23.10.14

é isto

Já o disse aqui algures e, pelo menos para já, mantenho-o: gosto muito de sentir os movimentos do bebé, mas dispensava tudo o resto. Acho que a Natureza não foi propriamente amiga ao guardar a gravidez para as mulheres. Sim, é um privilégio sermos nós a transportar dentro de nós um novo ser (não coloco isto em causa e acredito que quando o rebento estiver cá fora este sentimento será bem mais forte), mas é a vida das mulheres que se vira do avesso. Somos nós que sofremos na pele e nas entranhas os efeitos menos bons da gravidez, somos nós que vemos o corpo a mudar de dia para dia, somos nós que engordamos, somos nós que podemos ficar com marcas para o resto da vida, somos nós que fazemos análises e exames ginecológicos a toda a hora. E, para já, não me pronuncio sobre o parto, ficará para daqui a mais umas semanas. Somos nós que mais stressamos quando ainda estamos na fase de querer engravidar, somos nós que mais sofremos quando uma gravidez não corre bem. Ah, coitadinho o pai também sofre muito. Não digo que não, obviamente, mas pelo menos a dor física não tem, e não foi ele que viu e sentiu um filho a fugir-lhe do próprio corpo sem nada poder fazer. Somos nós, mulheres, que ficamos com a vida condicionada a vários níveis, que deixamos de poder viajar, que somos obrigadas a deixar o nosso trabalho. Talvez daqui a mais umas semanas ache que tudo isto que agora pouco me agrada vale mesmo a pena, mas, por agora, não consigo deixar de achar injusta a sobrecarga.

E, sim, para que não restem dúvidas, estou feliz por estar grávida, e nem sequer acho que este discurso seja efeito de uma explosão hormonal. Mas eu, que sempre fiz finca pé à igualdade a todos os níveis, sinto agora na pele a desigualdade que a Natureza me impõe e nada mais posso fazer do que dizer que não me agrada e me parece extremamente injusta.

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