8.6.15

dos reajustes

Duas semanas em Aveiro. Estive na minha casa, senti-me em casa em alguns momentos, noutros nem por isso. Há alturas em que me sinto a viver num acampamento de ciganos, e isso faz-me ter vontade de voltar a Itália. Em Itália temos a casa preparada para viver com um bebé. Em Aveiro tenho a casa que deixei há dois anos quando, sozinha, me mudei. Rio-me sempre que vejo no cesto da roupa suja roupa que lá deixei nessa altura. Que desmazelo, pensarão vocês. Eu vejo aquela roupa e sorrio, e propositadamente lavo a roupa mais recente e aquela fica ali a marinar. Se me perguntarem por que razão o faço talvez não saiba responder, ou talvez seja uma forma (parva, eu sei) de manter viva por mais uns tempos a pessoa que era há dois anos. Gosto muito da minha nova vida e gostava muito da anterior. Sim, tenho saudades de sair de casa à hora que bem me apetecia e fazer o que bem queria. Nesta ida a Aveiro descobri que já é possível sair de casa à hora a que antes saía, de máquina fotográfica na carteira… e com um carrinho de bebé. Aos poucos junto o melhor da minha vida anterior com o melhor da minha vida actual. Aos poucos reencontro-me ou encontro-me de novo, de uma forma diferente, mas é um processo difícil e nada imediato. Actualmente há tantas decisões a tomar, tantos prós e contras a pesar. Às vezes sinto que me falta uma hora de silêncio, só comigo, para respirar fundo e encontrar o caminho acertado. Não vale a pena sonhar com o que não terei, tenho de me habituar ao novo ritmo dos dias e continuo a achar que isso é o que mais me está a custar. Aos poucos chego lá, espero eu!


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