7.12.16

ainda aqui venho de vez em quando

Os dias são feitos de cansaço, correria e algum desnorte. Depois ouço o Miguel a bater palmas deitado na cama, quando supostamente estaria a dormir a sesta há um bom tempo, e tenho que me rir. O cansaço desaparece com estes pequenos nadas: uma palavra nova, uma atitude inesperada, um sorriso que nos desarma. Quase de certeza que este é o melhor tempo da minha vida: estou em casa com os dois pequenos seres que me preencheram a vida enquanto eles próprios transbordam de vida e espanto. Esta é uma fase sem viagens, quase sem liberdade, sem tempo para mim, sem tempo para nada para além de cuidar deles. É uma fase dura, dolorosa mesmo. Eu era feita de trabalho, escrita, viagens, fotografias e compras. Sobra tão pouco dessa pessoa. Não sei se algum dia voltarei ao ponto de partida. Aliás, sei que não voltarei, sei que continuarei a vibrar com viagens, com a fotografia e com a escrita. Não sei de que forma encaixarei tudo nesta nova vida com dois filhos.

Hoje sou uma pessoa melhor do que era há três anos. Sou melhor mãe agora do que quando era só mãe do Miguel. A maternidade amaciou-me, mostrou-me perspectivas da vida e das pessoas que desconhecia. A maternidade, e o meu afastamento do mundo das pessoas "normais", fez-me ver o mundo com outros olhos. Há dias difíceis, em que há mais birras, em que não dormem, em que o maior não quer comer, em que o mais novo faz cocó até às orelhas vezes sem conta. Nesses dias anseio por aquele bocadinho de noite a seguir ao jantar em que o tempo é apenas meu e sinto que cada dia deviam ser dois: um para cuidar deles, o outro para (cuidar de) mim. Noutros dias dou comigo a pensar que não fossem os constrangimentos financeiros e era louca o suficiente para ter um terceiro filho. Detestei estar grávida do Miguel e agora tenho saudades e dói-me saber que é algo irrepetível. 

Vou acabar de aproveitar este bocadinho de dia só meu :)

9.11.16

reflexos da vida no carro

Tinha um carro de 3 portas. O Miguel nasceu e eu fui teimosa, continuei com um carro de 3 portas. O João nasceu e o carro não mudou. Fiquei uma semana sozinha com os 2 bebés e um carro de 3 portas. Era um tal de me torcer e retorcer para pôr o ovo e o Miguel-quase-sempre-endiabrado no banco de trás que assumi a derrota. Hoje foi o dia em que passei a ter um carro familiar.

7.11.16

a minha vida é isto 2

Houve um tempo em que gostava tanto de colares e pulseiras que criei uma loja de bijuteria artesanal. Hoje não uso colares nem pulseiras e tenho uma loja de roupa de bebé.

a minha vida é isto 1

Houve uma fase na minha vida em que circulava pelo mundo e mudava de hemisfério com total liberdade. Hoje tenho dificuldade em conseguir ir à casa de banho.

2.11.16

estamos vivos e de boa saúde!

Ontem comecei a escrever um post. Depois já não me recordo do que aconteceu, mas o João deve ter ficado com fome ou o Miguel decidiu fazer uma birra e o post ficou a meio e nunca mais me lembrei dele. Hoje tinha um comentário a perguntar por nós e achei que era hora de dar sinal de vida :)

Estamos bem. Ou melhor, os bebés estão bem, eu estou cansada (assim a roçar o exausta) e o pai acabou de se mudar para outro país. Em breve vamos nós também.

O Miguel é uma pequena peste adorável. Testa os nossos limites a cada minuto do dia. Tem um sorriso maroto delicioso, diz "não" a toda a hora, adora o escorrega e adora brincar na rua. Faz birras minuto sim minuto não, raramente come decentemente, detesta tomar banho, detesta trocar a fralda e adora brincar com os gatos da avó. Ainda não fala muito, mas faz-se entender sem dificuldade e compreende tudo.

O João já fez 4 meses, está comprido e rechonchudo. Desta vez a amamentação está a correr bem e vamos até aos 6 meses em exclusivo. Adora mamar e dormir ao colo. Gosta de brincar e já agarra alguns brinquedos. Faz arrrr a toda a hora e tem um sorriso doce e maroto.

Eu estou exausta. Ter dois bebés em casa tem tanto de maravilhoso com de esgotante. Acredito que em poucos meses irá melhorar, que me irei sentir menos cansada e poderei gozar mais os meus bebés. Para já é maravilhoso, mas a sensação de que não consigo dar aos dois a atenção que ambos merecem está sempre presente.

Vou tentar dar notícias mais frequentemente. Entre os bebés e a loja não sobra grande tempo e o cansaço, para já, é imenso, mas tenho saudades de escrever!

22.8.16

3 anos

20 meses de um, 2 meses do outro e daqui a uma semana estaremos por aí, algures, a caminho de Portugal. Desta vez o carro que temos que levar de volta para Portugal substituirá o avião. Uma longa viagem a 4, que sabemos que será dura, mas não conseguimos imaginar até que ponto. Havemos de sobreviver. Sobrevivemos a (quase) tudo, essa é a verdade.

Por estes dias empacotam-se 3 anos de vida em caixas e mais caixas e ainda assim o mais importante fica de fora. Um dia dizemos que sim a um mail que nos propõe um emprego noutro país, uns meses depois entra-se num avião com 2 malas na mão e seria impossível imaginar que 3 anos depois sairia de Itália casada e com dois filhos. O propósito que me trouxe a Itália, o trabalho, deixou de ser relevante e o meu mundo já não é o de há 3 anos. Voltamos por umas semanas para Portugal, para a casa que era só minha e que agora terá 4 habitantes. O que fazem 3 anos...

3.8.16

contagem decrescente e falta de paciência

Estou a menos de 1 mês de ir embora e estou mortinha por virar costas a Itália. Já estamos na fase das despedidas, de sabermos que nada de relevante irá acontecer entretanto, e eu não tenho grande paciência para tempos mortos. Por mim ia embora já hoje. Estou cansada. E mais cansada fico com o calor que nos derrete mais um bocadinho a cada dia que passa, com as burocracias italianas e com todas as outras italianices a que não me consegui habituar nestes 3 anos e tal. Apetece-me um bocadinho de colo da família (dou tanto, também tenho direito a receber um bocadinho, não?), apetecem-me os pasteis de nata da Costa Nova, apetece-me polvo, cozido à portuguesa, apetecem-me praias à séria com areais a perder de vista (estas praias de relva não me convencem), apetece-me o mar que deixa o sal em cima de mim depois de secar (nadar em água doce não é a minha praia!), apetece-me voltar ao ninho por mais de meia dúzia de dias que passam a correr.

pensamento recorrente dos últimos dias

Mas como é que me podia sentir cansada quando tinha só uma mini-criatura em casa?

(sim, eu sei que quem tem 3, 4 ou mais se está a rir de mim neste momento)

29.7.16

sobre o peso

Nem tudo o que se relaciona com gravidez poderia ser difícil pelos meus lados: uma semana depois do João nascer tinha voltado ao meu peso pré-gravidez, embora ainda com uma barriguita flácida a dar de si. Um mês depois nem peso nem barriga. Não durmo decentemente, não descanso, lido com as birras constantes do Miguel enquanto o João mama, falta-me tempo para quase tudo, mas vá lá... não tenho razão de queixa quando me vejo ao espelho. É algo insignificante, mas nesta fase não é: há algo em que eu continuo a ser eu.

28.7.16

nova vida

Dormem os dois. Silêncio pouco habitual em casa, só entrecortado pelo barulho da ventoinha (o verão aqui é a sério).

Hoje encaixotei os primeiros pertences. É estranha esta sensação de embalar 3 anos de vida em meia dúzia de caixotes e partir de novo rumo ao desconhecido. Vim para Itália com 2 malas cheias de roupa, livros e máquinas fotográficas. Vou embora com 2 filhos, o resto é irrelevante. Está quase a terminar o tempo da pior experiência profissional que já tive e estou também a dizer adeus ao país que viu nascer os meus 2 filhos. Itália não me deixa saudades. Continuo a achar que é um país excelente para férias e um péssimo país para viver. Tive más experiências pessoais e profissionais com italianos, mas também as tive por cá com portugueses filhos da mãe e a quem desejo tudo o que merecem. O que interessa agora é que daqui a um mês e pouco estarei de férias em Portugal, poderei levar o Miguel à praia, poderei comer o cozido à portuguesa que bem me apetecer (existem desejos pós-gravidez?), poderei recarregar baterias de paciência e sossego, para daí a mais umas semanas rumar a novo destino, nova cultura, nova língua. Nova vida.

25.7.16

1 mês já passou e faltam 5 semanas

Não sei como é que isto aconteceu, mas já passou 1 mês. O João já fez 1 mês! Parece que nasceu há 2 ou 3 dias e afinal um mês já se foi. 

Daqui a 5 semanas estaremos a caminho de Portugal, depois do adeus definitivo a Itália. Estamos em contagem decrescente e ainda há tanto para fazer: formalidades a tratar, tralhas que não queremos levar para vender, embalar tudo o que será enviado para Portugal ou para o nosso novo destino, e tanto tanto mais.

A viagem vai ser uma verdadeira loucura. Temos o carro português para levar, de modo que desta vez o carro substituirá o avião. Itália-Portugal de carro, 2 dias de viagem, 2 bebés, 2 adultos, quase sem bagagem (os bebés ocupam tanto espaço que não deixam margem para malas). We will survive... espero eu! :D

22.7.16

3 anos

A 22 de Julho de 2013 estava internada para fazer a primeira curetagem.
A 22 de Julho de 2014 estava grávida do Miguel.
A 22 de Julho de 2015 estava grávida, mas ainda não sabia. Deixaria de estar poucas semanas depois.
22 de Julho de 2016: o João faz 1 mês, o Miguel faz 19 meses. 

17.7.16

amamentação - é desta!

Amamentei o Miguel durante muito pouco tempo. Estava preparada para ter dores ao amamentar. Estava preparada para uma subida do leite dolorosa. Não estava preparada para que o meu filho não aumentasse de peso e a amamentação ficasse pelo caminho. Sempre me senti "eu" durante toda a gravidez do Miguel e no pós-parto também, não senti que as hormonas tivessem tomado conta de mim, excepto no dia em que tive que abrir uma lata de suplemento e preparar um biberão. Nesse dia chorei baba e ranho. Estava a fazer o que me era possível na altura, mas a sensação de estar a falhar  e de não estar a dar ao meu filho o que ele merecia tomou conta de mim. Depois, quando vi o ponteiro da balança a subir, confirmei que dada a situação estava a fazer o que era correcto e até encontrei vantagens em lhe dar leite adaptado (não ter que ser sempre eu a dar-lhe o biberão era uma delas), mas fiquei sempre com um travo amargo na boca. Senti que se estivesse em Portugal saberia onde me dirigir para procurar ajuda, e que estando longe estava um pouco perdida nesse aspecto. Para além disso, tudo era novidade, estávamos só os três e penso que isso condicionou a minha capacidade de me mexer e dar luta ao suplemento.

Quase não preparei nada para o nascimento do João. Não li nada, não me preparei para o parto. Ainda estava tudo muito fresco de toda a experiência com o Miguel e a verdade é que tudo o que se relaciona com o parto e com o cuidar de um recém-nascido me parece muito intuitivo. Tudo me parece intuitivo, menos a amamentação. Sobre amamentação li, informei-me, pesquisei onde poderia procurar ajuda se tivesse dificuldades mais uma vez. O João mamou pela primeira vez na sala de partos e não me magoou, como aconteceu com o Miguel. Achei que seria um bom augúrio. Mas a verdade é que o João não parecia ficar saciado depois de mamar quando ainda estava no hospital. Por três ou quatro vezes bebeu suplemento (e como o bebeu rapidamente!) e eu não chorei nem me senti mal. Desta vez sabia que estava a fazer tudo, mesmo tudo, o que podia: pedi a várias enfermeiras que verificassem a pega (tudo OK), fizemos o que não é indicado (pesar o bebé antes e depois de mamar), mas que nos ajudou a perceber o que se passava: o peso não aumentava e vimos que naquela altura eu basicamente não tinha leite. Para além disso o João debatia-se imenso para pegar na mama (o que não acontecia com o biberão do suplemento), o que não ajudava nada. Saímos do hospital e, apesar de ter comprado uma lata de leite adaptado, decidi não lhe dar suplemento até à pesagem seguinte, passados dois dias. Depois de o pôr na mama dava-lhe leite meu no biberão, tirado com a bomba. Bebia bem esse leite e a verdade é que o peso aumentou. Senti-me mais confiante: o problema não estava no meu leite. Mas o João continuava a lutar com a mama. Tirar leite com a bomba resolvia o problema, mas por quanto tempo? Até quando conseguiria  eu tirar leite várias vezes por dia tendo outro bebé em casa? Falei com duas CAM (conselheiras de apoio à amamentação) portuguesas. Uma aconselhou-me a deixar o biberão gradualmente, a outra a cortar com o biberão de forma radical. Eu já sabia que era esse o caminho, mas tinha medo que o peso baixasse de novo. Enchi-me de coragem e fui pela abordagem radical. Arrumei a bomba e o biberão. O João continuou a aumentar o seu peso. Não lhe tornei a dar leite meu pelo biberão. A confiança ajuda muito nestas situações e eu sentia-me bem mais confiante do que na altura do Miguel. 

13.7.16

o que mais me custou

O João nasceu na quarta. Na quinta o H. viajou para fora do país e o Miguel teve que ficar esse dia e a noite de quinta para sexta em casa de amigos nossos. Pedimos-lhes que ficassem com o Miguel porque têm uma filha exactamente da mesma idade. Assim o Miguel estaria entretido com a menina e sabíamos que quem ficaria a tomar conta dele daria conta do recado sem grandes problemas. 

Tendo o João nascido ao meio-dia e meio assumimos que na sexta por essa hora teríamos alta, eu iria buscar o Miguel e iríamos os três para casa. O H. chegaria ao início da noite. 

Mas nem tudo correu como o esperado. Como o João nasceu algumas semanas antes do tempo, por uma questão de precaução, não nos deixaram sair do hospital na sexta, apenas no sábado. Comecei a ficar preocupada por o Miguel ter que ficar também o dia inteiro na sexta com pessoas que ele não conhecia. Pior fiquei quando soubemos que o H. corria o risco de não conseguir voltar a Itália na sexta porque a companhia pela qual viajava estava em greve. Isto implicaria que o Miguel teria que passar mais uma noite fora de casa e sem pai nem mãe.

O que mais me custou no parto do João foi toda esta situação com o Miguel. Não foram as contracções, não foram as dores na hora H. Foi saber que o Miguel estava sem nós e sem perceber porquê. Quando a pediatra me disse que não teríamos alta na sexta eu já sabia que corríamos o risco do H. não conseguir voltar na sexta. Tive que respirar fundo várias vezes para não desatar num pranto ao pensar nesta possibilidade.

No final, o pior cenário acabou por não se verificar. Nós só tivemos alta no sábado à hora de almoço, mas o H. chegou na sexta à noite. O voo atrasou que se fartou, mas houve voo. O Miguel já passou a noite de sexta para sábado em casa com o pai.

Estar noutro país sem o suporte da família tem destas coisas.

12.7.16

o parto - para minha memória futura

Tive consulta no dia 18 de Junho e foi aí que confirmei que o que andava a sentir eram contracções e a dilatação já ia nos 4 centímetros. O H. ia viajar na quinta seguinte e o regresso seria na sexta. Comentei o nosso calendário com a obstetra e para ela era claro que o João iria nascer durante a semana, muito provavelmente antes de sábado. Fiquei de ir ao hospital na terça, caso não houvesse novidades antes, e a médica veria a evolução da coisa. No sábado, muito provavelmente resultado de fazer a mala de maternidade (que ainda não estava feita!) e limpar a casa toda, tive contracções atrás de contracções (sem dor, mas a sensação era familiar e não havia margem para dúvida - eram mesmo contracções!). A dada altura achei que da noite de sábado para domingo não passaria. Mas passou. Domingo foi um dia sereno, sem contracções. Na segunda as contracções regressaram. Achei de novo que durante a noite poderia haver novidades, mas a verdade é que nada aconteceu.

Terça de manhã fui ter com a médica. Estava a torcer para que a dilatação não tivesse aumentado, mas a verdade é que já ia a meio do caminho: 5 centímetros de dilatação e eu feliz da vida e sem dores. A obstetra, que me acompanha desde o meu primeiro mês em Itália, que é o mesmo que dizer que me acompanha desde a primeira gravidez, teve receio por mim e decidiu fazer papel de mãe. Teve medo que o João decidisse querer nascer durante a noite quando o H. não estivesse e eu estivesse sozinha com o Miguel. Segundo ela, dado que seria o segundo parto e que já estava com 5 centímetros de dilatação, seria tudo muito rápido e desconfio que teve medo que eu não chegasse ao hospital a tempo. Foi pragmática e perguntou-nos se não preferíamos que o João nascesse antes do H. viajar. Acrescentou que ela ficaria mais descansada, que no hospital "tomariam conta de mim" e que assim poderíamos deixar o Miguel com os nossos amigos, sem pressas nem contratempos. Concordámos que era a opção mais racional. Mandou-me estar no hospital na quarta, dia 22 às 8 da manhã, caso não entrasse em trabalho de parto antes. Não havia motivos para induzir o parto, de modo que a obstetra me sugeriu uma forma alternativa de acelerar o parto. Mandou-me tomar óleo de rícino às 6 e depois às 7 da manhã de quarta. 

Nunca tinha ouvido falar do óleo de rícino como indutor do parto, mas a verdade é que uma pesquisa breve não deixou margem para dúvidas. Na verdade, o óleo de rícino provoca contracções no intestino e, nesta situação, acaba por provocar também contracções uterinas. Se alguém me tivesse recomendado tomar óleo de rícino com este fim não iria na conversa. Tendo sido a minha obstetra, em quem confio plenamente, não duvidei nem da intenção nem da eficácia. Às 6 da manhã primeira colherada de óleo, às 7 mais uma e às 8 estava no hospital já com 6 centímetros de dilatação, sem dor e sem contracções.

Senti-me uma ave rara quando vinham ter comigo ao quarto e me perguntavam se sentia dor e eu respondia que não. Estive ligada ao CTG: algumas contracções ainda muito espaçadas e sem dor.  Entretanto levaram o CTG e lá fiquei eu no quarto, sentadinha na cama, agarrada ao telemóvel para me entreter e ver se o tempo passava. Grande parte do tempo estive sozinha. O H. estava com o Miguel. O Miguel esteve no quarto connosco algumas vezes, mas quem segura um pequeno mafarrico de 18 meses num espaço tão pequeno sem destruir o que o rodeia? E também nos parecia que o João iria demorar bastante tempo a nascer, de modo que não havia necessidade de deixar o Miguel com ninguém tão cedo.

Ora bem, o H. saiu para almoçar com o Miguel quando faltava um quarto de hora para o meio-dia. Nessa altura já tinha algumas contracções com dor, mas achei que o caminho ainda seria longo. Entretanto ligaram-me de novo ao CTG. Estava sentadinha no cadeirão. Se no primeiro parto estar sentada parece ter acelerado a coisa, decidi repetir a posição.

Faltavam 2 ou 3 minutos para o meio-dia e meio e as contracções eram mais fortes e mais prolongadas. Eram muito diferentes das contracções que tinha sentido no parto do Miguel, que eram verdadeiramente dolorosas e faziam o CTG ir até aos 100%, mas ainda assim achei que se calhar tinha chegado o momento de fazer força e conhecer o rebento. Pedi à rapariga que estava comigo no quarto que tocasse a campainha para chamar uma enfermeira (eu ligada ao CTG não chegava à minha campainha!). Veio uma enfermeira, expliquei o que sentia com toda a calma do mundo. Esta enfermeira foi chamar uma outra que me disse "vamos para a sala de partos!, traga a roupa do bebé". Peguei no saquinho com a fatiota e enviei SMS telegráfica ao H: "sala partos!" Comi o "de" porque naquela altura percebi que o tempo escasseava verdadeiramente. Lá vou eu com a enfermeira, o saquinho da roupa e o telemóvel e a enfermeira pergunta-me: "Escadas ou elevador?" Respondi "elevador" enquanto me ria, porque acredito que se fosse pelas escadas o João não teria nascido no bloco de partos! Entrámos no bloco de  partos e o João começou verdadeiramente a nascer quando ainda não tinha chegado à marquesa. Sentia a cabeça dele. Deitar-me na marquesa não foi tarefa fácil. Deitei-me e o João nasceu naquele momento. Eram 12:35. Não senti a sensação de explosão que senti no parto do Miguel. Não precisei que ninguém me dissesse para fazer força. Não pensei, como tinha acontecido da primeira vez, que tinha que fazer força de forma contínua porque havia muitas barreiras a transpor e que só assim o bebé nasceria. Desta vez foi completamente intuitivo: senti que o João ia nascer, fiz força durante 2 ou 3 segundos et voilà "habemus João!". Desta vez não houve episiotomia, nem houve tempo para nada. Entre enviar SMS a dizer que ia para a sala de partos e o João nascer passaram-se 4 minutos. Fiquei a perceber porque é que há grávidas que têm os bebés a caminho do hospital, é que não há como controlar mesmo!

O H. chegou poucos minutos depois do João nascer, ainda a tempo de lhe vestir a primeira fatiota.

Sobre as contracções, percebi finalmente porque é que me diziam que as contracções eram como dores de período mais fortes. O meu primeiro parto foi induzido com oxitocina e as contracções são completamente diferentes! Contracções com oxitocina são mesmo muito dolorosas, nada que se assemelhe a dores de período. Já no segundo parto foram muito mais brandas e, sim, confirmo que são como dores de período mas mais intensas (só na fase final é que não!, mas mesmo estas não têm comparação com as contracções que se têm com oxitocina).

Logo a seguir ao parto dei mama ao João ainda na sala de partos e uns minutitos depois descemos para o quarto, desta vez pelas escadas!

(Sim, mais uma vez foi um parto sem epidural. Em Itália a epidural não é administrada de forma comum, como em Portugal. Apesar de ter tido partos rápidos, claro que preferiria não ter sentido dor, o que podia muito bem ter acontecido já que tanto de uma vez como de outra cheguei ao hospital já com dilatação suficiente para me darem epidural.)

quase a dizer adeus a Itália

Estou a menos de 2 meses de sair de Itália de vez. Por um lado estou feliz. Enquanto estava a trabalhar gostava realmente de morar aqui, mas depois de ficar em casa com o(s) bebé(s) a minha opinião mudou. Moro perto e na verdade tão longe de Milão. Por uma série de condicionantes, desde que fiquei em casa que me sinto "presa". Sair daqui será uma espécie de libertação. Viver no campo foi uma experiência interessante, mas agora apetece-me voltar a ser uma pessoa de cidade, com tudo à mão, mesmo que na outra mão vá um carrinho duplo de bebé.

Depois há o outro lado. Sair de Itália agora é como encerrar a fase mais dura e mais doce da minha vida. Cheguei grávida a Itália, engravidei mais 4 vezes. Saio de cá com 2 filhos. Sair daqui agora é o encerrar de uma etapa que naturalmente teria um fim, mas é vincar esse fim de uma forma impossível de ignorar. Nunca o imaginei antes, mas sei agora que vou sair daqui de lágrima no canto do olho.

9.7.16

a Melancia apaixonou-se pela Raspberry!


Descobri esta marca quase por acaso. Cruzamo-nos por aí, neste mundo quase infinito das redes  sociais e houve uma empatia da Melancia pela Raspberry Republic e vice-versa. Foi um acaso muito feliz. Adoro as peças da Raspberry por todos os motivos e mais alguns: os padrões alternativos e divertidos, o conceito da marca (todas as peças são feitas com algodão orgânico alternativo e a sua produção respeita os trabalhadores) e a qualidade dos materiais.

Espreitem que vale a pena! Vão por mim! :)

Ah, e com tamanhos, desta vez, até aos 3 anos ;)

1.7.16

novidades em jeito de telegrama

Juro que quero vir cá contar as novidades, mas o tempo parece ter encolhido um bocadito mais e entre os miúdos, a casa, o marido e a loja não sobra grande tempo. Enquanto não vos conto mais nada adianto apenas que aquele receio de não gostar de um como gostava do outro se desvaneceu assim que me puseram o pequeno João em cima do peito, ainda deitada na marquesa onde ele acabou de nascer (começou a nascer ainda eu estava em pé a entrar no bloco de partos!). Fui atingida por uma espécie de relâmpago de amor pelo pequenote. Confirmo o chavão do coração de mãe alargar e onde cabia apenas um, caberem agora dois sem o espaço ter diminuído para o primeiro. Ainda passou tão pouco tempo e já me tinha esquecido de como são doces os sons produzidos por um recém-nascido e de como nos enche a alma ter aqueles nem 3 quilos de gente ao colo.

27.6.16

e o pai não assistiu mesmo

Nasceu antes do pai viajar, mas foi tudo tão rápido que quando o pai chegou já tinha nascido. Se o meu primeiro parto foi rápido, este nem se fala! Posso ter dificuldade em manter uma gravidez, mas quando ultrapassamos as fatídicas 7 semanas chegamos ao fim a uma velocidade sem igual! 

e agora somos 4!

20.6.16

filho, é ficar na piscina quentinha mais 5 dias, ok?

Sábado --> contracções + contracções + contracções, a dada altura a meio da noite achei mesmo que ainda íamos ter que interromper o sono e rumar ao hospital. Depois adormeci e tudo acalmou.

Domingo --> nada de contracções!

Se até amanhã não houver novidades, amanhã lá vou eu ter com a médica para vermos como está a dilatação.

J., sê obediente e espera até Sábado, quando o pai já estiver de volta. Pode ser? Sim? Sim? Sim?

19.6.16

a coisa está presa por dias!

Dadas as evidências e depois de explicar à obstetra que o meu marido vai viajar e regressa no final da semana, exclamo em tom de desabafo "Só precisávamos de mais uma semana...". Pela expressão dela percebi que é tempo que muito dificilmente teremos. O J. é um apressado e o mais certo é nascer esta semana (glup!). Ontem, depois da consulta, entrei em casa, fiz a mala para a maternidade (sim, ainda não estava feita) e limpei a casa toda. O marido montou o berço e trouxe a espreguiçadeira de novo para as luzes da ribalta. O Miguel anda encantado com as novidades que apareceram de um momento para o outro cá em casa. Empurra o berço como se fosse um carrinho e tenta sentar-se na espreguiçadeira!

Estou estranhamente calma. Se foi coisa que aprendi é que tudo se resolve e há tanta, mas tanta coisa que não depende de nós e que não há como controlar. O mais certo é o J. nascer quando o pai não estiver, ou mesmo antes da partida dele. Aqui somos só os dois e o miúdo (quase a tornar-se plural). Assim, colocámos em alerta vermelho (era alerta amarelo, mas ontem teve que mudar de cor) duas amigas e agora é esperar. Se me apetecia estar sozinha na sala de partos? Obviamente que não. Mas há alternativa? Não, a viagem não pode mesmo ser adiada. Portanto, espero apenas que corra tudo pelo melhor. A minha maior preocupação é mesmo que alguém responsável fique com o Miguel enquanto eu não puder.

Desde que soube da viagem que disse que com a minha apetência para situações incomuns o mais certo era o J. nascer nessa altura. Tudo se encaminha nesse sentido. A tradição parece que ainda é o que era.

17.6.16

flash sale!

Só até amanhã 25% de desconto em todos os vestidos, macacões e fatinhos de bebé!

outra novidade desta gravidez

Na gravidez do Miguel só soube o que eram contracções no momento do parto (oxitocina + contracções --> forma radical de entrar em contacto com as contracções!). Desta vez começaram a aparecer de mansinho, eu nem sabia bem se eram contracções ou não. Agora já não restam dúvidas. Olá contracções, sejam bem-vindas!

16.6.16

diabetes - a saga

Continuo apenas com a dieta, embora o endocrinologista me tenha dito para começar com a insulina. Não estou a ser irresponsável nem teimosa, afinal na gravidez do Miguel tomei mesmo insulina, e agora faria o mesmo... se fizesse sentido. Os valores andam bons, há vários dias que não saem dos valores de referência. Tive azar: nos dois dias antes da consulta tive dois valores em jejum ligeiramente acima do que é suposto. Primeiro o médico nem reparou nesses valores e mandou-me continuar com a dieta. Depois viu esses valores e foi um "Deus me acuda". Toma lá uma receita para a insulina e vemo-nos antes do parto. E eu fiquei a olhar para o que ele escreveu e a olhar para os valores da glicemia e achei que o bom senso devia prevalecer. A consulta foi no início da semana e cá em casa concordámos em esperar até final da semana para decidir se se avançava com a insulina ou não. Depois do dia da consulta não houve um único valor acima do suposto. Também fiz análises no laboratório, não fosse o aparelho que uso para medir a glicemia estar desorientado, e os valores foram ainda melhores. De modo que, para já, nada de insulina porque honestamente não vejo motivos para isso. Não sou médica, mas sei ler os valores e se estão dentro dos valores de referência, insulina para quê?

15.6.16

36 semanas já passaram!

Já entrei na 37ª semana! Diz-me a app que uso para não me perder na contagem das semanas que se já não for o primeiro filho é muito provável que o bebé nasça esta semana. Por um lado estou cansada, com dores no fundo da barriga (novidade para mim, na gravidez do Miguel não senti nada disto), faço alguma ginástica para apertar as sandálias, e virar-me na cama exige alguma calma e cuidado, o que poderia indiciar que estou mortinha para me livrar da barriga e passar à fase seguinte. Mas, por outro lado, parece-me que o Miguel merece mais uns dias de filho único e agora acho que o tempo passou num abrir e fechar de olhos e estou naquela fase em que acho que ainda não estou preparada para dividir o meu tempo entre dois bebés (um bocadinho tarde para pensar nisto, não?). Bom, na verdade desconfio que tudo se resume a algum receio do desconhecido e do medo legítimo de não conseguir dar ao Miguel a atenção que ele merece. Escrevo isto e penso "mas que raio... devia ter escrito que tinha receio de não conseguir dar a atenção que cada um dos dois merece". Pois devia, mas, e isto não vai soar bem, aviso já, mas é a verdade, eu morro de amores pelo Miguel, mas ainda não morro de amores pelo J. Sei bem que há mães que borbulham corações cor de rosa assim que sabem que estão grávidas, mas eu preciso de tempo para que o sentimento cresça e, pior mais que isso, sou um bocadinho como S. Tomé: preciso de ver para crer. Pode soar frio, distante, mas é o que se passa por estes lados, preciso de tempo antes e depois do nascimento para que os meus sentimentos pelos pequenotes cresçam. Para além de tudo isto, que já senti com o Miguel, ainda estou naquela fase pré-nascimento do segundo filho, em que duvido conseguir amar o segundo como amo o primeiro. Acredito piamente no que todas as mães de mais do que um dizem, que há espaço para amar igualmente quantos filhos tivermos, mas ainda não o sinto na pele e, por isso, ainda ando aqui meia abananada com tudo isto.

E é isto, no fim da semana há nova consulta e com sorte o colo do útero ainda não está a dar de si, e o bebé vai ser paciente e nascer só depois do pai voltar de viagem. Se bem que com a apetência que tenho para as situações surreais já me estou a ver no hospital a ter a criança sozinha. Completamente sozinha, sem pai e sem epidural, que pelo que percebi por estes lados continua a ser coisa pouco apreciada pelos profissionais de saúde. Oh Deus, quem me mandou ter filhos em Itália?

9.6.16

1 mês de Melancia e um giveaway!

A Melancia for babies completa hoje 1 mês!

Ultimamente o tempo por estes lados parece voar a todos os níveis. Ainda ontem estava em Portugal a abrir a Melancia e agora já estou de novo em Itália a comemorar o primeiro mês de loja e mini-roupas (sim, os envios são sempre feitos a partir de Portugal, ou vocês acham que depois de todas as minhas aventuras e desventuras com os correios italianos lhes ia pôr as vossas encomendas nas mãos?).

Por falar em tempo a voar, já entrei no 9º mês! Mas isto fica para outro post, onde me lamentarei até à exaustão do cansaço e das dores quase permanentes na pança cada vez mais proeminente.


Voltemos à Melancia, vamos celebrar! Claro que sim! Como? Com um giveaway!
Para receberem em casa uma peça Sture & Lisa (todas as peças em algodão orgânico certificado) à vossa escolha só têm que:

O vencedor será selecionado de forma aleatória e anunciado na página do Facebook da Melancia for babies, no dia 19 de Junho!



🍉 🍀 Boa sorte! Bo🍀🍉


6.6.16

desconfio que não chego às 40 semanas

As minhas memórias dizem-me que estava fresca como uma alface no final da gravidez do Miguel. Lembro-me de me sentir esmagada se me deitasse de barriga para cima (algo que comecei a sentir muito antes do final da gravidez), mas tirando isso estava óptima. Claro que me cansava mais facilmente do que o habitual, mas estava bem. Desta vez sinto-me muito mais cansada e sinto mais o peso da barriga, além de me parecer que nesta fase já tenho uma barriga maior do que tinha quando o Miguel nasceu. Não estou mais pesada nem engordei mais (na verdade engordei menos), mas é a sensação que tenho. Tenho o feeling de que desta vez não vai haver indução e não vou chegar ao final do tempo. Esperar para ver!

3.6.16

e se o pai tiver que viajar na altura em que o parto já não será uma surpresa total?

Na última semana a barriga agigantou-se! Daqui a pouco pareço um ovo com bracitos e pernitas! Estou mais magra, o que ainda acentua mais a barriga mais que proeminente. E hoje soubemos que o marido vai ter que viajar daqui a 3 semanas. Ora, dada a altura e a nossa pontaria, o J. ainda nasce com o pai ausente, o que tendo em conta que estamos sozinhos fora do nosso núcleo é capaz de não ser um acontecimento brilhante. Oh puto, tu nasce antes ou depois, mas exactamente daqui a 3 semanas é que não!

1.6.16

será?

Não quero lançar foguetes antes da festa, mas pelo menos para já diria que os diabetes estão controlados. Será que desta vez me escapo à insulina? A barriga cresce, mas a balança pouco mexe, o que é bom sinal. De vez em quando lá aparece um valor fora dos limites em jejum ou ao jantar porque passei demasiado tempo sem comer, mas de resto tudo normal. Não passo fome, ao contrário do que muitos pensam. Mostro-vos já que ando bem alimentada: por exemplo, o almoço de hoje foram queijos grelhados, espargos com presunto enrolado e salada. Haja imaginação e poucos hidratos de carbono! 

quase a dizer adeus ao 8º mês

Entrei na 35ª semana. Passou tão depressa e ao mesmo tempo o dia em que desconfiei que poderia estar grávida parece-me agora tão distante. Estávamos na Eslovénia, numa livraria. Eu estava a embalar o Miguel no carrinho, porque o moço achou que o ambiente da livraria era demasiado sossegado para ele e decidiu mostrar o potencial dos seus pulmões. Enquanto estava naquele empurra o carrinho para a frente e puxa o carrinho para trás senti-me ligeiramente enjoada. Não sou pessoa de enjoar por dá cá aquela palha, de modo que houve ali um centésimo de segundo em que pensei "Será?...". Seguiu-se um "Não pode ser..." e depois um "Bom, na verdade até pode". Mas "Não, não pode ser...". Fiquei a pensar naquilo mas, ao contrário do que teria feito noutras alturas, não fui a correr a uma farmácia comprar um teste. Aproveitei Liubliana e Bled, comi a melhor sopa de cogumelos de todos os tempos, aproveitei o mar e de regresso a Itália acabei por comprar o tal teste, que fiz sem grande convicção nem esperança. E, claro, é sempre nestas alturas de descrença ou "estou-me nas tintas" que somos surpreendidos! Risca clara, muito clara, mas visível. E o meu mundo mudou mais um bocadinho naquele dia. Estou agora na última semana do 8º mês. E a vida está prestes a mudar mais um bocadão!

o cabelo e a gravidez

Na gravidez do Miguel devem-me ter caído para aí uns 5 cabelos durante toda a gravidez. O cabelo simplesmente não caía. Tenho o cabelo encaracolado que cai que se farta quando me penteio, mas durante aqueles meses a escova ficava sem nenhum cabelo agarrado. Quatro meses depois do Miguel nascer começou a debandada do cabelo, meu e do Miguel. O pequeno mafarrico tinha nascido cheio de cabelo e aos 4 meses o cabelo dele decidiu dizer adeus. Não caiu todo, mas quase. O meu também achou que era tempo de se despedir de mim. Não me caía cabelo apenas quando me penteava, caía a toda a hora. O chão cá de casa ficou revestido a cabelo. 

Desta vez não me cai cabelo como normalmente, mas a diferença é muito pequena. Espero que depois do nascimento do J. não se repita o que aconteceu depois do nascimento do Miguel, ou o mais certo é ficar quase careca!

portes gratuitos até final da semana, yeah!!

No primeiro Dia da Criança da Melancia for babies... comemoramos com portes gratuitos em todas as encomendas e para todos os destinos, até final desta semana! Oh yeah!

Código: BABY a usar no checkout!

30.5.16

é quase como se estivesse a cozinhar: chá de camomila e maisena

Até aqui nada de rabinho vermelhusco ou assado. Até que chegámos aos 17 meses e a coisa se dá. De um momento para o outro o Miguel ficou com o rabito (o corrector insiste em escrever rabino!) vermelho e com algumas zonas em muito mau estado. Normalmente nem creme de mudar a fralda uso. Uso, desde que nasceu, compressas tecido não tecido e água morna, muito esporadicamente uso o creme da Mustela. Mas agora eram precisas medidas mais radicais. Lá fui eu comprar um creme de que tinha ouvido maravilhas. A pele pior não ficou, mas também não melhorou. Hora de pôr em acção soluções caseiras: em vez de água usei chá de camomila para limpar o rabiosque do pequenote, e depois polvilhei-o com maisena, e ainda lhe pus mais umas colheres de maisena na água do banho. Tiro e queda. Deixámos de ter um rabino rabito pele vermelha cá em casa!

29.5.16

trovoada de ontem

Gosto de trovoada. Gosto de estar sossegada em casa e ouvir a fúria do tempo lá fora. Mas ontem à noite foi medonho. Por estes lados é comum haver trovoadas fortes nesta altura do ano, mas nunca nada como ontem. Estava a adormecer o Miguel quando ouvi o trovão mais sonoro de sempre e a casa estremeceu. Estranhamente o Miguel sossegou com aquele barulho e adormeceu em três tempos. Voltei à sala e pouco depois víamos fogo aqui perto. Alguma coisa ardia. Estava escuro, não conseguimos perceber se era vegetação ou alguma casa. Ouvimos os bombeiros a circular nas redondezas durante bastante tempo. Imagino que aquela situação não tenha sido única. Continuei os meus afazeres de fim de dia e não pude deixar de pensar no fim de dia das pessoas afectadas. Assusta sempre e assusta muito mais quando bate à porta quase ao lado da nossa.

28.5.16

a questão que já se me coloca há umas semanas

Por aqui já está calor. Daqui a mais umas semanas estará um calor abrasador e será altura de dormir com as janelas abertas (a única forma de conseguir dormir!). Os invernos por estes lados são gélidos, os verões muito quentes e húmidos. Como é que vou sobreviver a estas temperaturas com dois bebés colados a mim, e com um a ser amamentado? (Eu sei, eu sei, há mães a passar pelo mesmo, e bem pior, em todo o mundo, e vivem alegres e felizes; eu não serei excepção! mas que vai custar, ai isso vai!)

27.5.16

grávida há 3 anos

Sinto-me grávida há mais de 3 anos. Descobri que estava grávida em Junho de 2013. Deixei de estar grávida em Julho. Comecei a tentar engravidar logo de seguida. Descobri que estava grávida em Fevereiro de 2014. Em Março a gravidez chegou ao fim. Em Abril tornei a engravidar. O Miguel nasceu em Dezembro. Em Julho de 2015 descobri que estava grávida. Em Agosto deixei de estar. Em Novembro engravidei de novo. Se tudo correr bem o J. nasce em Julho.

Acho que estou tão feliz quanto cansada. Mudei de país em Maio de 2013 e desde aí a vida tem sido um corrupio, uma sucessão de picos e vales sem igual (a muitos níveis, não apenas no que se relaciona com gravidez/maternidade). Nunca tive uma vida serena ou aborrecida, mas nestes últimos três anos consegui bater todos os records. Preciso de coisas simples como voltar a vestir a minha roupa, não ter consultas a toda a hora, não fazer análises constantemente, poder fazer planos sem pensar "nessa altura não posso porque estou grávida e coincide com a fase em que a gravidez costuma correr mal", "nessa altura não posso porque é quando nasce o bebé" (tive que dizer tantos "nãos" nestes anos, a causa foi a melhor, mas não deixou de custar virar costas a projectos que tanto queria). Preciso de voltar a ter algum tempo para mim, coisa mailinda de se escrever a meia dúzia de semanas de ter o segundo filho! Posso ser mal entendida, mas o que quero dizer é que me apetece ter vida sem pensar em testes de ovulação ou gravidez, ou "será que é desta?". Nem sequer estou ansiosa para que esta gravidez chegue ao fim, nada disso, cada momento a ser saboreado como deve ser, mas preciso de ultrapassar esta fase. Tanto "estou grávida", "já não estou grávida", "vamos tentar de novo", "será que é desta?" deixou-me cansada e agora preciso de viver os meus dois filhos e viver as outras facetas da minha vida que andam meio esquecidas na confusão destes dias. 

só para não me esquecer (como se fosse possível)

- tenho um bebé de 17 meses
- estou na 34ª semana da gravidez
- tenho um marido que precisa e merece atenção
- tenho uma casa que não tem a capacidade de se limpar nem de se arrumar (uma pena)
- para a semana chegam peças novas à loja
- na semana seguinte igualmente
- na altura em que é previsto o J. nascer chegam muitas peças novas
- continuo a fazer investigação

Meti-me nisto tudo de livre e espontânea vontade e, curiosa e estranhamente, gosto do caos em que consigo transformar a minha vida quando podia estar tão mais sossegada!


adoro macacões :-)

Nunca conseguiria divulgar e vender peças em que não acredito e que nada me dizem, o que significa que todas as mini-fatiotas que estão na Melancia me agradam mesmo, e muitas já moravam cá em casa muito antes de haver loja. As peças que agora tenho na Melancia são peças que visto ao Miguel desde recém-nascido e, no caso das peças de menina, aquelas que compraria se não estivesse em minoria cá em casa. Mas se tivesse que escolher o meu tipo de fatiota favorita acho que não teria muitas dúvidas: adoro macacões! Adoro ver bebés com macacões! Gosto de ver os bebés vestidos como bebés que são (e não como adultos em miniatura), e para mim não há nada mais amoroso que ver um bebé com um belo macacão!



    

as sestas que quase davam comigo em louca!

O Miguel, com excepção das primeiras 3 ou 4 semanas, sempre fez sestas curtas, muito curtas mesmo. Às vezes dormia 5 minutos, outras 10, 15 de vez em quando e 20 minutos quando o rei fazia anos. Cheguei a cronometrar as sestas, não fosse apenas impressão de quem vê o tempo a correr sem dar para tudo o que se queria, e afinal o rapaz dormir horas e eu ter uma percepção errada do tempo. Não estava enganada, ele dormia mesmo muito pouco tempo seguido. Várias amigas me tinham alertado para a dificuldade dos dois primeiros meses, mas que depois tudo ia melhorando. No meu caso não foi assim. Preparei-me mentalmente para dois meses infernais. Não foram semanas fáceis, mas acho que me aguentei bem à bronca. Depois fiquei à espera do paraíso... que não chegou. Com 3 meses o Miguel fazia as tais micro-sestas (quase sempre ao colo) que não me permitiam fazer nada de nada e só estava bem ao colo, ou chorava desalmadamente. Agora olho para trás e ainda estou para perceber como é que a casa não se transformou num verdadeiro caos de pó, cotão e roupa para lavar e passar. Parece que também ninguém passou fome e, infelizmente, a única pessoa que cozinha cá em casa sou eu. Tinha amigas com bebés da mesma idade que diziam ter saudades deles, já que os rebentos dormiam 4 e 5 horas seguidas. Ainda estou para saber o que é uma sesta de 4 horas! Mas, por volta dos 11 meses, o mafarrico que me vira a casa e a vida do avesso começou, finalmente, a fazer sestas mais longas. Uma hora seguida a dormir e eu a descobrir o nirvana! Agora, com 17 meses, faz uma sesta por dia. No mínimo dorme uma hora, normalmente hora e meia ou duas, e em dias de festa brinda-me com 3 horas seguidas de sono diurno. Agora é esperar para ver o que acontece quando o irmão nascer... (medo!)

pequeno-almoço

Na gravidez do Miguel cheguei a uma fase em que o pequeno-almoço tinha que ser sopa, ou os valores da glicose trepavam até patamares proibidos. Desta vez ainda posso deixar a sopa para outras refeições, se bem que acabei por concluir que há coisas bem piores que sopa ao pequeno-almoço!

Desde pequenos é-nos ensinado que o pequeno-almoço são cereais, ou pão e leite e pouco mais, e a verdade é que o pequeno-almoço é uma refeição que pode ir tão além do básico. Por um lado entendo que dê jeito ser uma refeição simples e de fácil preparação, afinal é início de dia e queremos é despachar-nos rápido para sair de casa, mas há pratos que se podem preparar rapidamente e que nos  (pelo menos a mim!) deixam mais saciados e mais felizes. 

Ter diabetes gestacional não me permite comer pão ao pequeno-almoço (nem em momento nenhum do dia), de modo que fui à procura de alternativas. O pequeno-almoço padrão por aqui inclui um ou dois ovos (cozidos, mexidos, estrelados), abacate ou tomate ou fruta (maçã, morangos, melancia ou nêsperas - as outras frutas não podem entrar na minha dieta, têm demasiado açúcar), queijo ou iogurte grego natural e café (de conferência, quem vai frequentemente a conferências sabe ao que me refiro, café que não sabe a nada, basicamente água castanha!). Também já comi frango de churrasco, peixe grelhado ou uma salada grega ao pequeno-almoço. Soube-me muito bem e os valores da glicose mantiveram-se dentro dos níveis de referência. Mas devo confessar que sinto saudades de de vez em quando poder molhar a gema do ovo estrelado num bocadinho de pão! 

26.5.16

barriga em movimento

Entrei verdadeiramente na fase em que a barriga não pára: ora saltita, efeito dos soluços da micro-criatura (já havia uma mini, agora há uma micro que de micro já não tem nada), ora rebola de um lado para o outro, ora parece ir rebentar porque o pequenote decide empurrá-la como se não houvesse amanhã. O que de melhor tem a gravidez: poder senti-lo quase a toda a hora, enquanto é só meu.

25.5.16

entrei na 34ª semana!

Falta pouco mais de mês e meio. Ou, se for como o irmão, já falta menos de mês e meio! Respiro fundo e continuo a dar comigo a perguntar "Como é que já chegámos aqui?". Mas devia era pôr o meu lado prático em acção e ir passar a pilha de bodies e fatinhos de tamanho mini-mini que está ali a olhar para mim.

Daqui a um mês e meio terei duas mini-criaturas em casa! Estou tramada feliz, queria dizer que estou muito feliz!

as leggings com desenhos no rabo! :D

Já não sei como nem quando me cruzei pela primeira vez com as leggings coloridas e divertidas da Blade & Rose. Devia estar na fase inicial de procura de roupa engraçada e confortável para o Miguel. Na altura não podia imaginar que uns tempos depois iria estar a vender esta marca! Na verdade foi a primeira marca que contactei, mais de um ano antes de decidir mesmo abrir a Melancia. O Miguel vestiu-as logo de início e continua a vesti-las agora. Mais confortáveis não podiam ser.

ter diabetes

Ter diabetes é comer uma cenoura crua e achar que aquela cenoura é tão doce como um tiramisu.

Para já os valores da glicemia vão estando controlados (oh yeah!), com excepção de uma ou outra refeição em que decido testar novos alimentos ou combinações de alimentos e chego à conclusão que não são uma boa opção.

24.5.16

cansaço

Na gravidez do Miguel o 3º trimestre passou-me  um pouco ao lado. Todas me falavam do cansaço, da exaustão, de como era difícil e desconfortável dormir, das dores, do desespero por chegar ao final da gravidez. Depois do stress dos primeiros três meses e dos sustos constantes que me acompanharam no 2º trimestre, os últimos meses de gravidez foram uma espécie de bálsamo, só interrompido pelos diabetes. 

Desta vez o primeiro trimestre foi igualmente stressante (ainda que tenha passado mais depressa, estava entretida a cuidar do Miguel!), mas de resto a gravidez tem sido serena. Mesmo os diabetes, que mais uma vez são um elemento desestabilizador, não estão a ter o impacto que tiveram na gravidez do Miguel. Mas (há quase sempre um mas, não é?) desta vez sinto o cansaço do terceiro trimestre. Não me apetece que a gravidez termine já, tenho ainda muita coisa para preparar e terminar antes do J. nascer. Mas sinto-me cansada. Há dias em que acordo cansada. Não conhecia esta sensação, felizmente, e é um pouco desesperante acabar de sair da cama com os níveis de energia já na reserva. A sesta diária do Miguel é o meu momento de relaxamento, ainda que, sem excepção, ocupe este tempo a trabalhar (trabalhar em sossego com uma caneca de chá ou café ao lado é uma forma de relax para mim). Podia dormir, podia esticar-me no sofá, podia ler um livro ou ver um filme, mas a workaholic que normalmente habita em mim continua a viver no meu eu grávido. Sinto-me mais pesada do que na gravidez do Miguel quando na verdade peso menos (33 semanas, 4 quilos a mais). Na gravidez do Miguel ocupava o tempo como bem entendia e não tinha que correr e fazer o pino enquanto tomava conta de um bebé irrequieto de 17 meses. Agora, desde que acordo até que me deito, lido com a energia inesgotável de um pequeno mafarrico. Acho que a razão do cansaço é mais esta do que qualquer causa física minha. Eu estou igual, mas desta vez o ambiente que me rodeia exige mais de mim.

23.5.16

3 anos de Itália

Vivo em Itália há 3 anos e poucos dias. Já o disse, já o escrevi, mas não há como fugir a esta verdade: nunca eu poderia imaginar quando me mudei que 3 anos depois teria um filho, estaria quase a ter o segundo, resultado da minha quinta gravidez, e estaria casada. Vim para Itália a querer acreditar que a relação recente e frágil que tinha iria sobreviver. No entanto, naqueles 2 ou 3 centésimos de segundo de racionalidade que me permiti na altura, sabia que dificilmente aquele fiozinho que nos unia iria resistir à distância e à ausência. A verdade é que acabei por confirmar o já gasto "a vida dá muitas voltas". Achava que ia viver 3 anos sozinha em Itália e já vim para cá acompanhada por um filho que não resistiu, mas que muito contribuiu para a nossa união. Estive apenas 3 meses sem ti. Daqui a 4 meses já não estaremos em Itália. Já depois do Miguel nascer dizíamos em tom de brincadeira que viemos dois e iríamos embora quatro, contando com o cão que arranjaríamos entretanto. Continuamos sem cão, mas seremos mesmo quatro quando dissermos adeus a Itália. Para trás ficam os anos pré-Itália em que estivemos desentendidos e nem sequer olá dizíamos um ao outro, para trás ficam todas as dúvidas, para trás ficam as gravidezes que terminaram demasiado cedo, para trás fica o lugar onde os nossos filhos nasceram e a primeira casa onde viveram. Um dia voltamos para lhes mostrar o castelo que se vê da sala de partos, o lago onde tentei afogar a dor das perdas, o local onde trabalhámos e que não nos deixa grandes saudades e as casas onde vivemos e fomos felizes.

as noites do Miguel (e as minhas!)

O Miguel andava a dormir tão bem, até que há duas noites acordou 4 vezes, e na última noite seguiu o mesmo caminho. Acorda e bebe leite como se estivesse esfomeado. Isto de acordar 4 vezes depois de ter passado meses a levantar-me de hora a hora, ou mais, não é o fim do mundo, especialmente porque daqui a poucas semanas voltarei ao ritmo alucinante de dar de mamar a toda a hora. Mas, também por este motivo, nesta fase saber-me-ia bem aproveitar as últimas noites de sossego durante longos meses. Esperar para ver se é uma fase curta ou nem por isso.

21.5.16

talvez a primeira fatiota do J.


Não sei se será a primeira roupa, mas será uma das primeiras. A foto é de ontem (tirada enquanto o Miguel dormia a sesta e me dava alguns minutos de silêncio e quietude), ainda antes da consulta, mas a querer acreditar que tudo estava bem. E estava mesmo :-)

A fatiota é da Melancia, como não podia deixar de ser ;)

2 quilos de bebé!

Respirei fundo!

O J. não está grande nem pequeno. A dieta não o deixa subnutrido e a glicose que me adoça o sangue não o está a fazer gorducho. O líquido amniótico está na quantidade certa e a placenta está bem e recomenda-se. Para já, os diabetes têm efeito zero. Saí da consulta mais serena.

Diz a médica que o J. é igual ao Miguel. Acredito. Da vez anterior ela bem viu as semelhanças entre o pequenote e o pai, e eu não via nada de nada na ecografia, de modo que confio nos pareceres dela!

Cheguei a casa, fui vasculhar as mini-mini-roupas do Miguel e estão neste momento a lavar. Comecei a arrumar os armários do Miguel, que vão ter que dar para dois, e estou pronta para daqui a pouco me dedicar a passar mini-roupa. Talvez precisasse desta consulta para verdadeiramente crer no que está a acontecer. Deu-se o click.

20.5.16

consulta amanhã!

Amanhã é dia de consulta. Será a primeira eco depois de confirmar que tenho diabetes. Estou expectante, não posso negar. Será que o bebé está a crescer bem? Será que o seu desenvolvimento é normal? Será que a dieta, basicamente sem hidratos de carbono, está a ter alguma implicação no desenvolvimento do pequeno J.? Quase 33 semanas, 4 quilos a mais, será pouco e/ou preocupante? Os diabetes vão estando controlados, mas os valores em jejum começam a roçar os limites e a ultrapassá-los uma vez por outra. Será que tenho que voltar à insulina (não queria mesmo nada)?

Inspiro, expiro, mais um dia e terei respostas (das boas, espero!).

aproveitar o sol!

Estamos de regresso a Itália. Depois de uns dias a acertar o horário dos sonos (o que fez com que o Miguel acordasse depois das 9, oh yeah!), voltámos ao ritmo habitual (olá 7 da manhã!) e aproveitámos o sol matinal.


Estender esta mini-roupa tem um encanto diferente de simplesmente estender roupa! ;)

(para quem tiver curiosidade, a mini-roupa está disponível na Melancia for babies e esta é toda da Smafolk)

19.5.16

não consegui resistir à Melancia

Eu sei, foi uma espécie de loucura abrir a loja nesta fase. Eu não seria eu se fizesse tudo no tempo que os outros consideram certo. Este não foi o momento ideal, mas para mim foi o momento correcto. Ou era agora ou não era. Não gosto de ficar a ruminar nos "e se?", de modo que decidi dar o passo em frente. Tudo tratado à distância, burocracias e legalidade incluídas. Viva a internet e todos os serviços online a que temos acesso.

A Melancia for babies foi crescendo em mim ao longo de vários meses, mais de um ano. Não tinha nome, não tinha imagem, era apenas uma ideia. De um dia para o outro não resisti a transformar a ideia em algo palpável. Sim, é uma loja online, nada palpável, mas as mini-roupas são bem reais (e macias, acrescente-se!). Para os outros não passa de mais uma loja ou de mais um site, para mim é um projecto sentido, pensado e alinhado com a minha vida actual (tão tão diferente de tudo o que alguma vez poderia imaginar para mim). Vivo entre mini-fatiotas e tudo o mais que é mini 24 horas por dia. Em breve vou multiplicar por dois esta vertente. Como não pegar em algo que me preenche os dias e os deixa tão mais sorridentes e dar um outro passo? Não sei resistir às tentações, é o que é. 

acredito que vou sobreviver

Sei que a tarefa que me espera não é fácil, mas a verdade é que pouco tenho pensado nisso. Lembro-me bem da falta de tempo para tudo quando o Miguel tinha poucas semanas (meses...). Não havia tempo para tomar banho, para comer, para ter a casa organizada. O Miguel fazia sestas de 5 ou 10 minutos, o que não ajudava à festa. Praticamente todo o tempo era ocupado a dar de mamar, trocar fraldas, dar banho, tê-lo ao colo e tirar leite com a bomba. A realidade agora é outra. Vem aí o J. e o Miguel já cá está. Não sei como vou gerir o tempo (a vida?), mas sei que capacidade de adaptação nunca me faltou. Tenho alguma experiência recente nisto de tratar de bebés mantendo a sanidade mental, de modo que acredito que vou sobreviver. 

Entrei em contagem decrescente, faltam menos de 2 meses para sermos 4!

12.5.16

não há coisa melhor :)

O Miguel começou há poucos dias a agarrar-me a mão para que eu vá com ele para aqui e para ali. E hoje agarrou-me a mão e adormeceu logo a seguir. 

31 semanas!

31 semanas completas! Ainda não estou bem em mim! Estou tão incrédula com a velocidade a que o tempo está a passar que ainda não preparei nada de nada. Eu bem me prometi que desta vez iria fazer as malas com muito tempo de antecedência, não fosse haver alguma surpresa, mas já começo a achar que vou repetir o que fiz na gravidez do Miguel (e que na verdade não correu nada mal!).

Confirmo que o segundo filho é um "desgraçado"! Para o primeiro arranja-se tudo com mil e um cuidados e muitas mariquices. Aliás, compra-se tudo o que é necessário e muito completamente desnecessário. O segundo filho... bom, o segundo, a ver o que se passa pelos meus lados, está cheio de sorte porque não me esqueço de ir às consultas e tomar as vitaminas! :D Tudo o resto são pormenores: roupas? (parece que há por ali do irmão! bebés de estações diferentes? isso é detalhe!), berço? (uns dias antes do parto monta-se o do irmão), ovo e carrinho? (estão na garagem, é só limpar), produtos de higiene? (acho que ainda há ali de tudo), fraldas? (isso tenho mesmo que comprar, não esquecer!). A sorte é eu não pensar ter um terceiro filho, ou o pobre ainda nascia e eu nem sabia que estava grávida!

Bom, na verdade não me posso lembrar apenas das consultas e das vitaminas. Os diabetes gostaram de mim da outra vez e decidiram fazer nova visita. Os resultados da curva da glicémia foram bem piores agora do que na gravidez do Miguel, mas estou a conseguir controlar melhor os valores da glicose desta vez. Imagino que a experiência da gravidez anterior esteja a dar os seus frutos. Nada de arroz, nem de massa, nada de pão, um quase nada de batata, muitos legumes, carne, peixe e ovos à vontade e consigo ter bons resultados (basicamente estou a fazer uma dieta paleo low carb!). Os valores da glicose em jejum começam a ser problemáticos (já na gravidez do Miguel foram a minha maior dor de cabeça), mas fazendo uma mini-ceia antes de dormir e acordando cedo (como se o Miguel me deixasse levantar tarde!) tenho conseguido não ultrapassar o valor de referência.

Os diabetes são uma dor de cabeça, mas têm um efeito positivo: 31 semanas e 4 quilos a mais. Estou pançuda (mais do que na gravidez do Miguel), mas as calças caem (só não caem porque a barriga as mantém bem seguras!). Desde que comecei a dieta radical dos diabetes que o peso não aumenta. Estou ansiosa pela próxima consulta para saber se está tudo bem com o pequeno J.. Na gravidez do Miguel desesperei por estar a perder peso na recta final da gravidez, mas só eu emagreci, não o bebé. Espero que a história se repita.

9.5.16

Melancia for babies - já online! oh yeah!


E a nova aventura começou: a "Melancia for babies" está online! :-)

Para quem passar por aqui e se perder de amores por alguma peça da Melancia: código promocional PORAI10 e têm direito a 10% de desconto em todas as encomendas realizadas até 15 de Maio.

(O código é introduzido no momento do checkout.)

8.5.16

Melancia for babies!



Cá está o motivo do longo silêncio! Na Segunda haverá loja online. Roupa divertida, confortável e orgânica para bebés até aos 2 anos. 
Espreitem e, se tiverem ideias para melhorar ou tornar a loja mais amigável, digam coisas :) Enviem mail com as vossas sugestões se tiverem paciência e não se importarem de perder uns minutos comigo. E com o mail ali atrás estou-vos a dizer que afinal a Rosa não é Rosa! ;)

8.4.16

o segundo filho

Tudo se começa a tornar verdadeiramente real. Fui à caixa da roupa de 0-3 meses do Miguel e seleccionei aquilo que é possível usar quando o J. nascer. O Miguel nasceu no pico do Inverno, o J. nascerá (se tudo correr como o esperado) no pico do Verão, mas ainda assim há uma série de peças que é possível reutilizar. O pai acha que o J. tem necessidade de ter muita roupa nova, que não pode ser um infeliz que só usará roupa em segunda mão. Eu sou bem mais prática. Para já tudo o que puder usar do irmão, usará. Deixemos esse tipo de preocupações para mais tarde, para quando o próprio J. tiver noção do que veste.

5.4.16

adeus segundo trimestre!

No último dia do segundo trimestre ultrapassou já as 800 gramas e mede mais de 30 centímetros. Todas as medidas estão na média e tudo o que era suposto ver-se está lá. Eu estou óptima, a gostar de estar grávida, o que é quase uma novidade para mim. Sinto-o constantemente e essa é mesmo uma das melhores sensações que é possível ter. Peso mais 4 quilos do que quando engravidei e daqui a uns dias irei repetir a análise para despistagem dos diabetes. A torcer para que não dêem sinal de si, mas se isso acontecer já não será tudo novidade e sinto-me mais informada para o que se segue.

há 2 anos

Ispra, Itália

Há dois anos, neste mesmo dia, tirei esta foto. Fazíamos caminhadas de fim de tarde junto ao lago, porque ficarmos fechados em casa não era opção. Estava no rescaldo do segundo aborto, com a certeza de que queria fazer tudo o que me fosse possível para que ter um filho não se ficasse pelo sonho, mas o receio de que à terceira não fosse de vez estava presente. Nem sequer sabia se chegaria a haver uma terceira gravidez. Tinha levado meio ano a engravidar pela segunda vez e tudo estava no campo das incógnitas. Não podia saber que nesse mesmo mês voltaria grávida de Hong Kong e que dois anos depois este seria o meu último dia do segundo trimestre da minha quinta gravidez.


4.4.16

eu e as lojas

Bebé a dormir a sesta (finalmente faz sestas que duram mais de uma hora!) e eu a editar fotos e a colocá-las no site da loja.

Esta não é a minha primeira loja online. Há mais ou menos 10 anos, aventurei-me, quase sem dar conta, pela primeira vez. Não tive a primeira loja a nascer num blog, mas não terei andado muito longe disso. Nessa altura foi tudo muito amador, muito feito sem pensar no que estava realmente a acontecer e sem ambição. O "Vento na Praia" ficou-me na memória e no coração. Foram muitos meses sem tempo para quase mais nada. Fazia as peças de bijuteria à noite. Madrugava para as fotografar com aquela luz clara que só as manhãs têm. Editava as fotografias e publicava-as no blog-loja. Saía de casa e ia trabalhar. Durante o dia ia respondendo aos mails de dúvidas e encomendas, enquanto roubava uns minutos ao trabalho a sério. Ao fim do dia voltava a casa, embalava as encomendas e corria até aos correios que fechavam às 19. À noite recomeçava o ciclo e fazia peças novas. Combinava as contas nas palmas das mãos. Na maior parte das vezes perdia mais tempo a experimentar combinações de cores e materiais do que a fazer as peças propriamente ditas. Gastava muito tempo a pesquisar materiais novos e era obrigatório fazer uma pesquisa de "bead shops" onde quer que fosse. A loja, que começou como brincadeira, cresceu e dei comigo a enviar peças para todos os continentes e a ter peças minhas à venda em lojas da Coreia e do Japão. Apareci na TV, em jornais e revistas. Uns meses depois não resisti a abrir uma loja real (a Lollipop), em sociedade, e experimentei a outra dimensão de ter uma loja. Foram meses sem tempo para respirar, sem fins-de-semana, sem jantares prolongados, a entrar em casa sempre depois da meia-noite (sim, a minha loja real tinha um horário bastante alternativo) e foram meses dos quais guardo excelentes recordações. Depois, dada a dimensão do "Vento na Praia", vi-me obrigada a ter que optar entre a minha vida profissional a sério e a bijuteria, pela qual me tinha apaixonado verdadeiramente. Escolhi o meu primeiro amor e como não sei fazer nada assim-assim, achei que era tempo de o "Vento na Praia" desaparecer. Ficaram as recordações e o bichinho, que agora volta a dar sinal de si, ainda que de forma completamente diferente.

2.4.16

25 semanas e uma loja :D

Tanta coisa que podia escrever por aqui, mas o tempo (ou a falta dele) não me me deixam. Há umas semanas voltei a sentir-me eu. Eu, a pessoa que existia antes de ser mãe com uma série de ajustes feitos após a maternidade. Não voltei ao ponto de partida (não sei se alguma mulher mãe volta), mas voltei a sentir-me eu, bem comigo própria, com o meu novo ritmo e a minha nova noção de como gerir o tempo. Não há tempo para tudo o que gostaria, nem há tempo para tudo o que havia antes, mas há tempo bem gerido e muito bem passado. Precisei de mais de um ano até atingir o meu novo ponto de equilíbrio, que na verdade daqui a umas semanas voltará de novo ao tapete!

Continuo a ser mãe a tempo inteiro (quem diria há não muito tempo que me sentiria bem nesta pele?), decidi que este tempo era meu - nosso - e que o deveria ocupar da forma que me  - nos - fizer sentir melhor. Afinal esta é uma fase que não sei quando terminará e que dificilmente se tornará a repetir. 

Já ultrapassei as 25 semanas de J., mais uns dias e entro no 3º trimestre (glup! O que aconteceu desta vez? O tempo acelerou e eu não me apercebi?). Estamos bem: ele crescido, eu pançuda. Ainda não preparei nem comprei mais nada para o rebento (OK, confirmam-se as teorias sobre o segundo filho!). Ando numa descontracção sem igual, a achar que ainda falta muito para o nascimento e que há tempo para tudo e mais alguma coisa. Na verdade, e apesar da barriga de 6 meses, continua a parecer-me algo irreal estar grávida de novo, de modo que ainda mais irreal me parece que um destes dias tenha de novo um recém-nascido em casa. A não ser que algo saia do fio condutor definido quero repetir a receita anterior: bebé nasce em Itália, vimos para casa e a vida continua como será a partir daí - a quatro. Não quero cá mais ninguém, não quero visitas nem ajudas vindas de Portugal. É loucura? Talvez seja, mas a verdade é que vamos ter que nos desenrascar a quatro daí para a frente, por que não começar logo do dia um do nosso novo mundo? Ter cá alguém estranho (ao ambiente, ainda que próximo) causaria, do meu ponto de vista, mais entropia do que outra coisa qualquer, de maneira que vou ser louca pela segunda vez (já que da primeira correu bem) e acreditar que daremos conta do recado sozinhos.

Na verdade, a minha descontracção é tanta que decidi pôr em marcha uma ideia com mais de um ano. Descobri algum tempo depois de engravidar, e confirmei depois de ser mãe, que a maior parte da roupa para recém-nascidos que se vê por aí não me cativa. Não a acho prática, nem bonita, nem particularmente interessante em termos de design nem de materiais. Daí a ter vontade de dar a conhecer aos outros, e a vender, o que realmente me agrada foram meia dúzia de passos. Depois decidi ter juízo e ficar quieta. Pois que assim que me comecei a sentir bem comigo esta ideia me começou de novo a povoar os pensamentos. E, como eu ainda sou quem era, dada a decisões tomadas num abrir e fechar de olhos, de um dia para o outro decidi que haveria mesmo loja online a vender roupa de bebé prática, bonita, de qualidade, e sem estilo rococó. Ando nisto há umas semanas, a tratar completamente sozinha das várias frentes da coisa. Habemus formalidades tratadas, site a avançar, encomendas feitas e mini-roupas já a chegar. Mais umas semanitas e eis que nasce a loja, ainda antes do J.! 

11.3.16

22 semanas!

Já ultrapassei o meio caminho da gravidez! 22 semanas, 2,5 quilos a mais e só agora começo a estar verdadeiramente consciente de que estou grávida de novo. Penso que os movimentos constantes do bebé J. não serão totalmente alheios a esta chamada à realidade. Ontem comprei-lhe a primeira fatiota e não resisti aos mapas, antiga paixão minha.



É certo que vai usar grande parte das roupas do irmão mais velho (vou ter um mais velho e um mais novo, ainda não estou totalmente habituada a ser mãe de um e toma lá... vais ser mãe de dois!), mas também terá direito a algumas peças para estrear (quanto mais não seja porque vai nascer no Verão e o Miguel foi um bebé do frio). Continuo a ser apologista de roupa prática e confortável e a fugir a 7 pés de folhos, laços, golas à Luis XIV e outras coisas que tais. Desde que descobri as marcas nórdicas que não quero outra coisa: conforto, cores giras e padrões divertidos.

12.2.16

18 semanas!

Oh yeah: 18 semanas e... sem diabetes gestacionais! Dou pulos de felicidade e como um bolo a escorrer creme para comemorar! Nãaa, nada disso! Bebi esta semana aquele xarope medonho e descobri que (ainda) não tenho diabetes. Fiz a análise mais cedo que o habitual por ter tido diabetes na gravidez do Miguel e lá fui eu a tremer que nem varas verdes na hora de receber o resultado. Para já tudo OK! Tenho tido cuidado com a alimentação, até porque os enjoos só acalmavam se não comesse hidratos de carbono (acho que foi esta semana que os enjoos se foram de vez!) e, não sei se resultado disso ou não, os valores de glicose estão bons e recomendam-se.

O J. faz-se sentir muito de vez em quando e parece que a pança me fez engordar um quilo e meio. Achava eu que por esta ser a minha última gravidez iria fazer questão de exibir a barriga desde cedo, mas continua a dar-me gozo disfarçar a protuberância abdominal com a roupa certa e manter este assunto privado.

Estou de baixa por gravidez de risco, o que significa que não vou voltar ao trabalho. Tenho que admitir que é algo que me agrada porque assim poderei continuar com o Miguel em casa pelo menos até final do ano. A creche já foi cancelada e voltará a ficar comigo a tempo inteiro. Quem tem miúdos na creche defende que ele lá devia continuar para socializar com outros miúdos. Li muito sobre isto, falei com educadoras, e as opiniões dos entendidos são unânimes: as crianças só começam a socializar por volta dos 3 anos. Se até aí puderem estar com os pais ou avós só têm a ganhar. De modo que foi simples tomar a decisão de tirar o Miguel da creche, uma vez que eu não voltarei ao trabalho tão cedo.

Quem diria, sou mãe a tempo inteiro há mais de um ano e assim continuarei pelo menos até final do ano!