e haverá certezas.

22.12.15

as teorias da maternidade 1

Vir a Portugal é ouvir pérolas quase que diariamente (se morasse cá ou teria já perdido a pouca sanidade mental que ainda me sobra ou teria saltado de uma ponte, não me ocorre terceira opção).

- Dei duas tesouradas à franja do miúdo que ele já tinha o cabelo quase dentro dos olhos.
- Mas não pode cortar o cabelo do bebé antes de completar um ano ou depois o bebé não cresce!

Salta-me a tampa interiormente, mas peço que me explique a relação entre o corte de cabelo e o bloqueio no crescimento do petiz.

- Ah, estava a brincar...

E meia dúzia de segundos depois:

- Cortaram o cabelo ao não-sei-das-quantas ainda ele não tinha um ano e parou de crescer. Tiveram que o passar por baixo do andor do Santo não-me-lembro-do-nome-do-raio-do-santo para voltar a crescer.

Eu, já sem paciência nenhuma:

- Ah, pronto, se passar por baixo do andor reverte a situação temos o problema resolvido.


1 ano de Miguel

Há 1 ano era mãe há poucas horas. Nunca tinha mudado uma fralda e o meu contacto com bebés era igual a nenhum. Ainda assim, e talvez fruto do meu risco pelo abismo, o que me apetecia mesmo era pegar naquele recém-nascido de 3 quilos e ir para casa viver o Natal com deve ser. Tive que esperar dois dias e às 8 da noite do dia 24 entrámos a casa a três. E tudo mudou. Não vou dizer que foi tudo fácil e cor-de-rosa porque não foi, ainda hoje me estou a adaptar à nova realidade. Mas também não é o bicho de sete cabeças que às vezes nos querem dar a entender que é, ou não estaria agora grávida de novo (sou uma inconsciente e não faço ideia nenhuma daquilo em que me estou a meter, essa é que é essa!).

Ainda não acredito, um ano?

16.12.15

até já, em Portugal!

Vamos para Portugal sem alterações na data prevista. Vamos quatro: três e um escondido. Pouco mais de dois centímetros e meio de gente que se inicia assim nas viagens de avião, nas viagens por outros países já se iniciou com poucos milímetros.

Os enjoos começam a atenuar, mas a maior parte da comida continua a fazer torcer-me o nariz. Acho que isto é coisa para se resolver em Portugal, com comida tradicional e com o Natal.

Tal como na gravidez do Miguel não vou fazer o rastreio do primeiro trimestre. Na próxima semana faço pela segunda vez o teste Harmony (fujo a sete pés de uma amniocentese quase certa, dada a minha idade e o meu histórico), e depois é esperar umas duas ou três semanas até haver resultados. Espero que o Natal e o ano novo não atrasem isto tudo, mas o mais importante é que os resultados não mostrem aquilo que nenhuma mãe quer ver, venham os resultados quando vierem. Com o relatório do teste virá também o veredicto sobre o sexo do bebé. Espero poder festejar a chegada de mais um rapaz ou da primeira rapariga, porque isso significará que os resultados não indicam nada de estranho e me permitem focar naquilo que é completamente acessório.

12.12.15

9 semanas!

Custa-me "comemorar" as 9 semanas sem um comprovativo de que chegámos efectivamente lá. Desta vez, como na vez anterior em que aqui chegámos, há um misto de alegria e desconfiança, uma amálgama de acreditar e de receio. Não sei se poderá ser de outra forma depois de nos perdermos pelo caminho 3 vezes. 

Haverá nova eco no dia antes de ir para Portugal. Admito que tenho algum medo de ficar em terra. Este também não seria um inédito. Na segunda gravidez abortei no dia antes da viagem e fui, naturalmente, proibida de voar. Desta vez a viagem tem um significado diferente. É Natal e o último Natal foi passado sem a família por perto, ainda que pelo melhor motivo que poderíamos ter. Este ano apetece-nos realmente pegar em nós e rumar a um Natal menos gelado no clima e na companhia.

Quero acreditar que esta semana pegaremos nas malas e irei, entre outras coisas, matar saudades do meu mar. A ver vamos.

11.12.15

nova fase

Já não é possível adiar mais o meu regresso ao trabalho. O Miguel começa a creche em Janeiro. Até ir para a pré-primária fui criada em casa pela minha mãe, totalmente dedicada a mim. Talvez por isso para mim tenha sido importante ficar em casa pelo menos até o Miguel completar um ano. Fazia-me confusão entregar um recém-nascido a alguém estranho. Tive a sorte de trabalhar num contexto que me permitiu ficar em casa este tempo todo, entre licença de maternidade e licença parental. 

Nos dois últimos dias fomos à creche, primeiro ter uma reunião com a directora, e no dia seguinte conhecer o espaço e as educadoras. Adorámos o espaço e as pessoas. Gostei particularmente do sossego e do silêncio, do espaço amplo, e de ter percebido que respeitam o ritmo de cada criança. Se antes de visitar a creche ainda estava de pé atrás por ir deixar de ter o meu filho comigo 24 horas por dia, esse receio sumiu quando o pus no chão e ele, sem medos nem angústias, gatinhou pela sala, começou a explorar os brinquedos e a seguir a única miúda que já caminhava. Começamos a adaptação em Janeiro e de acordo com a evolução logo se vê por quantas semanas irá apenas parte do dia.

8.12.15

8 semanas

As 8 semanas chegaram e a ecografia mostrou-me um embrião de pernas para o ar com o coração a bater forte. Pela segunda vez chegámos aqui. O receio não diminuiu, mas ultrapassámos mais um obstáculo. Continuo enjoada e juro que se não tivesse visto que era só um embrião começaria a achar que estava grávida de gémeos. Sim, eu sei que é suposto na segunda gravidez a barriga fazer-se notar mais cedo, mas bolas! Eu estou grávida de 8 semanas e estou mais pançuda do que na gravidez do Miguel com umas 16 ou 17 semanas. A continuar assim não sei onde irei parar, mas sei como lá vou chegar: a rebolar!

3.12.15

7 semanas e 5 dias

Ontem durante o dia a sensação de náusea deu-me tréguas. Vi a vida a andar para trás. Pensei de imediato que a maldição das 7 semanas tinha voltado a atacar. À noite os enjoos voltaram em força. Fiquei mais descansada enquanto lutava para conseguir comer alguma coisa ao jantar. Quase não consegui. Numa situação normal sou feliz alimentada a ovos e cogumelos. Ontem não consegui comer os meus adorados cogumelos gratinados com queijo. Tudo o que tenha um sabor mais acentuado faz com que o meu estômago dê meia dúzia de pinotes. Nesta fase sabem-me bem os sabores simples, pouco ou nada condimentados. O meu pequeno-almoço foram tomates-cereja, ovos mexidos e café com leite. Os tomates souberam-me bem, o resto nem por isso.

7 semanas e 5 dias e aparentemente tudo normal. Há esperança.

2.12.15

a árvore de Natal, o pequeno panda e as luzinhas

Temos árvore de Natal há para aí uma hora. A pequena criatura que habita cá em casa ainda não a destruiu, estou estupefacta! É certo que tentou comer algumas luzes, mas tirando isso, para já, tudo está sereno.

29.11.15

A semana

Entrámos na semana complicada, aquela que só por uma vez conseguimos ultrapassar. Espero, daqui a uma semana, poder dizer que pela segunda vez vencemos este obstáculo.

26.11.15

à 5ª gravidez é assim

Reacção da obstetra quando entrei no consultório: "A sério?" E riu-se. 

como estás?

Enjoada, ou porque acabei de comer ou porque tenho fome. Não consigo perceber onde acaba a sensação de ter acabado de comer meio leitão e onde começa a sensação de estar esfomeada por não trincar nada para aí há uns 15 dias.

Na verdade, apesar do desconforto, esta sensação de enjoo permanente deixa-me mais descansada.

24.11.15

6 semanas!

O dia da ecografia chegou finalmente. Para além de uma pequena esfera de células tive direito a ouvir um pequeno coração galopante. A semana em que habitualmente os sonhos caem por terra ainda não chegou, mas há que celebrar cada pequena vitória, independentemente do que virá. Hoje voltei a saber que tenho dois corações a bater dentro de mim, e há poucas coisas com um sabor mais doce que este.

tudo ou nada, como sempre

Trabalho de sonho, em destino de sonho (um cenário com águas límpidas azuis e transparentes, palmeiras e calor, muito calor), bate-me à porta numa altura em que me é impossível dizer que sim. Eu, grávida, sou uma espécie de bomba-relógio. Não posso arriscar percorrer meio mundo neste estado. E custa-me tanto, mas mesmo tanto, dizer que não a algo que queria com todas as minhas forças. 

17.11.15

esperar

Estou, mais uma vez, nesta fase da espera, já tão minha conhecida, mas nem por isso mais fácil. Da última vez custou menos. Estava de férias, mais distraída entre a piscina e os passeios. Agora estou rodeada de dias comuns, daqueles dias aborrecidos de Inverno, em que às cinco horas é de noite e em que o tempo, só por si, já parece custar mais a passar. Estou de novo nesta fase dos dias que não avançam e das semanas que ganham dimensões de meses. Da última vez, mais descontraída pelas férias e porque a última gravidez tinha sido bem sucedida, estava mais confiante. Marquei a primeira ecografia para a semana em que os sonhos costumam tombar. Sabia que independentemente do resultado nada poderia fazer para o alterar, de modo que decidi não ir a correr para o consultório. Não cheguei a ir a essa consulta. Não chegámos lá. Desta vez marquei a ecografia para a semana anterior à semana da prova de fogo. Falta uma semana e os dias parecem não querer avançar. Às vezes dou comigo a perguntar-me como é que voltei a estar nesta posição. Talvez seja loucura, talvez seja inconsciência. Não é fácil tornar a estar aqui, assim, sem saber para que lado penderá o prato da balança desta vez. Mas sei que estou no sítio em que é suposto estar. Uma semana, só falta uma semana.

13.11.15

é torcer, minha gente, é torcer!

Tanta, tanta coisa a acontecer, menos o blog.

O mais importante: o resultado do jogo ainda está em aberto. Sou doida varrida, eu sei. Torçam muito por mim nós.

10.10.15

ninguém o pára!

Depois de muito aperfeiçoar a técnica de gatinhar para trás, descobriu que a coisa também funciona para a frente. 

6.10.15

nunca irei entender

Mediante o panorama político actual não há grande voltar a dar: não voltarei a Portugal tão cedo. Custa-me especialmente pelos meus pais, mas não tenho alternativa. O problema deve ser meu, porque se uma parte considerável dos Portugueses quer que o país continue como está (já se sabe que vai piorar, mas façamos de conta que continuará igual) é porque a situação deve ser favorável. Estou fora do país há 2 anos e meio, deve ter melhorado muito entretanto e eu não me apercebi.

4.10.15

simbolismo

Ver os resultados das eleições e começar a fazer as malas para amanhã regressar a um país que não é o meu.

2.10.15

inspirar, expirar, estou quase a ir embora

Meia dúzia de dias em Portugal e bato palmas pela distância que normalmente me separa cá do sítio. O motivo resume-se numa palavra de cinco letras começada por S, terminada em A, e que pelo meio tem quase um ogre.

ainda sobre as eleições

A certeza de que os resultados ditarão a (im)possibilidade de um dia destes regressar.


Não entendo como é que famílias que vivem miseravelmente, que viram os seus emigrar, que não podem dar aos seus o que gostariam, têm como intenção manter a situação política actual. É algo que sempre me ultrapassou e agora que a situação é mais grave, mais difícil me é entender. 

1.10.15

Há dias saí de casa às 6 da manhã. O bebé estava a dormir. Entrei em casa passava das 9 da noite. O bebé estava a dormir. Nos 9 meses de existência do Miguel foi o primeiro dia assim. No dia seguinte quando o tornei a abraçar (com força redobrada para compensar a ausência do dia anterior) dei comigo a pensar que talvez a ideia de ter outro filho não estivesse totalmente de lado.

resumo dos dias

Em Portugal a saborear esta espécie de Verão fora de tempo. Sei que quando voltar a Itália voltarei também ao Outono, pelo que estes dias amenos me sabem a um bónus valioso. O bebé voltou a acordar de hora a hora durante a noite. Aguento-me bem durante o dia se dormir umas 2 ou 3 horas seguidas à noite, mas ultimamente é raro conseguir dormir uma hora de uma vez. Não me sinto cheia de sono, mas sinto o cansaço físico como nunca tinha sentido antes. Sei que ainda estou dentro dos meus limites e vou esticando a corda. Fui sozinha a Lisboa em trabalho. Podia ter dormido as 4 horas de viagem, mas fui incapaz de o fazer. Aproveitei para trabalhar, aproveitar cada minuto só meu sem interrupções. Foram 4 horas de silêncio e concentração que não sei quando poderei repetir. Estou a trabalhar num projecto interessante com o outro lado do mundo. Confirma-se que é isto que me dá gozo. É um trabalho útil para alguém, que sei ter impacto. Estou cansada de trabalhos de faz de conta que se arrumam em gavetas ou são usados em discursos políticos sem qualquer interesse ou consequência. Não vim nesta altura propositadamente para votar, mas fico feliz por estar cá neste momento. Penso que é a primeira vez que sinto verdadeiramente que os resultados destas eleições são fundamentais para o país e tenho um receio enorme que nada mude e tudo piore. Vou votar de forma que pode ser chamada de não útil. Não poderei votar de outra forma.

26.9.15

sábado, 7 da manhã, a trabalhar

O que acontece a uma workaholic a quem nasce um filho? Transforma-se numa workaholic com um filho.

Nos primeiros meses ainda pensei que a nova realidade (me) pudesse mudar, mas os hábitos falam mais alto.

22.9.15

começo de dia

A reunião por skype estava combinada para as 8 da manhã de cá (fim da tarde do lado de lá do mundo). Acordo às 7 e tal. Vejo o mail e tenho uma mensagem das 6 e pouco da manhã a dizer que podíamos começar a reunião quando eu quisesse. Lavo a cara a correr, nada de maquilhagem, visto uma camisola de malha, agarro no portátil e vou para a varanda para não acordar a família. Está frescote e chove. Skype ligado e uma mensagem a dizer que se tinha enganado nas horas, que falávamos às 8 e não às 6 da manhã. Vê-me ligada e começa a reunião. Eu às 7 e meia da manhã na varanda, de calças de pijama e camisola a fazer de conta que estou apresentável, e com chuva miudinha à minha volta. Do outro lado do monitor o dia quase a chegar ao fim, temperaturas altas e muito mar. Enquanto não posso estar do outro lado sou feliz assim.

egoísmo?

Talvez seja egoísmo, talvez seja perfeitamente normal. A verdade é que agora que me começo a sentir eu de novo, agora que me voltei a envolver em projectos que me agradam e que me fazem pensar que trabalhar pode ser mesmo um grande prazer, dou comigo a pensar se quero mesmo ter outro filho. Talvez esteja a ressacar destes 9 meses em casa num país que não é o meu, longe de tudo e todos. Talvez inconscientemente eu quisesse engravidar logo de seguida porque sabia que quando voltasse a sentir o sabor das outras facetas da vida não teria vontade de tornar a hibernar. O mais certo é isto passar-me em três tempos, mas hoje, no dia em que o Miguel faz 9 meses, sinto esta interrogação no ar.

14.9.15

consegui, consegui!

Supostamente estou em casa apenas a tomar conta do bebé. Mas, na verdade, divido-me em várias. Uma trata do Miguel, a outra escreve artigos e capítulos, há ainda uma outra que se candidata a tudo o que lhe parece relevante, e ainda há a dona de casa. Às vezes pergunto-me em silêncio se esta correria desenfreada em que vivo vale a pena. Depois há dias, como hoje, em que acordo e tenho uma resposta positiva a um tipo de trabalho que perseguia há algum tempo e só não dou pulos de contente porque tenho que ir deitar o pequenote e arranjar um esquema qualquer que me permita fazer efetivamente este trabalho e continuar a tomar conta da pequena criatura. Esta correria vale a pena, vale tanto a pena. Consegui, pá! Consegui! Sempre achei que o difícil era conseguir o primeiro contrato deste tipo e que a seguir seria bem mais fácil conseguir mais. Agora vou poder testar! Oh yeah!

10.9.15

3-1, resultado que espero não ser o final

O primeiro aborto surgiu do nada, de forma inesperada, tão inesperada quanto a primeira gravidez. Depois de saber que estava grávida nunca pensei que poderia abortar. Claro que conhecia casos de mulheres que tinham passado por isso, mas para mim, nessa altura, esses casos eram excepções que não me mereciam atenção nem preocupação. Depois veio o balde de água fria. Desfizeram-se os sonhos e os planos. Eu, que nem era suposto engravidar, imaginei que o meu acaso improvável e feliz tinha terminado desta forma e o mais certo era nem se vir a repetir. Ainda assim não pensei duas vezes para voltar a tentar. Recordo-me que na mesma consulta em que a ecografia me mostrou um coração que já não batia, perguntei quando poderia voltar a tentar engravidar. Acho que eu própria me surpreendi com a pergunta e acho que foi ali que percebi que queria engravidar. Ironias do destino, descobri que gostava de ser mãe no dia em que descobri que a gravidez tinha deixado de evoluir. Assumi que este tinha sido um acaso infeliz e segui em frente.

O segundo aborto congelou-nos as esperanças e colocou sobre nós a nuvem negra do medo. Receio de que algo nos impedisse de ter filhos. O segundo aborto dói tanto como o primeiro. Não há o factor surpresa que há da primeira vez, mas já não há como achar que tivemos azar. Ter azar duas vezes seguidas é demasiado azar junto.

O Miguel fez-nos olhar para traz com outros olhos. Podíamos efetivamente ter tido muito pouca sorte das duas primeiras vezes. Afinal as dezenas de análises e testes que fizemos não encontraram nenhum motivo para as duas perdas sucessivas. Ou talvez eu tivesse algum problema menor, não detectado, que a cardioaspirina, tomada religiosamente desde o início até quase ao final da gravidez, tivesse resolvido. 

O terceiro aborto não surgiu do nada, sempre houve uma ténue sombra que se reflectia em "ses" quando pensávamos no futuro. "Se tudo correr bem." Mas, na verdade, não queríamos desperdiçar muito tempo com essa possibilidade. Já tínhamos o Miguel, por que haveria de correr mal desta vez? Mas correu. A cardioaspirina não foi a solução. O terceiro aborto mostrou-nos que se calhar não tivemos azar das duas primeiras vezes, mas tivemos antes muita sorte na terceira. Temos connosco um bebé vivaço e sorridente e isso faz-nos ver a realidade com outros olhos, mas o terceiro aborto doeu tanto como os anteriores, ainda que de forma diferente. Como já disse antes, depois de se ter um filho sabemos o que estamos a perder. Esta foi a primeira vez em que parei para pensar se queria continuar a tentar engravidar. Agora estou claramente a perder o jogo e imagino que o mais certo é a minha desvantagem aumentar. Ainda assim o meu gosto por correr riscos não se perdeu. Façamos figas e lancemos os dados.

a mudança dos ritmos

Tarefa importantíssima para terminar e um bebé para cuidar 24 horas por dia. Isto de não ter apoio familiar não é complicado quando o bebé tem 2 dias, é complicado quando o bebé já tem vários meses e nós queremos voltar a ter alguma vida. Convenço-me que só se consegue com muito jogo de cintura e muita habilidade para sermos o artista de circo que mantém vários pratos a rodar em cima de pauzitos sem deixar cair nenhum. A dada altura achei que não ia conseguir terminar este trabalho, que era impossível conseguir pensar, reflectir, tomar decisões e escrever enquanto troco fraldas, faço sopas, faço o aviãozinho porque não quer comer a sopa, passo horas a tentar adormecê-lo porque dormir é coisa que não lhe assiste alegremente. A poucos dias do prazo-limite posso dizer que superei a prova. É possível. Estava habituada a fugir do mundo durante dias, semanas ou meses e centrar-me no trabalho do momento. Agora trabalho na meia hora em que dorme, ou nos 10 minutos em que se distrai sozinho e à noite, depois de ele adormecer, quando já tenho os olhos semi-fechados. É outro ritmo, é todo um outro universo, mas é possível. Agora vou ali dar os últimos retoques no trabalho e ver se despacho isto de vez, para depois poder ter uns dias de paz e sossego para me dedicar à pequena criatura.

25.8.15

tudo é relativo

Não me recordo do nome do blog, mas lembro-me de há um ano ou dois me ter cruzado com ele. Eram relatos de uma mulher que tentou engravidar durante 20 anos. A dada altura conseguiu, mas acabou por abortar. Não desistiu, continuou a fazer tratamentos e 20 anos depois conseguiu finalmente ter uma filha nos braços. Perante casos destes o meu terceiro aborto, depois de ter um filho saudável, é nada. Eu consigo engravidar, mas tenho dificuldade em que o embrião se continue a desenvolver para além das 7 semanas. Mas, de uma forma racional, tenho todos os meses uma nova janela de oportunidade. Não preciso de tratamentos e isso é uma vantagem sem tamanho. Mas tudo é relativo. Engravidar para mim não é necessariamente sinónimo de vir a ter um filho, enquanto que para muitas amigas e conhecidas ver as duas riscas no teste é garantia de que passados 9 meses a família cresce. Tenho amigas que planificam tudo de modo a que o rebento nasça no mês X ou Y. Eu dar-me-ia por contente por engravidar numa altura qualquer e saber que a gravidez não teria um fim antecipado. Tudo é relativo e há situações que dificilmente conseguiremos entender até termos de as viver.

23.8.15

a 3ª vez

Já ter um filho não atenua a dor, mas diminui a ansiedade. Depois do primeiro aborto achei que tinha tido azar. Depois do segundo achei que seria demasiado azar seguido e a ideia de que poderia haver algo de errado connosco ganhou força. Seguiu-se uma gravidez com alguns sustos, mas um final feliz. Acreditei que tinha tido muito azar nas duas primeiras vezes, mas que poderia não ter passado disso: azar. Ao terceiro aborto deixei de acreditar no factor azar (talvez tenha começado a pensar que tive muita sorte por hoje termos o Miguel connosco). A verdade é que estar próxima dos 40 não abona a favor da qualidade dos meus óvulos e talvez o meu historial não seja assim tão estranho. Mas é certo que há muitas mulheres da minha idade que engravidam sem problemas, assim como é verdade que há muitas mulheres mais novas que lidam com o mesmo tipo de problemas. Voltamos ao factor sorte/azar aos olhos do comum mortal, como eu.

A dada altura tive vontade de fazer de novo a análise à HCG (a ausência de sintomas andava a fazer-me espécie), depois pensei de novo e achei que estava a ser um pouco paranóica. O mais certo seria nessa altura os valores já não serem os mais normais para a fase em que estava. Na prática ter repetido essa análise e ter obtido um valor preocupante só me deixaria ansiosa sem poder fazer absolutamente nada. Conheço bem esta fase inicial da gravidez e sei que não há curas milagrosas, nem há como evitar um aborto que se adivinha. Por esse motivo não corri para o hospital quando percebi o que se poderia estar a passar. É também nesta forma de agir que me sinto menos ansiosa e muito mais ponderada. Há situações em que não adianta ser control freak, e esta é claramente uma delas.