16.5.14

foi assim

Andei estranhamente calma estas semanas, mas ontem, já depois de estacionar e enquanto caminhava para o consultório, dei comigo a pensar que ia ter um daqueles momentos que podem decidir tanta coisa. Não esperei tempo nenhum, entrei no consultório e expliquei resumidamente o meu percurso de 3 gravidezes num ano e mostrei os resultados das análises que fiz já depois do segundo aborto, na tentativa de encontrar uma razão para o fim abrupto do desenvolvimento do embrião. Simpatizei com a médica. Viu os resultados das análises com calma, e confirmou o que já suspeitava. Não há, aparentemente, motivo que explique o que tem acontecido. Mas não me falou de má sorte, nem de ansiedade, nem de stress, nem dos lugares comuns que vindos da boca de um médico me fazem ter vontade de virar costas e sair do consultório. 

Nunca eu imaginei ter tanta vontade de fazer uma ecografia ginecológica! Acho que naquele momento nem pensei em nada, fixei os olhos no monitor e vamos lá ver o que se tem andado aqui a passar nas últimas semanas. Apanhei um susto enorme, e lembro-me perfeitamente que naquela hora pensei "Há quem coleccione cromos nas cadernetas do Mundial, eu colecciono situações infelizes no que diz respeito a engravidar. Et voilà, desta vez saiu-me uma anembrionária". A médica pensou o mesmo (a parte da caderneta de cromos é capaz de lhe ter escapado, vá), vi-o na expressão dela e na frase que iniciou "O saco embrionário está implantado no útero, não é uma gravidez ectópica, mas..." E eis que o embrião aparece na imagem. Respirámos fundo e rimo-nos e confirmámos que estávamos a pensar exactamente o mesmo. Embrião com o tamanho correspondente ao tempo de gravidez. Para já tudo normal.

Saiu-me um peso de cima, mas o medo continua cá. Esta gravidez não é claramente uma repetição da segunda, em que nada foi normal desde o início, mas ainda pode ser a repetição da primeira. Quase há um ano, estava eu grávida do mesmo tempo, e na ecografia tudo era perfeito. Não sei se acaso (imagino que sim, já que as situações foram claramente diferentes), mas nas duas gravidezes anteriores o embrião deixou de se desenvolver às 7 semanas e poucos dias. Passarei por esta fase na próxima semana, e inevitavelmente não tenho apenas pensamentos sorridentes e cor-de-rosa. 

Farei nova ecografia daqui a duas semanas, depois da "fase crítica", no mesmo dia em que viajarei para Portugal. Na segunda gravidez abortei exactamente no dia em que deveria ter regressado a Portugal... De modo que, embora seja estranho para quem não passou por situações deste tipo, mas ter acordado hoje, mais uma vez, com uma leve sensação de enjoo me deixa um pouco mais descansada. Da primeira vez, o embrião deixou de se desenvolver, mas não houve sinais exteriores evidentes de nada, a não ser ir perdendo aos poucos os sintomas de gravidez. Na altura não liguei grande coisa, estava tão distante do mundo das gravidezes que não chegam a bom porto.

Resumindo e concluindo, tenho 8.1 mm de gente dentro de mim e, mais uma vez, dois corações a bater em simultâneo. Se daqui a duas semanas continuar a ter corações aos pares sou capaz de começar a acreditar realmente que corro o risco de ter uma passagem de ano bastante original!

4 comentários:

  1. Pregaste-me um susto ali pelo meio...mas redimiste-te no final! Torço para que esta história em tudo seja diferente e te traga um "felizes para sempre"! Beijinhos

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  2. À terceira é de vez! Torço para que tudo corra bem! beijinho :)

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  3. Que tudo corra muitíssimo bem!

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