23.5.16

3 anos de Itália

Vivo em Itália há 3 anos e poucos dias. Já o disse, já o escrevi, mas não há como fugir a esta verdade: nunca eu poderia imaginar quando me mudei que 3 anos depois teria um filho, estaria quase a ter o segundo, resultado da minha quinta gravidez, e estaria casada. Vim para Itália a querer acreditar que a relação recente e frágil que tinha iria sobreviver. No entanto, naqueles 2 ou 3 centésimos de segundo de racionalidade que me permiti na altura, sabia que dificilmente aquele fiozinho que nos unia iria resistir à distância e à ausência. A verdade é que acabei por confirmar o já gasto "a vida dá muitas voltas". Achava que ia viver 3 anos sozinha em Itália e já vim para cá acompanhada por um filho que não resistiu, mas que muito contribuiu para a nossa união. Estive apenas 3 meses sem ti. Daqui a 4 meses já não estaremos em Itália. Já depois do Miguel nascer dizíamos em tom de brincadeira que viemos dois e iríamos embora quatro, contando com o cão que arranjaríamos entretanto. Continuamos sem cão, mas seremos mesmo quatro quando dissermos adeus a Itália. Para trás ficam os anos pré-Itália em que estivemos desentendidos e nem sequer olá dizíamos um ao outro, para trás ficam todas as dúvidas, para trás ficam as gravidezes que terminaram demasiado cedo, para trás fica o lugar onde os nossos filhos nasceram e a primeira casa onde viveram. Um dia voltamos para lhes mostrar o castelo que se vê da sala de partos, o lago onde tentei afogar a dor das perdas, o local onde trabalhámos e que não nos deixa grandes saudades e as casas onde vivemos e fomos felizes.

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